Sobre os Sonhos, o Sonhar & Tudo o mais...

(Este post foi feito com o propósito de participar na promoção especial de 20 anos de Sandman que o site Ambrosia tá promovendo. Caso você, caro e habitual leitor do blog, não entenda nada, a culpa é totalmente minha. E sua também: quem mandou nunca ter lido Sandman?!)

Nós, nerds, fazemos coisas estranhas em relação aos nossos vícios. Eu, por exemplo, comecei este post mentindo: xinguei quem está lendo por nunca ter lido Sandman, mas eu mesmo nunca li uma página. Não quer dizer que não conheça, claro, mas mesmo tendo em scan todas as 75 edições, nunca me atrevi a ler nenhuma delas. Esperança de tê-las em mão algum dia? Talvez... mas de qualquer modo estão elas lá, intocadas, em uma meia dúzia de discos de dados. Não é o tratamento que a série merece, mas vamos assim por enquanto, até eu conseguir ela como ela deve ser.

Nós, nerds, fazemos loucuras. Há uma lancheria da cidade que tem uma pilha de gibis para as crianças (ou quem quiser) ficarem lendo enquanto espera o seu lanche chegar. Semana passada, esperando os companheiros de janta, revirei a pilha e achei uma edição da revista SuperAmigos, da época em que a finada editora Abril publicava os quadrinhos da DC no Brasil. As duas primeiras histórias da revista (caindo aos pedaços, por sinal) eram dois capítulos da fase de Denny O'Neil e Neil Adams na revista do Lanterna Verde, quando ele viajou pelos EUA ao lado do Arqueiro Verde, em histórias carregadas de críticas a sociedade da época. As duas histórias em questão eram exatamente aquela em que o Arqueiro Verde descobre que seu jovem parceiro, Ricardito, por total descaso seu, havia transformado-se em um viciado em heróina.

Olhei para a revista. Tinha ela em minhas mãos. Duvidei que ele tivesse o mesmo valor para alguém na cidade que o valor que ela tinha ali para mim, naquele momento. A história mais clássica do meu personagem favorito. Nas minhas mãos. Não pensei duas vezes: quando saímos do local, enfiei ela debaixo do braço (junto com o meu exemplar de Liga da Justiça 74 que eu tinha comprado, leram bem, comprado, antes de ir para lá) e levei para casa.

Acredito que esse fascínio demonstrado por gibis não encontra eco em nenhum outro tipo de arte. Pense bem: você compra CDs quando sai algo novo do seu artista favorito, uma vez por ano, digamos. Você vai ao cinema quando sai o filme que você quer ver e as vezes retorna para ver duas, três, quatro vezes mais. Com quadrinhos é diferente: é um gasto mensal, caro, mas que você não larga. Sem contar que a maior parte dos fanboys compra mais de um título mensal (eu pessoalmente compro cinco =D) e claro, os especiais mensais, os encadernados, aquela edição antiga. Os preços que variam. As editoras que fecham. Toda uma série de obstáculos, mas que você não larga.

Como eu costumo dizer quando as pessoas me enxergam com um novo gibi debaixo do braço, "não me culpe: são os meus cigarros".

E Sandman, praticamente um Marlboro das HQs, pode ser considerado um exemplo de persistência e fanatismo no mundo dos gibis. A série, que surgiu como uma reformulação de um antigo personagem da DC, virou clássico assim que o seu primeiro exemplar atingiu as bancas. Neil Gaiman, o responsável pela obra, recentemente afirmou que não sabia se a série iria passar dos 12 números iniciais. Até sua conclusão, foram 75 edições, com inúmeros artistas desfilando por suas páginas e inúmeros prêmios indo parar nas estantes de Neil Gaiman e companhia. Isso sem falar na legião de fãs que até hoje a idolatram (merecidamente) ao redor do mundo. Nem todos eles devem ter acompanhado a série de forma ininterrupta em sua publicação regular, de 1989 a 1996, mas todos eles reconhecem o valor que a série tem.

