Sou um forte defensor do poder das metas e objetivos mensais ao invés das metas e objetivos anuais. Acredito que se cuidássemos do nosso planejamento mensal que nem (fingimos) cuidar no final do ano, as coisas seriam bem diferentes! Por isso, chegando o final do primeiro mês do ano, eu pergunto: como foi o seu janeiro?
Você também só usa o calendário a partir de fevereiro?
Tentei não ser muito audacioso nos meus objetivos para esse mês. O clima mais quente e a rotina mais tranquila até permitem que certas atividades sejam transformadas em hábitos com mais facilidade, como aquela corridinha no final da tarde, organizar o horário de sono e arrumar a casa. Mas sei que janeiro também é uma briga mental entre estou de férias ainda X o mundo já começou a correr e você está ficando para trás, então tentei não pegar muito pesado comigo.
Me preocupei apenas em ler um livro no mês, meta que pretendo carregar para os outros meses do ano, e aproveitar bem o clima de janeiro para encontrar as pessoas e me presentear com experiências. E essa parte foi um sucesso!
Apesar de ter tido várias oportunidades de terminar a livro antes do mês, termino junto com janeiro a leitura de “A Vida, o Universo e Tudo Mais”, terceiro volume do Guia do Mochileiro das Galáxias. E na questão das experiências, nunca houve um mês na minha vida em que fui em tantas festas. E em pelo menos duas festas cheguei sozinho, o que é um grande avanço para um introvertido como eu. Também fui ao cinema sozinho, o que introvertidos como eu indicam sempre. E claro, trabalhei muito, porque essas experiências não se pagam sozinhas.
Agora, para fevereiro, quero apenas manter a meta de um livro por mês lendo um pouquinho todo dia, escrever um pouco por dia e postar mais aqui, organizar o meu sono dormindo e acordando em um horário fixo e limpar meu quarto pensando no fato de que em alguns meses estou saindo de casa. Algumas coisas tem que ser descartadas antes que eu vá embora! E claro, seguir aproveitando namorada, amigos e família.
E você, como foi de janeiro? E o que você espera de fevereiro?
Do 3º andar, ouço a porta do Uber bater com força na rua. Ele abana para dentro do carro. Ela responde. Ele dá duas batidinhas no vidro para agradecer ao motorista. O carro acelera e logo dobra a esquina. Ele fica olhando ela ir embora e pega o celular no bolso assim que o carro some. Para mandar mensagem para ela, claro. Ou para outra. Pra mim não era, com certeza.
Ele entra na portaria do prédio e logo ouço o elevador vibrar. São quase 4h da manhã. Era possível escutar tudo o que acontecia no prédio. Normalmente teria mais barulho, mas hoje era como se todos os andares tivessem ficado em silêncio pra ouvir a gente discutir. E eles iam conseguir o que queriam.
O elevador chega no nosso andar e ele desce assobiando. Ele nunca assobia quando está do meu lado porque sabe que vou chamar atenção dele pra não fazer barulho para os vizinhos. Deve estar alegre. Bêbado. A mão chega a tremer na hora de buscar a chave no bolso. Se depender de mim, ele fica no corredor.
Depois de algumas tentativas, ele encontra a chave. Espero ele no escuro, em pé, com o jeans e a camiseta que usei durante o dia para ele perceber que não consegui dormir um segundo esperando ele chegar. Assim que ele entra pela porta, acendo as luzes. Pra incomodar mesmo. Ele coloca as mãos sobre os olhos para proteger a visão e já sai falando.
- M-m-mas, peraí! - sinto o cheiro de álcool do outro lado da sala - Pra que isso aí?
- Isso são horas de chegar? - pergunto alto o suficiente pra acordar nosso cachorro.
- Ah meu, já veio me xingando, não tô com paciência não, viu?
Ele se afunda no sofá e o animal já senta do lado dele. O maldito sempre foi o favorito do cão e parece que nem o cheiro da bebida assusta ele. Ele pega o celular e já começa a rir passando o dedo pela tela. É um desaforo atrás do outro. Mas isso acaba hoje.
- Quem é essa perua aí?
