Os Quatro Passos do Romance (e alguns tropeços também)

Reza a regra cinematográfica que a estrutura básica do romance divide-se em 4 fases: encontro-paixão-ruptura-reconciliação. Se você parar para pensar, a maioria das comédias românticas segue essa estrutura básica: casal conhece, casal se apaixona, casal rompe, seja por causa de uma ex, de um desencontro ou da sogra, casal volta a ficar junto. Simples assim.

Essa concepção de romance talvez seja a grande culpada pelo número de relacionamentos que não dão certo, começarem na vida real. Afinal, o passo número 1 é fácil, o 2 também, mas o passo número 3... Porém, vivendo a vida inteira com a concepção hollywoodiana de que nos últimos 15 minutos tudo vai dar certo, o voo vai atrasar e aquele carta de pedido de desculpas realmente vai chegar nas mãos dela, a gente mal percebe que isso é realmente "coisa de cinema".

Um dos filmes que sempre me chamou atenção nesse ponto foi "Separados pelo Casamento", com Vince Vaughn e a minha Friend, Jennifer Aniston. Está tudo lá: o casal, os amigos, as agruras do relacionamento, o encontro, a paixão, a ruptura... e só. Sem reconciliação no final. Quase um documentário da vida real. Esses filmes que pervertem a ordem tradicional das coisas me ganham na sua realidade. Afinal, de histórias felizes já me basta o cinema. Ver que tudo dá certo na tela grande e depois cair no mundo real e perceber que é bem o contrário é meio... frustrante, não?


Outro romance "pervertido" que sou fã é "500 Dias Com Ela", com os divos indies Joseph Gordon-Levitt e Zooey Deschanel. Pra começar, você já sabe o fim: o relacionamento durou 500 dias. Acredito que esse seria um grande avanço nos relacionamentos, caso existisse: você começa ele já sabendo quantos dias vai durar. E se tiver 500 dias, mas bem vividos, qual é o problema? O frio na barriga continuaria mesmo assim.




Mas voltando ao filme, "500 Dias..." é a versão indie para "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" de Woody Allen, outro clássico do cinemão romântico pervertido. Ali também, apesar de não tão explícito no título (já que eles nem chegam a noivar no filme), já fica claro desde o início que o relacionamento não durou. Os dois filmes, com sua linha do tempo que vai e volta no período do relacionamento para ajudar (ou atrapalhar) o espectador na hora de entender o filme, deixam claro que "sim, relacionamentos são um saco, mas você precisa deles".


Como Woody Allen conta no fim do filme, "isso me lembra uma piada. Um cara vai no médico e diz: doutor, você tem que ajudar o meu irmão, ele acha que é uma galinha! O médico responde: mas diga para ele a verdade! O paciente então completa: mas doutor, eu preciso dos ovos!". Woody Allen então completa "relacionamentos para mim são isso. Eles incomodam, te estressam, fazem você ficar mal... mas no final, você precisa dos ovos".



Sendo assim, essas comédias românticas pervertidas são os ovos de ouro da galinha da comédia romântica: alguém precisa dizer pro mundo que sim, relacionamentos acabam. Quem espera pelo "pra sempre" não curte o "agora", então... take it easy. Ou como diria a bicha velha, "se joga amiga!"

Sam curte comédias românticas pervertidas

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