04. O Dia Seguinte

Ontem, 28/06, foi comemorado o Dia Internacional do Orgulho LGBT+. Falo disso hoje porque é importante pensar nisso: o dia seguinte. Por mais que seja linda e necessária qualquer tipo de celebração, independente da causa, não podemos esquecer que no dia seguinte a luta continua. Isso serve para qualquer luta, mas para mim, a causa LGBT+ é um exemplo à parte.

A sua celebração é em busca de igualdade e proteção, mas é sempre associada com um momento feliz, onde pessoas estão comemorando a chance de ser quem elas são de verdade, com muita cor e alegria. Eu acredito que essa cor toda deixa a pessoa comum mais simpática à causa - “ah, olha lá os gays felizes!” - mas ao mesmo tempo, o excesso de glitter mascara algo mais duro.

Muitas das pessoas que celebraram felizes ontem, que se sentiram à vontade sem serem julgadas, tem que se adequar a velha realidade hoje. E é uma liberdade triste, essa que vem e que vai. Por isso, não deixe essa cor toda esconder o fato que os LGBT+ tem um dia em que não precisam de permissão para serem eles mesmo.

Estamos avançando muito na aceitação do que é diferente. Dependendo para quem você pedir, alguém vai dizer “sim, todo mundo é gay hoje em dia!”. Mas quando você pensa em minorias lutando, você não diz “nossa, não sabia que fulano era negro” ou “não tinha percebido que fulana era mulher”. Há uma invisibilidade no meio LGBT+ que faz com que exista um “antes” normal e um “depois” diferente, e é essa necessidade de voltar ao antes que a gente tem que evitar.

Como é sentir na pele?

No Dia dos Namorados, fiquei pensando nos casais gays que não puderam postar suas fotos nas redes sociais por ainda viverem em segredo. Hoje, no dia seguinte, o mesmo se repete. E é muito amor escondido para um mundo que precisa muito desse amor.

Sam gosta de arco-íris

03. ASMR

Uma das maneiras que gosto de relaxar antes de dormir é assistindo vídeos de ASMR. Sigla para “Autonomous Sensory Meridian Response”, (resposta sensorial autônoma do meridiano), ASMR é uma sensação automática do corpo para certos estímulos visuais e auditivos. Às vezes ela vem como uma coceirinha boa na nuca, às vezes como arrepio no corpo, mas cada pessoa tem uma reação única.


A Gibi ASMR não aparece nesse vídeo, mas ela tem um milhão de inscritos!

Os próprios estímulos são diferentes de acordo com o tipo de vídeo e o ASMRtist (o youtuber de ASMR): existem vídeos de sussurro, onde o ASMRtist apenas fala baixinho, contando uma história ou interpretando algum personagem; vídeos de tapping, com batidinhas de leve com os dedos ou a ponta das unhas em objetivos variados; vídeos de sons com a boca, em que você tem desde o “ssk ssk” que parece alguém testando um microfone até o som de mastigação, o famoso “nhom nhom”. Tem para todos os gostos.


A Sharon do ASMR Glow é maquiadora profissional e é ótima de seguir no Insta também

Eu lembro de sentir esse tipo de arrepio pela primeira vez quando era pequeno e ia em médicos que falavam baixinho, de forma pausada e relaxada e aquilo me dava uma sensação boa de paz e tranquilidade.


A Erin do Goodnight Moon interpreta tantos personagens que tem um vídeo só com artes que mandam dos personagens dela

É difícil expressar uma sensação corporal tão específica em palavras, então, caso não tenha entendido nada disso acima, encare o ASMR como uma simples sessão de relaxamento. Boa parte do descanso proporcionado é pelo simples fato de você parar e ter alguém olhando para você durante um tempo, falando baixinho, sem exigir nada além da sua atenção e do seu conforto.


A Taylor ASMR é um canal mais novo, mas já tem um vídeo interrompido pelo gato com medo do temporal

Em tempos tão corridos e de conteúdos tão pesados, interagir com alguém de forma tão suave é renovador. Jogue ASMR no YouTube e explore. Existem centenas de canais em português e inglês prontos para te ajudar a relaxar. E bom descanso!

Sam é meio que viciado nisso, mas recomenda profundamente

02. The Hollow

Assisti recentemente no Netflix a série animada “The Hollow” (“O Vazio” em português, um título realmente vazio) e recomendo com gosto.


