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Entramos em casa pisando pé por pé. Não queria acordar as crianças. Dei a mão para ela no último lance de degraus. Gostava de ser cavalheiro. Ok, eu ia trair minha mulher em alguns instantes, mas isso não me liberava de ser cavalheiro.
Entramos no quarto. O perfume dela tomou o ambiente mais rápido do que eu imaginei. Fiz um esforço na hora de falar para lembrar o que tinha que dizer:
- Esse... esse é o quarto que eu e minha mulher dormimos. E onde transamos. Como você pediu.
- Ótimo. É bem aqui que eu quero.
Ela tirou a caneta que prendia o coque e sacudiu os cabelos. Ah, o perfume! Se ela estivesse de óculos, seria a perfeita cena de filme pornô, da secretaria virando mulherão, soltando os cabelos e jogando as lentes longe. Mas ela não usava óculos. Minha mulher usava óculos.
Ela colocou a caneta que prendia o cabelo e o celular que trazia no bolso traseiro do jeans – Deus era justo, mas aquela calça... - na cômoda, no lado em que minha mulher dormia. “Ordinária”, pensei, “ela sabe o que faz”. Ela mexeu no cabelo como mulher que quer ser notada e veio em minha direção. Falou com uma voz doce que eu sabia que era mentira.
- Vamos começar?
- Va-va-vamos... vamos, sim. Só espera eu...
Ela aperto forte no meio das minhas pernas. Naquilo, no meio das minhas pernas.
- E-e-eu... eu não sei se eu gosto disso!
- Eu não lembro de ter dado permissão para falar.
Ela continuou segurando forte. Não era agradável. Mas era emocionante.
- Minha mulher não costuma fazer isso – respondi, encolhido.
- Não sou sua mulher... esqueceu? - ela me empurrou até a beirada da cama – e vamos parar de falar nela essa noite, por favor?
- É que nós estamos no quarto dela, tem o perfume dela... – mentira, o único aroma era o perfume que saiados seus cabelos – ...as crianças sempre falam “o quarto da mamãe”...
Ela me “permitiu” sentar e respirar, mas colocou o dedo na minha boca para eu não falar.
- Hoje a noite, somos só nós dois.
O que aconteceu a seguir foi muito rápido. Ela puxou meu cabelo pela nuca e inclinou minha cabeça pra trás. A danada tinha força! Senti a ponta das suas unhas afiadas roçando no meu couro cabeludo. Descobri que meu corpo arrepiava em vários lugares que eu não sabia. Ela se inclinou e cheirou meu pescoço, do ombro pra cima. Quando passou pela orelha direita, perdeu alguns segundos ali. Nem sabia que minha orelha era tão sensível! Nem minha mulher, provavelmente.
Ela sentiu minhas pernas tremerem e colocou a canela direita em cima da minha coxa esquerda, ainda segurando meu cabelo. Ela se apoiou nos meus ombros e colocou a canela esquerda em cima da minha coxa direita. Ela estava em cima de mim, mas sabia que eu não ia aguentar por muito tempo. Teria que trocar de posição logo. E trocou.
Ela soltou meu cabelo. Coloquei a cabeça no lugar, mas não por muito tempo: com a mesma força que ela me puxou, ela me empurrou para o meio da cama. Deitei no colchão e vi a luminária pendurada no teto. Eu nunca olhava para ela – nunca ficava nesse ângulo na cama, óbvio – e me surpreendi. Como minha mulher podia gostar daquilo? Estava velha e empoeirada! Só podia ser coisa dela.
Minha nova amiga pareceu adivinhar os meus pensamentos.
- Pensando nela de novo?
- É... - hesitei - ...sim. É que essa luminária...
- Esquece a luminária. Vamos fazer um jogo.
- Jogos? - levantei o pescoço para olhar ela – adoro jogos – ela sorriu, maliciosamente – hm... que tipo de jogos?
