2.5

25. Um quarto de século. Falei tanto isso nos últimos dias que já parece pouco. Mas como eu disse sábado, daqui a 25 anos eu vou ter o dobro de idade do que vou ter agora.

Tinha bastante chopp. Não perguntem.

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24

25

Escolhi a do Superman esse ano por ele ser um dos objetos estudados na minha monografia. O outro objeto de estudo é o Homem-Aranha, que já tinha sido torta ano passado. Falta um objeto, Tintim, que de repente será a torta do ano que vem. Será...?

Sam achava que tinha tido uma torta do Harry Potter. Achava.

PLAYLIST - Músicas pra Ouvir na Chuva!

Vem chuva, vai chuva, vem NEVE, vai chuva, volta a chuva... até chegar a primavera e esquentar de vez (e a gente começar a reclamar do calor) vai ser assim. Mas chuva não precisa ser necessariamente chata. Não sempre, pelo menos. Afinal de contas, é bom pra dormir. E bom pra cantar.

*****

Scouting For Girls - Rains in L.A.



Tragédia de amor anunciada: ele na chuvosa Londres, ela na ensolarada Los Angeles.

*****

Led Zeppelin - Fool in the Rain



Porque todo mundo já ficou bem bobo na chuva.

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Beatles - Rain



E você falava que o Ringo não tocava nada.

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Adele - Right as Rain



Porque a Adele era bem feliz antes de Someone Like You

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Calvin Harris - The Rain



Saxofones! Saxofones everywhere!

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Mika - Rain



Divando na chuva.

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Hellacopters - Rainy Days Revisited



Dias chuvosos são bons pra fazer rock and roll.

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Blind Melon - No Rain



Porque é impossível ter passado os anos 90 sem ter visto o clipe da abelinha.

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BONUS TRACK

McFly - Touch The Rain



Se der tudo certo, vai tocar MUITO. Vem logo "album number six"!

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Agora é só esperar o sol!

Sam está se sentindo meio anfíbio já.

Vamos Começar Bem Setembro?

Setembro está aí e com ele muita coisa boa. Não é raro a despedida da temporada de frio vir com novas vibrações, novas energias, novos sorrisos no rosto. O ambiente tá pedindo por isso. É hora de aproveitar.

Emagreça. Tire do corpo aquelas palavras que você quer falar faz tempo, aquele peso nas costas, aqueles problemas que você carrega esperando o momento certo chegar e a hora certa de tentar resolvê-los. Tentar não é conseguir, então porque demorar mais? Faça!

Aprenda novas línguas. As vezes, as pessoas falam coisas que não entendemos. Um bom dia recebe como resposta um bom dia pra quem? ou vamos ver até quando e a gente já julga: "eita, mal-humorado". Tem muita gente que fala na língua do pessimismo. Que tal aprender e ajudar na conversa?

Viaje. Imagine-se em novos lugares. Esqueça o onde você gostaria de estar em cinco anos e foque no onde eu gostaria de estar agora? Imagine-se em um novo emprego, um novo relacionamento, um novo carro, um novo estado de espírito, e depois se pergunte: o que eu posso mudar pra conseguir alcançar isso?

Faça exercícios. Descubra o limite do seu corpo na academia, o limite dos seus joelhos na caminhada, mas descubra também o limite da sua cabeça no pensamento e o limite do seu coração na hora de se entregar pra alguma coisa. Descubra o seu limite e vá adiante.

E agradeça. Isso não precisa de maiores explicação: simplesmente agradeça o que ou quem te faz feliz. Faz bem.

Setembro já está aí e cada um tem seus motivos pra comemorar. Em 13 dias, meu aniversário. Em 21 dias, a primavera. Em 29 dias, o Billie Joe acorda. E aí: vamos começar bem setembro?



Sam se recusa a postar "Wake Me Up When September Ends"

Oito razões para deixar seu filho ter uma banda

Que aprender a tocar um instrumento musical é uma atividade que pode mudar a vida de uma criança todo mundo sabe. Ela mexe com o ser humano em tantos níveis que é impossível passar incólume pelo aprendizado de algumas poucas notas. As crianças que aprendem a tocar algum instrumento musical com certeza desenvolverão uma habilidade de aprendizado diferenciada pelo resto da vida.