Sandman, para os leigos, deve ser entendido arroz-de-festa em lista cult. Sabe quando a pessoa quer parecer diferente e na sua lista de diretores favoritos cita David Lynch, mesmo sem nunca ter visto nada? Quando o cara vai fazer uma lista de suas bandas favoritas e cita The Feeling e The Zutons, que muita pouca gente conhece, só pra parecer que é informado? Em quadrinhos é assim: você pode ter toda a coleção do Alan Moore (e deve! Criador de criaturas como Watchmen e a Liga Extraordinária), você pode ter decorado todas as citações de Brian K. Vaughan (criador de Y - The Last Man, Ex Machina e roteirista de Lost) e você pode até conseguir entender Grant Morrison (maluco escocês que matou o Batman), mas você não é nada se nunca leu Neil Gaiman e Sandman. Alías, não precisa nem ter lido: basta apenas citá-lo.

Eu nunca li. Mas reconheço o seu valor. E prometo ler, assim que possível.

Afinal, nada mais eterno do que os sonhos, o Sonhar e as aventuras do Senhor dos Sonhos...

=D

P.A.R.T.Y.

Dicionário básico de verbetes e situações sobre festas

Bebida: só serve pra te deixar bêbado e acabar com aquele pouco dinheiro que você levou.
Amigos bêbados: por mais que você não queira, eles estarão lá, prontos para te fazer companhia no que você quiser.
Amigos bêbados que você não vê há tempos: não adianta, eles vão te cumprimentar cinco vezes na mesma noite e tudo o que você tem a fazer é sorrir e acenar.
Garotas: as que não dão bola, são frescas. As outras é você que não quis ir atrás e deu uma chance pros outros caras na festa.
Ato de "ficar": ação (normalmente) realizada pelo homem em que ele tenta, num milhão de possibilidades, encontrar uma única coisa em comum com a garota almejada buscando algo mais. Ou seja, perfeitamente simples.
Aquele seu amigo que trabalha no bar: não vai dar bebida de graça. Nunca.
Parte superior da escada: boa para ficar olhando para quem está subindo. Ângulo ajuda.
Parte inferior da escada: também é boa para ficar olhando quem está subindo. O ângulo inferior também ajuda.
A grade do nível de cima: boa para ter uma visão aérea. Boooooa visão aérea.
O Miguel: ocupa espaço.
Ficar no luz: não realça a sua beleza.
Ficar no escuro: isso sim, realça a sua beleza.
Dançar com um copo na mão: auxilia na hora de dançar, já que uma mão fica ocupada.
Dançar num grupinho só de homens: é gay. É feio. Não faça isso. Nem se eles dançarem bem.
Ervilhas tortas: sim, eu já comi!
DJ: não, ele não toca pagode.
Sim: você preferia estar num palco ao invés de estar na pista de dança. Nem que fosse pra tocar pra dez pessoas.
E sim, também: aquela garotinha bonitinha tá lá parada desacompanhada por causa de caras como você, que ficam só olhando pra chegar a essa conclusão e escrever no seu blog no outro dia.

Cometa Diário: você não seria nada sem ele.

10/01

Ontem, dia 10/01, foi aniversário da minha tia. Além da data de aniversário e do simbolismo que esses números carregam (podem ser lidos iguais de trás pra frente - uma certa idéia de ciclo e retorno), o dia de ontem possui outras nuances pra mim. Explico-vos.

No saudoso dia 04 de dezembro de 2003, ganhei a minha bateria. O que se seguiria depois daquilo - além de ficar um ano inteiro trabalhando de grátis pra conseguir pagar ela - eu só descobriria na medida em que os fatos acontecessem. E os fatos estão aí para quem quiser ver: bandas, shows e afins. Mas antes de tudo, há sempre um início.

E este início foi o que aconteceu no dia 10/01/04. Neste fatídico dia (que era um sábado, provavelmente), toquei pela primeira vez com outra pessoa (grande Casali). Dali pra frente, aquele seria lembrado com muito carinho por mim como o primeiro ensaio da minha vida. Naquela tarde de sábado ensolarado, enquanto todos os outros adolescentes da cidade curtiam o sol caminhando no parque ou tendo vida social, nós dois estávamos na quente garagem da minha casa, camisa preta de banda, tocando "Paranoid" do Black Sabbath e "The Unforgiven" e "Enter Sandman" do Metallica.

