(Sabe né... Kill Bill 2 não é nada sem Kill Bill 1. Então leia o texto anterior antes de ler esse, ok?)
Sozinhos em São Paulo, na sexta-feira a noite, sem (muita) grana, com fome e longe de casa. Comofas?
Depois de alguns segundos de dúvida, resolvemos ir comprar algo no mercado e ir pra casa. Paramos em um mercado da rede Extra, do tipo grande e cheio de gente. Inclusive, esse monte de gente incluía um cachorro querendo entrar no mercado. Devíamos ter parado por aí. Mas somos caxienses e não desistimos nunca!
Depois de sofrermos com os preços da sessão de doces, fomos para a sessão de frios. Pensamos no básico: um pacote de pão de forma, presunto, queijo e já eras. Só que tínhamos que comer tudo no dia, já que não teríamos como guardar. Optamos por cada um pegar o que quisesse. A Gabi e a Liange pegaram Cup Noodles, eu e a Raquel pegamos sanduíches frios e a maldição sírio-libanesa: um pão que certamente, se o diabo amassou, não quis comer depois.
(Na fila do supermercado, eu e a Raquel prontos para sermos atendidos, um tiozinho baixinho, gordinho e careca de terno pede se a gente não quer passar antes na fila. Como estávamos esperando a Liange e a Gabi ainda, falamos que não tínhamos pressa, ele podia ir antes. Ao que ele fala: "Eu também não tenho pressa. Aliás, não sei pra que pressa, se no final o destino de todo mundo é a morte mesmo". Medo. Esqueci de olhar o obituário do jornal dominical pra ver se ele não tava lá)
Era a coisa mais sem gosto do mundo. Sério. O tiozinho poderia ter cometido suicídio com um daqueles malditos pãezinhos. Uma hora depois fomos descobrir, graças a Liange, a especialista em pães da galera (ela que decifrou o sanduíche do vôo de vinda), que aquele pão era pra ser comido com misturas e tals, não puro. Não salvou a nossa breve indignação com ele. Aquecemos ele no microondas da recepção do hotel e nos sobrecarregamos de mostarda, ketchup e maionese para ver se aquela coisa criava algum gosto. Compramos um pacote de bolacha integral de trigo para acompanhar (ou para substituir os pães, caso eles não tivessem gosto).
Acabei comendo três dos quatro pães sem gosto que comprei. A refeição foi complementada pelas bolachas integrais de trigo e uma Heineken que àquela altura já tava quente. Ficamos os quatro no quarto, cara amarrada, assistindo "Meninas Malvadas" na TV. Me senti mal. Eu conhecia todas as cenas, inclusive a hora da coreografia que eles davam um tapa na coxa. E olha que eu só assisti aquele filme poucas vezes. Umas três ou... esquece.
Sexta a noite, em plena São Paulo, comendo três derivados de trigo. Se deu bem, hein campeão?
Decidimos que o sábado seria mais tranquilo. Começaria mais tranquilo, pelo menos. Tomamos café no hotel, nos empanturramos de pedaços de bolo, encontramos alguns gaúchos reclamando que não tinha água quente pro chimarrão e surrupiamos algumas maçãs para guardar para mais tarde. Somos jovens, podemos fazer esse tipo de coisa. Depois de praticamente almoçar, fomos em direção ao Pixel Show, o motivo pelo qual fizemos a viagem toda.
Metrô pego, chegamos no fim da linha. E andamos. E andamos. E andamos. E tinha morro. E eu só conseguia pensar que no domingo a gente teria que ir para lá com as malas. Mas tudo bem. O destino seria valioso.
E foi. Eu adoro esse tipo de convenção maluca porque é um lugar onde posso ver gente tão ou mais estranha que eu, vestindo-se de forma tão ou mais estranha do que eu. Isso aconteceu no Anime Extreme que eu tinha ido em Porto Alegre, esse ano ainda (eu acho). Coincidentemente, uma das pessoas que esperávamos encontrar por lá era justamente o Felipi, que também estava no Anime Extreme e que eu já tinha reencontrado em outras ocasiões porque ele foi colega da Celli. Ele tinha ido lá convidado pela Gabi, que já conhecia ele do trabalho.