Mas um dos maiores benefícios de tocar um instrumento musical é poder fazer parte de uma banda. E essa experiência às vezes é tão valiosa quanto o próprio ato de aprender a tocar. Quando tiver um filho, deixe-o fazer parte de uma banda. Ele vai aprender muita coisa.

Palavra de quem sabe, vai por mim
Ele aprenderá a lidar com gente diferente

Muitas pessoas definem bandas como grandes casamentos, mas como você não imagina seu filho casar com meia dúzia de barbudos, encare uma banda como uma grande amizade por afinidade. Ele poderá formar uma banda com amigos que conhece desde pequeno, com quem conviveu por uma vida toda, mas eventualmente formará bandas com alguém que conheceu na metade do caminho, alguém que naquele momento, só compartilha do mesmo gosto musical dele e nada mais. E aprender a achar similaridades e superar diferenças pelo simples prazer de tocar com alguém é uma das maiores vantagens de fazer parte de uma banda.

Ele irá ralar muito

A menos que a banda surja pelo simples prazer de tocar – e convenhamos, será assim por alguns anos – seu rebento com certeza sonhará em seguir carreira musical. E tentar dar certo no mundo da música é uma jornada dupla de trabalho. Ele irá ralar, aprender música, se decepcionar, fazer shows, se decepcionar, ficar acordado até tarde, se decepcionar... deu pra entender né? Muitas vezes as alegrias virão, mas até ele chegar em um nível aceitável de felicidade com sua banda, ele irá quebrar a cara muitas vezes. E caso tudo dê certo, ele verá que valeu a pena. A gente sempre valoriza aquilo que conseguiu com muito esforço e, com sorte, ele levará esse pensamento para as outras coisas que desejar na vida.

Ele irá aprender sobre um monte de coisas além de música

É fato incontestável que as pessoas aprendem mais inglês ouvindo música e jogando videogames do que de qualquer outra maneira. Ter uma banda é praticamente um cursinho de inglês não pago. Isso sem contar todas as outras coisas que seu filho pode aprender ouvindo música: aulas de história, com canções falando sobre acontecimentos famosos no mundo; aulas de literatura, com canções baseadas em livros; aulas de geografia, porque eventualmente ele vai se apaixonar por alguma banda da Europa ocidental; aulas de moda e etiqueta, conhecendo vários estilos e criando o seu próprio; aulas de redação, escrevendo canções... Fazer parte de uma banda é um aprendizado constante de coisas úteis e inúteis. E todo mundo ama coisas inúteis.

Aula de Segunda Guerra Mundial com o Iron Maiden

Ele aprenderá a lidar com rejeição

Imagine a cena: quinta-feira de noite, frio, passagem de som feita, palco montado, cara montada, repertório decorado e na plateia... ninguém. Só as namoradas da banda e o dono do bar. Isso quando elas conseguem ir. Pra quem não sabe lidar com isso, todo esse esforço por nada pode ser um belo motivo pra desanimar. Quem consegue relaxar e tocar mesmo assim, sai ganhando sempre. E ainda ensaia de graça.

Ele lidará bem com a diversidade

Por mais que você goste mais de um estilo do que de outro, os instrumentos são os mesmos. A guitarra do rock and roll tem seis cordas, assim como a guitarra do axé. O mesmo piano que toca Mozart toca reggae. A mesma gaita que toca folk toca sertanejo. As notas musicais são as mesmas. Se ele conseguir entender isso, vai ter sempre algo pra se divertir, em qualquer lugar que for, independente da música que tocar. Mas se você entrar no quarto dele e ele estiver vendo o clipe da Anitta para ouvir o fá si bemol do terceiro compasso, desconfie.

Pre-para

Ele irá respeitar os mais velhos

Ter uma banda é uma lição de humildade: não importa o quanto você trabalhe, tem sempre um Paul McCartney, 71 anos, fazendo shows de 3 horas por aí. Não importa o quanto você se canse, tem um Bruce Springsteen, 63 anos, fazendo espetáculos para multidões por quase 4 horas. Não importa o quando seu filho estude e aprenda e se dedique em ser músico, sempre haverá um senhor de idade pronto para chutar sua bunda com mais energia do que ele pode imaginar. E fazendo um solo de guitarra enquanto isso.

Velhinhos e melhores do que você

Ele aprenderá com os bons exemplos...

