17. Moedas do Yoshi

A vida é como um jogo single player, em que você joga sozinho e a única competição é a última vez que você jogou essa mesma fase. Não adianta nada se comparar aos outros se só você está jogando o seu jogo: as pessoas podem ter a mesma idade, ter estudado na mesma escola, ter vivido na mesma cidade, mas só você lembrou de pegar as cinco moedas do Yoshi que te davam uma vida extra nessa fase da vida.

O nome delas é Dragon Coin. Eu não sabia.

Se formos adiante na metáfora, dá pra comparar cada dia vivido com uma fase do jogo. Não temos nenhum motivo pra voltar e jogar novamente uma fase que a gente já passou, além de melhorar o nosso rendimento e pegar os itens que a gente não pegou antes. Na vida, naturalmente, não dá pra viver um dia de novo, mas dá pra viver um novo dia comparando com o dia anterior.

Acordar na hora desejada ao invés de acordar atrasado que nem ontem é como pegar uma moedinha do Yoshi nessa rodada. Comer com cuidado, fumar menos, tomar menos café, ler um pouco, dormir na hora, cada atitude que você se dedica a fazer melhor do que o dia anterior é uma moedinha a mais. E quando você menos percebe, PLIM! Uma vida nova foi adicionada ao seu estoque.

Ou cresce como pessoa.

E se a gente não conseguir completar a fase 100%, não tem problema. Amanhã tem outro dia. O importante é saber qual é o nosso limite para não jogar pelo limite do outro. Nós devemos criar as nossas medidas de rendimento, afinal, só nós sabemos o que passamos para alcançar tudo na vida. E às vezes não é nem culpa das outras pessoas: trabalhamos com limites dos outros porque não sabemos os nossos. E isso a gente só descobre jogando. A prática leva a perfeição e, se não deu hoje, amanhã tem outra fase.

Mas não se esqueça: dá pra passar de fase sem pegar todas as moedas do Yoshi.

Sam sempre jogou videogame muito mal

16. Take On Me

Conheci o Weezer em 2001, quando eles tocaram “Hash Pipe” ao vivo no MTV Movie Awards. Eu estava na 7ª série, começando a gostar de música de maneira séria. Eu assistia o Movie Awards religiosamente, fazendo bolão comigo mesmo sobre quais filmes iam ganhar quais prêmios, mas naquele ano aquela apresentação musical foi mais marcante do que qualquer prêmio.

Naquela época eu ainda era um pré-adolescente que considerava a hipótese de pedir uma guitarra de presente, sem nunca ter tido aptidão nenhuma com instrumentos de corda. Quando eu vi aquela banda com um W enorme no fundo do palco e labaredas de fogo na sua frente, a paixão foi imediata. Mas mais do que a atitude, a música ou os hormônios falando mais alto, a principal identificação com a banda foi a miopia.



Quando você é jovem e começa a ouvir Led Zeppelin, AC/DC, Metallica, a última coisa que você espera ver é qualquer um deles usando óculos em cima do palco. E ali estava o Weezer, com dois membros da banda admitindo em público que precisavam de óculos para enxergarem o que estavam tocando. Aquela foi a prova que eu precisava de que qualquer coisa que eu eu quisesse fazer na vida eu podia, porque tinha pessoas parecidas comigo que já faziam, e muito bem. Foi o meu momento de entender que representação importa.

Em dezembro de 2003 eu ganhei minha bateria e a partir dali eu também era alguém de óculos em cima do palco. Desde 2001 acompanho o Weezer e adorei o “Teal Album”, coleção de covers feitos pela banda incentivada pelo cover viral de “Africa” do Toto. 18 anos depois, ouvir esse álbum é como acompanhar velhos amigos que resolveram descansar um pouco e só tocar algumas músicas por diversão, sem muita expectativa, exatamente o que eu faria hoje. É bom ver que a identificação continua.



Ontem foi lançado o clipe do cover deles de “Take on Me”, do A-Ha, usando como proto-Weezer a Calpurnia, banda do Finn Wolfhard, o Mike do Stranger Things. No Instagram, a banda agradeceu pela oportunidade, dizendo que todos sempre foram muito fãs de Weezer. Finn nasceu em 2002, um ano depois daquela apresentação pela qual eu me apaixonei pela banda.



O Weezer nasceu em 1992, mas apesar dos seus 27 anos de existência, felizmente não dá sinais de parar, com seu 13º álbum programado para o próximo dia 1 de março.

Os meninos que precisam saber que podem usar óculos e ainda assim ter uma banda agradecem.

Sam ainda quer ver um show do Weezer