Maldito Mundo Redondo

Fato: em se tratando de relacionamentos, estamos sempre correndo atrás de alguém.

Por ser este mundo redondo, estamos sempre indo e indo e indo, atrás daqueles belos cabelos ao vento que vimos cruzando a esquina no fim da rua à frente. Quando chegamos a esquina, eles já cruzaram a outra esquina. Quando chegamos na outra esquina, eles entraram na maior avenida, e estão indo, cada vez mais longe, longe, longe... e nós vamos indo atrás.

Por ser este mundo redondo, vamos indo, indo, até não pararmos mais. Encontramos pessoas no caminho que estão voltando e falando "Ah, nem vai atrás, não vale tanto a pena assim..." ou senão "Pra que cansar tanto, daqui a pouco passa alguém parecido, mais perto de você, e você não vai nem perceber! Olha por quantas pessoas legais você já passou enquanto corria atrás daquela que nem te dava bola?".

Fato: estamos sempre correndo atrás de alguém. E todo mundo conhece um "corredor experiente" que adora dar opinião.

E assim vamos, cansando cada vez mais... ou desistindo. E então, aqueles belos cabelos ao vento que dobraram a esquina, se vão... E nós ficamos. Esperando um novo momento de inspiração. Ou, claro, esperando cabelos parecidos passarem pela gente de novo. Aquele perfume conhecido. Aquela mesma vibração, aquela mesma emoção que sentíamos antes, indo atrás daquela pessoa.

Fato: Einstein certa vez disse que a definição de loucura é fazer a mesma coisa repetidas vezes esperando um resultado diferente. E tem uma música do The Hives que fala isso também...

Sentamos então numa das inúmeras esquinas da vida, esperando que a brisa da primavera traga um aroma conhecido novamente. Porém, não notamos algo: enquanto estávamos correndo atrás de alguém, certamente alguém tava correndo atrás da gente.

Fato: alguém está sempre correndo atrás da gente. E então... comofas?

Damos as costas para o mundo para ir atrás de alguém que até então, está dando as costas para a gente. Cruel esse coração, não?

Temos duas reações básicas. Ou continuamos correndo, ou olhamos pra trás e pensamos: talvez... talvez eu possa dar uma chance pra essa pessoa. Ou não. Mas não é a mesma coisa.

Não é a mesma sensação que aqueles cabelos ao vento. Aqueles.

Então, quando você menos espera, está ouvindo Carla Bruni e imaginando quão doce seria a vida ao lado da Zooey Deschanel.

Maldito mundo redondo que faz as pessoas correrem umas atrás das outras. Na Idade Média, quando a terra não era redonda ainda, certamente era mais fácil.

Sam McQueen, na dúvida entre ser uma pessoa-que-segue-em-frente ou uma pessoa-que-para-na-esquina-pra-pensar, prefere parar no bar mais próximo e virar uma pessoa-caipirinha.

Pessoas-Laranja e Pessoas-Bergamota

Neste mundo existem dois tipos de pessoas quando se trata de relacionamentos. Existem as pessoas-laranja e existem as pessoas-bergamota. Explico.

Há certas pessoas que passam a vida inteira atrás de alguém. Em busca de sua alma gêmea, que irá completá-la de uma maneira que nenhuma outra faria. Pessoas que querem o seu outro "eu". O outro pé do chinelo. Pessoas que assim como no clássico de Fábio Júnior, querem "a metade da laranja". Logo, essas são as pessoas-laranjas.

Mas também existem outras pessoas que não se satisfazem com tanto. Que não precisam de somente uma metade. Que querem mais do que a outra metade da laranja. Que precisam de tantos outros como ela, que preencherão a sua vida de maneira mais completa do que só uma pessoa faria. Enquanto alguns precisam somente da outra metade da laranja, essas pessoas precisam de vários outros gomos. Essas são as pessoas-bergamotas.

(Um pequeno comentário acerca das pessoas bergamotas: assim como normalmente precisam de mais pessoas, para se sentir completada em mais campos de personalidade do que se sentiria com uma pessoa apenas, essas pessoas normalmente possuem uma complexidade nos seus pensamentos que parecem pensar como uma pessoa em um momento e, no momento seguinte, pensar como outra pessoa totalmente diferente! Não que elas sejam falsas, apenas tem opiniões divergentes dentro de si mesmo, podendo realizar um ménage a tróis com apenas um parceiro, tamanha a dualidade dos seus pensamentos e obstinações.)

