A Miopia, a Falta de Foco & 5 Anos

Onde você se vê em cinco anos?

Em 1972, David Bowie lançou a obra prima intitulada "The Rise and Fall Of Ziggy Stardust". O álbum conceitual, que dispensa comentários (leia mais aqui e aqui, mas, antes de tudo, baixe o disco aqui), abre com a faixa "Five Years". O prólogo da história narra a chegada do alienígena Ziggy Stardust à Terra no momento em que a humanidade descobre que o mundo acabará em cinco anos, devido a falta de recursos naturais. Reza a lenda que Bowie escolheu o tempo de cinco anos porque em 1971 sonhou com o seu falecido pai, que disse a ele para nunca mais voar e que morreria em cinco anos. O sonho teve tamanha influência em Bowie que ajudou na criação da música, do personagem e da lenda. Imagino Bowie pensando: "Tenho cinco anos. Vou entrar para a história".

Traçar a nossa vida futura é uma tarefa ingrata. Somos acometidos desta questão normalmente em momentos em que somos questionados sobre nossa vida. Em que ponto do meu crescimento estou agora?. O que alcancei até aqui? Aonde estarei em cinco anos? Essa é uma daquelas perguntas que provocam arrepios na espinha e dão a sensação de que estamos fazendo tudo errado. Somos atacados por uma miopia súbita que impede de ver as coisas claramente. Daí o desespero bate.

E isso não é somente pensando cinco anos à frente. Eu admiro profundamente pessoas que consigam planejar o seu dia a dia de forma metódica e organizada. Sou virginiano mas falho nesse quesito. Me lembro meu irmão comentar uma vez algo como "se um adolescente no ensino médio tem dez coisas para fazer E as suas tarefas do colégio, ele irá fazer todas as outras coisas antes e só então fará as suas obrigações escolares". Porém, essa falta de foco não atinge só os adolescentes.

Sento na minha cadeira de trabalho todo dia, já imerso no ambiente e já com a noção de que tenho coisas para fazer. Porém, eu tenho internet banda larga. E MSN. E Orkut. E Twitter. E blog. E 11.292 arquivos divididos em 975 pastas na minha pasta de músicas. É ÓBVIO que o trabalho será a última coisa em que vou me concentrar. O que se repete todo dia é uma lida rápida de todas as notícias dos sites que acompanho e das postagens mais recentes no Twitter, rotina normalmente interrompida abruptamente pela chegada de um chefe.

Essa falta de foco nos objetivos é normal. Com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, a mesa cheia de papéis, o telefone tocando, as pessoas falando, é difícil saber por onde começar. Não temos nem idéia de como o dia irá acabar. Quem dirá planejar a semana inteira na manhã da segunda-feira e torcer para que dê tudo certo no final da sexta e a semana não invada o sábado.

Planejar cinco anos então, nem se fala...

Eu, pessoalmente, não sei onde estarei em cinco anos. A minha resposta comum (que eu venho dando há mais de cinco anos...) seria: "me vejo sendo músico, tocando por aí e vivendo disso". Um tanto quanto esperançoso, claro, mas sonhar não custa. O que custa é fazer acontecer, mas para isso temos que viver agora, não cinco anos no futuro. O presente é o que importa. Considerando a "estabilidade" de uma carreira artística, não vejo nada muito concreto na minha frente. Mas confesso que fico feliz por isso. Explico.

Sexta passada madruguei assistindo "Rockstar", seguido de "Across The Universe", dois legítimos Movies That Rock (mas que não estavam passando na VH1... ;]). Foi uma noite solitária e divertida; "Across..." eu assisti de novo somente para ver a cena da enfermaria e cantar um pouco de Beatles, o que nunca é demais. "Rockstar", apesar de se passar numa das épocas mais repugnantes do rock and roll, é uma fábula legítima do sonho adolescente (mas que ainda não supera a minha menina dos olhos, "Quase Famosos"), e ao assistí-lo de novo pude ver algumas coisas que já não lembrava mais e que se refletem no que faço. Não me recordava que um dos motivos para o personagem de Mark Wahlberg sair da banda era o fato dele querer seguir como uma banda "tributo", enquanto o resto da banda queria compor músicas próprias, tornando-se uma banda "cover". Tendo eu uma banda tributo e uma banda cover que compõe músicas próprias, achei muito interessante essa questão. E o fato de eu poder seguir pelos dois caminhos só contribui mais ainda para o meu futuro "nebuloso"...

Porém, há uma passagem do filme que tem mais a ver com o assunto tratado aqui. Em certo ponto do filme, Chris / Izzy, personagem de Wahlberg, conversa com o empresário da banda, Mats, interpretado por Timothy Spall (Rabicho!!!) sobre ter decepcionado a namorada, Emily, interpretada por Jennifer Aniston. Chris então questiona Mats sobre como ele entrou para aquela vida. Mats conta que certo dia estava no parque com a namorada e tinha uma vida feliz. Em certo momento, decidiu ir ao banheiro e, enquanto estava lá mijando, teve uma epifania, um momente de iluminação, em que enxergou toda a sua vida traçada a sua frente. De repente ele estaria casado, sua mulher estaria grávida, ele arranjaria um emprego e viveria para sempre em uma casinha sustentando a família. E não era isso que ele queria. Mats acabou o que estava fazendo - lavou as mãos, espero - e deu as costas para a namorada. Nunca mais voltou.

Eu enxergo dessa maneira um dos meus casais de amigos mais próximos. Eles namoram firme há tempos, estão sempre se vendo, fazem coisas juntos, viajam juntos, tem empregos estáveis e fazem a mesma faculdade. Já até trabalharam no mesmo lugar, sendo que foi ela quem conseguiu o emprego para ele. Eu já vi essa cena antes. Meus pais se conheceram trabalhando no mesmo lugar e o atual emprego do meu pai foi minha mãe quem conseguiu. E o futuro dos dois provavelmente será o mesmo que o dos meus pais: eles irão se formar, vão casar, morar juntos, guardar dinheiro durante o ano para viajar nas férias, ter filhos, viajar com eles nas férias enquanto eles são pequenos e depois gastarão na educação dos filhos, sacrificando a sua própria satisfação. Quando os filhos já tiverem dinheiro para se manterem e se virarem e eles dois puderem voltar as suas viagens e diversões, eles já estarão acomodados em sua casinha, provavelmente com uma casa de campo também, e se lembrarão saudosos dos seus vinte e poucos anos, felizes e conformados.

Não há nada de errado nisso. Espero realmente que eles tenham filhos felizes e uma casa de campo (e que me convidem para ir lá passar alguns fins-de-semana ensolarados). Mas eu odiaria saber que minha vida poderia ser traçada em um parágrafo de um blog idiota. Não vivemos um roteiro. É tudo uma questão de escolha. E quem faz estas escolhas, naturalmente, somos nós.

Ilustrando melhor, um outro amigo meu seguia o mesmo exemplo até o ensino médio; nós podíamos traçar detalhadamente sua vida até um futuro próximo. Garoto gordinho que lia bastante e não fazia muito sucesso com as garotas, estudava muito e ia muito bem no colégio. Muito bem mesmo. A sucessão de eventos foi natural. A gente sabia que ele ia passar na faculdade federal de POA. A gente sabia que ele ia se dar tão bem na faculdade quando no colégio. A gente sabia que ele logo ia arranjar um intercâmbio e ia estudar fora. A gente sabia que cedo ou tarde ia se despedir dele, desejando que passasse dois bons anos na França. A gente sabia que logo ia ver o álbum de fotos dele no Orkut detalhando o mochilão que fez durante 15 dias na região de Córsega, acompanhado apenas de sua bicicleta, uma barraca, uma câmera e belas paisagens, dormindo onde esse e acampando quando não arranjasse teto para dormir...

Peraí? O nosso garoto pálido gordinho de óculos que ia bem em física... fazendo um mochilão pela Europa? Acampando? Magro? Não, a gente não esperava por essa...

