Seu nome era Mick Hannigan. Veterano de guerra, agora aposentado, tudo que queria era defender a sua família, sua esposa Josie e sua filha Samantha. Neste momento, tudo o que planejava era bater o pé na porta do quarto da filha e fazer a palavra de pai falar mais alto! Onde é que já se viu, uma pouca-vergonha daquela embaixo do seu teto!
Chegou no fim do corredor, em frente ao quarto da filha. Abriu a porta e saiu gritando:
- SEU SAFADO, SAIA DE CIMA DA MINHA...
Quase teve um infarto ao ver a situação. Acalmou-se e falou calmamente, tapando os olhos...
- Filhinha, saia de cima desse rapaz, por favor...
Minutos depois, roupas colocadas
- E então, você é...? - perguntou Mick
- O nome dele é... - começou Samantha
- Eu pedi para ele filha, e acredito que ele tenha língua para responder... - cortou Mick.
- Tem sim pai... - ela olhou para o rapaz e deu um sorrisinho malicioso.
Mick enrubesceu. Chamou Josie.
- Leve a menina para baixo por favor. E dê um chá com calmante. Ou melhor, só calmante. Ou melhor ainda, eu tenho alguns daqueles tranquilizantes para cavalos no meu armário, dê alguns daqueles.
- Eu não! - Josie puxou a menina para perto e as duas ficaram assistindo o interrogatório - Parece que só vai melhorar daqui pra frente!
- Hunf! Fiquem aí então... - Mick voltou para o rapaz - e então, seu nome?
- Johnny Lake, senhor.
- E o que você estava fazendo na cama da minha filha a esta hora da noite?
- Eu vim visitá-la senhor e o que estávamos fazendo... bom, acho que o senhor viu...
Mick ficou vermelho novamente.
- E como raios você entrou aqui?!
- Pela janela, senhor.
- E é seu costume ficar invadindo a casa dos outros por aí a essa hora da noite?!!!
Josie cochichou baixinho para Samantha atrás dos dois.
- Me lembra alguém muito corajoso que costumava me fazer visitas noturnas quando nós eramos mais novos...
Mick virou para trás rapidamente.
- Querida, guarde essa nostalgia para amanhã a noite, quando estivermos com mais disposição e menos roupa. Agora, se eu não me engano, eu já mandei as duas descerem, não?
As duas responderam juntas.
- Sim, senhor Hannigan.
- Ótimo - ele esperou as duas descerem - gosto de saber que as condecorações no meu uniforme servem para alguma coisa ainda - ele aproximou-se do garoto - e então, o que o senhor faz da vida, Johnny Lake, além de invadir as casas de respeito da vizinhança?
- Eu jogo beisebol, senhor. Sou jogador profissional da liga de Butterfly City. E também sou colega da sua filha na escola.
BAAAM!!!
Os dois se assustaram.
- É o mesmo barulho das portas batendo de antes. Eram vocês que estavam batendo elas antes de eu chegar aqui?
- Não senhor, como eu disse, eu entrei pela janela.
- O que você falou antes do barulho da porta interromper? - Mick fechou rapidamente a janela do quarto da filha.
- Eu disse que era colega da Samantha no colégio, senhor.
- Não, antes disso!!!
- Que eu era jogador de beisebol profissional e...
- Isso!!! Em que posição você se sai melhor?
- E-e-eu sou um ótimo batedor, senhor... - ele parecia nervoso.
- Ótimo! Era o que eu esperava - ele deu um tapinha nas costas do garoto e saiu pelo corredor falando alto - deve ter um taco de beisebol em cima do armário da Samantha.
Johnny pegou o taco de beisebol empoeirado de cima do armário e ouviu Mick abrindo uma pesada gaveta em algum lugar no corredor. Ele voltou preparando uma espingarda que parecia velha, mas usada freqüentemente.
- As duas estão lá embaixo e nós aqui, conversando - ele engatilhou a arma - se tem mais alguém nessa casa além de nós quatro, não vai sair daqui caminhando essa noite - apontou para o taco de beisebol nas mãos de Johnny - espero que você saiba usar isso decentemente, garoto.
- Eu também espero, senhor. Eu também espero...
Os dois desceram as escadas em direção ao andar de baixo.
(Continua...)