Assim Que Vamos Vencer

"É assim que vamos vencer: não lutando contra o que odiamos, mas defendendo o que amamos".

Rose Tico, senhoras e senhores.

De todas as frases de filmes, livros e seriados que consumi esse ano, essa frase da Rose no Star Wars - O Último Jedi foi a que mais me marcou, tanto que fui repetindo ela até pagar o estacionamento do shopping no guichê, só pra não esquecer. É um lembrete motivacional que pode parecer simples, mas que serve pra lembrar de algo muito importante: o ódio não pode ser combustível quando o amor é uma opção muito melhor.

Seres humanos lindos

Rose, mecânica da Resistência brilhantemente interpretada pela fofa da Kelly Marie Tran, perde a irmã no início do filme em um ato de bravura. Para ela, é claro o motivo pelo qual ela está lutando: pra que ninguém mais passe pelo que ela passou. Ela pode até odiar o inimigo, mas está lutando para defender quem ela ama.

Assistimos Star Wars por causa das guerras, porque esse é o motivo pelo qual tudo aquilo está acontecendo, mas nos esquecemos que as pessoas naquele universo odeiam aquela guerra! Se fosse por elas, não teríamos mais filmes da saga Star Wars! É legal ver as coisas explodindo, jedis lutando, naves voando, mas se fossemos nós no filme, estaríamos desejando por um fim logo. Por isso, cada um faz sua parte para que tudo aquilo acabe ou continue. O inimigo, querendo provar que está certo, segue odiando. Os mocinhos, querendo defender o que eles amam, segue lutando.

Na vida também é assim. Estamos tão acostumados a esperar o conflito e a dificuldade que aceitamos isso como o normal. Corremos o risco de usar como motivação "provar que estou certo", mas isso é combustível para mais ódio ainda. Tomei muito na cabeça esse ano esperando que as pessoas fossem boas, confiando que "fulano de tal não vai achar isso, imagina", só para descobrir depois que fulano não só tinha aquela opinião como colocava a mão no fogo por causa daquilo.

Mas sabe o quê? Eu sigo na minha crença de que as pessoas só precisam mudar o seu ponto de vista para entenderem melhor como tratar uns aos outros e como tratar melhor elas mesmas. Tenho um otimismo meio às avessas que não me deixa odiar muito. Acredito piamente que se a gente fizer tudo certinho, servimos de exemplo. Minha arma são minhas palavras e os meus canais de comunicação, onde tento colocar um pouquinho de mim e como eu penso pra tentar ajudar as pessoas, nem que seja o mínimo possível.

Consigo fazer muita diferença? Não sei. A diferença que faz um soldado em uma guerra é pelo o que ele luta. Mas acredito no que eu defendo e é assim que vou vencer: não lutando contra o que odeio, mas defendendo o que amo.

Que 2018 seja um ano em que possamos defender as coisas certas e de maneira saudável. Sejamos gentis.

E assistam Star Wars, por favor.

Protejam esses seres humanos

Sam adorou o episódio VIII.

CRÍTICA: Your Name

Assistimos nesse final de semana "Your Name", anime disponibilizado recentemente na Netflix. O filme é o anime mais assistido da história no Japão e chega ao Brasil acompanhado de ótimas críticas.



"Your Name" conta a história de Taki, um garoto que vive em Tóquio, e Mitsuha, que vive no pequeno povoado de Itomori. Mitsuha sonha em conhecer e morar em uma cidade grande e sair do seu povoado, até que um dia faz isso... no corpo de Taki. Enquanto isso, Taki acaba conhecendo como é ter uma vida mais simples - e como é ter seios - no corpo de Mitsuha. Com o tempo, as causas desse acontecimento mágico são explicadas, além da aparição de uma história muito maior que envolve todo o destino das pessoas que envolvem a vida dos dois.

Falar mais da história do filme é um pecado, pois assim como Taki e Mitsuha tentando entender o que aconteceu um com o outro, "Your Name" merece ser descoberto. O ritmo do filme pode estranhar um pouco quem não está acostumado a assistir animes ou filmes não americanos em geral. Ele pede a sua atenção: suas dicas de quem está no corpo de quem são sutis, como a maneira que Taki pega seu cabelo quando é Mitusha que está no corpo dele. É um filme que demanda atenção e tempo, mas que paga suas promessas muito bem.

Ainda falando do ritmo do filme, pode incomodar suas longas cenas em que o cenário em que os protagonistas vivem, seja a urbana Tóquio ou a rural Itomoro, mas é algo necessário: "Your Name" é um filme lindo. Se suas referências de animes são os desenhos de heróis, com seus cenários fantasiosos - e muitas vezes econômicos de traço - "Your Name" vai lhe surpreender com uma animação linda e paisagens incríveis que fazem te perguntar como que os dois personagens principais poderiam querer sair de onde estão e visitar o corpo do outro.

Taki e Mitsuha, protagonistas de "Your Name"

"Your Name" tem 1h46min e está disponível no Netflix com áudio original em japonês e legendas em português e dublagem em português. Uma versão live-action foi anunciada por J. J. Abrams, mas o original e todo o seu estranhamento e deslumbre valem a pena. Assista!

Sam recomenda assistir animes com áudio original