Mas que orgulho! Fiquei aliviado ao saber que pelo menos um de nós está lá fora, conhecendo o mundo. Enquanto eu estou aqui, em dúvida se primeiro acesso o Twitter ou o 4Shared, ele tá lá, tirando fotos de cidadelas e escrevendo "françeses" e "descançar" no Orkut. Mas tudo bem, eu trocava alguns erros de português por alguns momentos lá, sem dúvida.

A rotina me mata. E garanto que mata muitos também. Olhar cinco anos no futuro e ver algo de concreto é um pesadelo. Esse período de férias, em que trabalho manhã e tarde, é mais ou menos assim. Saber que irei acordar todo dia no mesmo horário, pegarei o mesmo ônibus com as mesmas pessoas, voltarei com as mesmas pessoas pra casa almoçar, irei de volta ao trabalho com as mesmas pessoas, voltarei para casa no mesmo horário... isso é um absurdo! Onde está a novidade, o tesão pela vida! Felizmente, eu trabalho em um lugar e em uma área onde nada é muito correto. Estava desde ontem me preparando psicologicamente para viajar com a agência inteira e trabalhar em Guaporé até tarde, curtindo um estresse bacana e exterminando minha sexta-feira. Hoje, antes do meio-dia, meu chefe disse "tu fica". Agora estou aqui, escrevendo no meu bloguezinho querido, curtindo um fabuloso silêncio e fazendo algo inesperado. Ah, o banheiro tá entupido também. Viva a mudança.

Não esmoreçam. Não deixem a rotina pegá-los. Porém, não percam o foco. Transformem essa miopia repentina em algo novo, criativo, uma nova centelha de vida. Há uma música do Rush que fala "life is just a candle and a dream must give it flame". A vida é apenas uma vela e um sonho deve dar a ela a chama. Com um sonho, Bowie virou uma lenda e começou a entrar para a história. Não se esqueçam dos seus.

E você, onde se vê em cinco anos?

Cometa Diário: Ano Um

Um ano de blog! E quem ganha o presente... sou eu!

Nada melhor do que a satisfação de ver que um projeto iniciado a um ano e um dia (magia celta isso, adoro...) continua em pé. Um ano e um dia porque, apesar da primeira postagem datar de 23 de julho de 2008, o nome do blog eu pensei no dia 22, antes de dormir, deitado na minha caminha querida no meu quarto improvisado na garagem quando a minha atual casa estava sendo construída. Parece que foi ontem... e já faz um ano. "Every year is getting shorter..." já dizia o Pink Floyd em "Time". Se em 1973, os anos já eram rápidos, calcula hoje.

Na primeira postagem, Editorial, eu já declarava os motivos e possíveis objetivos do blog. Tudo mentira: continuo usando o Orkut, o meu blog é mais atualizado do que o da Celli e o do meu irmão, e eu nunca escrevi nenhuma aventura do Esquadrão Aurora aqui. De verdadeiro, só o fato de que eu iria escrever besteira pra todo mundo ver. E isso se confirma cada vez mais... xD

Na segunda postagem, O Nome do Blog, feita no mesmo dia (já se revelava aí um "blogaholic") eu explicitava os motivos do nome e já citava gibis a torto e direito. Hoje, 112 postagens depois, certas coisas nunca mudam.

E se há um ano atrás eu condenava o uso do Orkut, o que diria se imaginasse a influência do Twitter hoje em dia! Confesso que essa ferramenta maligna do demônio tem me consumido algum tempo e boas idéias. Mas felizmente, o meu bloguezinho querido continua aqui, firme e forte, sendo mais uma ferramenta para treinar a escrita do que difusão de idéias ou diário pessoal. Mas acaba servindo para os três.

Porém, nem tudo são flores. Fazendo as contas ontem, das minhas 24h diárias durante a semana, 8h30min são gastas no trabalho. Sobram 15h30min. No sono, normalmente, gasto umas 8h30 também. Sobram 7h. De ônibus, 1h por dia. No almoço, janta e café, mais uns 30min cada. Ao final de tudo, sobram umas 4h30min diárias. E isso levando em consideração que estou de férias.

Uma vez eu tinha até tempo para escrever. Escrever mesmo, papel e caneta. Com 4h30min diárias divididas entre TV, livros, gibis, videogame e família, sem contar possíveis ensaios, trabalhar além do horário e outros compromissos diversos, esse hábito sumiu com o tempo. Por isso prezo tanto esse meu bloguezinho querido. E até diria o mesmo do meu malfadado Twitter, mas depois de uma notícia que li ontem, vejo que não estou sozinho em certos pensamentos que tenho. E não só não estou sozinho, como estou bem acompanhado!

John Mayer, um dos dez seres humanos mais seguidos no Twitter (1.797.666 pessoas o seguem aqui - eu nem sei falar esse número, e atualizei ele três vezes durante a tarde) recentemente disse que a rede social está atrapalhando no seu processo de composição. Ele relatou estar sofrendo de uma "atrofia cerebral" ("cãimbra no cérebro", como diria meu tio) e que o fato de estar tão acostumado a escrever somente 140 caracteres - e ele escreve MUITO - estava fazendo ele compor em pequenas sentenças, pequenos impulsos, exatamente como no Twitter. Segundo Mayer, ele iria fazer uma pausa nas postagens. O que ele precisava agora eram "livros, pensamentos completos e uma sequência de idéias que construa algo".

(Inclusive Jennifer Aniston, sua ex-namorada, rompeu com ele porque de acordo com ela, Mayer nunca tinha tempo para ligar, mas sempre arranjava tempo para atualizar o Twitter. Quem diria, John Mayer e Jennifer Aniston são humanos!)

Então, logo eu penso: se o John Mayer tem problemas com isso, até eu posso ter! Claro, eu não chego nem na ponta do dedinho do pé dele, mas a última vez que escrevi alguma letra de música decente foi no domingo fatídico depois da noite em que eu enchi a cara. Desde lá, nada de útil tem surgido desta minha caixola ruiva. E claro, SIM, passou pela minha cabeça o fato de que talvez se eu enchesse a cara novamente eu pudesse escrever algo decente, mas NÃO, eu não vou tentar, é meio arriscado demais. A última vez que eu escrevi alguma história decente em papel e caneta então, nem se fala...

Por isso, como John Mayer, vou tentar dar um tempo (ele continou postando normalmente e eu vou fazer isso, claro, mas o que vale é a intenção... xD). Como diria uma pessoa muito importante na minha vida e mais importante ainda no meu vício de escrever, "Larga o teclado. Papel e caneta tem muito mais poesia". Prevejo que as 4h30min terão que ser mais repartidas ainda. Mas mesmo que minha semana tivesse 8 dias de 36h, eu reclamaria. Logo, cala a boca Samuel e conforme-se com o que tem.

Logo, enquanto não volto ao meu hábito normal de escrever, continuo aqui. E que venha mais um ano, e outro, e outro. Eu admito: gosto muuuuito de escrever aqui. E obrigado a todos que leram e comentaram algumas dessas 112 postagens neste último ano. Se não fosse por vocês, isso tudo seriam apenas bytes ocupando espaço na internet. Valeu. =)

(P.S.: obrigado a quem leu a última postagem! Foi a maior coisa que já escrevi no blog até hoje e achei que ninguém ia ler. Quão grande foi minha surpresa quando vi que apenas um dia depois tinha 4 comentários! Thanks everybody, quando eu ficar famoso vocês vão poder dizer "eu lia o blog dele quando ele só sabia reclamar dos remédios que tava tomando!" Vocês vão ser famosos também... ;])

Cenário-Hipotético-Pré-Apocalíptico

(Como sou querido, já aviso: o texto abaixo é grande. Respire fundo caso vá encará-lo. E leia ouvindo Muse, ele foi escrito ouvindo essa banda maravilhosa, uma boa trilha sonora para o... fim =)

Um vírus mortal é lançado no mundo. Começa no México e depois ataca os Estados Unidos. Pessoas morrem.

(Michael Jackson morre. Ninguém mais lembra do vírus.)

As mortes lentamente diminuem na América do Norte. O vírus chega a Europa. Milhares são infectados na Inglaterra. Aulas param. Repartições públicas também.

