Somos Todos Rádios

Operando em frequências diferentes

Há umas duas semanas atrás, minha família inteira foi pra praia. Ficou só eu e meu pai em casa. Ainda no fim de semana daquela mesma semana ele também foi, deixando eu sozinho. Foi uma experiência bem interessante, tanto a sexta a noite, na qual com a casa inteira às escuras me rendi as lágrimas assistindo Glee na escuridão da solidão, quanto no sábado a noite, na qual curei a fossa da sexta enchendo a casa de amigos e a geladeira de Bohemia. Mas isso todos já sabem, né?

Na quarta minha família voltou e minha mãe logo veio declarando a saudade imensa que sentiu enquanto estava fora. E normalmente aqui em casa essas declarações de saudade vem acompanhadas de um "filho, eu vou me desesperar quando vocês fizerem um intercâmbio". Meu irmão já ouviu isso e agora eu ouvi. E isso me traz arrepios.

Porquê? Porquê apesar da minha mãe colocar bastante pilha pra gente fazer um intercâmbio, sair por aí, conhecer o mundo, tem um detalhe que talvez ela não tenha se ligado ainda: no intercâmbio, a gente volta pra casa no fim das contas. Mas chega uma hora que o filho saí de casa e vai morar sozinho e não volta mais, saca?

Eu não imagino o desespero que iria tomar conta dela quando um de nós disser "mãe, tô indo morar sozinho". Um pouco dessa situação é influenciada por causa da educação que ela mesmo teve: os meus avôs maternos sempre moraram com a gente e até a minha vó falecer há quase dois anos atrás ela sempre teve o seu quartinho junto com a família, não importa a situação em que a gente estivesse ou a casa que a gente morasse. E isso pesa bastante na relação dela com a gente: o fato dela sempre ter os pais por perto diz muito no que ela espera da nossa relação com ela quando a gente ficar mais velho.

Um pouco também é culpa nossa. O meu irmão não, ele é um bicho do mato no melhor sentido da palavra e tem como sonho confesso sair de casa e conhecer o mundo com uma mochila nas costas (sonho de muita gente - mas confio nele). Todas as vezes que ele viaja para fora com os escoteiros é um pedacinho dele que vai junto, mas é um nózinho a mais do cordão umbilical familiar que se desfaz, meio que avisando "olha só mãe, tô caindo fora".

Comigo a coisa já é um pouco mais complicada. Minha mãe adora relembrar que "o Gabriel nasceu magrinho no hospital, foi pra casa e teve que voltar uns dias depois porque tava fraquinho, fraquinho!" enquanto "o Samuel, desde pequeno, a gente não deixava encostar uma mosca nele! Eu e as tuas tias te colocava em cima da cama e passava a tarde inteira experimentando roupinhas diferentes em ti, um amor!".

Anos depois, a metáfora se faz mais clara do que nunca: de um lado, o irmão mais novo, magrinho, magrinho, (magro de ruim, porque come que é um cão!), lutando pra sobreviver em qualquer ambiente inóspito que o enfiem, ambiente no qual ele irá se embrenhar sem medo e sem convite. Do outro lado, o irmão mais velho, aquele que foi tratado com todo esmero desde criança, que acostumou-se a ficar numa zona de conforto protegido por quem gosta e que mais tarde acabou desenvolvendo um gosto por escolher com cuidado as roupas que usa (não foi de todo mal aquele cuidado todo).

Outra coisa que afeta essa situação é a hegemonia feminina na casa. Somos três homens, eu, meu pai e meu irmão, e só a minha mãe de mulher. E ainda por cima, mãe professora! Sabe aqueles filmes em que uma educadora nova chega na escola do bairro pobre e marca presença na vida de todos? Essa é minha mãe, sem dúvida (e modéstia) alguma. Como a única mulher no recinto, este é o terreno dela e aí de quem se meter nele!

E ela nunca teve muita concorrência. No alto dos meus 21 anos, eu nunca tive um relacionamento sério a ponto de chegar pra ela e dizer, na sexta-feira à noite, "mãe, tô indo pra casa da minha namorada, volto só domingo" ou de simplesmente avisar "mãe, a minha namorada vai dormir aqui em casa hoje, ok?" (não tive muita colaboração feminina também, né moças?!). Com algumas poucas exceções, que nem foram namoradas - oi Lili - foram poucas as presenças femininas que abalaram as estruturas aqui em casa.

