Era uma vez um Cientista Maluco. Como todo Cientista Maluco, ele queria bolar um plano que pervertesse todas as leis naturais da Terra. Logo ele teve uma idéia brilhante: iria construir a Mulher Perfeita. Ela seria uma mulher que atenderia todos os desejos dos homens e nunca faria tudo aquilo que os homens detestam nas mulheres. O Cientista Maluco iria construir várias e várias réplicas da Mulher Perfeita e venderia elas a todos os homens do mundo, que as comprariam sem pestanejar e deixariam ele rico.
Não deu outra. Foi só ele colocar a venda no mercado o primeiro protótipo da Mulher Perfeita que o estoque logo terminou. Toda casa dignamente controlada e habitada por um macho no planeta inteiro agora tinha uma Mulher Perfeita, pronta para satisfazer todos os seus desejos e tentações.
As mulheres logo se indignaram. O caos tomou conta das cidades, das ruas e dos salões de beleza. Onde já se viu?! Mulheres Perfeitas tomando o nosso lugar! Seria uma invasão das Esposas de Stepford?! Onde iríamos parar! Então, o Cientista Maluco pôs em prática a segunda fase do seu plano maligno.
Ele construiu o Homem Perfeito.
E o Homem Perfeito era tudo o que as mulheres queriam. Fazia todos os seus desejos, desde lavar a louça e assistir "As Pontes de Madison" até largar o futebol do fim de semana para ficar em casa fazendo uma massagem nos pés de sua querida esposa (e dona). Logo, toda casa comandada por uma mulher independente na face da Terra tinha um Homem Perfeito.
Até que um dia, aconteceu o que o Cientista Maluco menos esperava.
Um Homem Perfeito conheceu uma Mulher Perfeita.
Foi amor a primeira vista biônica. Logo que a Mulher Perfeita o deixou (segundos depois de combinarem sair mais tarde), ela puxou uma antena biônica da sua orelha e fez uma ligação a Mulher Perfeita da casa ao lado. O Homem Perfeito fez a mesma coisa e logo contou a novidade para o Homem Perfeito da casa ao lado que ele havia conhecido indo buscar os filhos da sua dona na escola. Logo, todos os Homens Perfeitos do mundo estavam apaixonados por uma Mulher Perfeita.
E os humanos originais, homens e mulheres com todos os seus defeitos que vinham de fábrica e não tinham conserto, o que fizeram?
Eles olharam uns para os outros e viram que, mesmo com todos erros e acertos, ainda gostavam-se bastante.
Perceberam então que, mesmo com toda a atenção que tinham, gostavam de ser esquecidos de vez em quando, já que a solidão é boa pra pensar e uma saudadezinha no fundo do peito não mata ninguém.
Perceberam que de vez em quando, mas bem de vez em quando, aquele arroto logo depois de sair da mesa é sinal de que a comida estava realmente boa (mas que ainda assim é uma coisa porca na maioria das vezes).
Perceberam que aquela massagem nos pés, que mais faz cócegas do que realmente relaxa, era, afinal de contas, apenas uma maneira mais carinhosa de fazer cócegas realmente (e como eram sinceras as risadas vindo de alguém que até fazia massagem nos seus pés).
E perceberam várias outras coisas que, com o tempo, a convivência, o trabalho, a rotina e tudo o mais, foram esquecendo e deixando no caminho na estrada que haviam percorrido até ali. Logo, resolveram deixar toda aquela baboseira de Homem e Mulher Perfeitos para trás. Para que ter o Perfeito, se tinha o Original em casa? Enquanto aqueles eram Sonhos de Consumo, estes eram um Sonho que as vezes era Realidade.
(Sem contar que estes não gastavam energia para recarregar a bateria)
Assim, todos os humanos normais voltaram a viver juntos novamente, virando a página dos Seres Humanos Perfeitos para trás. Esses, por sua vez, foram viver em uma colônia na lua, alimentada infinitamente por um dínamo de energia que absorve sua força da dança de uma boate que nunca fecha. Agora todos eles dançam o tempo inteiro até a energia acabar (sendo que ela nunca acaba) e são animadamente embalados pelo DJ Cientista Maluco.
