Você conhece o seu potencial?

Ao contrário do que o blog aparenta normalmente, não sou muito a favor de auto-ajuda. Acredito piamente no poder de um bom CD de jazz tocando no momento certo (tipo a coletânea do Miles Davis e do John Coltrane que escutei escrevendo isso), acho sexo essencial na felicidade do ser humano e sinto um arrepio toda vez que vejo alguém na rua carregando um livro do Augusto Cury embaixo do braço. O ser humano é essencialmente malvado, egoísta e pessimista? Sim, pode ser. Mas acredito que ainda temos salvação, sem precisar de ajuda alheia, divina ou maior do que nós.

De qualquer jeito, um ou outro conselho bom sempre vale a pena. E quando uma certa ideia fica martelando na minha cabeça por semanas, é porque ela quer sair. Então, ai vai:

Você conhece o seu potencial?

Uma das frases da minha pré-adolescência (período dos 11 aos 15 anos que hoje nem existe mais) foi um diálogo do Wolverine que li quando devia ter uns, sei lá, 12 anos. Na época, o mutante canadense era o meu herói favorito e eu comprava sua revista mensalmente. No fim do ano, em uma história de Natal junto aos X-Men, todos deveriam escrever em um mural na Mansão X seus principais objetivos para o ano que viria. Logan escreveu o seguinte:

- Ser o melhor no que faço... assim que eu descobrir o que faço.

A frase era uma corruptela de uma frase de efeito famosa do personagem, escrita por Frank Miller, na década de 70: “eu sou o melhor no que faço... mas o que faço não é nada bonito”. Na época, Wolverine era o fodão, o maioral da Marvel, o que não mudou muito de hoje em dia. Mas na minha revista, depois de escrever essa frase, Logan foi capturado por um bandido que considerava estar morto há anos, apanhou pra cacete, foi preso, e nesse meio tempo se pegou pensando nisso novamente.

Eu já gostei mais do Canadá do que da Irlanda

Na época, essa frase marcou firmemente a minha cabecinha adolescente cheia de espinhas. Tanto que quando resolvi escrever sobre potencial, lembrei dela na hora, como se tivesse lido o gibi semana passada. O questionamento de Wolverine é louvável: conhecemos realmente no que somos bons? Damos o nosso melhor naquilo que ‘vendemos’ ser o nosso melhor? Afinal, eu sirvo pra alguma coisa mesmo?

Cabem aqui alguns exemplos.

Óculos redondos = <3

Pode soar piegas, mas Steve Jobs era um cara que realmente, conhecia o seu potencial. Você deve ter lido, depois da sua morte recente, todo o tipo de história, boa e ruim, sobre o gênio por trás da Apple. Sua insistência em querer sempre o melhor; seu descaso com a filha que assumiu depois de anos; sua preocupação em querer levar ao consumidor aquilo que ele não sabia que precisava ainda; as rotinas estressantes a que obrigava sua equipe a participar... Steve Jobs é a prova de que, ao contrário dos produtos da Apple que inventou, o ser humano não é totalmente branco, preto ou cromado: é essencialmente cinza. Nem bom, nem mau.

Mas há alguns pontos no trabalho de Jobs - sorry - que devem ser ressaltados. O primeiro deles foi a compra do estúdio de animação que mais tarde deu forma a Pixar. Na época, a notícia do seu investimento chegou a ser tratada como o 6º pior negócio financeiro da história. Todos acreditavam que o prejuízo era certo e que Jobs iria amargar outra derrota, logo após ter sido demitido da sua própria empresa.

E como sabemos, como sempre acontece com os grandes, a história provou-se errada. Os três Toy Story estão ai para provar que a Pixar não só foi um sucesso, como abriu portas para toda uma nova tecnologia e uma forma de pensar diferente os filmes de animação e, porque não, os filmes infantis de toda uma geração. E tudo isso graças ao 6º pior negócio financeiro da história. Você acha que se Jobs não soubesse do seu potencial para fazer de um negócio um sucesso, ele não teria se arriscado?

Outro exemplo foi revelado na ocasião da sua morte. Depois de muito insistir em não querer fazer uma cirurgia para tratar do seu câncer, já que ainda não se sentia pronto para “abrir seu corpo”, Steve Jobs submeteu-se ao procedimento, ainda que tarde demais. Na ocasião, porém, ‘encomendou’ o mapeamento genético do seu DNA e do tumor que o infectava, sendo um dos poucos seres humanos do planeta que já fizeram isso.

