Frases Prontas

Tenho que te confessar
Algo que não faz sentido
O dia que disse que te amava
E sussurrei no teu ouvido
Não era muito bem mentira
Mas também não era verdade
A verdade é que nunca te amei com sinceridade

Tenho que te confessar
Algo que não tem noção
Tudo aquilo que te disse
Foi dito sem emoção
Eram todas frases prontas
Da letra de uma canção
A verdade é que nunca te disse nada do coração

Mas antes que você saia por aí
E se atire do alto de um prédio
Eu prometo que nós dois vamos fugir
E você nunca vai sentir tédio
Porque a vida do meu lado não tem sentido nem noção
Mas se você estiver por aqui ela vai ter razão

Tenho que te confessar
Não sou flor pra se cheirar
Sou meio irracional
Quando o assunto é gostar
Dê dois passos para trás
Se você se assustar
Prometo que se tropeçar eu vou te segurar

Antes que você se atire do alto de um prédio
Antes que você tome um monte de remédio
Antes que você se atire na frente de um carro
Se não conseguir parar o mundo, eu paro!

Mas antes que você saia por aí
E se atire do alto de um prédio
Eu prometo que nós dois vamos fugir
E você nunca vai sentir tédio
Porque a vida do meu lado não tem sentido nem noção
Mas se você estiver por aqui ela vai ter razão

Essa foi uma das minhas filhas que tomou forma nesse última fim de semana. E tenho que dizer: ver uma canção ganhar notas e virar música é uma sensação que toda pessoa devia experimentar uma vez na vida. É incrível.

Tem acontecido bastante coisa ultimamente. Fui pra praia depois de cinco anos. Na sexta a noite, perdi meu celular no mar, pulando ondas de madrugada enquanto bebia com meus amigos. Sim, foi bem estúpido. Logo que ele ganhou as ondas, a Lili me pediu: "tu tá brabo?". Prontamente respondi "não", calmamente, o que a surpreendeu, já que normalmente seria minha última resposta. Eu, que fico puto da cara quando quebra os dentinhos que seguram o CD na caixinha, calmo depois de ter perdido meu celular. Hm.

Não. Já não era mais eu.

Depois, no dia seguinte, acordei cedo e fui pra praia com outro casal que estava na mesma casa. Fiquei lá no mar como se ele fosse um velho amigo. Depois fui pra areia tomar caipirinha com o cara do casal como se ele fosse um velho amigo. E olha que eu nem gosto tanto assim de caipirinha.

Nesse dia fiquei no mar das 10h as 14h. Dizer que eu fiquei vermelho é um pleonasmo (ou seria uma redundância?) mas é: fiquei todo vermelho. Não saí de casa sem camisa nos dias seguintes. É que começaram a crescer bolhas nos meus ombros, sabe? Ia ser meio complicado. Mas tudo bem, a vida era bela, eu estava de férias e tinha que seguir em frente.

Na semana seguinte a praia, comecei a descascar. Fiquei trocando de pele. Toda a pele. Na devida proporção, eu não era uma cobra; era um basilisco. Tinha pedaços meus por toda a casa. Bem nojento. Mas tudo bem, a vida era bela, eu me queimei, aquilo ia acontecer e eu só tinha que seguir em frente.

Me lembro de, naquele sábado de manhã no mar, sentar na água, me deixar molhar e pensar: "Vai lá água... leva tudo o que não tá certo. Renova as coisas por aqui, ok?". E teoricamente ela fez isso.

Levou meu celular. Levou minha agenda telefônica, ok, minhas músicas, tudo bem. Mas levou um caminhão de mensagens de texto, de pessoas bem importantes. Mensagens que eu voltava atrás e lia e lia e relia, pra tentar entender certas coisas que eu não entendia. Foi como se o universo conspirasse contra mim e dissesse "ok, deu, te livra disso aí e toca tua vida pra frente". Caso eu não entendesse, o universo ainda me queimou e me descascou todo, pra sair o velho Samuel e entrar um novo no lugar. Safadinho esse universo.

Tudo se encaminhava para um estado de renovação. Então, na semana que voltei da praia, fui jantar com os amigos e encontrei uma amiga que estuda longe e que eu não via faz tempo. Acabei não falando muito com ela, já que ela acabou falando mais com a menina do grupo. Enquanto as duas conversavam, eu e os meninos ficamos jogando papo fora (ou seja, videogames, filmes e afins). O de sempre.

Na hora de dar tchau, ela foi se despedir de mim e disse: "Tchau Cometa, te cuida. Se bem que tu já tá encaminhado, nem precisa mais se cuidar". E partiu.

Aquele "encaminhado" tá martelando o meu cerebelo desde então. Como assim "encaminhado"?! O que raios isso quer dizer?! Então, como o House aos 45min do episódio, quando o paciente teoricamente curado fica mais doente ainda, comecei a refazer os meus passos da janta pra ver se tinha algo ali que valesse a pena notar para uma análise mais completa.

Roupas? Bermudão jeans, camiseta branca e camisa xadrez com só os dois botões do meio presos, o de sempre. Papos? Videogame, televisão, RPG e fofocas, o de sempre. Novidades? Comprei um carro e troquei de óculos. Atitudes? Eu pedi um chopp enquanto todo mundo tava comendo a sobremesa.

Ah, a gente tava no Habib's. Mencionei isso?

Eu não sei, mas aquele "encaminhado" me pareceu um "você-está-mais-seguro-de-si", o que para um virginiano e sua clássica falta de auto-confiança é um avanço e tanto. Tipo a minha calma perante ao meu celular indo conhecer a Fenda do Biquíni sem passagem de volta.

Mas peraí! Esse sou eu?! Alguém faça o papel de Rony e grite antes que seja tarde demais: QUEM É VOCÊ O QUE FEZ COM SAM!

(...)

Ok, ninguém gritou. Deve ser eu mesmo.

Então, no clima de ano novo pós-carnaval, feliz ano novo pra mim. Ou pra quem quer que seja que tá escrevendo isso tudo. Que essas renovações valham a pena e que eu possa acertar e errar bastante esse ano. Porque é só assim que se vive.

Escrevi a letra da música que tá no início do post pensando em algo romântico, fofinho, no papel de um cara que se dispõe a fazer tudo pela menina depois de ter machucado o coração dela. Que admite o erro mas aceita uma nova tentativa. E vale o contrário também, a menina pensando desse jeito em relação ao cara. Totalmente idealista.

O Taylor, guitarrista da Os Valdo's, depois de ler a letra e antes de compor a música, falou pra mim: "Cara, ficou muito boa essa letra! Combina com a banda, muito bagaceira!"

Minhas letras tão virando música. Tô indo de carro pro trabalho. Meu conceito de romântico é bagaceiro.

É... já não sei mais quem sou. Mas aceito sugestões.

Oi.

=)

Na loja de celular:
- E tu já bloqueou o aparelho depois de perder ele? Por segurança sabe.
- Não, não bloqueei. Mas acho que não precisa...
- Mas o que aconteceu? Ele quebrou, tu esqueceu ele em algum lugar, tu...
- Moça... eu perdi ele no mar.
- (...) É... ninguém vai usar o teu celular mesmo.