E na Terra, todas as Pessoas Imperfeitas, com seus defeitos, erros e acertos, viveram felizes para sempre.
Não deu outra. Foi só ele colocar a venda no mercado o primeiro protótipo da Mulher Perfeita que o estoque logo terminou. Toda casa dignamente controlada e habitada por um macho no planeta inteiro agora tinha uma Mulher Perfeita, pronta para satisfazer todos os seus desejos e tentações.
As mulheres logo se indignaram. O caos tomou conta das cidades, das ruas e dos salões de beleza. Onde já se viu?! Mulheres Perfeitas tomando o nosso lugar! Seria uma invasão das Esposas de Stepford?! Onde iríamos parar! Então, o Cientista Maluco pôs em prática a segunda fase do seu plano maligno.
Ele construiu o Homem Perfeito.
E o Homem Perfeito era tudo o que as mulheres queriam. Fazia todos os seus desejos, desde lavar a louça e assistir "As Pontes de Madison" até largar o futebol do fim de semana para ficar em casa fazendo uma massagem nos pés de sua querida esposa (e dona). Logo, toda casa comandada por uma mulher independente na face da Terra tinha um Homem Perfeito.
Até que um dia, aconteceu o que o Cientista Maluco menos esperava.
Um Homem Perfeito conheceu uma Mulher Perfeita.
Foi amor a primeira vista biônica. Logo que a Mulher Perfeita o deixou (segundos depois de combinarem sair mais tarde), ela puxou uma antena biônica da sua orelha e fez uma ligação a Mulher Perfeita da casa ao lado. O Homem Perfeito fez a mesma coisa e logo contou a novidade para o Homem Perfeito da casa ao lado que ele havia conhecido indo buscar os filhos da sua dona na escola. Logo, todos os Homens Perfeitos do mundo estavam apaixonados por uma Mulher Perfeita.
E os humanos originais, homens e mulheres com todos os seus defeitos que vinham de fábrica e não tinham conserto, o que fizeram?
Eles olharam uns para os outros e viram que, mesmo com todos erros e acertos, ainda gostavam-se bastante.
Perceberam então que, mesmo com toda a atenção que tinham, gostavam de ser esquecidos de vez em quando, já que a solidão é boa pra pensar e uma saudadezinha no fundo do peito não mata ninguém.
Perceberam que de vez em quando, mas bem de vez em quando, aquele arroto logo depois de sair da mesa é sinal de que a comida estava realmente boa (mas que ainda assim é uma coisa porca na maioria das vezes).
Perceberam que aquela massagem nos pés, que mais faz cócegas do que realmente relaxa, era, afinal de contas, apenas uma maneira mais carinhosa de fazer cócegas realmente (e como eram sinceras as risadas vindo de alguém que até fazia massagem nos seus pés).
E perceberam várias outras coisas que, com o tempo, a convivência, o trabalho, a rotina e tudo o mais, foram esquecendo e deixando no caminho na estrada que haviam percorrido até ali. Logo, resolveram deixar toda aquela baboseira de Homem e Mulher Perfeitos para trás. Para que ter o Perfeito, se tinha o Original em casa? Enquanto aqueles eram Sonhos de Consumo, estes eram um Sonho que as vezes era Realidade.
(Sem contar que estes não gastavam energia para recarregar a bateria)
Assim, todos os humanos normais voltaram a viver juntos novamente, virando a página dos Seres Humanos Perfeitos para trás. Esses, por sua vez, foram viver em uma colônia na lua, alimentada infinitamente por um dínamo de energia que absorve sua força da dança de uma boate que nunca fecha. Agora todos eles dançam o tempo inteiro até a energia acabar (sendo que ela nunca acaba) e são animadamente embalados pelo DJ Cientista Maluco.
E na Terra, todas as Pessoas Imperfeitas, com seus defeitos, erros e acertos, viveram felizes para sempre.
2 comentários:
bela história, faz pensarmos
peace and freedom
Adorei!
Como se pode ver perfeição não é tudo. Perfeição chega a ser monotona. Que graça teria conseguir tudo do modo mais fácil, não teríamos nenhuma conquista para nos vangloriar.
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