Um Novo e Velho Reinício

Fim de domingo, indo dormir. Esperando apenas que o próximo fim de semana seja melhor do que esse.

Não que esse tenha sido ruim. Mas devemos sempre esperar que tudo melhore não? Afinal, somos humanos.

Objetivos alcançados, contatos feitos, conversas tratadas... e a linha do destino ganhando profundidade e consistência.

Vamos lá. Que comece a semana.

Ele & Ela

Me dei ao luxo de assistir esta pequena peróla musical irlandesa. Com vocês, "Once".

Em português, o filme ganhou o sensacional título de "Apenas Uma Vez", que a princípio parece meio tosco, mas vendo o trailer faz sentido, o que é raro em títulos traduzidos, ainda mais um título tão subjetivo quanto "Once". Mas vamos ao filme.

A premissa, como diz o diretor John Carney nos extras do DVD, é tão básica que dá pra escrevê-la no verso de um selo postal. Um cara que toca violão e conserta aspiradores conhece uma menina que toca piano e vende rosas . O cara tem um passado mal resolvido com uma ex-namorada, enquanto ela é mãe solteira. Ele é irlandês e ela é da República Tcheca. Mais singular, único e peculiar, impossível.

Ao conversar com ele depois de ouvir uma canção, ela descobre que ele conserta aspiradores. E adivinhe: ela tem um aspirador que precisa ser consertado! Não, não é uma desculpa para ela passar o dia com ele e conhecer a sua casa; ela realmente tinha um aspirador que precisava ser consertado. No horário de intervalo dos dois no dia seguinte, eles saem para almoçar juntos. É aí que ele descobre que ela toca piano. Os dois então vão para uma loja de música em que o dono costuma deixar ela tocar de vez em quando. A mágica então acontece.

O filme fala basicamente disso. Do encontro singelo entre os dois, parte para um auto-conhecimento que um só consegue com a ajuda do outro. Enquanto ele busca nela, senão companhia, pelo menos ajuda para superar o amor passado, mais para frente descobrimos que ela também não tem o seu passado muito bem resolvido. É uma bela história de amor que, se não se consuma, pelo menos emociona.

O filme todo tem um tom subjetivo. Ele se faz entender pelo tipo de filme, que pega emprestado o tom informal do documentário e que realmente faz o filme parecer um documentário (assistam os extras do DVD - o comentário dos atores e diretor sobre isso é incrível); ele se faz entender pelas canções, preste bem atenção nelas porque elas contam muito da história; e de tão subjetivo que é, ele não apresenta nem o nome dos personagens. O que de certa forma é até legal, já que quando assistimos um filme com algum ator conhecido normalmente o tratamos pelo nome, o que não acontece em "Once" (ou você vai me dizer que conhece Glen Hansard e Markéta Irglová?). No filme, ambos são tratados como "Ele" e "Ela". E o mais legal é que você nem percebe que eles não tem nomes. Eles realmente não fazem falta no contexto geral. Mais subjetivo e descompromissado do que isso, impossível.

Analisando ele inteiro, podemos dizer que o filme gera vontades. Vontade de mudar. Pelo menos foi o que eu senti vendo ele. Foi um dois poucos filmes que eu sabia que iria me trazer algo e que por isso eu deveria ver sozinho e me abstrair de todo o resto (o outro foi "Sideways"). Ele serviu pra lembrar de um tempo em que um garoto ruivo escrevia músicas pra uma garota. E a única coisa que eu conseguia pensar no fim do filme foi em pegar o violino e voltar há uns anos atrás. Mas aí já é coisa minha.

Assista o filme. Vale a pena. Vencedor do Oscar de Melhor Canção Original!

(Destaque também para a cena da banda que só toca Thin Lizzy. Eles estão na praça dedicada ao vocalista da banda, Phil Lynott, e estão tocando "Whiskey In The Jar", canção tradicional irlandesa que os levou ao estrelato e que anos depois ganhou uma versão do Metallica também)

Reflexões & Verdades

(Verso da música "One For The Radio", da banda britânica McFly)

"We all look the same in the dark"

(ou em bom português, "nós todos somos parecidos no escuro")

Uma bela verdade. Sempre achei mais fácil me expressar no escuro, sem ver o rosto dos outros. Fica mais verdadeira. Sei lá.

Pra pensar no findi. Ou não.

Sem idéias hoje. Valeu...

