Exercício de escrita livre. 15 minutos no relógio e bora escrever.
***
Esse fim de semana ajudei minha mãe a limpar o terreno da escola em que ela irá trabalhar esse ano. É uma escola simples, pequena, que vem enfrentando evasão de alunos por um simples motivo: a qualidade de ensino. A estrutura física da escola é boa, apenas mal cuidada, refletindo o ensino que vinha sendo praticado nela. Limpamos o terreno no sábado de manhã, tentando refletir um pouco nesse cuidado o cuidado que a equipe docente irá ter com os alunos esse ano. A turma da minha mãe terá apenas 10 crianças. Tenho certeza que elas serão bem cuidadas!
Mas esse não é o foco. Fato é que, acordar no sábado de manhã para juntar grama, arrancar galhos e varrer o chão, cansa. É prestativo e valoroso e toda pessoa deve ajudar de vez em sempre quem precisar. E é bom cansar o corpo por alguma coisa boa. Mas cansa sim. Domingo a noite, mais de 24 horas depois da função toda, eu sinto dores no meu corpo em lugares que eu nem sabia que doíam. Claro, é tudo reflexo de uma vida MUITO sedentária, mas gente, dor nas costas da coxa, eu nem sabia que tinha terminações nervosas ali!
Isso me fez pensar sobre o potencial do nosso corpo, sobre como não temos dimensão do que ele é capaz. Assim como ele é capaz de doer, e muito, em lugares onde nem sabíamos que dói, ele pode dar energia que nem sabíamos sermos capazes de conter dentro de nós. Eu, um sedentário de carreira, sempre me impressiono quando me empolgo jogando Just Dance nas festinhas com a turma e volto pra casa lavado de suor depois de dançar por horas seguidas. Fico pensando: onde está toda essa energia quando eu quero correr, quando tenho que levantar cedo, quando tenho que fazer esforço em casa?
O buraco, ao contrário do ditado, é mais em cima. No caso, na cabeça. Dançar é uma das coisas que me deixam mais felizes na vida. O que começou com uma brincadeira - lembro claramente da tarde em que passamos no centro, eu e um amigo, comprando jogos pra festinha de noite - hoje é uma das atividades que mais me dão prazer, batendo ali com escrever e tocar bateria, por exemplo. Eu, um garoto tímido, que não gostava de festas quando mais novo, dizendo isso, é uma grande mudança.
(Um abraço pros meus amigos que não cansam de lembrar como eu era inepto socialmente na época do colégio, ainda mais na equação festa + dança. Brigado gente. Amo vocês.)
Quando a gente está fazendo algo que nos deixa feliz, a cabeça arranja a energia necessária para manter o corpo ativo. Deve ser uma troca justa que acontece dentro da gente: o corpo diz "ei cabeça, tô aqui bombando mas tô cansando, libera mais um pouco de carga aí?". A cabeça responde: "tô liberando, vê se usa bem, sem usar essa energia aí pra ver pornografia, viu?". Na minha cabeça, deve ser assim, pelo menos.
O segredo talvez seja descobrir esse gatilho que nos libera essa energia que aliada ao prazer, faz a gente fazer coisas incríveis. Porque todo mundo sabe que é capaz de muito mais. Lembro vividamente de falar várias vezes para minha excelentíssima namorada que ela é capaz de fazer eu me arrepiar em lugares que eu nem sabia serem possíveis (se meu ouvido falasse). Essa semana, devido a um conflito de agendas (que chique), ficamos distantes por 10 dias. Acordei nas noites do fim de semana, os dias em que costumamos dormir juntos, procurando por ela na cama. O fato do meu corpo, dormindo, fazer algo que eu faço consciente, me deixa muito curioso sobre o que a nossa cabeça é capaz.
Atividade de casa: pense em momentos em que você foi superhumano. Em que sua cabeça foi além, em que seu corpo foi além, em que você se surpreendeu e disse: puta merda, eu fiz isso e não sei como. Reveja a situação e encontre o gatilho que fez tudo aquilo acontecer. Tenho certeza que a energia da dança é a mesma que podia me ajudar a limpar muitos terrenos no sábado de manhã sem sentir dor. Quando eu conseguir fazer uma coisa ajudar a outra, sei que fui além.
***
15min depois, fim do texto. Esses exercícios de escrita livre são recomendados por todo manual de escrita que eu encontro na internet, então pensei, porque não tentar? Comprei um notebook (*ostentação*) e agora tenho acesso à internet no quarto, então desculpa pra não postar não tem mais. Esse primeiro texto saiu meio truncado, mas vou tentar fazer dessas escritas livres um exercício mais recorrente. A ideia é escrever rapidamente o que vem a cabeça, sem pensar muito na formatação enquanto escrevo e produzir um texto rápido de ler. Toda prática é válida, seja qual for a habilidade, então, mãos a obra! Mas isso pode ser assunto pra outros 15 minutos.
***
Sam não vê a hora de ver sua namorada novamente *-*