Live Aid, Live8, We Are the World, Concert for Bangladesh... quer arregimentar muita atenção para sua causa? Chame um monte de músicos e ponha eles pra tocar! Muitas vezes isso acontece por puro oportunismo, mas não faltam bons exemplos de músicos que doaram tempo, dinheiro e solos de guitarra para chamar a atenção do mundo para causas importantes. E isso não é coisa de músico tiozinho querendo reerguer sua carreira não: todo ano acontece na Inglaterra o Comic Relief, evento de arrecadação que conta com um single exclusivo, interpretado por uma banda que está em alta no momento. Ano passado foi o One Direction. Ok, você pode achar que o One Direction não é uma banda, mas a música é cover do Blondie misturado com o refrão de uma música dos Undertones, então tá valendo.

Ah vai, tem uma guitarra ali no meio

...e aprenderá com os maus exemplos

Ok, o mundo da música é um dos poucos em que os ídolos da multidão normalmente morrem afogados em seu próprio vômito. Ou por overdose. Ou misteriosamente aos 27 anos. Mas isso perdeu o seu glamour há muito tempo atrás. Hoje em dia é mais comum saber de músicos que foram expulsos de suas bandas por mau comportamento, do que músicos que morreram de causas misteriosas. Scott Weiland, por exemplo, foi expulso do Velvet Revolver, banda que formou no hiato do Stone Temple Pilots, sua banda original. Depois, quando voltou para o Stone Temple Pilots, foi expulso de novo! Isso é como ser demitido pelos seus próprios funcionários. Mas claro, pra cada caso bom existe um Chorão da vida. Mas né... quem se importa com o Chorão?


Não, essa música não é do Pearl Jam

*****

Claro, em caso de dúvidas, sempre dê preferência a você ter uma banda antes de ter filhos. Porque o contrário provavelmente será mais complicado. Por isso, MEXA-SE! Vai, explore o mundo lá fora, forme uma banda! A discografia do Legião Urbana não vai ser aprendida por osmose!

Sam já tocou numa banda de rock japonês

A Prática, a Perfeição e o Refinamento

Tenho lido vários manuais e textos sobre criação literária ultimamente. São textos técnicos, com dicas variadas sobre construção de personagens, pontos importantes em uma história, definição de arquétipos, algo que sempre me interessou. Tenho escrito com uma produtividade bastante boa nos últimos dias, o que tem me deixado bastante feliz. E foi justamente essa produtividade que me levou ao texto de hoje.

Todos os manuais que li concordam com essa velha máxima de que a prática leva a perfeição. Essa não é a última novidade do mundo, mas é algo que a gente sempre esquece quando quer desenvolver um "hábito fora da nossa rotina". Explico: eu sempre gostei de escrever, a um ponto em que até quem não me conhece sabe disso. Mas basta dar uma rolada para baixo no blog pra perceber que a frequência não é das maiores. E afirmo sem dúvidas que meus melhores textos surgem nas épocas de maior produtividade.

Logo, a prática realmente leva a perfeição.

"Perfeição", claro, é um conceito muito vago, já que varia de cada um. Eu diria que a prática leva a "fazer coisas com menor esforço, com menos desistências no caminho, chegando assim em momentos de perfeição", mas a frase ia ficar muito grande pra colocar em um post-it pra não esquecer. O porém que me faz escrever esse texto é que, pelo menos no campo da redação, no campo da escrita em geral, só a prática não resolve. A perfeição não é nada sem o refinamento.

Um manual que li esses dias instruía o leitor a perceber que os momentos do dia em que ele realizava o ato de escrever - um post no Facebook, uma piada no Twitter, uma mensagem de texto para alguém - por mais mundanos que fossem, ainda assim eram momentos de prática da escrita. Escrever uma piada no Twitter em 140 caracteres exige uma concisão digna de redator. Revisar um e-mail antes de enviar para um cliente também. E por aí vai.

O texto seguia sugerindo que, assim que o leitor percebesse esses momentos de escrita passiva, transformasse-os em escrita ativa. Você já é craque em escrever piadas em 140 caracteres, a sua prática já levou a perfeição, legal. Então, porque ao invés de gastar essa prática no Twitter, você não puxa um caderno de lado e escreve uma cena, uma descrição de personagem, um resumo de capítulo?