(Eu encontrar o Felipi lá, aliado ao fato da Raquel conhecer todas as pessoas de Farroupilha que eu conheço e a Liange conhecer o Renato, vocalista da minha banda, me fez crer que mesmo em São Paulo, Caxias me persegue. O mundo é realmente pequeno. E estou sendo perseguido... Õ.o)
Não convém muito eu falar das palestras e do evento aqui. Os estandes de vendas eram o máximo, com painéis com idéias super criativas, principalmente para camisetas. Havia um grande quadro branco e um logo da MTV para serem cobertos de desenhos e uma loja de art decó que tinha um baú-banco com a cara do Mac e do Eduardo da Mansão Foster. Coisas que deixam a casa de qualquer um ultra-cool e modernosa.
As palestras também foram o máximo. São Paulo é outro mundo, com outras cabeças. Volta e meia eu me pegava pensando em algo do tipo "nossa, eu queria muito ter um Photoshop agora, nesse momento". Isso NUNCA acontece! Sem contar a minha inveja de todas as pessoas com notebooks e iPhones, que twittavam do lugar, já que tinha internet wireless liberada. Inveja, maldita inveja. Maldita inclusão digital.
Mais tarde, tivemos a palestra com a maravilhosa, belíssima e sensual Molly Crabapple. Ok, nem tanto assim, mas ela é o máximo. A palestra tinha até tradução simultânea, mas eu deixei os fones de lado em função dos meus ouvidos e fiquei realmente feliz que entendia as piadas antes. O importante da coisa toda porém, foi a Escola de Anti-Arte do Dr. Sketchy's, a qual eu comento depois.
Depois da palestra dela tivemos uma palestra com o pessoal da Digital Domain. Pra mim, valeu pra ver o Spock e o Kirk, já que foi a empresa que fez os efeitos especiais do último filme. Pra muita gente, valeu pela apresentação dos efeitos especiais do Benjamin Button, que renderam um Oscar a empresa. E pra mulherada, valeu para ver David Rosenbaum, o cara que deu a palestra, que segundo o que foi comentado, era um "gatinho". Considerando que a maioria dos homens lá presentes eram nerds gordos, orientais depravados ou simplesmente paulistas, não me admiro com tamanha admiração pela designer gringo.
Depois, tivemos uma sessão Anti-Arte do Dr. Sketchy's. Pra quem não entendeu porra nenhuma do que eu tô falando, isso funciona mais ou menos assim: sabe aquelas aulas de desenho que a gente normalmente vê em filme gringo, em que as pessoas ficam desenhando alguém nu parado no meio da sala? Pois é. É mais ou menos assim. Só que a pessoa não fica parada: ela fica fazendo poses variadas, provocativas. E ela não está nua: ela normalmente está vestida como uma dançarina de cabaré ou algo mais sexy. E claro há o terceiro elemento primordial: álcool.
Logo, estávamos todos ao redor de salgadinhos e puffs coloridos, tomando drinks com whisky e energético deliciosamente distribuídos de graça, desenhando uma modelo vestida de Mulher-Gato que pouco a pouco capturava alguém da platéia e parava em uma pose provocativa, instigando todos a desenhar. Dança burlesca + desenho + álcool: isso é a Escola de Anti-Arte do Dr. Sketchy's. Sério. Foi o máximo.
No banheiro do Pixel Show, 21h30min
"- Oi amor! (sotaque paulista MODE ON). Sou eu! Então... acabô de terminar os sorteios dos brindes. Eu vou ficar aqui mais um pouco conversando com o pessoal... Eu te pego na casa da tua tia depois? Não amor, não fica braba... Não... Tem um pessoal super bacana aqui, eles tão servindo uns drinks, a gente vai conversar um pouco... não amor, não desliga! Amor... amor... Ai, saco... (Tuuuuuuuuuu...) Oi amor! Então... Eu vou ficar mais um pouco aqui, tem uma americana aqui que eu quero falar com ela. Uma inglesa, isso. Eu quero falar com ela. Posso passar que horas aí? 22h? Tá, tudo bem, 22h eu passo aí. Não fica braba. 'Cê sabe que pode confiar em mim. 22h combinado então? Tá certo. Derepenteeumeatrasetá? Beijinho! 'Cê sabe que eu te amo!"
Saímos de lá e fomos pra casa de carona, com a intenção de sair mais tarde. Era sábado ou nunca. Largamos as coisas, trocamos de roupa e se bandeamo pra Augusta. De metrô. As 22h e pouco. Mas como eu disse, era agora ou nunca.