Porém, contudo, todavia, entretanto, apesar de parecerem incompatíveis, as pessoas-bergamotas e pessoas-laranjas as vezes se encontram nas esquinas da vida e acabam se completando. Claro, elas não tem como saber a personalidade da pessoa antes de se apaixonar e, convenhamos, como já dizia a música, "quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração". E realmente, quem irá dizer que não existe razão. As pessoas se apaixonam, o coração é inquestionável e fim de papo. Porém, lá pelas tantas...

Uma hora a coisa fede.

Uma hora, um dos dois lados irá se sentir incomodado, incompatível. E naturalmente, quando existe um conflito entre pessoas laranja e bergamota, o resultado não poderia ser diferente: voa ácido cítrico pra todo lado, acertando o olho de quem tiver ao redor e provocando lágrimas e lágrimas.

A primeira reação é afundar-se em álcool. As pessoas laranja e bergamota viram então pessoas-caipirinha, por que não, e então toda a verdade vem a tona. "In Vino Veritas", sabe? Os dois lados param para pensar e tentar chegar a uma conclusão plausível, de quem está certo ou errado. Mas aí que está o grande problema.

Não há certo ou errado. Há duas opiniões e apenas isso.

As pessoas são diferentes e complexas demais umas das outras. Uma pessoa é diferente dentro dela mesma, quem dirá no relacionamento com os outros! Não existem argumentos o bastante para dizer a uma pessoa-laranja que ela deveria se sentir mal em se sentir completa com apenas uma pessoa, assim como não existem regras que dizem para uma pessoa-bergamota que ela deveria se contentar com uma pessoa só. Ok, existem as convenções sociais, mas elas só servem para cortar nossas asinhas. Aja por si mesmo, foda-se a sociedade. Continuando...

É uma questão complicada. Deveria um lado ceder e deixar o outro ser feliz? Aquela velha questão de "você prefere ter razão ou ser feliz?" normalmente aparece aí. Deveria um lado ceder, deixar o outro feliz e... continuar do mesmo jeito? Sentir-se maravilhado por ter uma conversa genial com um amigo que não teria com o parceiro seria... traição? "As vezes eu quero discutir 'A Divina Comédia' e as vezes eu só quero um afago atrás da orelha, é pedir muito?" pergunta a pessoa-bergamota. É, as vezes é. Mas ninguém tem culpa.

É uma questão que levaria séculos sendo discutida. Talvez por ser mais contra a regra vigente (e mais ambígua e passível de mudança) a pessoa-bergamota seja a primeira a ceder, pelo bem comum. Mas qual é o grande erro em ser ela própria? Seria um defeito ser si mesmo? Claro, há casos e casos, mas não há nenhuma regra que diga que devemos nos moldar aos outros para sermos felizes.

Claro, as vezes as pessoas-bergamotas exageram. E talvez essa visão mais de fora, menos "porra-louca" da pessoa-laranja seja valiosa nessa hora para dizer "olha, tu tá pisando na bola, tá voando alto demais". Mas também, não existe regra dizendo que devemos dar pitaco na vida dos outros.

A questão é essa. E a verdade é uma só: existem pessoas demais no mundo. Talvez umas sejam mais compatíveis com as outras, talvez não. Talvez, claro, um dos gomos da pessoa-bergamota seja aquela pessoa-laranja que se foi. Mas aí vale aquela máxima "se você ama alguém, deixe-a ir. Se ela voltar, é sua. Se não...". E é claro, assim como as relações, as frutas que ficam muito tempo paradas... apodrecem.

Concluindo, quando estiver quebrando a cabeça por causa de alguém, lembre-se: não há motivos para tanto estresse. A felicidade é aproveitada somente se compartilhada. Mas no final de tudo, a gente morre sozinho mesmo.

John e Paul tinham brigado. George estava namorando. Ringo não sabia o que fazer. Mas no fundo, no fundo, só queria mesmo era tocar um pouco de bateria.