Escatológico

Há uma piada antiga, daquelas em que uma lição de moral vem disfarçada alegoricamente como uma anedota, que falava mais ou menos assim.

Um coelhinho certo dia estava na floresta passeando. Então, uma hora, deu aquele aperto e deu vontade de cagar. Mas o coelhinho, tão pequenininho, aquele pelinho branquinho, ia ficar todo sujo. Como ele iria se limpar? O coelho então pegou uma folha bem grande duma árvore bem grande e começou a se limpar. Ficou com o pelo um pouco sujo mas tudo certo.

Então, na mesma moita em que o coelho resolveu se aliviar, vem um urso para fazer o mesmo. O urso faz o seu serviço (praticamente do tamanho de um coelho) e então olha para o seu companheiro do lado. Vendo aquele tão pequenino ser ali se limpando, bate a curiosidade. O urso então pergunta ao coelho se ele não se incomodava em ter o seu pelo sujo de merda. O coelho então responde que não, ele não se importava de ter o seu pelo sujo. O urso então pega o coelho e limpa a sua própria bunda.

Moral da História: Cuidado com as respostas precipitadas. Pense bem nas conseqüências antes de responder.

Então, o que me traz a esta história é o seguinte: estava eu hoje no banheiro realizando o mesmo trabalho do coelho e do urso quando abro um pacote novo de papel higiênico. E ao observar o papel higiênico antes de realizar o "serviço", qual é a minha surpresa? Adivinhem o logo do papel:

Será que alguém se inspirou naquela piada de merda? Que coisa não?!

Ah, tem mais: No dia seguinte, o leão, ao passar pelo urso diz: - Aí, hein, seu urso! Com toda essa pinta de bravo, fortão, bombado! Te vi ontem, dando o rabo ' prum ' coelhinho felpudo. Já contei pra todo mundo!!!

Moral da Moral: Você pode até sacanear alguém, mas lembre-se que tem sempre alguém mais filha da puta pra sacanear você!!!

Pra finalizar:

Um dia, em uma grande floresta, um sapo mágico estava saltando em uma lagoa. A floresta era tão grande que o sapo nunca havia visto nenhum outro animal em toda a sua vida. Mas um dia ele viu um urso perseguindo um coelho. O sapo então ordenou que os dois parassem. E disse:
- Por vocês serem os dois únicos animais que eu já vi, concederei a ambos três desejos. Urso, você começa.
O urso pensou por um minuto e, sendo macho, disse:
- Desejo que todos os ursos desta floresta, com exceção de mim, tornem-se fêmeas.
E o desejo foi atendido.
O coelho, como seu primeiro desejo, pediu um capacete. Foi atendido e imediatamente o vestiu. O urso ficou admirado com a estupidez do coelho, desperdiçando um desejo assim. Era a vez do urso fazer outro desejo:
- Bem, eu desejo que todos os ursos da floresta vizinha se tornem fêmeas também.
O desejo foi atendido e o coelho rapidamente pediu uma motocicleta. Prontamente ela apareceu, o coelho subiu nela e ligou o motor. O urso estava chocado com o coelho pedindo aquelas coisas estúpidas... Afinal, o coelho poderia ter pedido dinheiro e comprado uma moto mais tarde... Para seu último desejo, o urso pensou um pouco e disse:
- Desejo que todos os ursos do mundo, com exceção de mim, tornem-se fêmeas.
O coelho engatou a primeira marcha, acelerou e, enquanto saia, gritou:
- Eu desejo que esse urso seja gay!!!

Moral da história: um dia é do urso, o outro é do coelho. E eu adoro esse coelho!!!

Caixinha de Histórias

Como a maioria deve saber, ou quem não sabe vai descobrir, nos últimos dois anos eu me mudei duas vezes. Não, eu não virei cigano; circunstâncias da vida, mas que finalmente chegaram ao fim. Estou de volta de onde saí já. E está melhor do que nunca.

Pra quem já se mudou alguma vez na vida, sabe como é: encaixota tudo, identifica o que que é (há um rabisco em cima da minha TV até hoje escrito "TV" - não me pergunte...) e vê o que é importante para ir junto, o que é importante para ficar guardado.

O fato é que na sala da minha antiga casa, aquela de dois anos atrás, havia uma estante que ao longo dos anos foi preenchido com todo tipo de literatura de banca possível, principalmente gibis. Não ouso dizer que foi ali que sedimentei a minha leitura pro resto da vida; gibis também são cultura. Porém, mesmo com tamanho valor sentimental, essa literatura também foi encaixotada no vaivem da minha vida e até pouco tempo atrás encontrava-se neste estado claustrofóbico.