(Uns dois ou três aviões caem. Ninguém mais lembra do vírus.)

Lentamente (e letalmente), o vírus se espalha por toda a América. Chegando à América do Sul, infecta os países que fazem fronteira com o Brasil. O sul sai prejudicado; é época de frio, todos já estão gripados, com a imunidade baixa. Entre os infectados na Argentina, existem brasileiros. E claro, argentinos que vêm para o Brasil. Logo, pessoas que contraíram o vírus ultrapassam a fronteira.

A gripe está aqui.

Em pouco tempo, uma pessoa morre. Um adulto, sadio e forte. Logo, outra morre. Uma criança. O vírus é como a guerra: não faz distinção de cor, idade, credo. Mata pobres e ricos. As pessoas começam a se desesperar. Pensam em usar máscaras.

Mais pessoas morrem. A prefeitura diz que criará um pacote de medidas para tentar conter a infecção. Os jornais já vão mais longe e estampam uma semana inteira de capas com máscaras, como se, num arrombo de Rorschach, já indicassem em letras garrafais vermelhas "The end is nigh."

Os pronto-socorros estão cheios, sem falar nos hospitais. Um novo hospital é preparado as pressas. Um hospital de campanha. Realmente estamos em guerra, contra um inimigo invísivel. No atendimento ao público, todos começam a usar máscaras, que rapidamente se torna o símbolo do combate a doença. Todos preferem ignorar o fato de que elas duram apenas duas horas.

A prefeitura anuncia medidas preventivas. Depois de sugerir um possível fechamento dos bares, igrejas e cinemas, diz apenas que não é recomendável que pessoas doentes frequentem lugares com aglomeração. Como se alguém com febre de 38° fosse frequentar uma boate. Enquanto os adolescentes e jovens tentam ignorar as ordens, os pais ordenam bravamente em casa "proibidos de sair por duas semanas". Para alegria dos pais, shows, teatros e cinema começam a ser cancelados.

Aos poucos, mais pessoas morrem, em todo o país. Mas a maioria está no sul. Auxiliando no medo, as companhias de ônibus primeiro pedem e depois obrigam os seus funcionários a usar máscara. Para ajudar, além do frio, ventos destelham as casas com uma facilidade incrível. Segundo o jornal, o vírus já está circulando livremente nas ruas da cidade. Com toda essa ventania, ele com certeza já cobriu a cidade inteira. O inverno não perdoa.

Mais pessoas morrem. Muitas, de acordo com a cruel e imperdoável mídia, morrem com "suspeita de contraído o vírus". Mas morrer "com suspeita" é diferente de morrer "por causa" da nova doença. Porém, a sociedade conservadora prefere não duvidar da implacável mídia e o quarto poder consegue mais uma vez. Em breve, a cidade inteira parou, menos os meios de comunicação. Alguém precisa manter a população dentro de casa, com medo, enquanto o vírus está lá fora.

A situação se assemelha a "1984". Com as férias estendidas, as pessoas ficam mais tempo em casa. O mesmo acontece com as crianças. Os gastos com energia, acrescidos dos já tradicionais gastos com o inverno, aumentam horrores: além da estufa e da secadora, para combater o frio, temos mais TVs, computadores e videogames ligados em casa. A juventude perdida tem que se ocupar com alguma coisa, já que não pode sair de casa. Porque livros quando temos internet?

Nas famílias com menos dinheiro, os filhos, agora em casa, perdem o almoço que ganhavam no lugar onde frequentavam. Enquanto alguns estocam comida para não precisar mais sair de casa, outros não tem mais com o que se alimentar.

O tempo caótico provoca novas tempestades, causando mais estragos. Caem postes, ocasionando a falta de luz. A casa com estufa, secadora, computador e videogame entra em conflito quando todos são obrigados a se contentar com a cara uns dos outros para passar tempo.

As locadoras nunca lucraram tanto. As pessoas se obrigam a arranjar algo para passar o tempo e recorrem diretamente a elas. Morbidamente, filmes como "Extermínio", "Resident Evil", "Serenity" e a série dos mortos-vivos de George Romero nunca foram tão locados. A humanidade é maquiavélica.

Coincidemente, a situação dos filmes é similar a das ruas, apenas com a ausência dos zumbis infectados por uma praga maligna. As ruas desertas dão o tom da situação: todos estão em casa, a ponto de explodir.

E isso logo acontece. Com mais mortes sendo anunciadas com alarde pela mídia e a falta de explicações, um grupo de pessoas se organiza para protestar maiores informações. Inclusive, não faltam pessoas dizendo que é tudo uma farsa, uma conspiração. O protesto, organizado naturalmente pela internet, meio livre dos vírus humanos, acontece no mesmo dia em que um grupo de protestantes decide ir as ruas para protestar por mais remédios, melhores médicos e mais cuidados. Eles se encontram em frente ao maior hospital da cidade. Enquanto uns dizem que é uma farsa, outros, vestindo camisetas dos parentes mortos e molhando as máscaras de lágrimas, perguntam se os velórios já realizados foram uma farsa.

Conflito.

A polícia é chamada para deter os manifestantes. Além dos hospitais, a delegacia fica cheia. Alguns são mandados diretamente para a prisão. Ao chegarem lá usando mascára, alguns prisioneiros não tem muito tempo para se explicar. Ou pedir clemência. Rapidamente, a prisão continua sem casos de gripe.

Julho e agosto terminam tensos, dignos de meses do cachorro louco. Logo vem setembro, e com ele, a primavera. A administração decide então criar um evento para acalmar os ânimos. Uma celebração ao início da primavera, no parque, porque não? Com ajuda da mídia, que recebeu um puxão de orelha (e algumas ameaças) para tentar levantar a moral da população, um bom público se reúne no parque.

As orquestras de música clássica da cidade são chamadas. No dia da celebração, todos estão lá, sorridentes, tentando esconder o fato de que todos os ensaios gerais foram feitos com máscaras.

O prefeito, recém chegado das férias em um estado que não teve muitos casos de gripe, sobe ao palco antes do concerto para tentar falar algumas palavras animadoras. A multidão corajosa aplaude, ansiosa. Algumas palavras inseguras depois, o prefeito faz o que ninguém esperava.

Ele tosse.

A multidão entra em um silêncio mortal. O prefeito sua. Ele tenta fazer algum comentário espirituoso, mas nada vem a mente. Logo, um assessor corajoso toma o microfone das suas mãos e pede o início do concerto.

Ao som do primeiro acorde, uma ventania atinge o local. Enquanto algumas senhoras seguram os chapéus que utilizavam para proteger-se do sol, alguns jovens lembram-se que na primavera, os ventos auxiliam na polinização das flores, levando os grãos de pólen de uma flor para o estigma de outra flor. Alguém então se lembra dos ventos do inverno, que talvez pudessem ter auxiliado na transmissão do vírus pela cidade, e se questiona se naquele momento, com aquele vento, aquilo poderia estar acontecendo de novo.

A informação logo se espalha na multidão. Logo, os comentários se tornam um ruído, que chega a atrapalhar a apresentação da orquestra. Então, alguém avista de alguma maneira, no meio da multidão, um jovem de máscara.

As pessoas começam a olhar torto. Alguém faz um comentário estúpido. A pessoa de máscara não dá atenção. Logo, um outro corajoso empurra a pessoa de máscara, como se ela pudesse ser a culpada de uma possível contaminação de todos ali. A pessoa levanta e tenta se conter. Outra criatura imbecil sai da multidão e empurra ela de novo. O jovem de máscara se defende. O primeiro atacante tenta atacá-la de novo, mas é impedido por alguém que a defende. Logo, a multidão se divide em dois lados e começa a brigar, porém, em poucos segundos, se esquece do motivo da briga. A insegurança ainda está presente. O medo é mais forte do que todos.

A orquestra demora a perceber o tumulto e continua tocando, criando a trilha sonora para a briga, transformando a cena em algo tétrico, cinematográfico. As autoridades locais presentes logo são deslocadas para sua segurança e a polícia então se mobiliza na tentativa de conter o conflito. Depois de muitas prisões e muitos feridos, é localizado o jovem de máscara, pisoteado no chão. Morto.