Falando assim parece algo bobo, mas é só quando você sente uma real necessidade de fazer alguma coisa - escrever, perder peso, aprender japonês - e se vê sem tempo para realizar essa atividade, que você percebe quanto tempo perde em coisas desnecessárias. Quando a gente quer mesmo fazer alguma coisa e não tem tempo, chega a doer. E é quando dói que a gente arranja tempo. Ser humano é um bicho difícil mesmo.

De volta ao manual. O mais interessante ainda vinha pela frente. Depois de perceber esses momentos de ócio e transformá-los em momentos produtivos, o manual ainda sugeria reservar um outro momento adiante para revisar o que foi escrito e melhorar. E incluir no ato da "prática" o ato do "refinamento" é a grande jogada para conseguir ser produtivo, para chegar a verdadeira perfeição almejada. É como cozinhar arroz. Você sabe fazer arroz, óbvio (eu não saberia responder com tanta certeza), sabe fazer de uma maneira tão automática que faria de olhos fechados. Mas é o tempo que você gasta a mais, cuidando do ponto, do tempero, da lavagem do arroz, que faz ele ficar melhor ainda.

(Arroz se lava, não?)

A coisa legal do refinamento é que ela ajuda a perceber o que você gosta mesmo de fazer. Você não vai gastar tempo a mais refinando tudo. Talvez você queira ser um cozinheiro que faz o melhor arroz do mundo, então vai gastar o tempo necessário para aprender isso. Mas talvez você seja só alguém que gosta do seu arroz básico, do jeito que você faz todo dia. Você pode fazer muitas coisas com perfeição, mas só aquilo que você gosta mesmo de fazer, irá merecer o seu refinamento. Sabe aquelas coisas que você diz: "ah, tá bom assim?". Perfeição. Mas aquilo que faz você esquecer do mundo ao redor, aquilo que você se entrega, aquilo que você se orgulha... refinamento.

Descobrir o que merece seu "refinamento" ajuda a descobrir muitas coisas sobre si e ajuda a tomar decisões sobre o futuro. Essa minha última semana de "produtividade literária" me fez ter mais certeza ainda que, entre as minhas atividades, o que merece meu refinamento é a escrita. Eu estou longe da perfeição trazida pela prática, mas o esmero que eu coloco em escrever as palavras certas e o prazer que eu sinto quando consigo me dão certeza que é ali que vou construir as coisas que me darão orgulho.

E você... para o que você guarda seus momentos de refinamento?

Sam guarda seus momentos de refinamento para a hora de comer também

Lá Fora

Dois momentos em especial marcaram esse fim de semana, dois momentos que de certa forma se complementam.

Na sexta-feira, antes de sair do trabalho, uma colega minha que saiu 5 minutos antes de mim ficou presa no elevador. Como eu ainda estava no trabalho, ela me ligou, desci do 7º andar até o térreo, pedi para a mulher da portaria ligar para a assistência, subi e liguei para ela para avisar isso. A moça da sala da frente pediu então porque eu não usava a chave de destravamento para tentar abrir o elevador. Desci até o térreo novamente e pedi pela chave de destravamento. A mulher da portaria me entregou um ferro retorcido em três voltas e deu o aviso: "se tu tentar abrir com essa chave, a responsabilidade é tua". Subi de volta ao 7º andar e pesquisei na internet como se usava aquele troço estranho. Felizmente, nesse meio tempo, o técnico chegou e liberou minha colega. Ela foi embora e eu fui logo depois.

Ainda na sexta-feira, fui para Gramado e Canela com a namorada e um casal de amigos. Na volta para casa no domingo, o motorista da turma, em frente a estrada a nossa frente, o belo dia de sol e a emoção incontida (exagerei um pouco, mas é verdade) declara: "Que coisa boa isso né? Olha esse tempo, esse sol, essa estrada!". Os outros três passageiros do carro, tão empolgados quanto o motorista, mas talvez não precisando expor a emoção naquele momento, simplesmente concordaram. "Pois é, lindo."

Hoje voltei para o trabalho e a minha colega me contou o que aconteceu depois de sair do elevador. Ela saiu do prédio e a grade de fora estava trancada. Mais uma vez, ela estava trancada em algum lugar. Felizmente, alguém estava saindo bem na hora e ela aproveitou para sair junto. E foi então que ela, que havia ficado calma o tempo inteiro durante a situação do elevador, finalmente sentiu o pânico de ficar presa: quando se sentiu livre.

