Lutando pelos nossos direitos

Livros.
Revistas.
Televisão.
TV a cabo.
Seriados.
50 anos de Doctor Who.
50 mil seriados no Netflix.
Cinema.
Internet.
Dar sua opinião sobre o que não foi pedido.
Smartphone.
Aplicativos.
Internet no celular.
Videogames.
Livros de colorir.
Livros de colorir para adultos.
A vida dos outros.


As pessoas lutam pela liberdade em várias questões, mas ninguém lembra de lutar pela nossa liberdade de sentir tédio. Quando foi a última vez que você não teve nada pra fazer?

Cabeça vazia é a oficina do diabo, diziam os antigos. Mas a cabeça vazia as vezes faz você inventar coisas que não inventaria se tivesse tantas coisas para preencher ela.

Mas, você pensa, é o que é que eu vou fazer com essa tal liberdade?



Viva o ócio criativo. Se você conseguir, claro.

Sam tem muitos livros pra ler

O dia depois do dia mundial do rock

(Como são as coisas. Escrevi esse texto ontem, no início da manhã, para postar hoje esperando as reações que descrevi abaixo sobre o Dia Mundial do Rock. E adivinha só: elas não aconteceram! Nem um doodle especial no Google! Isso comprova que talvez as pessoas já concordem com o que eu digo abaixo. E que talvez eu deva parar de escrever textos antes das coisas acontecerem. De qualquer jeito, segue o texto abaixo na íntegra. Shake it off.)

***

Terça, dia 14 de julho, um dia depois do Dia Mundial do Rock. A essa altura, você deve ter lido que o rock não é mais o mesmo, que hoje em dia só se escuta coisa ruim, que bom mesmo era nos anos 60, 70, 80, 90, e isso tudo falado por gente que não era nem nascida nos anos 60, 70, 80, 90 e que só conheceu isso graças a internet dos anos 2000. Eu sei. Eu sou um desses.

Em meio a reclamações e listas do Buzzfeed, o que ninguém vai notar enquanto se diverte com o doodle especial do Google sobre o dia é que não existe problema algum em o rock não ser mais como antigamente. Aliás, não existe problema nenhum no rock existir ou não! O rock como as pessoas querem que seja, claro. Se você acha que quatro caras de cabelo bagunçado tocando guitarra e falando de amor devem ser tão famosos quanto antigamente, vá ouvir 5 Seconds of Summer. Eles são iguais aos Beatles.

A maioria das pessoas que acha que o rock deve ser como antigamente deve ver o rock como uma franquia, como algo que deve ser renovado de tempos em tempos para que tudo continue como antes. Como algo que merece uma pintura, uma hashtag nova, uma roupa nova e um sorriso novo e pronto. As pessoas acham que o rock precisa do The Rock.


Dwayne “The Rock” Johnson tem uma história parecida com o Rock. De origem humilde e família grande, The Rock viu os pais sofrerem para levar a família adiante. Assim como o rock, herdeiro do jazz, do blues e do R&B, The Rock fazia parte da terceira geração de lutadores da sua família e, por mais que tenha tentado outros nomes, foi quando aceitou sua herança e escolheu o mesmo nome de luta dos antepassados que encontrou sua fama.

Depois de anos lutando no circuito, The Rock percebeu que teria um mercado mais lucrativo sendo ator. Com seu sorriso carismático e seu físico impenetrável, o ator conquistou seu espaço aos poucos, até encontrar um papel que usasse seus principais dotes com potencial: o de renovador de franquias.

A primeira foi Velozes & Furiosos. Ao entrar na história como antagonista, pronto para capturar os heróis ladrões de carros, todo mundo sabia que não ia demorar para que ele trocasse de lado e fosse comparar seus músculos com os de Vin Diesel. Velozes & Furiosos 7, embalado pela morte de Paul Walker, teve uma das maiores bilheterias da história do cinema, mas seria uma franquia defunta se não tivesse sido ressuscitada por The Rock filmes antes.

