09. Galeria de Arte

Imagine a cena: você está em uma galeria de arte, olhando uma obra, sem saber nada sobre ela. A obra não faz sentido: cores que não se combinam, pinceladas que não se repetem, nada harmônico. Parece que alguém pintou as patas de um cachorro e um gato e deixou eles brigarem em cima da tela. Você dá de ombros e pensa “isso é arte?” antes de seguir adiante, até que alguém diz “posso explicar para você?”.


A pessoa explica que sim, as cores não se combinam porque o artista quis representar um conflito de emoções através delas. As pinceladas não se repetem porque através das técnicas diferentes ele quis demonstrar estilos diferentes de pintura. E a falta de harmonia era justamente para chocar e fazer pensar sobre o que é arte para cada um. Não havia uma resposta certa para “isso é arte?”: o certo era gerar o questionamento, não responder a dúvida.


Estamos sempre representando um desses papéis em cada uma das coisas que fizemos. Às vezes não entendemos algo simplesmente por não ter a bagagem necessária, mas isso não é motivo para ignorar e seguir em frente. A gente sempre pode ir atrás de mais informações e aumentar o nosso conhecimento. Às vezes, temos que ser a pessoa que pega na mão de alguém e diz “vem cá que eu te explico”. E às vezes precisamos fazer algo sem a segurança de que aquilo vai ser digerido por todo mundo, mas com a confiança de que quem não entender vai querer saber mais e pode encontrar alguém pronto para explicar.


Gosto de pensar nesse cenário porque ele tem sempre um final feliz: ou alguém aprendeu algo novo sozinho, ou uma interação gerou conhecimento para um lado e satisfação para o outro. E no final, é isso que a arte ou qualquer coisa que criamos deve almejar: criar relacionamentos com valor e significado para os dois lados.

Sam adora interpretar quadros

08. Cirurgia do Coração

“Se você parar uma cirurgia de coração no meio, vai parecer bastante com um assassinato”.


Às vezes, a coisa tá feia só porque não terminou ainda. Somos ansiosos. Tem tanta coisa que conseguimos de forma imediata - novo link, novo like, novo match - que quando temos que fazer algo que demanda tempo para ter resultado, sofremos.

Dou risada quando leio sobre meditação e vejo o tempo que cada um defende: uns defendem 10 minutos por dia, outros 7, 5, 3 minutos… Já vi gente indicando 1 minuto por dia de meditação! 1 minuto é um atestado de que somos ansiosos demais para dedicar tempo de qualidade para qualquer coisa. E nessa vibe de fazer o mínimo possível para ter o menor resultado possível, deixamos para trás o benefício de dar o tempo certo para as coisas.

“Se você parar uma cirurgia de coração no meio, vai parecer bastante com um assassinato”.

As mãos sujas - do cirurgião ou do assassino - indicam que o trabalho está sendo feito. Temos que entender o que é processo e o que é resultado final.

Esperar a construção do nosso apartamento está sendo assim: andar por andar, vimos o processo, sabendo que era isso que ia trazer o resultado final, o prédio pronto. Depois de todos os andares ficarem prontos, começou a construção interna: acabamentos, piso e outros detalhes. É outra coisa pra lembrar: nem sempre o processo será às claras. Muitas vezes ele é interno e a gente tem que ter paciência e confiança. E claro, dar aquela conferidinha de vez em quando para aproveitar a jornada.

É como um bolo crescendo: você não fica conferindo ele no forno o tempo inteiro, porque sabe que o cheirinho que enche a casa significa que alguma coisa está acontecendo. Durante a cirurgia de coração, você não fica pedindo se o paciente está bem, mas fica de olho nos sinais vitais dele para conferir como estão as coisas.

Seja qual for a sua jornada, talvez as coisas só estejam na metade do caminho. Tenha paciência e observe com atenção: o coração volta a bater no final.

Sam prefere bolos a cirurgias

07. O Brasil Saiu da Copa

O Brasil saiu da Copa. Dependendo do tipo de pessoa que você é, aqui está um breve resumo do que fazer agora.

Se você acompanha futebol com frequência, já passou por isso várias vezes e sabe que esse tipo de coisa acontece. Tem muito jogo ainda, aproveite!

Se você acompanha futebol só em época de Copa e estava realmente empolgado, ótimo! Se a excitação de torcer por um time lhe fez bem, vou te contar uma novidade: tem futebol O TEMPO TODO na televisão pra você passar por esse sentimento várias vezes. E a Copa não acabou!

Se você não dá muita bola pro futebol mas gosta de ver as pessoas empolgadas com a mesma coisa, você finalmente entendeu porque o ser humano se junta tão facilmente por um objetivo em comum. Que tal usar esse senso crítico agora para escolher com sabedoria os movimentos que você vai apoiar e as massas de manobra que não vai apoiar?