Até ontem, para ser mais exato. Agora, com bastante espaço livre (belo eufemismo - quase não há lugar para mim no meu quarto de tanto gibi) decidimos pegá-la de volta na casa de uma conhecia onde estava guardada. Depois do esforço épico de levar uma caixa morro e escada acima (minha mão sente o "peso da leitura" até agora) tivemos o prazer de abrir a caixa e ver o que tinha lá dentro.

Confesso que a alegria foi minha. Foi até engraçado de ver: a caixa aberta no meio da sala, com cada um separando o que era seu. Minha mãe com alguns livros de didática, meu irmão com mais alguns livros de literatura e eu, com a minha alegre e jovial pilha gigantesca de quadrinhos. Ô felicidade!!!

Como diria meu irmão, virei criança. E é verdade. O número de memórias que surgiram naquele momento... algo incrível. Foi como abrir uma caixa que dissesse "agora vamos ver como você era há anos atrás". Uma olhadela para o passado que, se não encheu os olhos de lágrima, pelo menos os encheu de pó. Mas nada que não tivesse valido a pena.

O que me leva a pensar: seria interessante em algum momento da vida, no colégio talvez, no início da faculdade, ou em qualquer momento da vida, nos prepararmos para nos desfazer de algo, mas só por alguns anos, para reavê-los depois. Só para sentir isso que eu senti: a sensação de que lá no fundinho, ainda tem um "eu" de anos atrás escondido.

Em tempos de falta de tempo pra tudo, de falta de tempo para aproveitar o bom da vida, um dia de sol, uma tarde no parque, é bom saber que dá pra voltar um pouco atrás sem precisar ser somente saudosista. Dar a si mesmo um tempo para ler as revistas que você lia há um tempo atrás. De ser como se era há um tempo atrás. Afinal, se de tempos pra cá a humanidade vem "piorando", então antigamente a coisa tava melhor do que agora. Olhemos para trás.

Tem mais uma caixa. Se der, pego ela de volta hoje. =D

(Post feito ao som de Led Zeppelin, Velhas Virgens, Beatles e Flogging Molly. Ô delícia!)

Acorda.

Despertador. Parar. Levanta. Toalha e roupão. Banheiro. Chuveiro. Água quente. Sabonete. Shampoo. Condicionador. Pouco condicionador. Desliga chuveiro. Toalha. Roupão. Recolhe roupas. Quarto. Cueca. Calça. Cinto. Meia. Meia furada. Troca meia. Tênis. Abre janela. Frio. Névoa. Fecha janela. Camiseta. Básica. Blusão. Moletom. Boina. Tira boina. Cozinha. Esquenta café. Esquenta leite. Biscoitos e bolachas. Pega jornal. Café com jornal. Calor. Tira moletom. Tira blusão. Tira básica. Escovar os dentes. Sacada. Frio. Põe blusão. Põe moletom. Guarda básica. Quarto da mãe. Dá tchau. Volta pra pegar boina. Vai embora. Volta pra pegar livro. Vai embora. Parada. Ônibus. Livro. Sono. Quase cochila. Chega na parada. Desce do ônibus. Prédio. Elevador. Chave. Porta. Tira Boina. Bom dia. Impressora. Computador. Cadeira. Firefox. Gmail. Orkut. Notícias. Música. Blogger.

Ah, a Segunda...

Segunda-feira aí, dia de analisar o que há de mais importante no momento: o fim de semana.

Acho que depois de alguns findis posso dizer que este foi realmente satisfatório. Foi bem sexo, drogas & rock and roll. Sem excessos é claro. Um showzinho ali... uma festinha aqui... gibis ontem a tarde inteira... e novas aquisições hoje. Eu gasto, mas me divirto.

Algumas portas abrem-se a frente nesta estrada irregular que é a minha vida. Aquelas coisas que tu olha e diz... "Putz... que coisa estranha". Coisas que se desenham como algo em que a família inteira vai ficar contra mim. Coisas em que a voz de um contra a voz de todos. Coisas estranhas.

Mas enfim... depois de um domingo inteiro lendo Alan Moore e três páginas escritas de uma vez só, creio que as coisas tendem a melhorar. E isso é bom.