Na franquia G.I. Joe The Rock teve a mesma função ao estrelar o segundo filme da série, exceto que ninguém assistiu a franquia G.I. Joe. E isso tudo veio do cara que estreou O Fada do Dente. E o rock com vergonha dos anos 80.

A questão é: o rock é uma forma de pensamento, de atitude, de ação. Ele não precisa de um rostinho novo para representá-lo. O rock é melhor sendo invisível. O rock é como a Força. O rock é como o Wi-Fi. Não vai ser uma banda que vai mudar tudo. E nem devia!

O rock é melhor nas beiradas da sociedade, sempre disponível para quem quiser ouvir, mas não no pódio, recebendo toda atenção. Imagine alguém tão talentoso e odiável quanto Kanye West sendo a cara do rock hoje em dia. Imagine o Sr. Rock and Roll casado com uma Kardashian. Imagine o vocalista da sua banda favorita sendo perpetuamente escrutinado pelo seu jeito de vestir quando tudo o que ele pensa é “eu só queria falar da minha música”.

O rock também não precisa de uma renascença. Vários artistas centenários voltam de tempos em tempos e são massacrados pela opinião popular (e pela sua). O último clipe da Madonna conta com um rap da Nicki Minaj no meio e participações especiais de Katy Perry, Kanye West e Beyoncé, sem contar o Diplo pulando lá no meio da galera. Enquanto isso, a Madonna faz estripulias como uma tia bêbada na festinha de crianças que você filma pra colocar na internet. Pra que? Só para estar ai?

O rock está bem como está: sempre disponível. Por mais que a Miley Cirus regrave Led Zeppelin e Beatles, as versões originais estão lá, disponíveis. Por mais que o Paul McCartney faça parceria com a Rihanna e o Kanye West, os álbuns dos Beatles e dos Wings estão ainda lá, inteiros. O rock nos anos 60, 70, 80, 90 não volta mais porque as pessoas não são mais as mesmas. E porque se ele voltasse hoje, ele ia ser remixado em menos de 24 horas. Melhor não. O rock não precisa voltar aos holofotes. Só precisa que você continue gostando dele sem precisar gritar isso a cada 13 de julho. E o rock não precisa do The Rock. Ele curte Taylor Swift.



Sam just wanna shake, shake, shake, shake, shake, shake... shake it off!

Você está vendendo asas?

Quando eu comecei esse blog anos atrás, eu não tinha muita noção do principal objetivo dele. Eu queria contar histórias, eu queria falar de mim, eu queria falar das pessoas ao meu redor. Alguns posts antigos me dão vergonha, mas alguns me deixam bem orgulhosos. Com o tempo, o blog foi tomando forma e tornou-se o que é hoje refletindo o que eu sou fora dele.

Isso fica claro nos posts que acabam tendo um cunho de auto-ajuda, comum na internet hoje em dia. Eu sempre penso que esse tipo de post pode se tornar chato, sendo apenas mais um texto de alguém sobre como a vida pode se tornar melhor se você seguir minhas 12 dicas especiais ilustradas com gifs. Mas pensando um pouco sobre o assunto, eu vejo dois principais motivos pelos quais o blog ficou assim.

O primeiro é que esse é o principal tipo de texto que eu consumo na internet. Textos que te ensinam a ser uma pessoa melhor, um homem melhor, escritor melhor, profissional melhor, amante melhor, um ser humano melhor. E isso fala muito mais da internet do que de mim: realmente tem pessoas a solta por aí na rede mundial de computadores que acham que o principal uso dela é te transformar em um ser humano elevado. Quem diria!

O irônico é você ter que chegar nesses textos justamente pelo Facebook, um dos maiores antros de sarcasmo e ironia do universo, cheio de provas de quão baixo o ser humano pode chegar. É como se você pudesse ganhar a sabedoria elevada de um mestre ancião apenas descendo nas catacumbas de uma cidade suja e fria. O que talvez seja uma boa metáfora sobre o Facebook, no final das contas.