Ao sair na rua, depois de ficar presa duas vezes, e ouvir as pessoas, os carros, sentir o ambiente lá fora, "caiu a ficha" de que ela havia ficado presa. Ela saiu andando em linha reta de cabeça baixa em direção a sua casa, sem ver nada ao redor. Quando um conhecido passou por ela e chamou ela em voz alta, porque ela havia passado reto por ele, ela foi cumprimentar ele e caiu no choro. "O que aconteceu?" ele pediu. "Fiquei trancada no elevador." E começou a rir da situação.

Nós normalmente não damos conta do nosso real tamanho. Ao ficar preso no elevador, você reduz o seu mundo as quatro paredes ao redor. É uma situação estressante, mas que você tem "sob controle": tem noção de espaço (você está dentro do elevador, dentro do prédio), noção de tempo (faz cinco minutos que você está ali), e de localização (você está no 7º andar do prédio em que você trabalha). Mas quando você sai no mundo real, lá fora, é que você percebe que estava trancado em uma caixa de metal presa por cabos em uma estrutura metálica, que dependia da boa vontade de outra pessoa para tirar você dali, que dependia do trânsito para chegar até ali, pessoa essa que tinha que cruzar uma certa distância para chegar até o lugar onde você trabalha, que nesse caminho várias coisas podiam acontecer para atrasá-la, que... Era o mundo livre oprimindo a pessoa que antes presa, tinha noção do seu mundo, mesmo que opressor.

De volta a viagem: sabe quando você tem necessidade de falar algo? Quando as palavras precisam sair? Quando você ri de forma sincera, quando você fala aquela coisa difícil na cara de alguém, quando você sorri fácil por estar com alguém que você gosta? Essa foi a situação. Naquele momento, naquele instante, as palavras precisavam imortalizar aquele pedacinho de caminho que a gente estava cruzando. Alguém precisava dizer que o tempo estava lindo, que a estrada estava ótima, que as companhias estavam perfeitas e que todo mundo devia ter consciência disso. O lugar onde estávamos não importava: era entre onde estávamos e o nosso caminho de casa. Só. O tempo também não importava: já tínhamos saído a algumas horas mas ainda íamos demorar mais um tempo pra ir pra casa. Podíamos parar pra passear, pra comer, tirar fotos. Essa própria indefinição era a única coisa definitiva. Não tínhamos noção do nosso mundo, mas estávamos em um mundo livre.

O mesmo mundo livre que oprimiu minha colega que estava presa no elevador assim que ela saiu dele.

A ironia serve pra lembrar que o nosso lugar no mundo é definido por nós, mas, assim como podemos escapar nele, podemos nos trancar nele bem fácil. É uma conclusão tosca, de tão óbvia. O "lá fora" nem sempre é o mesmo, mas é sempre necessário. Então, quando você estiver em uma situação agradável, à vontade, com amigos, com família, com namorada, quando as palavras precisarem sair e alguém falar antes de você "que dia lindo", não tenha medo de completar: "porra, é verdade". Ou faça como eu e diga: "pois é, podia ser pior; a gente podia estar na Coréia da Norte e o nosso ditador podia estar querendo explodir o resto do mundo".

Sempre funciona.

Sam é amigo das escadas faz tempo.

10 músicas de 10 anos atrás

Um dos grandes problemas de quem escuta música no pendrive no carro - na medida em que isso pode ser considerado um grande problema - é justamente o que escutar. Quando você tem 120 GB de música, isso complica um pouco: as vezes você deixa os CDs novos que baixou; as vezes põe só um estilo; as vezes você faz uma compilação especial para o momento - festa, viagem - e as vezes você simplesmente não sabe o que fazer. Daí a gente inventa.

Eu uso e abuso de todas as combinações do parágrafo anterior, mas gosto muito de fazer seleções temáticas. Digito palavras específicas no campo de busca da minha pasta de músicas, seleciono por cima e jogo tudo dentro do pendrive. As vezes, são palavras em especial - músicas com SUN no título, músicas com RADIO no título - mas ultimamente, a minha brincadeira é colocar músicas de um ano específico.