Pra Não Dizer Que Não Falei De Quadrinhos

Quatro motivos pelos quais eu gosto de gibis (clique pra ver maior):

Alessandra Ambrósio, gaúcha de Erechim, pintada como Donna Troy
por Greg Land (unindo duas paixões minhas, HQs e Victoria's Secret)

Sally Jupiter, a primeira Espectral, do Watchmen, em pose de pin-up
diretamente das mãos de James Jean
As mulheres do Universo DC, por Adam Hughes (abençoado seja!). Não é a toa que a assinatura dele é "AH!". Da esquerda pra direita, Mulher-Gato, Bárbara Gordon, Zatanna, Canário Negro, Poderosa, Mulher-Maravilha, Stargirl, Caçadora (ou Grande Barda, não sei), Vixen, Hera Venenosa e Arlequina (acho). Ah, e dá pra usar de papel de parede também!


A minha favorita. A musa de todos os tempos. A blonde bombshell. A loira que definiu a meia-arrastão. Aquela cuja boneca Barbie foi retirada das prateleiras por ser considerada ofensiva as crianças. Aquela que conseguiu segurar o coração do Arqueiro.
Canário Negro, deliciosamente pin-up no traço de Bruce Timm.
(assim meu coração não aguenta)

(Por essas e outras, eu ainda sou solteiro...)

Eu Estou...

Cansado...
Congestionado...
Gripado...
Indignado...
Inconformado...
Incapacitado...
Indisposto...
Imbecil...
Pessimista...
Amedrontado...
Cansado de novo...
E realmente arrependido de ter feito um post assim... Mas agora já foi!

(Melhoras pra mim...)

Prima

Hoje de manhã, minha prima foi dormir comigo. Ela já tinha feito isso semana passada e na outra semana também.

Só sei que acordei de repente as 6h da manhã com ela na porta de casa pedindo pra deitar comigo de novo. Alguém então falou que não, que era pra ela voltar pra deitar na cama dela ou ir deitar com a minha mãe, na cama de casal, já que meu pai já tinha levantado, que daí ficavam as duas mais confortáveis. Mas ela não quis. Bateu o pé, começou a chorar e disse que queria dormir comigo. Daí não deu né... Como um bom primo (que também tava com uma vontade imensa de ir ao banheiro) foi lá e peguei ela pra ir dormir comigo.

E foi aí que aconteceu.

Não importa o que pudesse acontecer. Tudo o que eu podia pensar naquela hora, o desconforto de nós dois deitados na minha cama de solteiro, o fato da minha cama já estar toda desarrumada, o fato de que dali a uma hora eu tinha que tá levantando pra me preparar pra ir tomar banho, tudo sumiu no momento em que eu peguei ela no colo.

E assim que eu peguei ela no colo, ela pôs as mãos ao redor do meu pescoço e se segurou forte em mim. E então ela deitou a cabeça no meu ombro, daquele jeito perfeito que me faz crer que os ombros foram criados justamente para acolharem cabeças desoladas precisando de apoio. E ali, naquele momento, com ela ali, perfeitamente encaixada, unida a mim, como se fosse tudo o que ela precisava no momento, eu voltei pro quarto sorrindo, por ter começado o dia com um verdadeiro abraço.

Uma hora depois eu acordei com o cotovelo dela enfiado nas minhas costas e os pés dela destruindo a minha lombar, mas tudo bem... valeu a pena.

(só pra citar: a prima tem seis anos. Seis, leram bem?)

Pra Finalizar o Dia...

Sorte de hoje:

Deixe de lado as preocupações e seja feliz

(realmente, o Orkut sabe das coisas...)

Árvore de Limas

A Dúvida

Aceita o que a vida lhe dá de uma maneira muito complexa, odeia briga, estresse, e trabalho, mas não gosta de preguiça nem de ociosidade. É suave e sabe ceder, faz sacrifícios pelos amigos, tem muito talento, mas não é suficientemente tenaz para explorá-los; se lamenta e se queixa um pouco, é uma pessoa muito zelosa e leal.

(Recebi por e-mail agora. Diz que é da mitologia celta - ou seja, selo de qualidade McQueen - e que é bem verdadeiro e confiável. Cada pessoa tem uma árvore para si de acordo com o dia que nasceu. E eu fiquei com a árvore das limas. Sei lá, me pareceu bastante verdadeiro... Gostei. E de qualquer jeito, eu gosto de Lima :D )

Palavras

Bryan Hitch (que não é parente do Hitch, Conselheiro Amoroso), desenhista de Autorithy, Os Supremos e Quarteto Fantástico, entre outros:

"Não vejo por que não poderia fazer tudo, uma minissérie em seis edições e depois dirigir um episódio de seriado de TV ou fazer um filme. Tudo se resume a contar histórias, e é isso que quero fazer"
.