Então, nessa constante busca na internet por algo que te faça ser melhor, eu decidi fazer textos sobre isso, como uma luz no fim no túnel no meio de tantas outras que existem por aí. Eles ajudam? Não sei. Mas a gente tenta.

O outro principal motivo pelo qual eu sinto que os posts acabam ganhando esse cunho de auto-ajuda é o meu campo de trabalho. A publicidade e a propaganda são tarefas pesadas de se trabalhar. Nós sempre pensamos “eu podia estar recolhendo lixo, então não vou reclamar” mas principalmente em tempos de “crise, crise, crise” fazer algo que você sabe que servirá para recolher dinheiro das pessoas causa uma certa agonia na alma.

COMPRE JÁ! ADQUIRA JÁ! 10 VEZES SEM JUROS E SEM ARREPENDIMENTOS! Palavras simples e fortes em cores berrantes não ajudam as pessoas a serem pessoas melhores. É como trabalhar com um recém-nascido, que tem que entender o impulso mais rápido e mais chamativo da melhor maneira possível. E reduzir as pessoas a um entendimento tão básico do que elas tem ao seu redor é subestimar a capacidade de todo mundo.

Quisera eu trocar cada COMPRE! por COMO VOCÊ ESTÁ SE SENTINDO HOJE? Trocar ADQUIRA JÁ O SEU! por VEM CÁ, VAMOS TOMAR UM CAFÉ E CONVERSAR? Trocar 10 VEZES SEM JUROS E CINQUENTA POR CENTO DE DESCONTO por 50 MINUTOS DE CONVERSA SINCERA E SEM INTERRUPÇÕES. Uma publicidade mais sincera, que pegue na mão da pessoa e fale o que realmente importa.

É difícil, claro. E talvez por isso eu escreva textos de auto-ajuda. É como se naquela cidade suja e imunda que você vai para buscar sabedoria eu esteja tirando a tomada de uma luz neón que ilumina uma oferta e ligando em um letreiro modesto e sincero: “aqui nós ouvimos você”.

É possível trabalhar com propaganda e não morrer de agonia, mas isso acaba se tornando uma luta diária para escolher algo sincero pelo qual lutar. É uma busca por criar algo que vá melhorar a vida das pessoas. Algo em que ela vai gastar o dinheirinho suado do mês sem se arrepender. E aí vai muito do cliente que você escolhe e do tanto de sinceridade que você vai colocar no trabalho. Eu sempre me pergunto: o produto que eu estou ajudando a vender vai tornar a pessoa melhor na hora que ela passar o cartão? Ela vai se sentir melhor ou vai se sentir satisfeita? Em qual beco da cidade estou levando ela pela mão, o da luz neón com um letreiro piscante ou aquele que só é iluminado pela sabedoria dela?

A publicidade serve para ajudar o consumidor a pular o abismo entre quem ele é e quem ele deseja se tornar ao adquirir o que você está vendendo. Mas entre vender asas ou dar um empurrãozinho, vá pela terceira opção: mostre onde fica a ponte. E atravesse com ele.


Sam quer saber: como vai você?

Dê a chance para a sua avó fazer o gol do campeonato

Não está sendo facil. Mas ninguém nunca me disse que ia ser fácil. Tocar dois empregos, acordar cedo, dormir tarde, tentar acordar cedo, tentar não dormir tarde... ajudar em casa. O momento em que tu passa a separar grana para ajudar os pais é o momento em que tu percebe o teu lugar no mundo naquele momento.

As pessoas ficam falando em crise, crise, crise... as pessoas entram em crise falando da crise. Eu acho errado. Eu acho que as pessoas tem que falar em solução. Mas eu não comando o que as pessoas pensam. Essa massa descerebrada que se arrasta repetindo o que os outros falam. Elas podiam repetir “Game of Thrones, Game of Thrones, Game of Thrones”. A crise ia ser menor.