Semana passada, meu irmão entrou no carro e me pegou ouvindo algo que, pela cara dele, era muito antigo. O conceito de antigo para meu irmão varia de 1968 para "nossa, essa música saiu semana passada ainda, que desatualizado que tu tá", mas aquele dia, lembro que ele olhou para mim e eu expliquei: "seleção de 2003". "Porque?", ele pediu. "Ah... coisas de dez anos atrás". E a vida seguiu bela e nós seguimos atrasados para o trabalho, como sempre.

Navegando pela internê essa semana me deparei com um post do Trabalho Sujo, inspirado por um post do Buzzfeed, sobre filmes que saíram há 10 anos e que mesmo assim, parecem ter saído semana passada. O post vale o clique justamente pela sensação de nostalgia breve, que se torna pesada assim que cai a ficha: "fazem 10 anos que eu assisti Escola do Rock? Que idade tem aquelas crianças hoje em dia?". É amigo. O tempo passa.

Inspirado nessa coincidência de assuntos de posts e na minha própria lista de músicas que completam uma década em 2013, fiz uma pequena seleção de 10 músicas de 10 anos atrás. Eu lembrava que ouvir música no recreio do colégio no meu agora longe 1º ano do ensino médio era uma diversão; agora lembro porque.

1) Maroon 5 - Sunday Morning




2) The Darkness - I Believe In A Thing Called Love




3) Kings Of Leon - Molly's Chamber




4) Jet - Are You Gonna Be My Girl




5) Joss Stone - Super Duper Love




6) Strokes - Reptilia




7) Nickelback - Someday




8) John Mayer - Daughters




9) White Stripes - Seven Nation Army



E a que eu mais me impressionei por completar uma década esse ano:

10) Fountains Of Wayne - Stacy's Mom



Detalhe 1: a modelo neozeolandesa Rachel Hunter - a mãe da Stacy - tinha 34 anos na época. Hoje com 44, é uma das juízes do programa New Zealand' Got Talent. Gianna Distenca, a Stacy, tinha 14 anos em 2003. Segundo o IMDB, nunca mais fez nada de relevante no mundo artístico na vida (e nem foi capaz de deixar fotos atuais na internet - triste).

Detalhe 2: O Maroon 5 trocou de baterista, tecladista e mudou de estilo quase radicalmente; o Darkness lançou seu terceiro CD em 2012 depois de alguns anos de hiato mas nunca mais foi o mesmo; o Kings Of Leon não parou desde 2003, mas também nunca mais foi o mesmo; o Jet terminou; Joss Stone foi engolida pela onda de cantoras britânicas que vieram depois (Adele, Amy, oi?); os Strokes lançaram seu quinto CD semana passada e ainda estão em dúvida se são garageiros ou cria dos anos 80; o Nickelback continua o mesmo; John Mayer foi para a reabilitação e voltou rock and roll; o White Stripes acabou e o Fountains of Wayne lançou CD em 2011, mas sem falar da mãe de ninguém, ninguém mais falou deles.

Dez anos mudam as pessoas.

Sam não tinha barba dez anos atrás. Nem blog.

Primeiro Dia de Aula

- Muca, tu me leva amanhã?
- Levo, levo, claro... levo onde?
- Ai Muca! Na aula né! Começa amanhã!
- Ah tá, levo sim. Mas... tua mãe não pode te levar?
- Pode.
- Então porque eu?
- Ah - ela sacudiu os ombros - tu é mais legal.

Ainda sou legal pra minha prima de 11 anos. Yeah.

*****

Pelas minhas contas, já é o terceiro ano seguido que levo ela no primeiro dia de aula. Nunca recusei: adoro respeitar uma tradição. A diferença é que nos outros anos, a minha tia, mãe dela, já estava trabalhando no primeiro dia de aula, por isso era eu que levava. Esse ano, ela ainda não começou a trabalhar. Mas mesmo assim, ela quis ir comigo.

Afinal, primo é pra essas coisas.

Ela já estava nervosa desde ontem. Queria chegar bem no primeiro dia. Bem não. AHAZANDO. Maquiada, anel de caveira, cabelo diferente, e em cada uma das unhas, uma letrinha, meticulosamente desenhada pela mãe, formando em cada uma das mãos N-I-A-L-L-H-O-R-A-N. Nunca ouviu falar? Então claramente, você não tem uma adolescente em casa.