A mídia logo tenta cobrir o caso, dizendo que ele estava doente, por isso estava de máscara. Alguns grupos porém, tentam dizer a verdade, que aquela tinha sido a primeira vítima da ignorância da gripe, e não da gripe em si. A família do jovem é encontrada e questionada porque ele estava de máscara. Segundo eles, ele tinha acabado de retornar de uma viagem ao campo e viu as capas sensacionalistas dos jornais, dizendo que a máscara era um meio seguro de se proteger da gripe. Tinha acordado mais tarde naquele dia e, ao saber que os pais tinham se dirigido ao parque, resolveu ir encontrá-los. Porém, influenciado pelos jornais, assustadores, resolveu por a máscara.

Ele não estava doente. Estava se protegendo.

Até o fim do ano, mais mortes acontecem, algumas pela doença, algumas por falta de informações, e algumas por estupidez mesmo. O verão chega e com ele a dúvida se é mais seguro ficar em casa ou partir ao litoral. A insegurança logo chega a estrada, com as pessoas fugindo da cidade como se assim estivessem fugindo do vírus. As barreiras nas rodovias, porém, trazem de volta o fantasma da doença.

2010 chega, sem fogos de artifício na praia. Um ano inseguro se inicia.

Mas é claro, tudo isso é um cenário hipotético pré-apocalíptico, criado por uma mente doentia nerd que adora cenários apocalípticos. Não há nada a temer, afinal, estamos seguros.

Não estamos?

Uma Única Vez

Ter um blog é engraçado. As vezes você fica por um, dois dias, requentando e cozinhando algum assunto na sua cabeça, pensando na melhor maneira de falar sobre ele, quando de repente um pequeno comentário, uma pequena conversa antes de dormir, fica pulando na tua frente como se dissesse "vamos, fale sobre mim, fale sobre mim!". E foi isso que aconteceu ontem a noite.

Antes de dormir, pós-CQC, meu irmão, me faz uma questão pertinente. Só para contextualizar: ele está tentando ir para o México no fim do ano, para um evento super-hiper-mega-foda dos Escoteiros (mais informações aqui). E é claro, como toda coisa bacana que queremos muito fazer, isso custará muito dinheiro. Chegamos então a questão pertinente.

Meu irmão trocou de colégio ano passado; depois da vida inteira no São Carlos, foi para o Murialdo, onde está completando o ensino médio. E verdade seja dita, nunca foi muito fã da turma e das novas companhias. Agora, prestes a se formar no fim do ano, começam os preparativos para a formatura. E foi sobre isso que meu irmão veio me pedir, se ele deveria ou não participar da cerimônia com a turma, subir no palco, de terninho bonitinho, pegar o canudo, ouvir os 30 segundos da música do McFly que ele vai escolher (porque COM CERTEZA será do McFly) e ir embora.

Eu disse pra ele que claro, se ele quer economizar o dinheiro para viajar no fim do ano, não fizesse a cerimônia e não arcasse com os gastos referentes a ela. Mas pedi para ele se colocar no lugar dos nossos pais: claro, eles sempre irão querer a felicidade do filho e tudo o mais, garantindo a viagem dele no fim do ano, mas na minha opinião, seria crueldade demais privá-los de ver o filho se formando no ensino médio, de tirar foto orgulhoso ao lado dele. Até porque, como muitas coisas na vida, só temos chance de nos formamos no ensino médio uma única vez.

Tenho até hoje na cabeceira da minha cama a minha foto de terno (e com um cabelo terrível!) daquela fatídica noite de formatura. Era o fim de uma era e início de outra, claro, mas pensava nela com o mesmo horror que penso hoje "estou ficando velho, estou me formando". Foi a mesma sensação que tive ao sair naquela manhã cinzenta e úmida de 2005, para o meu "último primeiro dia de aula" como pensava pesarosamente. A mesma sensação que tive ao ir para o penúltimo dia de aula do 3º ano, pensando: "é amanhã, tudo acaba".

Então, no fim do 5º período, o som da voz do coordenador no sistema de som do colégio informou a todos "hoje é o último dia de aula, vocês estão liberados de vir amanhã". Tudo isso para prevenir possíveis atos destrutivos no colégio (leia-se "guerra de bexiguinhas!!!"). Coordenador filha-da-p***. Aquele tinha sido o meu último dia de aula e eu não sabia. Tive o cuidado de pisar em todos os degraus ao descer do 3º andar até o térreo (pela última vez). Afinal, só vamos embora do colégio para nunca mais voltar uma única vez.

E isso se repete a vida toda. O primeiro beijo só acontece uma vez. A primeira transa. O primeiro porre. O primeiro show. Só temos 15 anos uma vez. Uma única chance de ir no maior número de festas de 15 possíveis, já que depois as nossas colegas já não terão mais 15 anos. A menos que você seja muito bem relacionado com as meninas mais novas, perdeu uma chance incrível.

(É bom citar: fui comprar um terno só lá no fim do 3º ano, pra formatura, logo não fui em nenhuma festa de 15 nos meus 15 anos. Talvez por isso tenha demorado tanto para começar a beber... xD)

A medida em que crescemos, a novela continua. O primeiro dia na faculdade (assustador!!!!). O primeiro dia no emprego. O primeiro salário. A primeira compra de adulto! O primeiro crediário! O primeiro cheque devolvido... (¬¬''). As primeiras decepções, sejam amorosas, com amigos, com trabalho, que nos fazem perceber que caímos na vida adulta, e que aquela formatura do ensino médio, agora tão looooooonge, realmente foi importante, o último marco da nossa adolescência, e que deveria ter sido comemorada com honras.

Agora, no alto dos meus quase 21 anos (um poço de sabedoria, praticamente...), olho pra trás e vejo muitas primeiras vezes que repetiria novamente, não para corrigir, mas só para sentir aquele frio na barriga de novo. E vejo muitas coisas que não fiz e que não faria de novo, porque assim não chegaria a ser quem sou. Ok, talvez eu teria ido em mais festas aos 15 anos e teria cuidado mais do meu dinheiro... mas isso são pequenas coisas, que não mudariam muuuuito o meu destino... =D

Meu chefe sempre fala sobre "apaixonar-se todo dia, repetidamente, pelo que se faz". Todo dia enxergar novidades e encarar tudo como uma primeira vez. Não criar raízes e inovar. Não se acomodar. Apesar de muito difícil, esta talvez seja uma boa dica para repetir várias "primeiras vezes" e não ficar no "uma única vez".

"Planta quae saepius transfertus non coalescit", já dizia Públio Sirio. Ou, em bom "rock-and-rollês", "rolling stone gather no moss". Pedra que rola, não cria limo. Keep on movin'.

=)

Dia do Amigo

Hoje é dia do amigo. Nada mais justo do que uma singela homenagem.

À aqueles que serão amigos a vida inteira... até porque são parentes... xD

(Eu, Beta e o Gabi. E provavelmente o DEDO da minha mãe no canto da foto. Ele vai aparecer na última foto por aqui também.)

À aqueles que estão há tanto tempo aí que tem que contar nos dedos quantos anos faz que se conhece a pessoa...

(Eu e o Casali nas missões... essa foto tem já uns 11 anos... e a amizade, uns 15...)

À aqueles que foram responsáveis pelo início de uma das partes mais importantes da tua vida...

(A 1º banda! Edú, Rafa, Luiza, Arthur, Casali de novo e eu: Remasters reunida na festa de formatura do nosso 3º ano. Deusdocéu, olha o meu cabelo...)

À aqueles que provam que pra se divertir e reviver um legado de quatro grandes amigos, nada mais simples do que contar com "with a little help from my friends..."

(Pepperland! Chico, eu, Poletto, Johnny e Lili. Nada como uma foto nova pra se contentar com o cabelo... e a cerveja tinha um limão dentro!)

À aqueles que provam que nada mais sensato do que juntar um contador workaholic, um ruivo, um estudante de música de 18 anos, um filósofo guitarrista e um garoto de programa para fazer rock and roll...