Ela notou minha preocupação e sorriu com os olhos. Sabe aquele sorriso que alguém dá e você sabe que coisa boa não vem por aí?
- Jogo de concentração. Você vai ter que ficar concentrado, falando sobre o assunto que eu escolher, enquanto eu...
- Enquanto você o quê?
Ela engatinhou na cama até encostar o rosto dela no meu. Cochichou no meu ouvido.
- Enquanto eu desconcentro você...
Colocou novamente a mão no meio das minhas pernas. Mas gentil dessa vez. Céus.
Esperei obediente pelas próximas ordens, ainda olhando para a luminária no teto. Observando bem, ela tinha uma certa beleza, um charme... mas precisava de uma polida. De repente, eu só tinha que enxergar ela de outra maneira. De outro ângulo. Ia comentar isso com minha mulher.
Com a minha visão periférica, enxergava ela passeando pelo quarto. Não me atrevi a olhar para ver o que ela aprontava, mas não ouvia nada. A danada era silenciosa como um gato. A única coisa que traía sua posição ao meu redor era o toc toc quase mudo da sua sapatilha batendo no chão. Até que o toc toc parou.
Esperei alguns segundos para algo acontecer. Nada. E não enxerguei mais ela. Sabia que ela estava no quarto porque o perfume dela ainda estava no ambiente, mas não conseguia mais notar onde ela estava.
Caralho. Ela era melhor que o Batman.
De repente, PÁ! Algo bateu forte entre as minhas pernas, quase me acertando. Na curiosidade, me atrevi a olhar para frente. Ela estava parada na beira da cama, me olhando, de lingerie, com um chicote na mão. Demorei alguns segundos para entender a cena, mas quando entendi, quase acordei a casa.
- Ei! Essa lingerie é da minha mulher!
- Quieto! - PÁ! novamente, um pouco mais acima – quer acordar as crianças?
- Não! - baixei a voz – não, não. Mas isso é da minha mulher! Eu não deixei você pegar! Eunão vi você pegar!
- Sério? - a poker face dela era ótima – ela não costuma usar né? Tive até que tirar a etiqueta.
- É... ela disse que era pra usar numa ocasião especial, mas nunca vem... Esperei ela usar até na visita do Papa ao Brasil, mas não rolou.
- Oi?
- Visita do Papa, ocasião especial... - quis sumir na cama - desculpa, eu faço piadas idiotas quando fico nervoso.
- Pois não fique – ela subiu na cama novamente e começou a puxar minha camiseta para cima com o chicote – se ela queria usar numa ocasião especial, façamos de hoje uma ocasião especial. Não?
- Eu posso falar?
- Só se concordar comigo.
Ela bateu com o chicote em mim. Cacete, como aquilo me excitava!
- Eu quero jogar. Vamos jogar?
- Vamos. Já estamos atrasados – ela notou o volume entre minhas pernas – você já tá pronto faz horas, né queridão?
- Pois é, então...
- Não tô falando com você.
Ela me fuzilou com os olhos e sorriu. Silenciei de novo.
Ela saiu da cama, ligou a luz da luminária em meia fase e desligou a luz do quarto. Éramos três agora: eu, ela, e a luminária da minha mulher. Praticamente um ménage. A luz era forte o bastante para mim contornar sua silhueta na escuridão, e meu amigo, que silhueta. Aquela expressão do copo meio vazio ou meio cheio foi feita para descrever esse momento: seus seios preenchiam a meia taça na medida, sem sobrar nem faltar. Lutei contra uma força incontrolável de falar isso em voz alta. Eu não tinha permissão para falar, afinal.
E o bumbum... Eu confesso que achei o bumbum parecido com o da minha mulher. Mas eu não sei, acho que a cena toda, o perigo, tudo deixou a derrière dela muito mais bonita do que ela era naquele jeans justo. Anotei mentalmente para olhar a bunda da minha mulher com atenção depois.