Os únicos momentos em que eu exijo esse pitaco de independência são as vezes em que saio, seja para tocar ou simplesmente para curtir com o pessoal mesmo. Mas daí sempre vem aquela segurança, nas mesmas palavras de sempre: "Se cuida, cuida com os outros na rua, qualquer coisa pega um táxi se não tiver carona, não vai ficar andando com esses outros que bebem aí. Tu eu não me preocupo que eu sei que tu não bebe, mas os outros... os outros é que são o problema".

O problema são os outros, esses que bebem. Não preciso explicar a situação né?

Essas são as frequências diferentes que operamos. As vezes estamos totalmente sintonizados, mas indo cada um para um lado. Deve ser meio coisa de mãe, mas a minha tem uma habilidade incrível de fazer o meu problema parecer nada diante dos problemas do mundo. Me lembro eu em dúvida, encostado pelos cantos, perdido em divagações se eu ia ou não no último show do The Beats. Eram muitas coisas que podiam dar errado: eu ia ter que arranjar dinheiro, talvez não tivesse ingresso, não sabia como ia voltar, enfim... Ela insistiu tanto em descobrir o que eu tinha, até que falei. Ela respondeu: "Ah, era isso? Filho, com tanto problema, tu tá aí com essa cara de deprimido por causa disso? Tu não imagina o que eu vejo todo dia, naquelas famílias pobres que eu visito no trabalho e..."

(Completem o resto da frase com alguma das variáveis: [pai de família que bebe] + [filha mais nova que se prostitui] + [filho mais velho que se droga] + [mulher que apanha do marido]. Sempre envolve um desses tópicos.)

É quase como se ela dissesse "com tanta gente morrendo no Haiti, tu tá preocupado com o tênis que vai usar!".

Então, naquela semana que ela voltou, ela logo pediu meu extrato bancário e descobriu que eu não tinha pago a faculdade. E que tinha gasto horrores naquela semana que eu tava fora. E a situação já mudou completamente. Toda a alegria que ela teve ao me ver foi por água abaixo. Eu estava me programando pra sair com o pessoal naquele final de semana, mas a visão do papelzinho amarelo do banco cheio de anotações de "vai entrar esse cheque" e "esse depósito não entrou" relembrou minha gastrite e me deixou num estado deprê pelo findi inteiro.

Chegou o sábado à noite e, depois das insistentes ligações das pessoas tentando descobrir se eu ia sair, ela me pediu, inocentemente: "tá, mas tu não vai sair?".

Não. Não podia ser a mesma pessoa que desceu a lenha em mim por causa do meu extrato bancário. Não podia. E mesmo que fosse, ao contrário dela, eu não consigo mudar de humor tão rapidamente, do tipo "Ah, eu posso sair? Então fui! Iupiii!".

(Resultado final: virei a madrugada de sábado assistindo "A Natureza Quase Humana", primeiro longa-metragem do Michel Gondry. Não foi de todo mal.)

Só sei que chega um momento em que essa alteração de frequência, essa oscilação de humor, passa da bipolaridade. Chega na tripolaridade, na quadripolaridade, desafia os limites da física. Vira um conflito. É a mesma sensação que você tem ao entrar no marasmo do ônibus as 8h da manhã ouvindo Rip It Up do Jet, enquanto todos lutam pra não dormir. O mesmo conflito que enfrento quando meu chefe tenta entender como consigo trabalhar com oito janelas abertas ao mesmo tempo, sendo que com duas ele se perde. Os mesmos conflitos que nós homens temos ao tentar entender o pensamento feminino (e que eu sei que as mulheres tem também). Só que todo conflito uma hora explode.

Eu amo minha mãe. Sério mesmo. E sei que todo esse carinho super protetor vem de todos os anos em que me puxei pra ser um bom filho. Mas sei que vai ter uma hora que eu vou ter que dizer: "mãe, olha pra mim, eu tenho 21 anos, eu dirijo, bebo e pago minhas contas, ok? Eu escolho e compro minhas próprias roupas - aliás, gosto de fazer isso graças a tu e as minhas tias, brigado mesmo - e eu vou atrás do meu sonho. E infelizmente pra ti esse meu sonho é um ônibus com minha namorada, meus melhores amigos, instrumentos velhos e o Elton John, só. Se tu me ama mesmo, só me faz um favor: fica feliz por mim, ok?"