O Niall (lê-se "naial") é o loiro.

No caminho, os nervosismos continuavam. "Eu vou ser a única diferente do colégio. Só porque eu tô maquiada." Mas então, porque quis ir maquiada no primeiro dia de aula? "Ah, pra mudar!". Sábia escolha. Afinal, mudou o ano, pra que ir igual ao ano passado? Chegando perto da escola, continuaram as observações. "Aquele ali é meu colega. Não mudou nada. Hehehe"

Tentei deixar ela relaxada. Ela disse que esperava ter colegas novos. "Sim, vai ter. Alguma guria bem legal pra ser tua amiga". Ela concordou. "E algum colega novo bem bonitinho". Ela riu. Quando chegamos perto da escola e ela viu aquela multidão de uniforme já na porta, falou que achava que ia chorar. "Não posso chorar! Vai borrar a maquiagem!". Pedi se ela queria dar a mão pra mim. "Hm... não".

No pátio, hormônios em alta. O desconforto pós-férias é tão visível que chega a ser engraçado. Tem aqueles que cresceram demais... aqueles que cresceram de menos... os meninos que espicharam... as meninas que floresceram... enquanto as meninas se cumprimentam com uma amostra aguda de suas gargantas ("AHHHHHHHH, GURIA!"), os meninos se cumprimentam fisicamente, com empurrões, socos e abraços. Certas coisas não mudam.

Vimos a turma dela no mural. "Ah, continuo com a mesma turma. 4º andar? Vou ter que andar tudo isso?". Agruras da vida escolar. "Não vi nenhuma colega minha ainda". Ficamos junto de uma outra amiga dela mais velha, as duas conversando e eu do lado parado, só pra acompanhar. Pedi se ela queria que eu ficasse. "Ah... não sei". Até que de repente:

- AAAAAAHHHHHHHH! OOOOOI!

Ela achou as colegas.

- AAAAAAAAAAHHHH, tudo bem?! Que linda que tu tá! AAAAAHHH, que saudade! Olha o teu cabelo! Olha esse anel! AAAINN, amei tua pulseira! Vem cá, deixa eu te mostrar...

Tudo o que ela queria. AHAZANDO.

E então, ela simplesmente olhou para mim, abanou e... foi embora. Abanou e foi. Tchau. Sem abraço nem beijo nem nada. Olhei para a amiga mais velha dela e ela disse "ih... já foi". E ali eu entendi o porquê de eu ter que levar ela, e não a mãe dela: ela não ia sair ilesa e simplesmente abanar sem um "beijo filha querida boa aula se cuida deus te abençoe se comporta depois a gente te busca". Eu simplesmente sorri e lembrei dos meus tempos de colégio. E fiquei feliz por deixar os tempos de colégio dela mais tranquilos.

Se ela não quiser mais que eu leve ela no primeiro dia de aula do ano que vem, tranquilo. Afinal, tradições quebram uma hora. Mas se ela quiser, legal também.

Afinal, primo é pra essas coisas.

Coisas Legais da Semana #1

Mais uma série de posts que provavelmente não terão continuação. Mas não custa tentar! Assim como vários sites gringos que eu acompanho, vou tentar fazer um apanhado de coisas legais que aparecem durante a semana na internet ou coisas que eu acho bacana e postar aqui. Porque conhecimento demais nunca é bobagem. E bobagem demais as vezes é conhecimento.

Então, bem-vindos ao Coisas Legais da Semana #1!

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Começando com o trailer de "Wrong", sobre um homem que perde seu cachorro e faz o possível para encontrá-lo. E por "fazer o possível", entenda entrar em contato telecineticamente com o cachorro. Daí pra baixo.



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Sheepdogs sempre anima qualquer dia. Dá o play enquanto lê o próximo texto:



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O artigo do io9 sobre porque seria ideal voltar a adorar os deuses gregos hoje em dia é uma delícia.

"They're easily adaptable to modern life. Most major religions haven't had a serious update for at least a millennium or so. As such, it can be hard to truly integrate these religions into modern times. But thanks to their diversity, the Greek gods would snap right into place. Hermes is obviously the god of cellphones, emails and text messages. As a craftsman, Hephaestus would probably handle all computers and network issues, while Demeter would watch over restaurants. Apollo, the god of YouTube videos. You can't tell me that life wouldn't be at least a little bit easier if we had a god specifically handling YouTube videos."