2.1

19 Anos

20 Anos

21 Anos

(Juro que é a última vez que posto as fotos. Só ano que vem agora. Aceito sugestões. ;-D)

Mediocridade Musical - Parte II

(Esse post é uma continuação do anterior. A menos que você seja superdotado e tenha entendido "Retorno a Lagoa Azul" sem ter visto "A Lagoa Azul", sugiro que leia o de antes primeiro. =D)

Em 1965, Os Beatles lançaram o álbum Rubber Soul, em que pela primeira vez romperam com os temas tradicionais de amor e garotas e festas e começaram a versar sobre a vida, o universo e tudo mais. Então, do outro lado do oceano, Brian Wilson, principal compositor dos Beach Boys, ficou tão maravilhado com o álbum que decidiu de alguma maneira superá-lo. Assim surgiu, em 1966, Pet Sounds, clássico absoluto dos Beach Boys até hoje. Então, depois de lançar o ótimo Revolver em 1966, em 1967, os Beatles, impressionados e inspirados pelo Pet Sounds, lançaram Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band. Depois de ouvir um trecho de "A Day In The Life" levado a ele por Paul McCartney, Brian Wilson... surtou. Brigas na gravadora, somadas com desentendimentos na banda e principalmente a superação de sua obra-prima, levaram Brian a largar a liderança da banda, as composições, a se viciar em cocaína e a três anos trancado no seu quarto, dormindo e usando drogas. Medíocre. Diagnosticado com esquizofrenia, Brian finalizou "Smile", que seria o sucessor de "Pet Sounds", somente em 2004, lançando-o como um álbum da sua carreira solo.

Então... uma baqueta quebra.

Uma baqueta quebrar é diferente de uma corda de um guitarrista estourar. Se uma corda estoura, normalmente as mais finas, o guitarrista vai lá e acha uma outra casa parecida, que faça um som similar e não se perde muito. No último show da Pepperland três cordas estouraram e o show foi o máximo. Uma baqueta já é algo diferente. É como se fosse um braço quebrado, que não tá funcionando como devia. Claro, quando acaba a música a gente pega outra e já eras. Mas quando é só uma música, cujo desempenho e execução irá definir o teu dia e que tu não vai ter chance de tocar de novo pra pegar outra baqueta... comofas?

Enfim, malfeito feito, acabamos a música, fomos para o backstage, Samuel xingou tudo e todos, como era o esperado. Depois disso, fomos para o auditório de volta, esperar longas horas até a premiação final.

Então, chega o momento. Horas depois são anunciadas as bandas vencedoras de Bento. Logo após, as de Caxias. Segundo lugar categoria interpréte e segundo lugar categoria própria. Vencedora... Barracuda Project, projeto instrumental que mescla programação com música instrumental. Eles levaram praticamente uma lan house em cima do palco para tocar 7min de uma surf music meio psicodélica. O segundo lugar já tava bom pra mim. O primeiro seria melhor... mas mais distante.

Minutos depois, é anunciado o primeiro lugar. Enquanto eu tava quase morrendo na poltrona do auditório, escuto apenas os tapinhas nas costas dos meus colegas de banda dizendo "calma Cometa, olha a gastrite... hehehe", ou senão, "a gente não vai ganhar... hehehe". E a gente não ganhou. 1º lugar, The Trippers.

Fiquei feliz. Aplaudi de pé e tentei filmar, tremendo. Eles eram a única banda de lá que tocava rock simples, sem frescura (além de nós, claro). Foi realmente merecido, a música deles era realmente boa e tava muito bem ensaiada. Eles erraram a letra, o baterista errou e uma corda de guitarra estourou na hora do solo, mas levaram numa boa. Realmente merecido.

Passada a euforia, baixa a deprê. Até então, a música que eu ajudei a compor, que eu fiz a letra, era considerada por mim boa. Ótima. Até o momento em que ouvi a música nova da Trippers, no MySpace deles, três dias antes. Achei fantástica. Então, pedi pro baixista deles, guitarrista da Pepperland, se era aquela música que eles iam concorrer. Ele disse que sim. Então, fui superado.

A gente podia ter ensaiado mais? Sim, podia. A gente tinha músicas melhores? Sim, tinha. A gente podia ter melhor presença de palco? Sim, podia. Porém, haviam outras questões. A Trippers tem em média 15, 16 anos. Eles tem mais tempo pra ensaiar. Até onde eu sei, eles não trabalham. Eles são mais novos, não tem quem se preocupar com 4 cadeiras, 8 horas de trabalho diárias, não estavam vindo de 24h acordados depois de uma noite tocando... Enfim, uma série de motivos que dizia que sim, foi merecido eles ganharam da gente.

