O Valor do Tempo

O que seria do xis sem a batatinha frita e a cerveja?

O que seria do fim da viagem sem a viagem?

O que seria do trabalho no computador sem a espera pelo processador?

A espera é necessária. Não fosse o tempo que meu computador demora para fazer certas coisas, eu não teria tempo para relaxar (e acabaria trabalhando muito mais). Não fosse a batatinha antes do xis, a fome não seria saciada aos pouquinhos e a gente ia engolir o xis de uma vez só. Não fosse a demora da viagem, você não teria tido aquela conversa foda com o seu companheiro de viagem (ou não teria feito do cara estranho ao lado, um novo amigo).

Somos acostumados a prover e exigir resultados imediatos que esquecemos dos nove meses que passamos naquela piscina de esperanças dentro da barriga materna. Aquela atividade de plantar o feijãozinho no algodão que era feita na minha primeira série, ainda é feita? Aquilo é dar valor ao tempo.

Mas dar valor ao tempo hoje em dia, parece que é coisa de tempos atrás...



And then one day you find
Ten years you've got behind you
No one told you when to run
You missed the starting gun

Sam escreveu esse texto esperando seu chefe para comer xis

Os Quatro Passos do Romance (e alguns tropeços também)

Reza a regra cinematográfica que a estrutura básica do romance divide-se em 4 fases: encontro-paixão-ruptura-reconciliação. Se você parar para pensar, a maioria das comédias românticas segue essa estrutura básica: casal conhece, casal se apaixona, casal rompe, seja por causa de uma ex, de um desencontro ou da sogra, casal volta a ficar junto. Simples assim.

Essa concepção de romance talvez seja a grande culpada pelo número de relacionamentos que não dão certo, começarem na vida real. Afinal, o passo número 1 é fácil, o 2 também, mas o passo número 3... Porém, vivendo a vida inteira com a concepção hollywoodiana de que nos últimos 15 minutos tudo vai dar certo, o voo vai atrasar e aquele carta de pedido de desculpas realmente vai chegar nas mãos dela, a gente mal percebe que isso é realmente "coisa de cinema".

Um dos filmes que sempre me chamou atenção nesse ponto foi "Separados pelo Casamento", com Vince Vaughn e a minha Friend, Jennifer Aniston. Está tudo lá: o casal, os amigos, as agruras do relacionamento, o encontro, a paixão, a ruptura... e só. Sem reconciliação no final. Quase um documentário da vida real. Esses filmes que pervertem a ordem tradicional das coisas me ganham na sua realidade. Afinal, de histórias felizes já me basta o cinema. Ver que tudo dá certo na tela grande e depois cair no mundo real e perceber que é bem o contrário é meio... frustrante, não?


Outro romance "pervertido" que sou fã é "500 Dias Com Ela", com os divos indies Joseph Gordon-Levitt e Zooey Deschanel. Pra começar, você já sabe o fim: o relacionamento durou 500 dias. Acredito que esse seria um grande avanço nos relacionamentos, caso existisse: você começa ele já sabendo quantos dias vai durar. E se tiver 500 dias, mas bem vividos, qual é o problema? O frio na barriga continuaria mesmo assim.




Mas voltando ao filme, "500 Dias..." é a versão indie para "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" de Woody Allen, outro clássico do cinemão romântico pervertido. Ali também, apesar de não tão explícito no título (já que eles nem chegam a noivar no filme), já fica claro desde o início que o relacionamento não durou. Os dois filmes, com sua linha do tempo que vai e volta no período do relacionamento para ajudar (ou atrapalhar) o espectador na hora de entender o filme, deixam claro que "sim, relacionamentos são um saco, mas você precisa deles".


Como Woody Allen conta no fim do filme, "isso me lembra uma piada. Um cara vai no médico e diz: doutor, você tem que ajudar o meu irmão, ele acha que é uma galinha! O médico responde: mas diga para ele a verdade! O paciente então completa: mas doutor, eu preciso dos ovos!". Woody Allen então completa "relacionamentos para mim são isso. Eles incomodam, te estressam, fazem você ficar mal... mas no final, você precisa dos ovos".



Sendo assim, essas comédias românticas pervertidas são os ovos de ouro da galinha da comédia romântica: alguém precisa dizer pro mundo que sim, relacionamentos acabam. Quem espera pelo "pra sempre" não curte o "agora", então... take it easy. Ou como diria a bicha velha, "se joga amiga!"

Sam curte comédias românticas pervertidas

Como Vai Você?

140 caracteres, internet, caralho a quatro... o de sempre.

Esses dias, num dos longos papos realizados por e-mail com os tradicionais remetentes, viajando sobre uma possibilidade de morar junto com os amigos (amigas, no caso), naquela sempre adorável atividade de criar situações hipotéticas de como seria viver em uma casa do jeito que a gente que quisesse, com os móveis que a gente quisesse e os puffs que a gente quisesse fazendo o que a gente quisesse, me deparei com a seguinte frase fofíssima:

"Eu ia adorar chegar em casa de noite e pedir como foi o dia de vocês!"

Eu tive que responder essa frase com um adorável "OWWWWWNNNN". Primeiro, porque é o tipo de coisa que escuto da minha mãe, não das amigas. E segundo porque, sendo algo que normalmente escuto da minha mãe, quando eu ouço por outra pessoa parece que dá mais valor, sabe? Tipo, "ok, talvez a minha mãe não esteja tão errada me pedindo isso todo dia. Que centauro que eu sou". A gente aprende e cresce, anyway.

Outra coisa que me fez pensar nisso foi mais uma empreitada com outra tradicional remetente em que criamos uma espécie de correio semanal pra falar da vida. A idéia é simples: num dia da semana previamente combinado, toda semana a gente se escreve pra falar da vida, falar o que der na telha, deitar os dedos no teclado e... falar. A inspiração veio de um antigo costume, chamado mandar cartas, conhece? Dizem que era muito famoso há um tempo atrás, mas eu mesmo só fiz umas duas ou três vezes...

E tudo vem de encontro a pergunta do título do post: "como vai você?". Hoje em dia, adoramos falar. Falamos o que está acontecendo, o que estamos pensando, onde estamos... a internet é praticamente um namorado ciumento e stalker. E digo isso com propriedade: eu não consigo NÃO falar. Mas essas perguntas respondidas em 140 caracteres não são nada perto da profundidade de um "como vai você". Não quero saber se você está vindo do trabalho, se está se preparando pra sair, se está triste porque não acha o carregador de bateria do celular... quero saber "como vai você".

A minha mãe não tem Twitter, então talvez por isso adore pedir esse tipo de coisa. Mas como diz a frase de Nietszche no perfil do blog, "aqui me calo, pois falar demais de mim é ocultar-me". Meia dúzia de links e um bom dia, boa tarde e boa noite no Twitter não expressam toda a complexidade que uma pessoa pode ter. E se expressam, pobre pessoa... Por isso, imagine toda conversa como se ela fosse feita sentada na grama, com os antebraços apoiados no joelho, com a maior calma do mundo, e pergunte sem medo: "como vai você". As vezes, a resposta pode ser melhor do que você imagina.

A menos que você esteja cagando e andando pra isso tudo, claro.


(Sim, eu só acabei o texto assim pra usar a imagem acima. Vocês não acharam que eu ia terminar com Roberto Carlos né?)

Sam gosta de saber como vocês estão