Ter um blog é engraçado. As vezes você fica por um, dois dias, requentando e cozinhando algum assunto na sua cabeça, pensando na melhor maneira de falar sobre ele, quando de repente um pequeno comentário, uma pequena conversa antes de dormir, fica pulando na tua frente como se dissesse "vamos, fale sobre mim, fale sobre mim!". E foi isso que aconteceu ontem a noite.
Antes de dormir, pós-CQC, meu irmão, me faz uma questão pertinente. Só para contextualizar: ele está tentando ir para o México no fim do ano, para um evento super-hiper-mega-foda dos Escoteiros (mais informações aqui). E é claro, como toda coisa bacana que queremos muito fazer, isso custará muito dinheiro. Chegamos então a questão pertinente.
Meu irmão trocou de colégio ano passado; depois da vida inteira no São Carlos, foi para o Murialdo, onde está completando o ensino médio. E verdade seja dita, nunca foi muito fã da turma e das novas companhias. Agora, prestes a se formar no fim do ano, começam os preparativos para a formatura. E foi sobre isso que meu irmão veio me pedir, se ele deveria ou não participar da cerimônia com a turma, subir no palco, de terninho bonitinho, pegar o canudo, ouvir os 30 segundos da música do McFly que ele vai escolher (porque COM CERTEZA será do McFly) e ir embora.
Eu disse pra ele que claro, se ele quer economizar o dinheiro para viajar no fim do ano, não fizesse a cerimônia e não arcasse com os gastos referentes a ela. Mas pedi para ele se colocar no lugar dos nossos pais: claro, eles sempre irão querer a felicidade do filho e tudo o mais, garantindo a viagem dele no fim do ano, mas na minha opinião, seria crueldade demais privá-los de ver o filho se formando no ensino médio, de tirar foto orgulhoso ao lado dele. Até porque, como muitas coisas na vida, só temos chance de nos formamos no ensino médio uma única vez.
Tenho até hoje na cabeceira da minha cama a minha foto de terno (e com um cabelo terrível!) daquela fatídica noite de formatura. Era o fim de uma era e início de outra, claro, mas pensava nela com o mesmo horror que penso hoje "estou ficando velho, estou me formando". Foi a mesma sensação que tive ao sair naquela manhã cinzenta e úmida de 2005, para o meu "último primeiro dia de aula" como pensava pesarosamente. A mesma sensação que tive ao ir para o penúltimo dia de aula do 3º ano, pensando: "é amanhã, tudo acaba".
Então, no fim do 5º período, o som da voz do coordenador no sistema de som do colégio informou a todos "hoje é o último dia de aula, vocês estão liberados de vir amanhã". Tudo isso para prevenir possíveis atos destrutivos no colégio (leia-se "guerra de bexiguinhas!!!"). Coordenador filha-da-p***. Aquele tinha sido o meu último dia de aula e eu não sabia. Tive o cuidado de pisar em todos os degraus ao descer do 3º andar até o térreo (pela última vez). Afinal, só vamos embora do colégio para nunca mais voltar uma única vez.
E isso se repete a vida toda. O primeiro beijo só acontece uma vez. A primeira transa. O primeiro porre. O primeiro show. Só temos 15 anos uma vez. Uma única chance de ir no maior número de festas de 15 possíveis, já que depois as nossas colegas já não terão mais 15 anos. A menos que você seja muito bem relacionado com as meninas mais novas, perdeu uma chance incrível.
(É bom citar: fui comprar um terno só lá no fim do 3º ano, pra formatura, logo não fui em nenhuma festa de 15 nos meus 15 anos. Talvez por isso tenha demorado tanto para começar a beber... xD)
A medida em que crescemos, a novela continua. O primeiro dia na faculdade (assustador!!!!). O primeiro dia no emprego. O primeiro salário. A primeira compra de adulto! O primeiro crediário! O primeiro cheque devolvido... (¬¬''). As primeiras decepções, sejam amorosas, com amigos, com trabalho, que nos fazem perceber que caímos na vida adulta, e que aquela formatura do ensino médio, agora tão looooooonge, realmente foi importante, o último marco da nossa adolescência, e que deveria ter sido comemorada com honras.
Agora, no alto dos meus quase 21 anos (um poço de sabedoria, praticamente...), olho pra trás e vejo muitas primeiras vezes que repetiria novamente, não para corrigir, mas só para sentir aquele frio na barriga de novo. E vejo muitas coisas que não fiz e que não faria de novo, porque assim não chegaria a ser quem sou. Ok, talvez eu teria ido em mais festas aos 15 anos e teria cuidado mais do meu dinheiro... mas isso são pequenas coisas, que não mudariam muuuuito o meu destino... =D
Meu chefe sempre fala sobre "apaixonar-se todo dia, repetidamente, pelo que se faz". Todo dia enxergar novidades e encarar tudo como uma primeira vez. Não criar raízes e inovar. Não se acomodar. Apesar de muito difícil, esta talvez seja uma boa dica para repetir várias "primeiras vezes" e não ficar no "uma única vez".
"Planta quae saepius transfertus non coalescit", já dizia Públio Sirio. Ou, em bom "rock-and-rollês", "rolling stone gather no moss". Pedra que rola, não cria limo. Keep on movin'.
=)
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