Sim, saímos tocando três músicas de cara já. Não sei se isso hoje é algo incrível, mas no dia foi.

Foi nesse dia também que aconteceu algo que moldou minha personalidade. Volta e meia, o Casali errava algo na guitarra e eu parava de tocar. Depois disso acontecer umas duas ou três vezes, meu querido guitarrista proferiu a primeira sentença que mudaria minha vida:
- "Tu não pode parar de tocar quando alguém erra. Se alguém perde o tempo da música, se guia de novo para entrar escutando a bateria".

Naquele momento já captei a mensagem. Dali a pouco porém, era a minha vez de interromper a música e pedir, na maior ingenuidade:
- "Tá, e se eu erro?".

Foi aí então que Casali, no alto de sua sabedoria, proferiu a frase que realmente define meu estilo de tocar até hoje:
- "Se o baterista errar, todo mundo pára e bate nele."
Depois daquilo, nunca mais errei...

Enfim, essa parceria, acrescida do resto da banda - Rafa, Edu, Arthur e Luiza - formou a Remasters (menção honrosa pro Mucão e pro Cutrina), que em novembro de 2004 debutou no palco (ou seria no ginásio?) do São Carlos. Tocamos "Rock das Aranhas", do Raul Seixas, "Dyer Maker", do Led Zeppelin, "That Thing You Do, do The Wonders e "Twist And Shout", dos Beatles. Um belo início, diga-se de passagem!

Tocamos mais uma vez em uma apresentação do colégio da minha tia um mês depois (a qual a gravação nunca foi vista, sendo que deve valer milhões no mercado negro hoje em dia). Nesse show adicionamos ao repertório "N.I.B." do Black Sabbath, "Born To Be Wild", do Steppenwolf e "Living After Midnight", do Judas Priest. E um quase cover de "O Meu Chapéu Tem Três Pontas" (teria sido engraçado).

Mas foi só. As adversidades da vida, os gostos e preferências, os comunistas, vários são os fatores que podem ter definido o fim da banda. Mas o importante é o que espírito de ter banda permaneceu naqueles seis jovens, de uma maneira ou outra (bonito isso). Me lembro principalmente de ter feito uma promessa junto com o Casali, de que até os 20 anos gravaríamos um CD, assim como o Metallica fez na gravação do Kill 'Em All, em que todos tinham 20 aninhos.

O que me leva de volta ao dia 10/01. Ontem a tarde, pela primeira vez na vida reuni-me com uma banda com o único propósito de fazer música própria. Eu, Renato, Cris, Ale e o Taylor, a Os Valdo's, nos reunímos na sala do Cris, instrumentos a mão, letras no caderninho, e ficamos lá, nos remoendo a tarde inteira. O resultado foi gravado em vídeo, o qual eu logo ponho aqui, assim que enviado e editado (e assim que alguém me ensine a como colocar vídeos aqui). Mas o importante foi que finalmente realizei essa experiência.

Creio que é sonho de todo músico fazer música própria (era o meu, pelo menos) e, por mais árduo que tenha sido, vale a pena. Ver suas idéias e sua letra ser convertida em canção é algo simplesmente f***. E isso ter acontecido no dia do meu primeiro ensaio não só carrega um simbolismo grande como me leva a crer que sim, eu ainda vou me dar bem fazendo isso.

E quando eu tiver dúvida ou vontade de parar, é só eu me lembrar da velha lição que me foi ensinada naquele 10/01 distante...
- "Se o baterista errar, todo mundo pára e bate nele."

E eu não tenho motivos pra errar... Tenho?

=D

Why So Serious?

Coisas da net. O nome dessas imagens que tem pipocado por aqui ultimamente é "Demotivational Posters", ou seja, poster motivacional. Outra hora explico a moral. Por enquanto, só confiram.

Com Photoshop se faz tudo hoje em dia.

E da série "piada estúpida que me faz rir"...

Em busca da criatividade perdida, prometo. Logo, novidades.