E foi bom pra caramba.
A Augusta é o celeiro jovem da noite paulistana. E quando eu digo celeiro, imagine algo do tipo "festa estranha com gente esquisita". E isso só na rua! A gente acabou não entrando em barzinho nenhum, afinal, estávamos atrás de algum lugar pra comer (perceberam que as nossas escolhas sempre envolvem comida?). Depois de muito andar e observar, achamos uma pizzaria com um lugarzinho guardado a dedo pra nós e um DVD do Queen rodando como trilha sonora perfeita. Só faltou a Polar que a gente pediu só pra sacanear o garçom, o que fez ele achar que a gente era catarinense ¬¬''. Mas tudo bem. Como diria a Lili, não tinha juízo, tomei Bohemia.
(Um pequeno e indignado parentêses: São Paulo tem muuuuuuuuuuuuuito GAY! Nada contra, mas do jeito que eles falam do Rio Grande do Sul, eles tinham que se enxergar primeiro! Era comum nos barzinhos da Augusta ver os casaizinhos super bem vestidos e descolados, um olhando fundo no olho um do outro, super concentrados no que o outro tá falando, super íntimos! E o pior: NÃO TAVAM NEM BEBENDO! Claro, a gente tava na Augusta, onde todos pegam todos, tinha muita guria junta de mão dada também, mas enfim: paulistas, não tirem sarro da gente. Nós temos Pelotas mas vocês tem Campinas, não esqueçam.)
Pizza devorada, voltamos pra casa com um taxista de Poços de Caldas que não, não fica em São Paulo. Apesar de tudo, ele era um grande conhecedor do vinho gaúcho. E foi aí que percebemos que todo não-gaúcho em geral gosta de ter e de contar uma pequena relação com o RS, seja o garçom que trabalhou um mês em Flores da Cunha ou a moça no metrô que nasceu em Caxias do Sul e tem os tios espalhados por todo o estado, mas mora em SP. Eles enxergam o povo gaúcho como trabalhador. Como eu tava lá pra provar o contrário, seguimos viagem.
Última noite no hotel, montamos as malas (ou melhor, enfiamos do jeito que deu - o pobre Yoshi ficou perpétuamente encaixotado até chegar em Caxias) e fomos deitar. Era um dia longo que vinha pela frente.
No domingo pela manhã, fizemos o check-out e renegamos o café do hotel, saindo em busca do café do tiozinho dos salgadões baratos de dois dias antes. Tava fechado =/. Andamos um pouco até catar a Cafeteria Camila, que tinha alguns dos doces mais baratos que já vi na vida! Sério! Sério mesmo! Ok, não lembro os preços, mas era bom pra caramba.
Novamente, paulistas empolgados com o fato de sermos gaúchos. Tiramos fotos com eles também. E descobrimos um fato engraçado: lá eles tem como gíria "explicar pra nordestino" quando querem contar algo detalhado, difícil de entender. Mais ou menos como este blog.
Fomos para o Pixel com as nossas malas. Medo. Sofremos com o morro e as malas virando a cada instante, mas enfim chegamos. Vimos mais algumas palestras fodas e saímos para almoçar. Visitamos o MASP (eu, em especial, visitei a Feira de Antiguidades embaixo do MASP e a Feira de Artesanato do outro lado da rua - o MASP em si ficou pra próxima). Inclusive, na Feira de Antiguidades tinha um colete meio indígena com os bolsos detalhados em tigrado e o emblema da Harley-Davidson nas costas pelo qual eu fiquei realmente tentado, mas... ficou pra próxima.
Almoçamos no Bob's ("pediram Triplooooo X"), um verdadeiro fast-food, já que a comida veio em menos de cinco minutos e saindo de lá fomos pra Casa de Criadores, um espaço brechó-chic localizado perto do MASP. Foi lá que finalmente encontrei os coletes que queria, ao simbólico preço de R$ 70,00. BRECHÓ-O-CARALEO. Olhamos os cachorrinhos fofíssimos para adoção, reclamamos do cheiro deles, demos dinheiro pra dois artistas de rua (o cara tocava bateria e gaita de boca, mereceu meus R$ 0,30) e voltamos ao Pixel.