Hermes, deus dos telefones, e-mails e mensagens de texto? Eu amo esse site. Artigo original aqui.

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Essa semana, a internet foi obrigada a ficar dias cantando "onda onda, olha a onda!" graças a avacalhação do clipe de "Kiss You", do One Direction, que ficou melhor que o clipe original.


Clipe original aqui. E viva a edição.

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Falando de bandas inglesas, foi pro ar essa semana também o discurso de casamento do Tom Fletcher, vocalista, guitarrista e compositor do McFly. O discurso de quase 15 minutos incluiu músicas da banda com letras alteradas para homenagear padrinhos, madrinhas, os pais da noiva e do noivo, a banda, um coral cantando uma música pra agora Sra. Fletcher e é muito mais legal do que QUALQUER DISCURSO QUE VOCÊ FARÁ EM SUA VIDA. Aceite isso. E assista.



Em pouco mais de uma semana, estarei fazendo meu primeiro discurso de padrinho. Tô tão nervoso quanto o noivo.

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Ainda falando de coisas da Inglaterra, uma série de TV russa copiou na cara dura a abertura da série britânica Sherlock, aquela com o Benedict Cumberbatch, Martin Freeman e que você já assistiu, óbvio. Se não assistiu, não fale mais comigo. Essa é a abertura original.



E essa é a abertura da série russa. Até a música é parecida.



Na série russa, chamada "O Método de Freud", o personagem principal é um psicólogo e jogador de poker profissional que ajuda a polícia como consultor. Nem Moriarty aprovaria isso.

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Três caras assaltaram um homem de 37 anos na Austrália caracterizados de... smurfs. How bizarre.


História aqui.

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Em época de Oscar, a ILM (Industrial Light & Magic), uma das principais responsáveis pelos efeitos especiais em Hollywood hoje em dia, lançou um vídeo demonstrando o trabalho realizado em "The Avengers", outro filme que se você ainda não viu não sei porque ainda fala comigo. O Oscar de Efeitos Visuais é o único que Vingadores está concorrendo, e depois desse vídeo, acho justíssimo. E dá-lhe Hulk!



O canal de vídeos da ILM no YouTube, cheio de vídeos sobre os filmes em que a empresa trabalha, é esse aqui.

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E pra fechar, Amber Heard photoshopada de Thor. YES PLEASE! *-* 


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Gostei da brincadeira. Até semana que vem! Ou não.

"Só Sei Dançar com Você"

"Era engraçado ver os dois dançarem.

Enquanto o resto da festa dava piruetas ao longo da pista, os dois faziam a sua festa particular no canto deles. Enquanto casais superlativos abraçavam-se como se quisessem envolver o mundo em sua dança e casais atiçados beijavam-se em lugares e de maneiras que fariam sua mãe ficar envergonhada, os dois seguiam dançando de mãos dadas, juntos, no ritmo de sua própria cadência. Dançavam sem procurar a atenção dos outros, sem procurar pela aprovação de suas habilidades como dançarinos, sem procurar tesão onde não havia.

Dançavam porque procuravam um ao outro."

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"Só sei dançar com você
Isso é o que o amor faz"

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Escrevi o texto de cima na praia, no primeiro dia chuvoso de muitos. Enquanto a casa dormia, peguei o bloquinho e fui pra rede. Foi o primeiro de uma série de reclamações ao absurdo, mas o único que eu logo de cara aceitei que ia ser publicado. Saiu fácil.

Voltei da praia na sexta e ouvi essa música no sábado. Sim, eu ainda não conhecia ela (descobri agora que era trilha sonora da novela que eu assistia, mas ok, as vezes alguma passa). Achei que tinha tudo a ver com o que eu tinha escrito. Foi paixão a primeira vista. Paixão a primeira dança. A trilha sonora pro meu texto. Daquelas coincidências que não podem ser ignoradas.

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2013 começando e com ele muitas promessas, como sempre. De cara, vai ser um ano difícil. Amigos distantes, amigos indo morar sozinho, casais novos se formando, último ano da faculdade. Dá um medinho, mas quer saber? Vem 2013. Mas vem com tudo.

Tô dançando pra você.