Eu queria que ela percebesse isso sozinha, mas é complicado. Eu muitas vezes não percebo coisas óbvias, problemas dos outros que estão saltando na minha cara, então não posso exigir isso dos outros.

Por enquanto então, vamos assim, em sintonias diferentes, lutando pra não pular um no pescoço do outro. Talvez, um dia, as frequências batem e a gente se acerta.

De repente acaba até em samba.

=)

Sam não ouve rádio desde o fim do programa Y.

Era uma vez...

(e é isso que acontece quando o seu irmão sabe as suas senhas...)

Foi numa quarta - feira, dia trinta de setembro, do longínquo ano de 1992 que minha vida mudou. Naquele dia surgia diante meus olhos o ser mais inimaginável que eu já pude imaginar. Parecia que havia surgido de um conto de fadas trash. Uma mistura de Harry Potter, Dougie Poynter, e uma pitada de O Máscara. Seria essa pessoa o típico ser humano do qual eu diria "Sim, esse veio de outro planeta". Já foram 17 anos em sua companhia, sempre ao redor, pior que mutuca no meio do mato - como se eu soubesse o que significa isso ¬¬'' - mas hoje vim aqui para falar algo que nunca falei.


"Eu amo Os Travessos" Aaah! Vai dizer, ninguém nunca ouviu eu falar que amo Os Travessos!



"Sorria que eu estou te filmando, sorria o coração ta gravando..." (Bah! Até a versão da Fresno dessa música é melhor!) Como diria nas informações do video no Youtube essa foi uma "música de grande susseso do grupo os travessos ." SUSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSESO! [Momento Nery hahahaha]

Ta brincadeiras a parte, fiz esse post para indicar um Blog do GLS pra vocês o Blog do Gabriel Loco d'Special! Aaaahahahahahaha! (que horrivel ¬¬'') Todos vocês meus caros, baratos, seguidores sigam também o Blog deste que dentro de seu cubículo vermelho ao lado do meu quarto também pensa assim como eu. (?) Sigam o Blog do Gabriel! ;) Meu irmão querido, amado, inteligente, sagaz, fugaz, à gás... (nesse momento as lágrimas estão rolando soltas aqui...) Então, agora, reparem na cara desse menino, pensem que se não fosse pelo milagre da fecundação, ele não teria esse blog. Assim como nenhum de nós teriamos nascido, só Jesus nasceu sem ser desse jeito. Clica na fotinho da criatura logo abaixo e siga o Blog dele também, no fundo, no fundo, vai valer a pena. Obrigado. Até o próximo post!

Ana e Seu Novo Amor

Ana era uma moça frustrada.

Apesar de ser uma moça bonita, talentosa, dedicada ao seu trabalho, amante de um copo de vinho no happy hour de quinta e um cineminha na sexta, todos os seus relacionamentos tinham ido por água abaixo. No alto dos seus 22 anos, já tinha escutado os motivos mais variados: "você não me dá espaço o bastante", "você me deixa solto demais", "acho que nós somos muito novos", "acho que nós já passamos da idade pra isso", "nós deveriámos ter seguido em frente", "nós fomos longe demais", e o favorito dela: "desculpa, mas a culpa não é sua, é minha. O problema sou eu".

Sempre que escutava isso, Ana deixava a feminilidade de lado e apelava para o feminismo e o seu direito de falar palavrão: "PORRA!!! SE A CULPA É SUA, PORQUE DESISTIR!!! UM CASAL PARTE DO PRINCÍPIO QUE UM TEM QUE AJUDAR O OUTRO!!! VOCÊ É O QUE, UMA MULHERZINHA???!!!" gritava sempre, logo depois de desligar o telefone. Então lembrava-se que na verdade, ela era a mulherzinha, e seguia o seu caminho natural de ir até a geladeira, pegar um pote de sorvete, sentar no sofá, ligar em uma comédia romântica tão açucarada que mataria um diabético e chorar, chorar e chorar...

Ana odiava clichês.

Mas foi em um clichê que ela se apaixonou novamente. Estava passeando na rua, tentando prestar atenção em tudo e nada ao mesmo tempo, esquecer o último babaca cagão que deu pra trás, quando viu, dentro de uma loja, o par de olhos castanhos mais sinceros que já havia visto na vida. Brilhantes, eles olhavam para ela demonstrando amor e carência, acompanhados de um sorriso que poderia mudar o mundo. O sorriso que Ana queria acordar observando todo dia.