Eu também Bryan. Eu também...

Dias de Cinco Minutos

Certas dias passam como se tivessem cinco minutos. Tu acorda, quando tu vê tá no trabalho, quando tu percebe tu tá voltando pra casa e quando tu percebe... tu tá indo dormir!

Mas peraí... os dias tem 24 horas não? E onde estão as minhas outras 23 horas e os 55 minutos?

Sumiram... perderam-se na viagem de ônibus... no tempo a mais embaixo do chuveiro... naqueles minutos indo até o bar pegar o café...

Tempo que se vai... Mas que envelhece a gente do mesmo jeito...

Começando a semana bem... mas a gente melhora.

(Sem meus fones hoje, por isso sem música, por isso meio deprê... nem reparem)

Dias de Capuz

Dias em que nada importa. Em que você queria estar não em qualquer lugar, mas no lugar certo, que provavelmente não é o lugar onde você está. Dias em que você queria estar dormindo. Dias de ressaca. Dias pós-ressaca. Dias pré-ressaca. Dias que te deixam de ressaca.

Dias em que você só queria estar no seu quarto e na sua cama lendo os seus gibis do Alan Moore...

Dias de fone, música, máscaras... e capuz.

(Indo pra Guaporé esse fim de semana. Desfiles de lingeries e jóias. Hotel em meio a natureza. Mente sã e corpo tentando. Vamos ver como eu volto.)

"Crime, Samuel?"

"Desde quando roubar quatro barras de chocolate é crime?"

Essa foi uma das pérolas ditas hoje na aula de redação. A primeira da minha vida, por sinal. Coisas que acontecem.

Confesso que eu me encontrava ansioso pra isso. Finalmente uma aula em que eu fosse escrever e tudo mais, aquilo que eu sempre disse que era o que eu queria no jornalismo e o que eu queria na vida. Mas a realidade é dura. Não tão dura, mas dura.

Não foi de todo mal, claro. A aula foi muito interessante, bem mais do que eu achei que iria ser e se mostrou um caminho interessante para se trilhar nesse semestre e em todas as outras disciplinas de redação que eu ainda tenho que fazer. Mas já de início ela se revelou, para mim pelo menos, como uma das disciplinas que eu vou realmente ter que me puxar pra não fazer feio e, principalmente, pra descobrir e pra poder continuar falando, estufando o peito, que é isso que eu quero fazer da vida.

Mas, chocolates a parte, outra coisa me chamou atenção. Já tinha sido informado disso por outras pessoas que já fizeram a aula com o mesmo professor, mas tinha que ouvir ele mesmo falando para confirmar. E ele não só confirmou como afirmou e reiterou veementemente (só para dar bastante ênfase) na aula hoje: "não existe essa coisa chamada inspiração".

Como assim não? E aquele famoso "estralo" que me dá, quando vem aquela idéia boa e eu tenho que correr para algum lugar para escrever aquilo ou me lamento imediatamente por não ter onde escrever, o que é isso? Não é inspiração? Aquela vontade de dizer algo, mas não gritar para o mundo todo, mas escrever num papelzinho pra mim não esquecer, pra mim aproveitar mais tarde, aquela idéia genial, o que que é isso? Aquela história completa, com personagens, roteiro, nome, romance e ação, completinha, que uma hora sem querer, como exercicío de imaginação tu cria e não sabe de onde vem, o que que é isso? Se não é inspiração, realmente não sei o que é...

Claro, no momento, a palavra foi utilizada no sentido de "escrever é uma coisa mecânica". Foi dado a turma um esquema, um roteiro a ser seguido para escrever as materiolas simples, como foi dito, roteiro este que facilitaria muito o trabalho. E sim, facilita. Então, segundo o professor, não importa se você não acordou bem hoje, se tá com dor de barriga, se brigou com o namorado ou se tem o peso do mundo sobre a sua cabeça, basta sentar, pegar o roteiro, inteirar-se das informações e deu, está ali feita a matéria. Torne-se um robô e escreva ela. (eu quero ser o R2-D2)

Ok, isso funciona professor. Mas coisas como "não há essa coisa chamada inspiração" não é meio que cortar as asinhas demais? Meio ditadura demais? "Agora vocês são apenas operários, sentem, peguem as suas informações e façam o que lhes foi mandado." Sei lá... não me desce bem.