(Os Valdo's! Renato, eu, Ale, Taylor e Cris. E uma bela cara de sono em todo mundo, pós noitada fracassada em Antônio Prado)

E finalmente, àqueles que são a melhor tripulação de uma nave espacial, a melhor equipe de heróis, a melhor equipe de campanha para salvar o reino do monarca malvado, o melhor esquadrão de combate ao crime, enfim... os melhores parceiros pra quase tudo (também não vou deixar vocês lá com a moral lá em cima né!!!)

(Arthur, Lucas, Paulo, sendo apalpado pelo Miguel, Edú e eu. P.S.1: Arthur, volta da França logo, PRECISAMOS de uma foto nova. P.S.2: MEU DEUS, MEU CABELO!!! Como as pessoas deixavam eu sair na rua assim!!!)

Enfim, quem não apareceu é porque eu não tinha foto ou não tinha vontade de procurar... mas de qualquer jeito, obrigado a todos. Sou um cara sortudo em relação a amizades... =D

(Momento cultura inútil: o Dia do Amigo foi criado pelo argentino Enrique Febbraro no dia 20 de julho por ser o mesmo dia em que o homem chegou a Lua. Segundo ele - e segundo o Wikipedia - a data não era somente uma conquista científica como uma oportunidade de fazer amigos em todo o universo. Argentino maluco... e nós comemoramos a data que ele criou.)

"Dumbledore Is Not Dead"

Caxias é cinza. E chuvosa. E cinza de novo. Nestes dias de inverno, sobretudo, boinas, luvas e cachecóis, Caxias adquire um certo ar... europeu. E se a Serra Gaúcha é a Europa do Brasil, Caxias com certeza seria Londres. Com algumas óbvias exceções: Caxias NÃO É Londres, nós não temos uma Penny Lane nem uma Abbey Road, o McFly não toca aqui de vez em quando e nós não recebemos corujas aos 11 anos com a nossa lista de materiais para o vindouro ano letivo escolar em Hogwarts. Mas candidatos a tal tarefa não faltariam. E com certeza grande parte deles, entre os quais eu me incluo, estavam ontem no cinema em uma das primeiras sessões de "Harry Potter e o Enigma do Príncipe", o novo filme do bruxinho que estreou esta semana.

E é algo impressionante de se ver. A medida em que se aproxima o início do filme, os gritinhos histéricos vão surgindo. Então, para ajudar, qual o trailer que passa antes do filme? "Lua Nova", aquela maldita franquia de vampiros, cortesia de Stephanie Meyer, feita sob medida para angariar os fãs órfãos de Harry & cia. Como se não bastasse Robert Pattinson, egresso do elenco de Harry Potter, fazendo o tradicional estrago no público feminino (se eu soubesse que ele ia causar tudo isso, teria torcido pra ele sofrer mais no "Cálice de Fogo" ¬¬''), o trailer ainda teve uma demonstração do físico de Jacob, o lobisomem Autobot (sério... tosco), que só adicionou mais gritinhos ainda a sessão. Passado o momento histérico e o trailer de G.I. Joe (dublado, mas prometendo muito!), entra em cena o logo da Warner e aos gritos de Helena Bonham Carter anunciando em alto e bom som "I killed Sirius Black!!!", começa o antepenúltimo filme da série.

(Gritinhos)

Há muito tempo atrás, aqui mesmo no blog, eu falei de uma série britânica chamada "Skins". Eu não sei se o diretor do filme, David Yates, assistiu a série ou não, mas com certeza a juventude britânica é muito mais interessante do que a americana, e isso é comprovado no sexto filme da série. A impressão que dá é que o "Enigma do Príncipe" é a mistura de Skins com bruxaria. Personagens se apaixonando, poções do amor, amores impossíveis, personagens bêbados, como se o único jeito para ser feliz em tempos de crise fosse se apaixonando. O trio de protagonistas é convincente nesta área e apesar de um beijo broxante entre Harry e Gina (aliás, beijo dado em uma sala que não existe e que ninguém viu), os ataques de ciúmes mútuos de Rony e Hermione valem pelo resto do filme.

Aliás, que trio de protagonistas! Sim, eles cresceram! E aprenderam a atuar! Emma Watson até ganha um decote em uma cena (pra quem teve os seus peitos diminuídos em um cartaz no último filme, isso é muito) e Rupert Grint aproveita toda cena possível para mostrar seu braço malhado. Sim, eu prestei atenção nisso. Daniel Radcliffe continua... Daniel Radcliffe. O que já é ótimo, piorar não pode mais. Mas o que vale a pena notar é a atuação dos três juntos, sintetizada na cena em que a Profa. Minerva pede "porque sempre que há confusão, vocês três estão sempre enfiados no meio?". A resposta de Rony: "eu venho me perguntando isso há seis anos, professora". Melhor, impossível.

O elenco de apoio, formado pelos melhores entre os melhores da Inglaterra, continua ótimo. A adição de Jim Broadbent ao elenco só veio a adicionar talento: ele parece mais natural do que nunca, como se realmente estivesse voltando da aposentadoria para dar aulas. O resto do elenco exerce novamente o seu papel e se tem alguma falha, é apenas por causa da concisão do roteiro em relação a história.

E é este o único ponto fraco. Em relação aos outros filmes, o roteiro está melhor do que nunca: não faltam explicações e boa parte do que está no livro está lá na tela, com suas devidas adaptações, claro. Mas tirar certas cenas cruciais do fim do livro, que estavam desde o lançamento do sexto volume da série sendo imaginadas na mente dos leitores e que de repente, "PUF!", não estão no filme, é demais... Mas assim como todo brasileiro é técnico da seleção brasileira, todo fã de Harry Potter sentaria na cadeira do diretor, sem problemas. Mas o filme só tem um diretor, então, contentemo-nos com o que foi feito.

Agora restam somente dois filmes. O que já é ótimo, já que só tem um livro sobrando. Mas em pouco tempo, Hogwarts silenciará mais uma vez, assim como silenciou depois do fim dos livros. Onde os fãs órfãos irão se apoiar? Não sei... Franquias surgirão (como já vem surgindo) e novas séries de livros também. Mas com certeza, o melhor apoio para nós serão os sete calhamaços e as muitas páginas de histórias que J.K. Rowling fez e que entraram para a história da literatura.

Trouxas ou não, estaremos lá. Seja para xingar ou para chorar. Os dois, provavelmente.

(p.s.: agora tenho um copo do Spock também. Ele se une a Enterprise e ao Spock. Ueba!)

Uma História que Todo Mundo Conhece

Tempos atrás, assistindo um especial do Michael Jackson depois da morte dele (tenho certeza que você passou por isso também nos últimos tempos) meu irmão, diante de todas aquelas afirmações de que Jacko foi "o primeiro a misturar música branca e negra definitivamente" e que era "um visionário" ou como disse Jorge Mautner "experimental até na cor da pele", pediu para mim: "Mas afinal... quem foi o primeiro? Quem foi o mais copiado?".

Rapidamente acessei o meu banco de memória estocado em minha cabeça e voltamos lá aos idos de 1950, 1960, em que o rock engatinhava ainda. Começamos então a discutir sobre isso e percebi que, para mim, o rock era fácil de ser entendido se dividido em pequenos trios. Pensando bem no mesmo assunto depois de dias, chego na conclusão que explicito agora.

A humanidade tem o dom e o hábito de minimizar as coisas. Ela cria algo genial e o expande de maneira perigosa e duvidosa até o momento em que não consegue mais se conter o que foi feito. Depois do estrago, ela vai lá, minimiza tudo, recolhe os pedaços e começa tudo de novo, para crescer mais do que antes e destruir tudo no final.

E com o rock and roll foi assim. No início, havia a música dos negros e a música dos brancos. A técnica de um e o feeling do outro. Então alguém, não entremos no mérito de discutir quem, foi lá e minimizou as diferenças e criou algo único e novo. Bill Haley estava lá, só para citar um dos primeiros. Mas para mim, no início, eram Elvis Presley, Jerry Lee Lewis e Chuck Berry.