Ela não podia perder tempo. Talvez ela deixasse pra outra hora e nunca mais fosse ver ele. Pensou nas noites em claro. Nas manhãs solitárias. Nos fins de tarde cinzentos. Lembrou-se dos potes de sorvete e das comédias românticas e, no alto de seu desespero e carência, entrou na loja correndo, foi até ele e despejou tudo o que estava sentindo:

- Oi. Você não me conhece e eu mal conheço você. Você pode pensar que eu sou louca, vindo aqui e despejando tudo isso na sua frente sem você entender nada, mas por favor, me escuta. Entenda apenas uma coisa: eu estou sozinha, desesperada e eu preciso de você. EU NÃO VOU FICAR PARA TITIA. Eu já li todos os livros de auto-sabotagem pra tentar descobrir o que eu faço de errado, já pensei em ficar sozinha, que é melhor pra mim, mas a felicidade só é verdadeira se for compartilhada. Eu preciso de alguém e eu sei que você é diferente. Todos são iguais, mas você é diferente. Quando eu vi os seus olhos do outro lado da rua eu senti isso. Talvez eu esteja pedindo demais, mas eu preciso de alguém que não vai me deixar na mão. Alguém que esteja lá quando eu preciso, nas horas boas e nas horas más. Alguém que me faça companhia. Alguém que, com um sorriso bobo no rosto, tire o peso do mundo das minhas costas. Que com uma palavra, me deixe sem palavra alguma. Que com o som da sua respiração, acalme a minha. E eu sei que encontrei esse alguém. Você precisa de alguém, e eu preciso de você.

Olhou fundo nos seus olhos castanhos novamente e perguntou:

- Você não vai falar nada?

Ele olhou no fundo dos olhos azuis dela e respondeu:

- Au!

Assim, Ana comprou seu yorkshire e pode dizer que finalmente, encontrou seu novo amor.

=)

Sam pergunta: seria todo homem um cachorro?

Excessos

Há certas coisas na vida que você sabe que, quando acontecem, precisarão de uns seis dias saudáveis de intensa reflexão.








Eu já escrevo demais aqui... então tire suas próprias conclusões.

Ah, e obrigado aos envolvidos.

Aos responsáveis e aos que me acompanharam depois.

Eu seria uma pessoa sóbria sem vocês.

(clica que aumenta)

Era Uma Vez, na 8ª série... - Parte V

No último post...

Memória seletiva é o ato que o cérebro realiza priorizando certas informações mais prazerosas em detrimento de outras não tão bacanas. É o que faz os velhinhos lembrarem com detalhes da sua infância pintada em sépia, mas esquecerem de tomar o remédio. É o que faz os adolescentes lembrarem de combinar minuciosamente o aquece, a festa e a pós-festa do sábado a noite mas esquecerem a matéria estudada durante a semana.

E é o que fez Sam esquecer do que falou com ela naquele telefonema. Mas coisa boa não foi. Ele se lembra dela chorando, dizendo que não sabia o que fazer e como a coisa ia prosseguir dali pra frente. Sam não sabia MESMO o que estava acontecendo e o que fazer.

Tanto que passou o telefone pro seu irmão, que estava pentelhando por perto. Não pergunte porque o seu irmão ou ele fizeram isso, mas quando o telefone voltou pra Sam, essa é a parte do diálogo que ele lembra (e que explica muita coisa):

- E então, que que vocês conversaram?
- Teu irmão pediu se a gente tá namorando...
- É? - respondeu Sam animado - E o que que tu disse?
- Eu disse que não sei. Não sei mesmo.

E o resto ficou todo meio nublado. Sam pediu desculpas, falou que não ia mais fazer o que fez e tudo acabou teoricamente bem. Aliás, bem não... morno.

Mas o que não é pra ser, não vai ser, nunca. Tanto que muito pouco tempo depois, aconteceu tudo de novo. Sam não deu notícias, ela ficou desamparada e ele acabou ouvindo ela chorando no telefone de novo. Mas dessa ligação, Sam lembra somente da voz dela:

- Eu cansei de chorar por tua causa. Eu sou nova, tu é novo e a gente tem que aproveitar enquanto tem tempo. Se a gente se encontrar por aí e se rolar de repente, sei lá, tudo bem. Mas eu acho que a gente tem que ser... só amigos.