Mas eu acho que é bem isso. Ter noção do seu lugar no mundo. E de quebra, ter noção do que você quer fazer na vida, sabe. Oi, meu nome é Samuel e eu quero escrever um livro. Eu quero ter grana o suficiente para poder fazer o que eu quero na vida e de quebra ainda me divertir enquanto eu faço isso. Eu quero poder dormir com a minha namorada nos fins de semana. Eu quero ler e escrever, não é tão difícil. Mas quantas pessoas tem essa noção?

Ter uma lista de objetivos claros ajuda na vida. Mas ter uma maneira clara de alcançar eles é bem válida também. Do tipo “quero escrever um livro, então vou tirar 30 minutos da minha vida todo dia pra isso”. Aprender a dizer não também é bem válido. “Quero escrever um livro, então vou tirar 30 minutos da minha vida todo dia para isso e vou conseguir isso dizendo não para a televisão.” Uma decisão leva a outra decisão que leva a outra decisão que leva ao resultado. Uma meia hora por vez.

Não é tão difícil.

Deixa a crise de lado e busca o que tu quer. Deixa a crise de lado e fique do lado das pessoas. Ajuda quem te ajuda. Conversa com quem conversa contigo. Abraça quem te abraça. Abraços são importantes em momentos de crise. Não perca as estribeiras. Dê bastante risada. Pode ser até com vídeo de gatinho.

Viaje sem sair do lugar. Leia livros, assista seriados, veja novelas. Coma bem, mas não coma tanto. Muita gente morre hoje por causa de comida. Li esses dias que antigamente diabetes era doença de gente rica, porque só gente rica conseguia comer açúcar o suficiente. Existem maneiras mais fáceis e menos dolorosas de ser gente rica hoje em dia. Por isso, coma menos.

Ou, como eu li uma vez, “coma para viver, e não viva para comer”.

Não aposte na Megasena. Ou melhor, aposte só se tiver sobrando dinheiro. Tá caro. Aposte nas pessoas ao redor. Principalmente, aposte em você mesmo. Se você é o seu maior inimigo, se você é a pessoa que está impedindo você de crescer, dê um pau em você! Aposte consigo mesmo: “eu vou ficar um dia sem comer demais” e ao fim desse dia pense “toma essa seu merda!” e no dia seguinte acorde satisfeito pensando “eu já consegui um dia”. Uma semana passa rápido se você derrota ela um dia por vez. Minha última promessa já está durando... (...conta nos dedos...) quatro dias. O Samuel de hoje já é bem melhor do que o Samuel de quatro dias atrás. E quatro dias não é de se jogar fora.

E ORGANIZE-SE, PELO AMOR DE BUDA. Não custa nada fazer uma to do list, uma lista de tarefas, nem que seja pra você descobrir que é péssimo em fazer uma lista de tarefas. Faça uma lista de referências também; é um dos melhores tipos de lista que você pode fazer. Separe material que você pode usar, material que você pode copiar, material que você pode melhorar. Muitas obras de arte foram criadas na base da surpresa: “esse livro é tão bom que me inspirou a fazer algo tão bom quanto”. Muitas foram criadas na base do ódio: “puta que pariu, que livro ruim. Eu faço melhor”. É que nem aquele gol que o atacante perde sem goleiro na frente do gol. “Até minha avó fazia esse”, você sempre diz, colocando-se no lugar da sua avó só pra dizer que sim, você era capaz de fazer o gol que o jogador profissional não conseguiu fazer.

Então, seja bom o suficiente para fazer o que você diz ser capaz de fazer. Dê a chance para a sua avó fazer o gol do campeonato.

A menos que você esteja realmente falando da sua avó.


Sam duvida que a véia seja tão boa assim.