Até por uma questão de influência, já que, além de os três tocarem músicas uns dos outros (Elvis principalmente... ¬¬''), este trio influenciou o próximo, na minha opinião, um dos mais sensacionais. The Who, Rolling Stones e Beatles foram lá e pegaram emprestado a imagem e a postura e esmiuçaram ao máximo, nos seus primeiros anos, a ferocidade e a emoção que o rock apresentava na época.

Mas é claro que, como toda criação humana, os filhos crescem. E foi assim com a música deles. Enquanto John e Paul cresciam e criavam com os Beatles a cartilha do psicodelismo da época, Pete Townshend, pra nossa sorte, já não se contentava em criar apenas canções: queria óperas. Ou melhor, óperas-rock. Já os Stones, como um Rony Weasley da vida, observavam atentamente os dois e se preocupavam em copiar o que eles faziam de melhor, criando sua própria identidade aos poucos.

Mas o sonho acabou. Os Beatles terminaram no fim da década de 70, deixando orfá uma geração em busca de algo novo para acreditar. E então, saindo de uma Inglaterra tão acinzentada e talvez até mais desesperadora do que a Liverpool que eles saíram anos antes, surgia o Black Sabbath, composto por três operários e um Ozzy Osbourne que não queria ser nada além de um... Beatle. Ele não só conseguiu tamanha fama como também criou, ao lado dos conterrâneos e contemporâneos Deep Purple e Led Zeppelin, a santíssima trindade do hard rock, influenciando cada um uma corrente diferente de música nos anos seguintes.

Led, Purple e Sabbath esmiuçaram até o fim seus instrumentos, partindo do ponto de perfeição técnica que os Beatles estavam no fim de suas carreiras em 1970 e dando um seguimento ao que o The Who já se encaminhava também. Muitos dos melhores músicos e das melhores músicas do rock surgiram nessa época (e a maioria estava no Led Zeppelin... xD). O esmero técnico dos solos e das composições deste trio refletiu-se durante muito tempo, mas mais diretamente no rock progressivo que inundou os anos 70 com solos intermináveis e viagens espaciais. Bandas como Pink Floyd deixaram a ferocidade de uma bateria como de Bonham no Led para dar espaço à composições que exigiam mais leveza. O virtuosismo porém foi influenciar bandas como Emerson, Lake & Palmer, power-trio progressivo sinônimo de improviso e técnica, e o Rush (que ao lado de Led e Beatles formam a "minha santíssima trindade" =P), power-trio canadense que surgiu sendo nada mais do que uma cópia do Led Zeppelin mas que fez escola no recém-criado hard prog.

Mas é claro, solos intermináveis e técnica extrema cansam. E se nem todo mundo tem saco de ouvir, ainda menos tem saco pra aprender a tocar tudo aquilo. E se bandas nascem fazendo cover, como fazer pra coverizar um solo de 15 minutos com uma viola de 12 cordas e doze efeitos aplicados em cima dela? A humanidade foi lá e implodiu aquela instituição chamada rock progressivo e minimizou tudo de novo então, trazendo de volta a ferocidade e a simplicidade dos primeiros anos do rock and roll, com uma pegada de revolta social que pairava no ar da época. O resultado: uma nova instituição chamada "punk rock". Ramones, Sex Pistols e The Clash fizeram escola, cada um a sua maneira, a geração mais suicida que já pisou na face da terra.

Mas é claro, naquele início dos anos 1980, nada mais era certo. Perceberam que tudo se renova a cada 10 anos? No início, em 1950, eram Elvis, Chuck Berry e Jerry Lee Lewis. Em 60, Beatles, Stones e Who. Em 70, Led, Purple e Sabbath. Agora, em 1980, tinha para todos os gostos: enquanto na Inglaterra os filhos tardios do Black Sabbath geravam a New Wave Of British Heavy Metal (ou NWOBHM, como gosto de chamar) com nomes como Saxon, Judas Priest e Iron Maiden, na costa leste (ou oeste, não lembro) americana engatinhava o Thrash Metal, com Megadeth, Slayer e Metallica. Porém, o mundo é muito grande e ao mesmo tempo, os anos 80 nos brindavam com os 3's M: Michael Jackson, Madonna e MTV. Isso sem contar as bandas os inúmeros sucessos da época (atire a primeira pedra quem não tem uma coletânea com Wham!, Bonnie Tyler e A-Ha) e David Bowie, que vem desde os anos 60 como um verdadeiro vampiro saído dos livros da Anne Rice (Edward uma ova!), alimentando-se da cultura da década e adaptando-se.

Nessa montoeira de coisas dos anos 80, como renovar? Sendo radical. Assim nasceu o grunge, um último grito de resistência, pronto para quebrar o marasmo e iniciar a década de 90 tão barulhento quanto um tiro na cabeça. Nirvana, Pearl Jam e Alice in Chains, entre outros, puseram Seattle no mapa e levaram sua mensagem a juventude. Me lembro de Eddie Vedder falando "se eu e Kurt somos os porta-vozes dessa nova geração, ela está fudida". Concordo com ele.

E foi assim que essa geração se sentiu quando Kurt a silenciou em 94 com um tiro. O chamado "último rockstar" morreu. O Metallica, depois de ser acusado de se vender com o Black Album, de 91, estava prestes a se perder cortando o cabelo e gravando o Load e o Reload. O Guns and Roses já não encontrava a glória há muito perdida do Appetite For Destruction; "Use Your Illusion", o duplo de 1991 que trouxe ao mundo Don't Cry, Civil War e November Rain, já tinha se perdido em sua grandeza de milhares de pianos e solos (reminiscências do rock progressivo?). O mundo idolatrava Spice Girls, Five e N'Sync. Era como se a beatlemania tivesse voltado e atendesse pelo nome de... Backstreet Boys. O rock and roll... o que era isso mesmo?

Então, revisitando a história, como sempre, os anos 2000 trouxeram novidades. Uma série de bandas começando com "The", desafiando o então rock vigente (Linkin Park e Limp Bizkit - pensar que comecei com o rock ouvindo isso...) decidiu deixar os DJs e as batidas eletrônicas de lado e começar a revolução, minimizando tudo mais uma vez e voltando a simplicidade do bom e velho rock and roll. The Strokes, The Hives, The Vines e The White Stripes (falei que eram bandas com "The") trouxeram novos ares a nova década, sendo logo alcunhadas "a salvação do rock". Inclusive, o White Stripes é pra mim o maior exemplo de minimizar uma banda até hoje...

Chegando neste ponto na conversa, foi a vez de eu questionar o meu irmão: "E nos últimos 10 anos? Estamos chegando em 2010 e eu não vejo nenhuma banda promovendo uma revolução ou trazendo algo de novo. Eu vejo o Metallica lançando um CD enorme e sem nexo, o AC/DC com um CD sem solos, o Rush sem virtuosismo e o Green Day lançando a sua segunda ópera-rock. Mas a última banda que mudou algo na música pra mim foi o Ting Tings".

Meu irmão, com toda sua experiência de iPod, respondeu sabiamente: "de 2000 pra cá, as coisas tem se renovado, mas mais rapidamente. Olha o tanto de bandinhas novas que surgem, lançam dois CDs em dois anos e somem". E é verdade. Apesar da possível qualidade duvidosa, eu ouço muita coisa nova desde o ano 2000. Panic At The Disco, My Chemical Romance, Fall Out Boy, The Fratellis, Franz Ferdinand, Kaiser Chiefs e é claro, Arctic Monkeys e McFly (me chamem de emo se tiverem coragem!). E todas seguem o mesmo esquema: lançam algo novo, fazem um estardalhaço perturbador e depois de um ano fazendo turnê, somem em algum subúrbio da Inglaterra (ou da Austrália, caso sejam ingleses) para se renovarem e lançarem algo novo.

É a velha história de minimizar, destruir e recriar, mas acontecendo mais rápido do que nunca. O problema é que vai chegar uma hora em que as bandas já nascerão com os dias contados, seguindo fórmulas mal-feitas e se extinguindo como fogo de palha. Ou terão de ser apenas "corretas": imitar o que já foi feito de bom, sem inovar. Terão um público fácil, mas não fiel. Ou se for fiel, será burro e não saberá reconhecer que não é novidade; se for inteligente, irá atrás das referências originais.