Pegamos a palestra no fim mas o lanche do início e, tenho que dizer, era o melhor lanche pra esse tipo de evento em que você tem que ficar acordado: salgadinho barato, barras de cereais variadas e muito, mas muito Red Bull. Nunca prestei tanta atenção em algo. E tudo de graça, claro.
A última palestra do dia foi com os portugueses da Musa Worklab, que fizeram duas piadinhas comprovando que português não serve só como alvo de gozação. Depois de alguns sorteios de mais alguns prêmios fodas e caríssimos (como eu ganhei alguns adesivos e porta-copos no primeiro dia, não concorri a mais nada no segundo ¬¬''), foi dado por encerrado o Pixel Show. Foi aí que informaram que o mesmo evento ocorrerá no primeiro semestre do ano que vem em Porto Alegre. Um grupo de cinco fiasquentos ergueu os braços e gritou no meio da galera toda. Adivinha quem eram?
Evento terminado, despedidas feitas, tínhamos que ir pro aeroporto. E agora, comofas? Metrô com as malas não dava e ainda tinha chance de atrasar a gente. O jeito era táxi. Consultamos um taxista que tava perto e ele disse que ia dar em torno de R$ 50,00. Surtamos. Resolvemos pedir outra opinião. Foi aí que enxergamos um táxi com uma mulher no volante...
- Saaaaammmm... vai lá... usa o teu charme com ela.
- Eu? Mas vou dizer o quê?
- Pede quanto que demora e quanto que custa pra ir até lá!
- E não esquece de dizer "boa noite" quando for falar com ela. Seja educado.
- Sim! Vocês querem que eu mostre o decote da minha blusa também?!
Não, eu não tava de decote. Mas teria sido engraçado. Cheguei na janela do carro e vi que a motorista tava digitando algo no celular. Foi mais ou menos isso que aconteceu:
- Uhmmm... Boa noite...
- AAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHH!!!!!!! - celular sai voando da mão dela - que susto que 'cê me deu moço!
- Desculpa!!!!! Quer dizer... Uhmmmm... perdão, moça. Eu queria saber quanto que custa pra ir daqui até o aeroporto de Congonhas.
- Daqui até Congonhas? Uns R$ 32, por aí eu acho.
- SÓ?!!!! Uhmmmm, quer dizer... só?
- Sim, sim. Acabei de vim de lá, dá uns 20 minutinhos, vai dar por aí.
E foi assim que adentramos no táxi da dona Walkyria, a taxista mais afudê de SP. Ao longo de poucos mais de uns 10min, não sei, foi tudo muito rápido, aprendemos mais sobre São Paulo do quem em três dias. Talvez tenha sido pela ênfase que foi dada aos assuntos (ela repetia tudo três vezes e sempre terminava com "entendeu?" e aí de quem não tivesse entendido!), mas depois da viagem com dona Walkyria, descobrimos que São Paulo é a cidade das tretas, mas os moradores não se importam se cada um fizer sua treta dentro do seu próprio táxi. Descobrimos que o trânsito se cria porque tem um espacinho pra andar e as pessoas não andam!!! Ficamos sabendo que a melhor maneira de xingar alguém no trânsito de SP é mostrando o dedo indicador, não o do meio, porque o indicador não incomoda. E se quiser incomodar, mostra a canetinha, porque é mais fininha e incomoda mais! E acima de tudo, descobrimos a lição mais valiosa de todas, que foi imortalizada pela Liange no recadinho que ela deu pra gente no avião depois e que foi guardado por todos:
- Vocês vê, nessa cidade todo mundo quer correr... quer chegar antes dos outros... mas pra que pressa? Se todo mundo for na mesma velocidade, todo mundo chega! Mas não adianta tem uns que querem sempre passar na frente dos outros... Esses motoqueiro idiota aí. As vezes eles passam e a gente pára, daí eles não vão parar embaixo dos pneu do táxi... Mas as vezes o breque não funciona... 'cê entendeu?
Entendemos, dona Walkyria. E vamos levar pelo resto da vida. A lição e o desconto de dois reais que você deu, só pra ficar os R$ 32,00 que você tinha prometido. Desculpa. A gente não tinha muita grana mesmo.
Check-in feito. Malas despachadas. Última ida ao banheiro. Detector de metais. Lázaro Ramos.
(Vocês realmente não acham que a gente ficou quatro dias em SP sem encontrar ninguém famoso né?)