Ele me ignora e segue rindo enquanto olha o celular
- Eu te fiz uma pergunta.
Um sorriso cínico surge no canto do rosto dele enquanto ele passa o dedo na tela do smartphone. Direita. Esquerda. Direita. Esquerda. Meu sangue ferve. Arranco o celular da mão dele e arremesso pela sala.
- EU TE FIZ UMA PERGUNTA!
Ele levanta com uma expressão de ódio no rosto, e eu subitamente lembro como ele é alto.
- Precisa ficar enchendo o saco e perguntando?
- Precisa sim!
- Escuta aqui, você não paga minhas contas viu?
- Mas já paguei, e muitas!
Ele coloca as duas mãos na cabeça e sai andando sem rumo pela casa.
- Eu já não sei mais nem o que eu tô fazendo aqui.
- EU TAMBÉM NÃO SEI! Eu até já te mandei pra rua! Mas enquanto você não achar outro lugar pra ficar e estiver dormindo aqui, eu quero satisfações!
Ele anda pela sala atrás dos pedaços desmontados do celular.
- Eu só vou pedir mais uma vez. Quem é essa que estava com você e te deixou aí?
Ele encontra o smartphone. A tela está intacta, infelizmente. Ele responde baixinho.
- O nome dela é Jenifer.
- Jenifer? - repasso mentalmente todas as Jenifers que conhecemos - E de onde surgiu essa?
- Eu encontrei ela no Tinder.
- Ha, eu sabia, sempre com a cara nesse celular, só podia.
É a minha vez de me afundar no sofá
- E ela é a sua nova namorada?
- Não - ele diz, encaixando a bateria no aparelho e sorrindo - Mas poderia ser.
Trocada por uma perua do Tinder.
- E porque ela?
- Ah - ele segura o riso, lembrando de alguma coisa - Ela faz umas paradas.
- Que tipo de paradas.
- Umas que eu não faço com você.
- Tipo o que?
- Melhor não falar.
Homens.
- E é tão mais fácil encontrar isso em outra ao invés de tentar procurar comigo?
Ficamos os dois sentados no sofá, um de cada lado, com o nosso cachorro sentado no meio. Ele termina de montar o celular e a luz do aparelho ilumina o seu rosto. Eu me lembro ao mesmo tempo como ele é bonito e como eu já não aguento mais ver a cara dele. Ele me olha, e eu sinto que é pela última vez.
- Já não é da sua conta.
Ele deixa a chave que era dele em cima da mesa e vai embora. O meu cachorro o segue mas fica pra dentro do apartamento quando ele fecha a grade.
Ouço o elevador vibrar novamente e a portaria do prédio abrir-se mais uma vez. Ele segue assobiando. Logo, um carro chega e freia subitamente.
Do 3º andar, ouço a porta do Uber bater com força na rua. Eu abano para o carro. Ninguém responde.
Sam pensou tempo demais no que as oito pessoas que escreveram essa música quiseram falar com ela.
O tempo é um conceito criado pelo ser humano para podermos entender e organizar melhor o mundo a nossa volta. Isso significa que apesar de exato, muitas vezes ele é subjetivo, com significados diferentes para cada pessoa e o momento em que ela está vivendo.
Hoje é um exemplo clássico disso: apesar do ano ter iniciado na virada do dia 31/12 para o dia 01/01, para muitos o ano começou no dia 02/01, o primeiro dia útil do ano. E para outros ainda o ano começou só hoje, dia 07/01, a primeira segunda-feira do ano. Isso sem contar o ano que começa depois do Carnaval ou o ano que começa depois que o último pessoal tira suas férias em fevereiro.
Qual o tamanho da importância do tempo para você?
Apesar de ser um conceito criado por nós, damos para o início do ano o significado que a gente quiser. Se o que falta para conquistar o que quer seja para você seja a chance de começar tudo de novo e aproveitar aquele gás de início de ano, saiba que dá pra começar um novo 2019 todo dia.
Nesse novo ano que inicia - quer ele tenha começado semana passada, hoje ou só em março - não esqueça de usar esse super poder. E Feliz Ano Novo.