Enfim, toda essa reclamação foi pra comemorar (apesar de não parecer...) e refletir sobre o Dia Mundial do Rock, comemorado hoje, 13 de julho. Eu pessoalmente acho que não devia ter "um dia" especial; rock é todo dia. E já que estou reclamando, quero dizer que sou contra as faculdades de rock. Rock se aprende não no banco da faculdade, mas indo fazer show na quinta-feira de noite e daí sim, indo pra aula na sexta de manhã quase dormindo, morrendo de ressaca. Mas como nunca mais ouvi falar das malfadadas faculdades de rock, deixo minha opinião aqui só pra encher linguiça.

E queria, é claro, agradecer as minhas duas bandas queridas e a toda a constelação de agregados que circula ao redor delas - amigos, namoradas, fãs, groupies e afins (eu sou apenas um cometinha com órbita inconstante, afinal...) - que toda vez que eu encontro fazem eu entender cada vez mais que rock não tem graça nenhuma se não for compartilhado.

E é isso. Empunhem suas guitarras, calcem seus All-Stars e... keep rockin'!!!

George Orwell Estava Certo (II)

George Orwell estava MUITO certo.

Segunda-feira, chegando em casa depois de uma tarde de trabalho febril, fui logo diagnosticado pelos olhos atentos de meus progenitores. Foi eu chegar, dar um simples "oi" e me apoiar na parede que os dois olharam pra mim e proclamaram em uníssono: "você está doente".

Meia hora depois eu estava tomando café (se arrependimento matasse...) seguido de um chá com alguma pílula estranha (se arrependimento MATASSE...) e termômetro embaixo do braço. Em poucos minutos, o inevitável: 39,5 de febre. Oh yeah...

Fui deitar lá pelas 20h30min (sim, você leu certo: oito e meia da noite), abafado em cobertas e blusas. Dormi o que consegui, até ser acordado por mãos estranhas enfiando termômetros em mim. Embaixo do braço, vamos deixar bem claro. Novamente, chá e pílulas.

Esse ritual se repetiu até a 1h20min. Então, com uma recusa veemente, o meu corpo decidiu que não iria mais deixar o chá ficar dentro de mim. Fui para o banheiro vomitar. Não, não foi agradável.

6h45min acordei, desliguei o despertador e dormi. Minha mãe pediu "tu não vai pra aula né?". Pensei "a Celli vai me matar..." e respondi que não, não ia. Mais tarde, minha mãe me acordou para ir ao médico. Eram 9h10min. Levantei, sentei na cama e saí correndo para o banheiro. Vomitei de novo. Menos agradável ainda.

Ao sair de casa, para melhorar, começou a chover. Chamamos um táxi e nos dirigimos ao plantão da Unimed. "Cheio" não descreveria bem o local. "LOTADO" talvez, em maísculo e negrito. E é claro, todos tossindo e espirrando, como uma orquestra. Crianças chorando, velhinhas em pé, atendentes estressadas e tudo mais que o inverno tem de bom para oferecer.

Pegamos a ficha para preencher "os papéis da consulta". Veja bem, preencher papéis, não ser atendido. O painel eletrônico indicava que os atendimentos estavam no número 491. Nós éramos o 526. A manhã seria longa.

Para melhorar a situação, vomitei mais três vezes até ir para o balcão preencher os papéis.

Feito isso, passamos a salinha da "Avaliação da Enfermagem". Num recinto minúsculo, uma enfermeira tirava a pressão, a temperatura e fazia perguntas para descobrir se havia alguma chance do paciente estar com a famosa gripe A, H1N1, ou como eu prefiro, "Gripe Suína". Tendo em vista que não tive contato com ninguém que houvesse viajado, logo foi descartada a hipótese. Voltamos a espera.

Mais ou menos meia hora depois, lá pelas 11h, graças a contatos da minha mãe entre as enfermeiras (mas isso é segredo), fomos chamados para a consulta. A médica foi categórica: "placas de pus e sangue na garganta e sibilo no pulmão". Antibiótico guela abaixo. Ô beleza...

Alguns minutos fazendo soro com Dramin direto na veia (me senti na cena de "Happiness Is A Warm Gun" do Across The Universe, meio delirando, mas sem a Salma Hayek dançando), raio-X realizado, receita médica e atestado obtidos, nos liberamos e fomos almoçar. Isso já era umas 13h30min passadas. O que fazer para melhorar a auto-estima? Compras, é óbvio!

Primeiro, ganhei um corte de cabelo totalmente de grátis pago pela minha mãe. Depois, seguindo ordens maternas, fomos ao Makro, eu e meu irmão, compras um par de tênis novos para ele. Na verdade estamos sempre sendo lembrados e relembrados a fazer isso ("comprem tênis novos, não All-Stars, TÊNIS!!!"), mas como meu irmão estava com os pés encharcados por causa da chuva e iria do médico direto para o trabalho até as 21h, não tinha chance de ele ficar do jeito que estava. Aproveitei e comprei tênis novos, digo, All-Stars novos para mim. Xadrez azul. Pelas minhas contas agora são nove pares. Tô te alcançando, Isa.

Fomos ao pneumologista mais tarde, mas ele só confirmou o que a primeira médica havia falado. Remédios tomados (dois deles são rosas - a indústria farmacêutica tá tirando com a minha cara), a melhora foi rápida. E eu achava que aos meus 20 anos, já era invencível. Ledo engano. Depois da visão heróica do vômito de três posts atrás, não quero passar por isso tão cedo. Vomitar duas vezes depois de encher a cara e ficar alegrezinho é uma coisa. Vomitar cinco vezes sem ter nada no estômago nem saber porque está vomitando é outra coisa, MUITO mais desagradável...

Enfim, para a alegria de uns e a infelicidade de outros, sobrevivi. E por enquanto com um único objetivo: não falar de vômito no próximo post. Melhoras a mim e se cuidem. Não desejo pra ninguém o que fui obrigado a passar ontem. Sério mesmo.

(P.S.: Sá, tu descobriu meu segredo, realmente... XD)

George Orwell Estava Certo

Ontem pela tarde, como de costume, resisti ao domingo cinzento até render-me ao sono que sempre me atinge. Lá pelas 16h da tarde então, fechei as janelas do quarto, peguei um cobertor, deu tchau pro mundo e fui lá, dormir em paz.

Acordei em torno das 19h. Quão grande foi minha surpresa quando a tevê não estava ligada no Faustão! Comemorei no silêncio e sai do quarto. Porém, não havia ninguém em casa. Silêncio. Fabuloso silêncio.

Passei por todos os cômodos e não encontrei ninguém. Era como se tivessem sumido. Já assistiram "Extermínio", do Danny Boyle? Assistam, vale a pena. Era como eu me sentia. Era como se eu tivesse ido dormir e de repente, durante meu sono, a humanidade havia sido exterminada. Boa parte dela pelo menos. Iupiiiiii!!!

(Sim, eu comemorei. Imaginei-me vagando pela cidade, deserta, adquirindo todos os gibis possíveis. Coisa de louco.)

Ao descer as escadas em direção ao primeiro andar e a casa dos meus tios, senti um cheiro de algo assando no forno. Logo imaginei a cena: o último assado antes do fim, a refeição inacabada em cima da mesa, que pra sempre me lembraria da minha família. Tocante. Entrei na casa deles. Dei de cara com a minha prima e com o meu tio. Não, a humanidade não havia acabado. Droga.

Pedi para meu tio o que aconteceu e ele me disse o que eu esperava: depois de passar o fim de semana inteiro espirrando e tossindo, meu irmão e minha mãe finalmente resolveram ir ao plantão. Junto com eles, meu pai e minha tia, e claro, uma fila enorme de pacientes, esperando para serem atendidos.