O resto é cinza. Bendita memória seletiva.

Algumas semanas depois...

Os dois pararam de se falar por um tempo. Toda relação que acaba relativamente bem sempre tem em suas palavras finais a velha máxima do "vamos continuar amigos, claro, vamos se falando", mas essa é a maior mentira do mundo. Não tem como continuar falando normalmente com uma pessoa sem que aquela enxurrada de pensamentos e emoções venha e leve toda a sanidade junto. Como diria o Coringa, "loucura é como a gravidade, só precisa de um empurrãozinho". Então nada mais natural e saudável do que ir cada um para o seu lado e ficar muito bem, obrigado.

Porém, quando Sam se deu por conta de que estava sozinho, já não tinha mais pra onde ir. Ok, as amizades aos pouquinhos iam crescendo na escola nova, a cabeça já não tava tão desocupada pra ficar pensando besteira e gradativamente ia tudo melhorando. Mas a menina pra qual Sam escrevia não ia mais voltar.

Ele se lembrava orgulhoso que, assim como seu ídolo, Rivers Cuomo, também começou a escrever por causa de uma menina. Porém, ao contrário do vocalista do Weezer, não escrevia porque terminou com ela e sim porque começou um relacionamento. Será que deveria fazer o mesmo agora?

No final das contas, como sempre, o caminho natural para o qual os sentimentos de Sam fluíam era uma folha em branco. E foi assim que, em 28 de abril de 2003, Sam preencheu a última página da sua agenda (sim, aquela agenda, lá do início) falando sobre o assunto. E esse foi o epitáfio da coisa toda:

"Só tive bons amores.

Na verdade, só tive um amor, mas já amei várias vezes. Me apaixono fácil. Cabelos cor-da-noite e um rosto sincero ou cor-do-sol e um belo par de olhos verdes são o bastante para mim ficar deslumbrado. Mas acho difícil dizer que todos estes amores foram algo considerável para mim.

Um dia irei achar o meu tipo de amor favorito. O amedrontador. Daqueles que tu sente um arrepio... só de pensar nela. Daqueles que você sente um tremor nos lábios só por olhar os dela. Que você se sente satisfeito só por olhar pra ela, pra depois ela vir te perguntar "Por que você olha tanto pra mim?" e você responder "não sei, só sei que me sinto feliz".

Não há nada mais profundo e honesto para uma garota do que um comentário sincero sobre o que ela representa pra você. Mesmo que seja só uma amiga, ela irá sentir isso. Claro que nem todas merecem isso. Só as que você sabe que merece.

No fim de um encontro diga "Obrigado por ter deixado meu dia melhor". Depois abrace-a e sussurre perto do seu ouvido no momento em que for beijá-la "o que eu faço pra sentir tudo isso de novo?". Se ela disser "me beija agora que eu te garanto que tu nunca vai esquecer disso", realmente você tocou ela.

Palavra de quem sabe (e já sentiu): pior do que a saudade, só a tristeza. Pior que a tristeza, só a dor que ela traz. Não chegue ao ponto de ouvir tua garota chorando e dizendo que cansou de chorar por você. Eu cheguei a isso. E nada como o amor pra esquecer uma dor."

Eles se encontraram novamente em setembro, no aniversário de um amigo em comum (do B. Eddy, lembra?). Os dois provavelmente ficaram meio balançados, mas foi só isso. Pouco tempo depois, ela começou a namorar outro cara e está firme com ele até hoje. Sam demorou quatro anos pra ficar com outra garota (não por causa dela, mais por causa da ineficácia de Sam nesse campo mesmo) e hoje... tem um blog.

Nos anos seguintes, os dois alternaram longos períodos em silêncio com uns vinte dias de muita conversa sincera, normalmente quando um tava mal e ia se apoiar no ombro do outro. Com o tempo, a velha máxima do "vamos continuar nos falando" veio bem a calhar e os dois são grandes amigos.

É engraçado tentar achar um motivo pelo qual toda essa história foi contada. Não há uma lição de moral, apenas uma experiência bem vivida, relembrada com a simples intenção de não cometer o mesmo erro. Que cada um absorva o que quer e leve adiante. E se não houver nada a levar, levem na consciência que fizeram feliz este velho contador de histórias.

O que importa são os sons, as cores, os gostos e os amores.

Vivam intensamente.

O resto é resto.

Fim