Isso me lembra o tio Válter gritando em alto e bom som para um Harry Potter de 11 anos no seu quartinho embaixo da escada a frase que se tornou um clássico (e um pesadelo) para todos os fãs do bruxinho britânico: "There's no such thing as magic!!!"

Há magia sim. E também há inspiração.

(A propósito, esse texto inteiro fiz em uma tacada só, sem parar. Isso não é inspiração?)

:-)

Mundo Selvagem

Videozinho bacana. Esse é o final da primeira temporada de "Skins" um seriado britânico, polêmico até dizer chega, que tá passando na HBO. Resumindo bem resumido, é um drama adolescente, cheio daqueles clichês que facilitam o entendimento. Tem de tudo: a anoréxica, o gay, a negra, o muçulmano, a menina que não fala, o apaixonado pela professora e o triângulo amoroso tradicional, dos dois grandes amigos em que um pega a menina (normalmente o cara que a gente não gosta) e o cara legal fica sofrendo lá por ela (normalmente o cara que a gente gosta). Apesar de tudo, é um seriado sensacional, daquele tipo que acerta um chute no meio das pernas de todos os seriados adolescentes que você já viu na vida (tipo Dawson's Creek e todos aqueles outros, até mesmo Greek). Talvez por quebrar os paradigmas de todos os seriados americanos (beijos gays e lésbicos, personagens fumando maconha, entre outros) seja tão bom.

A primeira temporada termina do jeito que vocês vêem abaixo. Um belo jeito de terminar uma temporada, na minha opinião pelo menos. Ah, o nome da música é "Wild World" e foi composta por Cat Stevens (isso, aquele cara que virou muçulmano depois), embora provavelmente você já tenha ouvido a versão do Mr. Big (que é muito legal também).

Enjoy!



(Importante citar: o gay não é odioso; o cara realmente pega a professora; a guria anoréxica vai pra uma clínica; a aluna negra não é uma negona do hip hop e sim toca música clássica; tem um negão também que eu não citei antes que sim, é do hip hop; o muçulmano não é terrorista e é amigo do gay; o cara odioso do triângulo amoroso perde a guria e não, o melhor amigo dele não fica com ela no momento de fraqueza da pobre coitada, já que ele era apaixonado pela guria anoréxica. Pronto, contei! Diferente, não?)

OST

Dia incomum na playlist hoje.

Não sei porque, deu na telha de ouvir trilhas sonoras. Atividade interessante, confesso, ainda mais se feita com carinho (e com boas escolhas). É interessante analisar o efeito que a música (ou a trilha, já que nem sempre é música música, com refrão, estrofe e afins) pode causar no filme.

Só hoje já foram Grease, Streets of Fire (Ruas de Fogo), Young Guns II (Jovens Pistoleiros II - Jovens Demais para Morrer) e Shoot' em Up (Mandando Bala).

Agora, coincidentemente, quando arranjei tempo pra escrever, comecei a ouvir Panic At The Disco. Apesar de não ser nada de filme, o disco mais recente deles, Pretty.Odd. (com pontos, assim mesmo) serve perfeitamente de trilha sonora pra um deslumbramento onírico qualquer. Viajante. Chapante.

Melhor do que cheirar esmalte.


;-)

"Você Sabia Que...

...dos 3.000 lobos-marinhos que existiam no Caribe, hoje só existem 300?"

Isso tá escrito numa figurinha de um chiclé Ping Pong (essa foi pros saudosistas) que tá colado na porta da geladeira da minha casa. Como você já deve ter imaginado, o chiclé Ping Pong tem, no mínimo, uns 10 anos. Ou seja, há 10 anos existiam só 300 lobos-marinhos no Caribe.

E hoje, quantos tem?

Isso me leva a crer que o ser humano, por mais fantástica que seja sua mente, por mais incrível que seja sua obra, por mais sensacional que sejam as suas idéias, ainda é um bicho burro. Não que a diminuição dos lobos-marinhos do Caribe (que eu imagino usando tapa-olhos, não sei porque) seja culpa da nossa raça maldita. Mas por favor, alguém acha que foi o Pérola Negra que passou em cima deles sem querer?