Mas naquele momento, tudo o que me vinha a cabeça era a historinha do Brian Wilson e dos Beatles lá em cima. Eu tinha sido superado, e assim como uma criança mimada que perde o brinquedo (que nem ganhou, por sinal), nada ia tirar da minha cabeça que eu poderia ter sido melhor, mas tinha sido superado por alguém mais novo e com mais capacidade do que eu. Naquele momento, eu era medíocre.

Passei o findi de cara virada pro mundo. Eu não queria que explicassem minha indignação, só que me deixassem ficar indignado mesmo! Felizmente, eu tenho pessoas muito boas ao meu redor que tentaram me deixar melhor. Peço desculpa a todas, provavelmente dei patada em todo mundo.

No domingo, no meio da tarde, meu pai me chama pra assistir aqueles documentários "Classic Albums" sobre a gravação do Plastic Ono Band, primeiro disco de John Lennon pós-Beatles. E quem toca bateria no CD? Ringo Starr, herói da resistência e considerado por muitos medíocre. Talvez, comparado com Lennon, McCartney e Harrison, Ringo fosse. Mas ele dava o toque de simplicidade, a cola que unia os gênios alheios. Bateristas costumam ser pessoas de ação: você nunca vai ouvir eles falar, mas vai ouvir o que eles tocarem. Keith Moon e John Bonham que o digam.

Enfim, lá pelas tantas, falando sobre a obra-prima chamada "God", aquela que encerra o álbum e todas as relações que John tinha com sua vida anterior - de Elvis a Beatles - Ringo fala sobre o que era tocar com os Beatles. "A gente tocava como a gente queria... e era isso."

É tão simples, mas tão simples, que chega a ser tosco de tão óbvio. Essa é a moral da história inteira, tocar porque gosta e porque quer. Fazer do que gosta. Daí me lembrei de todo o estresse dos dias anteriores. Da minha mediocridade. Da minha superação. E de como tudo aquilo ali deveria ser simples, tão simples quanto "fazer o que gosta". Então, Ringo Starr levou Samuel as lágrimas.

(Claro, não só aquilo, mas o Ringo, as pessoas falando bem do Ringo, o concurso, a cabeça cansada e fragilizada, os videozinhos nostálgicos dos Beatles, o John morrendo, enfim, tudo aquilo somado... vocês entenderam...)

Pra variar, comecei a semana com a cara virada pro mundo! Nem o bloco de desenho e os giz de cera resolveram. Xinguei a banda mais umas quinze vezes por N motivos. Desculpa a todos também, mas vocês já me conhecem. Enfim, perdi a fé em tudo, pra variar. Mas, como sempre nessas horas, a solução é dar tempo ao tempo. No final, as coisas vão para outro rumo.

Fim de semana passado começamos a gravação do nosso CD demo. Uma gravação mais decente que a outra vez, que a princípio era pra levar 3h e está chegando na terceira sessão de 3h. Mas que vale a pena. Eu meio que me sinto... um músico. Finalmente. Gravar cada instrumento separado, com fones de ouvido seguindo uma guia, mais ou menos como aparece naqueles documentários que eu citei antes, realmente é uma experiência única. Quem tem a banda no Twitter tá vendo as fotinhos que eu tô postando. E depois eu vou poder falar como o Ozzy quando chegou em casa depois da primeira demo(níaca) do Black Sabbath ter sido gravada: "Olha mãe, minha voz num pedaço de plástico". Tá, eu não canto. Mas vocês entenderam.

As vezes as coisas acontecem tão rápido e a gente exagera tanto elas que não dá tempo nem pra respirar. Eu sou especialista em fazer isso. Dramático até não poder mais. Mas eu me sentiria pior se fizesse pouco caso, se dissesse "ah, perdemos, ano que vem tem de novo". Não. É o que eu quero da minha vida e acho que não tem erro em se estressar por não ganhar. Não quero saber se tem ano que vem, eu quero hoje, AGORA! E vou me estressar até conseguir isso. Como eu disse, tocar uma banda pra frente é o equivalente a ter uma gastrite. Como disse o nosso sábio guitarrista, "isso aí Cometa, tem que morrer de alguma coisa". Medíocre, jamais. Eu não quero muito, talvez só... o mundo.

Pelo menos, a gente não toca Born to be Wild e Smoke On The Water. Não mais.

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