E se você estava cínico com a empolgação do povo com o futebol e acha que o brasileiro tem que se preocupar com política, segurança e coisas mais importantes, tenho uma novidade: sim, você está certo, o brasileiro também tem que se preocupar com tudo isso. Mas assim como a alegria de ganhar a Copa não ia resolver os problemas do país, perder a Copa não tem que deixar você alegre. Não seja o Galvão Bueno quando diz “o Brasil perdeu, mas e a Argentina, que não ganha desde 1986?” O fato do outro estar pior não deixa a gente melhor. A sua alegria não pode depender da tristeza do outro, e isso não vale só pra Copa.

E se você não acompanhou nada da Copa e não sabe o que falar sobre isso tudo, não tem nada de errado. Às vezes, não falar nada é o melhor que temos a dizer. Vai Brasil!

Sam vai torcer pra Inglaterra

06. Independência dos Estados Unidos

Hoje, 04 de julho, é comemorado o Dia da Independência nos Estados Unidos. Nessa data, em 1776, os EUA declaravam sua independência da Inglaterra, iniciando um combate que terminaria em 1783 e daria origem ao país de hoje. Então porque não aproveitar e comemorar hoje a sua Independência dos Estados Unidos?

Não precisa ser nada radical como os americanos fizeram com a Inglaterra. É só para lembrar que existe muita coisa legal para consumir fora dos EUA. A maior parte da cultura pop que consumimos realmente vem de lá - eles não tem culpa de serem tão bons em fazer e divulgar o que fazem - mas conhecer mais do que o mundo tem a oferecer é demais.

O cinema francês, por exemplo, é sempre tratado como algo muito intelectual: “fulano tem cara de quem assiste cinema francês”. Mas você já assistiu algum filme do país da Torre Eiffel? Comece com “Amélie Poulain” e se apaixone pelo resto. E se você virar intelectual, não tem problema!



Saindo da Europa, os filmes do Estúdio Ghibli são indispensáveis para quem quer viver mais do espírito japonês com uma das suas artes mais nativas: o anime. Comece com “Meu Amigo Totoro” e perca-se neste mundo maravilhoso.



Saindo do cinema e indo para a música, os países nórdicos são muito bons em música pop de qualidade. A Suécia é berço do Abba, da Robyn e da Zara Larsson, mas a pequena vizinha Dinamarca deu origem ao Alphabeat, uma das poucas bandas que tem um primeiro álbum de pop perfeito.



E claro, não custa olhar para a própria casa. O Brasil tem muita MPB jovem de qualidade, isso sem falar no funk, que quer você goste, quer não, é produto de exportação nosso.



Isso tudo é pouco. Neste 04 de julho, fuja do McDonald’s e desbrave novos territórios. Uma coisa é certa: os Estados Unidos estarão lá quando você voltar.

Sam adorou relembrar Alphabeat

05. Comportamento Tóxico

O elenco de Breaking Bad reuniu-se para comemorar os 10 anos do início da série em uma matéria da revista Entertainment Weekly. Aaron Paul, o Jesse Pinkman, postou no seu Instagram as fotos dos atores feitas para a reunião.


Analisando as fotos do elenco, fui lendo as legendas de Aaron e os comentários, até perceber que o post com o retrato da Anna Gunn - a Skyler White - estava com os comentários desativados. É triste pensar que Aaron começou a ler o que as pessoas estavam falando e decidiu que era melhor desativar e nos deixar livres dos comentários ofensivos que faziam. Mas, 10 anos depois, em uma série sobre pessoas produzindo drogas e cometendo os atos mais terríveis enquanto fazem isso, porque só a mulher merece esse tratamento de desrespeito?


A atriz Kelly Marie Tran, intérprete da Rose Tico no Star Wars - The Last Jedi, recentemente desligou sua conta do Instagram por causa de comentários ofensivos referentes ao papel dela no filme. E ela não foi a primeira: Daisy Ridley, a Rey, também sucumbiu a ira de alguns fãs raivosos e saiu do Instagram pouco tempo antes de Kelly. E isso não serve apenas para as atrizes: no dia do aniversário da Kathleen Kennedy, atual presidente da LucasFilm e responsável por produzir os novos Star Wars, muitos dos comentários eram “achei que ela estava renunciando quando vi um post com a foto dela”.

Anna Gunn sofre por causa das decisões da sua personagem, Kelly e Daisy sofrem pelo gênero das suas personagens, e Kathleen Kennedy sofre por causa das suas decisões como produtora, mas o único papel que todas interpretam é o de ser mulher. O comportamento tóxico transforma toda arte em um filme de terror, mas a arte precisa continuar sendo feita. O que estamos fazendo para mudar isso?

Sam tem saudades de assistir Breaking Bad