Esqueci tudo quando ela começou a tirar minhas calças.
Os meus tênis voaram logo, o meu cinto também, e ela teve a consideração de tirar as minhas meias (querida!). Porém, a hora de tirar minhas calças foi uma tortura psicológica. Na contraluz, conseguia enxergar um sorriso quase sádico dela, puxando meu zíper devagarzinho. Ela fez menção de pegar o chicote novamente e notou que eu quase pulei da cama. Riu, sarcástica.
- Então, vamos jogar... – ela soltou o botão do meu jeans e começou a puxar minhas calças – fale da sua mulher.
- Dela?! Bem dela?
PÁ! O chicote gritou passou zunindo pela minha orelha.
- Ok. Falar da minha mulher. A minha mulher... é linda. Ela é tudo de bom. Tem um sorriso lindo. Os olhos dela sorriem. O cabelo dela é macio. As suas bochechas são rosadas. Ela...
Ela parou. Minhas calças estavam no joelho.
- Impressão minha ou você só olhar sua mulher do pescoço pra cima?
- Como assim?
- Ai, o sorriso, os olhos, o cabelo, as bochechas, deusdocéu... ela não tem peito, bunda, não? Não me surpreendo porque eu tô aqui!
É verdade. Minha mulher era praticamente o sol dos Teletubbies. Ou o Zordon.
- Eu vou baixar o nível – ela colocou a mão nas minhas coxas – e quero que você baixe também.
Com um puxão, minhas calças foram ao chão. Uma torre de cetim se erguia em mim.
- Recomeçando?
- Eu AMO a bunda da minha mulher. Talvez ela não saiba disso, ela prefere que eu não fique falando esse tipo de coisa, só na cama, mas daí quando a gente deita eu falo mas ela dorme logo, e quando a gente fica acordado ou a gente conversa ou a gente transa, daí quando a gente vai transar ela diz que eu não tomei banho, e quando eu tomei banho ela não tomou banho, e quando os dois tomaram banho a gente não pode transar, porque afinal, nós dois tomamos banho e a gente vai ficar suado, então, pra que ter tomado banho, e...
Ela mordeu a parte de dentro da minha coxa.
- AI! Isso doeu! - e me excitou – Doeu mesmo!
- Foco. Eu deixei você falar, use bem esse direito. Fale mais. Com foco!
- Tá. Enfim, eu gosto da bunda da minha mulher. E... e do vãozinho que ela faz quando acaba o bumbum e começam as costas, sabe? Gosto de pegar ela por ali, com força – ela parou de arranhar e começou a beijar a parte de dentro da minha coxa – eu adoro abraçar ela por trás, segurar ela forte pela cintura, mas gosto de abraçar ela de frente também, com força. Gosto de sentir os seios dela – ela colocou a mão por dentro da minha cueca – adoro ela sem sutiã. Os seios dela são o máximo.
Ela tirou minha cueca. Uma camiseta do Homer Simpson me separava da nudez total.
- Você aprendeu a jogar. Para a próxima fase.
Ela notou que eu tremia. O Homer sorrindo na minha barriga deixava a cena mais engraçada ainda, mas ela não demorou para tirar minha camiseta. Lá estava eu, nu, com outra mulher na minha cama. Eu, ela, e a luminária da minha mulher.
Senti a renda da lingerie roçar nas minhas coxas. Os seios dela estavam na altura dos meus joelhos. Queria que tivesse um espelho no teto, não uma luminária estúpida, para ver o que estava acontecendo, mas eu não estava em um motel e também não estava no início de um relacionamento. Aliás, porque a gente deixa de ir em motel depois do início do relacionamento? Tinha saudades.
“Se os seios dela estavam perto dos meus joelhos...”, pensei, “seu rosto estava...”
- Agora, eu vou só ouvir – ela passou a língua nos lábios - Fale da sua mulher no sexo.