O ser humano tem uma tendência maldita a querer conhecer os seus potenciais. Descobriu que não usa todo o seu cérebro? Vamos explorá-lo mais! Descobriu um motor novo, com mais potência? Vamos testar sua velocidade! Descobriu uma nova arma? Vamos usá-la até descobrir o que ela faz! E assim se vão os mares, a natureza, as árvores, os peixes, os lobos-marinhos, os cavalos-marinhos, os frangos-marinhos...

No futuro, será tudo como aquele filme de ficção científica que está nos cinemas agora, em que todos estaremos no espaço por falta de condições de vida na Terra. Todos gordos, sedentários, porque não soubemos cuidar do nosso planetinha querido. Todos convivendo em estações espaciais cinzas e sem cor... Waaaaaaall-eeeeeeeeeeee...

Lembrem-se dos lobos-marinhos...

(Ouvindo - Cindy Bullens: It's Raining In Prom Night / Grease Soundtrack)

As Segundas Da Minha Vida

Depois de um fim de semana cheio, de volta.

Pensei em muita coisa pra escrever, colocar vídeos, coisas do gênero. Como toda boa pessoa que tem muitas idéias e costuma esquecê-las (a favor de outras novas idéias, claro) anotei-as em algum lugar para utilizá-las. Ou seja, espero não ficar sem postar nos próximos dias. A menos que o universo conspire e tudo o mais (ou aquelas desculpas que a gente sempre dá quando a gente não planeja certo e as coisas não dão certo).

Pensando nas idéias que lembro e que esqueço, penso no contexto geral. E chego a conclusão e a discussão que já tive muitas vezes com o pessoal do trabalho: como conseguimos guardar tanta coisa na cabeça? Tantos dados, tantas informações, tantos comandos, nomes, códigos, histórias, experiências... realmente a mente humana é foda.

Só fazendo um pequeno panorama de mim mesmo. Claro, não sirvo de parâmetro, porque, modéstia a parte, tenho uma boa memória, mas, falando por mim: tenho que saber mexer em três programas no trabalho com muitos comandos; tenho três bandas, sabendo tocar músicas variadas com elas; tenho gostos musicais variados (e até mesmo duvidosos) que me fazem no mínimo conhecer várias músicas; tenho livros variados na minha estante de favoritos, que volta e meio comento algo sobre eles; e claro, acompanho várias histórias nos gibis mensais que compro, mais ou menos umas 20 diferentes, as quais tenho que revisitar mentalmente todo mês, quando compro uma revista nova (preguiça de reler as antigas). Sem contar todo o background histórico que tenho que ter para entender no mínimo um pouco delas.

Isso sem contar as histórias que escrevo, os acontecimentos na minha vida que conto pros outros, as idéias novas que tenho volta e meia e luto pra não esquecer, os inúmeros canais da TV, a programação dos desenhos semanais, a senha do banco, a senha do e-mail, a mensalidade da faculdade, a organização do meu armário...

Aí é que eu pergunto: e se eu surto?

O que acontece quando uma pessoa simplesmente trava? Analisando a nossa cabeça como um computador, podemos comparar a memória com o disco rígido, enchendo-se diariamente de dados e dados. E o bom funcionamento dela, pode ser comparado com a memória RAM. Mas... computadores travam. O que poderia acontecer quando a memória cansa de funcionar e diz "agora você vai começar a esquecer...". Prefiro nem pensar.

Só sei que por enquanto agradeço poder continuar me lembrando de tudo. Me lembrar que tenho que passar na banca. Me lembrar da letra daquela música. Me lembrar de por o despertador do celular pra funcionar no outro dia.

Me lembrar de postar de vez em quando.
Toda segunda sempre, de preferência.

(Ouvindo: Paramore - When It Rains)

Pals


Ontem teve sessão dupla no Telecine Action, com filmes parecidos na sessão das 22h e na de antes, normalmente 20h e pouco. Acho que é assim toda quinta, não sei, nunca tinha visto antes, mas assisti ontem e não me arrependi. Não me arrependi porque eles passaram um depois do outro "Jovens Pistoleiros" e "Jovens Pistoleiros II - Jovens Demais Para Morrer". E valeu a pena!

O primeiro filme conta como seis pistoleiros, encarregados de fazer a segurança de uma fazenda, tornam-se primeiro homens-da-lei e logo depois foras-da-lei, sendo responsáveis pela chamada "Guerra de Lincoln", guerra essa que se desenrola no filme, sendo travada entre comerciantes irlandeses (\o/) e comerciantes da região. Resumindo, os irlandeses querem tirar a terra dos que estão lá, enquanto os outros querem ficar com suas terras. Os dois lados em questão são representados por Murphy, o irlandês, e pelo Sr. Tunstall, dono das terras as quais os personagens do filme defendem.