O processo, claro, custou muita grana, mas sabiamente, Steve Jobs tratou o câncer como mais um inimigo a ser enfrentado, mais uma barreira a ser transposta, tratou o câncer como uma pergunta tão boba quanto “porquê eu preciso de um iPad 2?”. Isso sem falar em todo o dinheiro que investiu em pesquisas, além do mapeamento citado anteriormente. Não duvido que se descobrirem uma cura para o câncer daqui a uns anos, o nome de Jobs não apareça timidamente nos créditos, assim como nas aberturas de Toy Story. Seria uma homenagem merecida.

Steve Jobs creditado em Toy Story

Seguindo a linha das pessoas com SJ nas iniciais do nome, chegamos a Scarlett Johansson. A intérprete da ruivíssima Viúva Negra não nos interessa aqui, não em primeira instância, mas sim, esse cara. Christopher Chaney.

Christopher who?

Esse gordinho de óculos aí foi simplesmente o responsável por vazar as fotos de Scarlett nua que chegaram a internet no maravilhoso dia 14 de setembro de 2011 (SEGUNDO MELHOR PRESENTE DE ANIVERSÁRIO DO ANO). As fotos, você certamente viu por aí: uma delas com a atriz deitada em sua cama e a outra tirada na frente de um espelho, onde a imagem do reflexo refletia sabiamente sua derriére. Ou bunda, como preferir. Bem melhor do que aquele vídeo tosco de como deixar Scarlett nua no Photoshop.

"Nossa... nossa... assim você me mata" (você vai cantar isso o dia inteiro)

O nosso amigo pegou simplesmente 121 anos de cadeia, pena lamentada por todos os que aprovaram a sua façanha na internet, entre os quais eu me incluo (ainda mais sabendo que ele tinha fotos de, entre outras, Mila Kunis e da minha toda minha Dianna Agron, FUCK!). Mas o quê ele está fazendo nesse texto sobre potencial, você se pergunta, e eu respondo: você já parou para pensar como ele conseguiu as fotos?

Há fotos dela por aí. HÁ FOTOS DELA POR AÍ.

Christopher teve acesso aos e-mails e telefones pessoais das celebridades e, feito isso, reprogramou os e-mails para enviarem em cópia para o seu e-mail pessoal todas as mensagens enviadas (gênio). Mas ok, e-mails e celulares normalmente são bloqueados, como ele conseguiu acesso?

Óbvio, meu caro Padawan: ele sabia a senha.

MAS COMO ELE SABIA A SENHA?

Simples. Ele adivinhou.

A-di-vi-nho-u.

Ruiva, na Vanity Fair de dezembro (sim, do mês que vem)

Como um Sherlock do mundo moderno, usando simplesmente observação e dedução, o nosso amigo mártir descobriu a senha das atrizes no chute, tendo como base informações pessoais das meninas, como nome de cachorro, cidade em que nasceu, filme favorito, comida que mais gosta, apelidos de infância, coisas que elas deixam escapar em entrevistas por aí. Considerando que entrevistas com atrizes hollywoodianas não faltam, mesmo com as mais ariscas, material para estudo não faltou.

E foi assim que, de posse de uma boa memória, tempo livre para aprender coisas ‘inúteis’ e uma capacidade de observação e dedução impressionante, o nosso amigo tornou-se herói para toda uma geração. Isso é que eu chamo de conhecer o seu potencial e usa-lo ao máximo! E claro, pegar 121 anos de cadeia depois disso. Mas o tempo de cadeia não é nada perto da felicidade de saber que você é o cara que revelou Scarlett Johansson ao mundo como ela veio ao mundo e ainda criou o movimento “scarlettjohanssoning”, que varreu a internet nos dias seguintes, onde pessoas de todo o mundo divulgaram fotos suas na pose imortalizada pela atriz em frente ao espelho. Duvido que não faltariam voluntários para pegar um aninho de cadeia no lugar dele, só pela alegria que ele proporcionou.

"scarlettjohanssoning" bombando

No final, é tudo uma questão de auto-conhecimento. Descobrir no que você é bom e explorar essa característica, seja você um nerd rico ou um nerd pobre como nossos exemplos (não-nerds podem tentar também). Conheça os seus limites, mas sem medo de ousar. Anote suas qualidades, no que você acha que é bom, e prove para si mesmo que é capaz. Eu vou começar a anotar as minhas agora mesmo:

- Boa memória;
- Tempo livre para aprender coisas inúteis;
- Capacidade de observação;
- ...

Opa...

Continua

Sam ainda sonha com as fotos de Dianna Agron