Só vi quando a Gabi olhou pra trás meio surtando e disse apontando pra um cara de costas que ia mais pra frente "ÉOLÁZARORAMOS!". Entramos numa livraria pra disfarçar que não estávamos indo atrás dele (engraçado, ele que é o famoso e a gente que disfarça...) mas logo o vimos comprando pão de queijo. E em todo lugar que o pobre coitado parava, alguém parava ele pra tirar foto... Tadinho. Era óbvio que a gente ia fazer o mesmo.
Abordamos ele no meio do caminho. Fui eu que tirei a foto, por isso não apareci nela e não foi nem na minha câmera, por isso não tenho ela aqui, mas digamos que foi mais ou menos assim que a foto ficou:
=) xD =| :D
(Raquel - Gabi - Lázaro - Liange)
Sério... pelo sorriso amarelo que ele deu, ser famoso deve ser um saco.
Logo chegou a hora de ir pro avião e voltar pra casa. As coisas vão ficando mais rápidas a medida que a viagem tá acabando. Quando eu percebi, já estávamos no ar e o serviço de bordo já tava sendo realizado. Na hora de aceitar a bebida, aquela dúvida: será que peço cerveja? Tínhamos conversado antes sobre isso e a Li disse que, nas alturas, as drogas tem efeitos mais pesados. Mas quando que eu ia poder fazer isso de novo! Na hora de falar com o garçom, pedi pra ela novamente:
- Tu acha perigoso eu pedir cerveja?
- Não sei... mas pede... tô curiosa pra saber o que pode acontecer!
Tinha Sol e Xingú. Peguei a última, claro. A janta da volta era Festival de Hamburgueres. Cerveja preta e hamburguer nas alturas. Sério. Certas coisas TEM que ser feitas.
Só sei que falei MUITO com a Raquel na volta, como sempre acontece quando bebo. Eu falo, falo e falo (inclusive ela já tinha percebido isso na noite de sábado no Pixel: "Cara, tu fica muito mais legal quando tu bebe! Mantenha-se assim!"). Falei de músicas, bandas, lugares que já toquei, enfim... É como se eu pegasse o Cometa Diário e enfiasse pelo ouvido de alguém até chegar no cérebro. Ninguém nunca mais vai voar do meu lado depois disso.
Porto Alegre estava chuvosa. Malas encontradas, fomos pro estacionamento, onde o pai da Gabi já esperava a gente. Revezamos breves cochilos com histórias de serviço e da viagem e ligações pra casa na volta até Caxias. Passei pela Churrascaria Tigrão e Motel Tigresa novamente (ou o contrário, não lembro). 2h depois, Caxias do Sul. De volta, enfim.
Cheguei, acordei minha mãe pra dar oi e dizer que cheguei (primeira pergunta dela: "tu não vai sair amanhã né?"), dei oi pro meu irmão, troquei de roupa e fui no banheiro. Enquanto tava lá, minha mãe levanta: "Tu tá acordado ainda? Vai dormir! Ah, tu já abriu a mala... vou aproveitar que tô em pé mesmo e vou olhar..."
Medo. Medo mortal.
Foi tranquilo até ela pegar o Yoshi. Ela viu as camisetas e tudo mais, mas quando pegou o dinossaurinho na mão, pediu "Tu deve ter pago uma nota por isso, não?". Diminui o valor em uns R$ 30,00. Converti pro câmbio do estado, sabe? Ela achou caro. Imagina se eu tivesse dito o valor original...
Mala pra desarrumar, quarto pra ajeitar, umas 15 revistas pra ler, muita história pra contar e uns dois posts enormes no blog que acabam aqui. Já fazem quase 15 dias que isso tudo aconteceu e eu ainda tô aqui falando sobre isso. É o tipo de experiência que se leva pra vida toda. Fiquei feliz, deixei os outros felizes (bottons são os melhores presentes, a Lili, a Isa e o meu irmão podem afirmar isso...) e como bem disse a Liange, "a gente sempre volta diferente de uma viagem". E voltei mesmo.
No dia seguinte, passei a tarde com o meu irmão e um atlas geográfico. Cada um selecionou 20 países que gostaria de visitar. Batemos as duas listas pra ver os países em comum e começamos a fazer a nossa rota. Primeiro destino: Argentina.
O importante é nunca parar. Keep walking.