Voltei a minha cama e retomei a leitura de "Harry Potter e o Enigma do Princípe" que havia iniciado antes de ir dormir (200 páginas só no domingo - OWNED!). Quando era umas 21h10min, depois de perceber que eles demorariam (e que os dois doentes não jantariam provavelmente) fui jantar eu. Batatas, carne no forno, pepino e tomate. E farinha. Sobreviveria alguns dias com aquela refeição? Não sei...

Lá pelas 22h chegaram os dois. Abatidos, com uma receita médica na mão e a expressão de que não, não estava tudo bem. Os dois estão com princípio de pneumonia. Fui dormir aliviado que estava bem. Neste exato momento, são 16h56min e minha cabeça está explodindo, quente como o Tocha Humana. Um verdadeiro cometa. Maldito apelido.

Esse depoimento febril serve para confirmar as minhas teses de que George Orwell estava certo. Qualquer um que leu o livro "Revolução dos Bichos" de Orwell logo relacionou a supremacia dos porcos no final do livro com o fato de eles talvez serem os culpados pela nova gripe que está assolando o mundo. Ok, EU RELACIONEI, minha imaginação é fértil, E DAÍ?

Como diria George Carlin, filósofo e comediante, "the planet is fine, the people are fucked" (clique aqui para maiores informações). A gripe suína, seja uma arma biológica ou não, está colocando o mundo em xeque. Enquanto no Brasil as pessoas se preocupam, talvez porque a gripe atingiu bem no inverno o nosso país (o que se ressalta aqui no sul - para nossa sorte ¬¬''), na Europa, em países como Inglaterra, por exemplo, o governo já decretou que não irá mais parar aulas e atividades por causa de algum suspeito. Aliás, na Inglaterra as pessoas estão realizando festas de gripe suína. Isso sem citar o fato de que ela atinge toda a comunidade britânica, sejam humanos ou bruxos (tosqueiras inglesas: cortesia do Twitter do meu irmão).

O fato é que, com gripe suína ou não, o horror está tomando conta. Na ânsia de saber se está contaminado ou não, as pessoas lotam os plantões no momento em que começam a tossir, sem saber que caminho tomar. As vezes pode ser algo sério, como o pessoal lá de casa. As vezes não. E isso é preocupante.

Só sei que os porcos são culpados. Sempre destratados frente a comunidade, como a musical, por exemplo, em obras como "Pigs On The Wing" e "Pigs: Three Diferent Ones" do Pink Floyd (inspiradas realmente no livro de Orwell), "War Pigs", do Black Sabbath e a belíssima peça "Piggies", dos Beatles (uma obra com ar renascentista, cortesia de George Harrison no Álbum Branco. Clique aqui para ouví-la). Enquanto a primeira refere-se ao livro e a segunda aos horrores da guerra, a terceira fala sobre Charles Manson. Ou seja, os porcos sempre são tratados como escória. Nada mais natural que uma hora ou outra eles se vingassem.

Então, fico sentando esperando minha gripe, suína ou não, passar, e esperando chegar a gripe ou a vacina lupina. Afinal, será que em tempos de porcos destruindo a raça humana, os lobos seriam tão mal vistos como na história? Só o tempo dirá... Quem viver, verá. E eu me encaixo no último quesito.

Amigo Cometa

Este blog está inoperante devido a total falta de bom senso e planejamento deste que vos fala.

Além de editor, jornalista, diagramador e selecionador de pautas do blog, eu também sou gerador de conteúdos. Só que tudo depende desta última função e do tempo para executá-la. E é nesse ponto que estou falhando. Alías, é nesse ponto em que falhei o último semestre inteiro.

Olhando pra trás agora, vejo que estou entrando em julho mais virado que trapo de limpar o chão. Este foi o semestre mais largado da minha vida. Estou terminado ele com pessoas me olhando virado, outras me desacreditando. Ah, e com novas amizades também, é claro. Mas certamente, diferente do que quando começou.

Na faculdade, nunca deixei de fazer tantos trabalhos, em tantas disciplinas. Nunca me apoiei tanto em cima dos outros. Claro, fiz uma coisinha aqui e ali, mas tudo meio nas coxas, sem muito esforço. Nunca dei a mínima pra faculdade, mas nunca cheguei no ponto de desprendimento que cheguei agora. Sem contar que perdi a matrícula pro próximo...

No trabalho, dúvidas e dúvidas e dúvidas e dúvidas. As vezes quero sair correndo, as vezes não quero sair da minha cadeira. Estou naquela chamada e tão malfadada "zona de conforto", que me faz pensar se não estou acomodado demais para tomar alguma decisão mais radical sobre isso. Mas decisões cansam. Logo, fico na mesma.

Na carreira, perdi a obrigatoriedade do meu diploma. Fui brigar por causa disso, mas protestar contra uma decisão irrevogável do Supremo Tribunal Federal não seria... dar murro em ponta de faca? Daí ontem, fomos informados que a Assembléia para conversar e discutir sobre a união dos cursos é inútil, visto que já foi decidido que não temos escolha. Brigar pra quê então?

E é assim no resto também. Comecei o semestre estabelecendo um relacionamento. Fechei o semestre com depressão. Meu estômago não funciona mais. Uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas nunca imaginei que ia marcar meus 20 anos assim. Me perdi nas curvas das estradas de Santos e fui parar num belo inferninho astral. E nem chegou setembro ainda.

Enfim, erros foram feitos para serem cometidos e corrigidos. Estamos entrando em julho e não pretendo nada além de melhorar. Porém, estou fechando junho com três trabalhos nas costas pra terminar, uma carga imensa de coisas no trabalho mesmo e uma expectativa imensa pra não fazer besteira no que vem pela frente.

Eventualmente, isso me leva a faltar com certos compromissos, com certas pessoas e a falhar e sumir.

Então eu pergunto: você, caro leitor, já ouviu falar da história dos "amigos estrela" e dos "amigos cometa"?

Me lembro de ouvi-lá na 1ª e 2ª série, por aí. Basicamente, ela explica que somos pequenos planetinhas e que em nossa galáxia temos os amigos estrela e os cometas. Os estrelas são aqueles que ficam sempre brilhando, ao alcance do nosso olho, sempre ali, dispostos pro que der e vier, quando preciso. Os cometas são aqueles que vem, entram na órbita do nosso planeta, marcam presença, mas vão embora, quando estamos prestes a nos acostumarmos com eles. Então mais tarde eles vem, marcam presença, vão embora... Vem, aparecem e vão embora...

A história inteira é feita para desacreditar estes amigos cometas, traíras, que marcam presença na nossa vida e somem sem mais nem menos, e nos leva a acreditar que temos que ser estrelas, sempre ali, brilhando para os outros. Comecei a desgostar desta história quando ganhei este apelido, e vejo agora que sim, ela está mais errada do que nunca!

Nunca paramos pra pensar o que os amigos cometa fazem quando saem de nossa órbita. E a resposta é: eles visitam outros planetas! Eles conhecem outras pessoas! Eles viajam pela galáxia, buscando conhecimento em outras fontes e, olha só, ainda voltam pra sua órbita e dividem este conhecimento com você de novo! Enquanto isso, o amigo estrela fica ali estagnado, brilhando e brilhando até seu brilho acabar, contando as mesmas histórias de sempre, sendo útil pra você e mais meia dúzia de planetinhas, enquanto o amigo cometa faz fama pela galáxia.

Logo, tenho orgulho em dizer: eu sou um amigo cometa! Então, não se preocupe se eu falhei, se eu sumi, se eu nunca mais dei as caras. Provavelmente eu estou em outro lugar da galáxia, passando por outros planetas, encontrando pessoas novas e totalmente afoito para seguir minha órbita e voltar aonde passei e dividir este conhecimento. Enquanto isso, divirta-se com seus amigos estrelas, afinal, eles estão sempre ali, pro que der e vier. Só não esqueça de lembrar de todos, senão eles ficam brabo com você. E você sabe: estrelas explodem.

E é isso que sou: um cometinha. Que assume que todos os seus erros são culpa dele e de mais ninguém. Que meio que encheu a cara e perdeu a órbita no último semestre. Mas fiquem pacientes: como um bom cometa Halley, eu volto.

=)