A série acompanha três adolescentes que acordam em um cenário bem Jogos Mortais: sozinhos em uma sala sem janelas e sem lembrar de nada, Adam, Kai e Mira descobrem seus nomes em papéis guardados nos bolsos e uma máquina de escrever capaz de tirá-los dali. Ao saírem da sala, vão parar em uma floresta com uma cabana que parece um laboratório abandonado.

Não tente adivinhar o que acontece em seguida, já que no final do episódio eles acabam em uma cidade no deserto povoada por touros mutantes e antes de serem devorados por eles, acabam tendo que fugir de donas de casa dos anos 50 que viram zumbis que derretem no sol.

O final do segundo episódio mostra os três encontrando os Quatro Cavaleiros do Apocalipse e ajudando a salvar o cavalo moribundo da Morte e… paro por aí. “The Hollow” tem apenas 10 episódios, que passam voando e te colocam no mesmo ritmo dos personagens da série, sempre querendo descobrir o próximo passo.

A animação é excelente e as cenas de ação são bem feitas, principalmente à medida que os personagens descobrem seus poderes especiais. Mas o principal atrativo da série é o mistério. Estariam eles mortos? Ou seria uma realidade alternativa? A vibe Caverna do Dragão te faz querer continuar assistindo só para descobrir o que está acontecendo. A explicação parece meio óbvia para quem está prestando atenção, mas não decepciona.

E o final da série é excelente: apesar de deixar uma pequena brecha para continuação, a série termina explicando tudo e de maneira inovadora, me lembrando programas dos anos 90 que misturavam desenho animado e… Assistam. Vale a pena!



Sam acha que todo mundo devia assistir desenhos animados

01. Namorar é um triatlo


Nós deveríamos ser mais corajosos nessa vida depois de começar a namorar. Pensa comigo: namorar é basicamente falar para alguém:

“Então, eu sou essa pessoa muito massa com você, mas tem uns momentos em que nem eu me aguento. Tá afim de conhecer eles?”

“Olha só, eu também tenho esses momentos! Se você tá afim de conhecer os meus, eu tô afim de conhecer os teus. Vamos ser vulneráveis juntos?”

“Bora! Mas assim, todos eles? Talvez tenha coisas que nem eu saiba que estão escondidas.”

“Cara, fechou. Tu não sabe o que espera no meu armário. Tamo junto.”

“Beleza, vamo nessa.”

“Partiu.”

É como duas pessoas com metade dos ingredientes para cozinhar pratos diferentes falando: hoje a janta é com a gente. Vai ficar muito maluco, mas talvez dê certo.

Como, COMO, a gente fica com receio de qualquer coisa depois de se abrir e ser vulnerável para alguém dessa maneira? Amor é um ato de doação. Você pode doar o seu melhor para alguém que você ama sem pedir nada em troca mas sabe que vai receber algo em troca. A gente faz isso o dia inteiro, o tempo inteiro, desde criança. É incondicional. É como amamos nossos pais.

(Eventualmente, descobrimos que amar eles pode nos dar algo em troca, mas isso é história pra outra hora.)

Namorar não. Namorar, desde os seus pequenos arrombos na adolescência até aquele namoro que você fala “É isso. É esse.” é um exercício de desprendimento e confiança que deveria trazer todo tipo de benefício para o resto da vida.

Quer pedir aumento para o chefe? Você já pediu para alguém ficar do seu lado enquanto chovia porque tinha medo de trovões!

Com medo de revelar as suas ideias na reunião da firma? Você já revelou coisa bem mais secreta no quarto.

Sem coragem de encarar o dia? E a coragem de dizer “oi, quer me ver pelado e transar comigo?”. Considerando que ambas as situações podem terminar mal, você deveria se dedicar mais.

Nós deveríamos andar o dia inteiro com uma escala chamada “Você já fez isso, então não tenha medo de fazer aquilo!”. Inventem um app, por gentileza. Deixe o amor e a confiança que você ganhou no seu relacionamento expandir para sua vida inteira.

(Ou, como eu gosto de pensar: se você já teve coragem para pedir um menáge quando tudo dava certo, pode ter coragem para pedir desculpas quando alguma coisa deu errado)

Namorar é um exercício de empatia, de vulnerabilidade e de confiança. É o melhor triatlo que existe. Pratique.

E Feliz Dia dos Namorados!

Sam é melhor em namorar do que em escrever no seu blog