Depois de tentativas frustradas de negociação, o Sr. Tunstall é morto. Clamando por vingança, os seis pistoleiros são empossados homens-da-lei pelo xerife da cidade, McSween (nada mais nada menos do que Terry O'Quinn, o John Locke de Lost, num bigode irreconhecível), que os provém mandatos de prisão. Acontece que o novo menino do bando, um cara chamado William H. Booney, demonstra-se um pouco precipitado em suas decisões, matando com pulso firme a maioria dos que deveriam ser presos e em pouco tempo criando fama no velho oeste, recebendo a alcunha de... Billy The Kid!

Enfim, daí pra frente o filme é só tiroteio e perseguição, narrando a vingança perpetuada pelos pistoleiros contra os mandantes da morte de seu chefe. Ao mesmo tempo, é narrada a construção da fama e do legado de Billy The Kid e de como ele se tornou um dos homens mais temidos no Velho Oeste, aterrorizando até mesmo o governador.

No fim do filme temos o que aconteceu com os sobreviventes da primeira história, o índio mexicano Chavez, o poeta Doc e é claro, Billy The Kid. Ali então é citado que Billy foi morto pelo xerife Pat Garrett anos depois, xerife este que inclusive aparece no primeiro filme. Qual a nossa surpresa quando, logo no início do segundo filme, Billy está vivo, e o melhor, com o próprio Pat Garrett ao seu lado!

O segundo filme já tem um roteiro mais básico, mas nem por isso torna-se menos empolgante. Billy está com outros em seu bando (William Petersen e Christian Slater, more western than never) e ainda aterroriza as pradarias do velho México. Ele é então surpreendido por um acordo feito pelo próprio governador de que, caso depusesse contra aqueles que participaram da Guerra Lincoln do primeiro filme, teria sua segurança garantida. Claro que homens-da-lei são tão confiavéis quanto foras-da-lei, e as coisas não vão como Billy quer. Logo, ele tem que pegar o seu bando improvisado, com novos fora-da-lei e os sobreviventes do primeiro, e sobreviver a caçada liderada pelo mais novo xerife da região, Pat Garrett, seu antigo companheiro, que se vendeu em troca de poder (a boa velha ganância e ambição humana).

Os dois filmes são ótimos de serem assistidos e celebram bons momentos de jovens atores que estavam em legítima ascenção na época das produções. O elenco de ambos os filmes hoje se encontra em situações adversas: enquanto alguns estão com seus seriados e filmes, outros nunca mais deram as caras. Mas as interpretações são dignas de nota, sendo que é fácil perceber que no início da carreira, mesmo com pouca experiência, você sabe que os atores estão se divertindo e gostando do que fazem. Enfim... recomendável.

Elenco (de ambos os filmes, só os famosos):
- William H. Booney / Billy The Kid (Emílio Estevez)
Máquina Quase Mortífera, irmão do Charlie Sheen.
- "Doc" Scurlock (Kiefer Sutherland)
Jack Bauer, 24 Horas.
- Jose Chavez y Chavez (Lou Diamond Philip)
Richie Valens, no filme "La Bamba"
- Richard "Dick" Brewer (Charlie Sheen)
Two And a Half Men.
- "Dirty Steve" Stephens (Dermot Mulroney)
O Casamento do Meu Melhor Amigo e Friends (o colega de escritório da Rachel).
- Casey Siemaszko (Charlie Bowdre)
Não sei, mas ele fez os dois primeiros De Volta para o Futuro.
- John Tunstall (Terence Stamp)
General Zod!!!
- Alexander McSween (Terry O'Quinn)
John Locke (de Lost, caso alguém tenha ficado preso numa ilha nos últimos anos também).
- "Arkansas" Dave Rudabaugh (Christian Slater)
3000 Milhas para o Inferno, Robin Hood - O Príncipe dos Ladrões e Alone In The Dark.
- Pat Garrett (William Petersen)
O Grissom, chefe do C.S.I. original.
- John W. Poe (Viggo Mortensen)
Aragorn né gente. Por favor...
- Charles Phalen (Bradley Whitford)
Não me lembro dele no filme, mas ele fez West Wing e Studio 60 On the Sunset Strip.

Só pra ressaltar: altamente recomendável².