Sexo oral. Sexo oral.
- A minha mulher... gosta de sexo – ela me deu uma mordidinha de leve, consegui ver sua sobrancelha direita levantando, incrédula, eu não tinha culpa, era o que dava pra pensar! - ela... ela gosta de transar. Nós não variamos muito, mas o que a gente faz, a gente faz bem.
Sua língua curiosa parou. Entendi o recado.
- Ela gosta de me chupar. E gosta quando eu seguro o cabelo dela com ela me chupando.
Ela deu um gemido gostoso. Segurei o cabelo dela também. Ela gostou.
- Mas o que eu gosto mesmo é de comer ela. Gosto quando eu deito e ela vem por cima de mim, se apoia na cama e fica me provocando, me colocando pra dentro aos pouquinhos, até ela não aguentar mais e querer cavalgar em cima de mim, com força!
Ela levantou, ficou de pé na cama, tirou a calcinha e sentou em mim.
- Continua – bateu com o chicote na minha perna – continua!
- Então eu pego ela forte na cintura e faço ela me sentir bem fundo, até ela não se aguentar mais e perder a pose de mandona – ela gemeu e respirou fundo no meu colo – porque eu sei, que ela é só pose, ela é um doce por dentro! Eu seguro ela forte, eu finjo que mando, ela finge que acredita, e a gente fica assim, nesse jogo, até mudar de posição.
Ela tirou a parte de cima da lingerie e jogou no chão, seios livres, corpo finalmente nu.
- Então nessa hora eu viro o jogo. Eu seguro forte o cabelo dela, o cabelo que ela prende com tanto carinho durante o dia, seguro forte e beijo os seios dela, porque eu sei que ela gosta – aproximei a cintura dela perto de mim com a mão livre e beijei seu corpo todo – e depois eu viro ela, pra ficar por cima.
Nossos corpos se inverteram na cama. Ela tomou ar e perguntou.
- E porque você gosta de ficar por cima?
- Pra ficar bem perto do rosto dela quando ela gozar – mordi o pescoço dela com força – a essa altura, ela já tá quase gozando, quase sem controle, enfiando as unhas nas minhas costas, com força!
Ela já não conseguia falar mais nada pra mim. O jogo já tinha acabado.
Fizemos com o máximo de vontade possível e com o mínimo de barulho para não acordas as crianças. Os últimos instantes pareceram durar uma eternidade. Seguimos no movimento dos corpos suados até os músculos enrijecidos relaxarem. Enfim, gozamos juntos.
Eu só conseguia gozar junto da minha mulher.
Ficamos alguns segundos ali, um corpo sobre o outro, sem pensar muito. Depois de alguns instantes nos olhos, rimos um pouco, e eu saí de cima dela. Ficamos alguns minutos em silêncio, recuperando a respiração. Fui no banheiro dar uma chuveirada.
Quando voltei para a cama, minha mulher já estava deitada no seu lado da cama, com o pijama rosa com coraçõezinhos pretos que ela amava. Eu achava lindo, mas não falava pra ela. Devia começar a falar mais isso.
Coloquei uma camiseta velha e deitei do seu lado, rindo satisfeito. Ela já estava quase dormindo. Abracei ela por trás – o vãozinho estava lá – e cochichei no seu ouvido.
- Amor... você pega as crianças amanhã?
- Não, você pega. Amanhã é quinta, eu tenho que fazer a unha e tem uma guria nova no salão que demora uma cara, não sei vai dar tempo, tô pensando até em trocar...
- Certo. Eu pego, pode deixar. Boa noite.
Ri sozinho. Quinta feira era o dia dela pegar as crianças.
Safada.
***
Apesar de ter uma menina nova no salão, ela fez francesinha no dia seguinte. Ficaram lindas.
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Apesar de ter uma menina nova no salão, ela fez francesinha no dia seguinte. Ficaram lindas.



