A Primeira Vez A Gente Nunca Esquece

Quem me conhece, tem acompanhado meu blog e afins, tem notado que nos últimos tempos tenho estado meio pra baixo, "down", depressivo... quem não percebeu só olhar os posts abaixo. Enfim, pra mim sempre houve duas maneiras de se por os problemas pra fora: indo numa psicóloga, ou vomitando.

No último sábado a noite, eu realizei a segunda opção.

Começou cedo. Tinha um trabalho da UCS pra fazer com o meu grupo. Eu nem precisava ir, mas na sexta a noite, levei meus fones pra casa e decidi que iria na manhã seguinte acordar as 7h, ir a pé trabalhar, fonezinho no ouvido, feliz da vida. "The sun is in the sky and it's gonna be a glorious day", já dizia Tom Fletcher em "Everybody Knows". O dia prometia.

Ao meio-dia, almocei sozinho na Juventus. Xis salada médio e... uma tulipa de chopp. Eu nunca tinha feito isso antes. Comecei a beber ao meio-dia. Como disse a Celli mais tarde, "quem te viu, quem te vê..."

Ensaio logo depois do meio-dia, volto pro trabalho, saimos as 18h de lá e vamos para o Prataviera. Eu e mais três garotas, passeando pelos três andares da Renner. Sim, talvez esse fosse um bom motivo para encher a cara, mas não, foi bem bacana (elas não compraram nada, logo não tinha sacolas pra levar... xD)

Depois de uma janta gordurosa na Casa do Pastel, ao lado do Revival (ROXX É O CARALEO!), aniversário do Néééééstor no Copa. Depois de garantir a carona pro Vagão e pra casa depois (valeu Lucas!), lá fomos nós, eu, a Lili e a Fran pra festinha.

E como eu gosto mais do Copa cada vez que eu vou lá! Foi chegar e sentar, cumprimentar as pessoas e já tinha um copinho na minha frente. E logo ele tava cheio ("terceira vez que eu sirvo o Samuel, tô emocionado!" - by Néstor). E outro copo. E docinhos. E salgadinhos. E tudo aquilo foi se unindo ao xis do meio-dia e ao pastel gorduroso. E ao álcool. E quando eu vi, eu tava tentando convencer duas garotas a largarem a idéia de irem no Expresso ("eu toco lá direto, é uma bosta!" - essa frase ainda não faz sentido...) e irem no Vagão, ao mesmo tempo em que enchia o saco do Jota. Só parei quando o Lucas me cutucou e sussurrou "cara, tu tira muito ele...". Daí eu resolvi parar. Foi a bebida Jota, sorry... =D (agradeça o Lucas).

Saímos do Copa e fomos pro Vagão lá pelas 11h30min. Chegamos lá, encontramos pessoas conhecidas, conversa vai, conversa vem, tudo muito bacana e alegre. Alguém me ofereceu cerveja. Sabe quando ela aparece na tua mão? Enfim... Quando eu vejo a Lili olha pra mim e fala "vamo começa a beber?". Eu respondo inocentemente "sim, porque não?". Caipirinha de limão, a primeira na comanda dela, a segunda era pra ser na minha. E começou.

Começa o show da primeira banda. Eles abrem com "Born To Be Wild". Eu penso "todo mundo toca essa música... até a minha banda". Segue o show com músiquinhas básicas do rock and roll, eu odiando o baterista e pensando "putz, podia ser minha banda tocando ali em cima... mas não é... e é o primeiro show da banda e eles tão começando no Vagão só porque o maldito guitarrista TRABALHA AQUI!". A primeira caipirinha acaba. Eu olho pra Lili. Ela olha pra mim. Vê que eu não tô curtindo. Eu chamo ela. "O que que eu tenho que beber pra ficar bêbado?".

Pergunta estúpida... Segunda caipirinha!

(No bar, conversas que não devem ser citadas). Voltamos ao show. Música vai, música vem, eles tocam "Smoke On The Water". Lá vai o Samuel de novo "putz, TODO MUNDO TOCA ESSA MÚSICA!". Acaba o show, galera aplaude, música tocando. Alguém aparece com uma caipirinha de uva. Cerveja. Massagem na Lili e na Samantha. Não lembro direito a ordem das coisas...

Acaba a outra caipirinha. Não me lembro porque, fomos pegar mais uma (não que precisasse de motivos...). Caipira de abacaxi. O desafio para quem pedia um gole era sempre o mesmo: "se tu conseguir SENTIR o abacaxi aqui, te dou um prêmio". A Sarah falou que sentiu. Ela tomou um gole a mais de prêmio. Acho que a massagem veio depois disso. Não lembro...

Enfim... começa o show da outra banda. Vou ao banheiro e quando volto, encontro o Lucas no meio do caminho apoiado numa parede. Os meus melhores amigos no momento: Lucas e a parede. "Luke and The Wall". Faz até sentido pra alguém que curte Pink Floyd tanto. (Acho que não tô sóbrio ainda...). Cerveja, conversas filosóficas, cabeça apoiada na parede, rindo, até que em certo momento, eu interrompo a conversa e saio em direção ao banheiro...

É. Foi.

Cinco minutos depois, olhos lacrimejando, encostado na porta do banheiro, respirando fundo que nem o Toni ensinou, escuto o Lucas batendo na porta atrás de mim: "Cometa, tudo bem?!". Respondo "sim, sim, claro!". Era óbvio que NÃO TAVA TUDO BEM, eu tinha acabado de VOMITAR! Mas ele tava lá cuidando de mim, logo, fui educado (no domingo a noite, fiquei sabendo que ele tava lá viajando e a Lili foi lá e disse pra ele "Ô, o Samuel sumiu? Ele deve tá vomitando...". Obrigado pelo esforço conjunto, pessoas que começam com "L"). Segui as ordens de lavar a boca corretamente enquanto o Lucas, pra levantar minha moral, dizia algo que me animava. "Cometa, sabe aquela garota que tu me falou antes? Pois é, ouvi falar que..."

Saímos do banheiro. Uma janela!!! Quanto valor dei pra ela naquele momento. Aí então, um dos momentos surreais da noite. A Lili vem correndo em minha direção e travamos um dos diálogos mais sem sentido do mundo.

Lili: Tu tá mal?!
Sam: Sim!
Lili: Tu vomitou?!
Sam: Sim!
Lili: AEEEEEEE!!! TOCA AÍ!!!!
Sam: YEAH!!!!

Em lugar nenhum do mundo, com pessoa nenhuma do mundo, essa conversa faria SENTIDO! Só ali, comigo, naquele momento. Eu já disse que o Adrian tava lá também, junto com o irmão dele? Enfim, não sei em que momento da noite ele apareceu, não lembro, mas ele tava lá também. Me lembro de encontrar ele junto com o Lucas encostado na parede e, ao vê-lo, abraçá-lo exageradamente. Neste exato momento, alguém, um outro cara, bem maior do que eu, passou do lado e eu acho, não lembro, que bati nele sem querer. Ele fez uma cara estranha, mas logo abriu um sorriso, só pra me assustar. Não sei como nem de onde saíram coragem e força pra dizer as seguintes palavras:

"PORRA CARA, NÃO ME SACANEIA! É A PRIMEIRA VEZ QUE FICO BÊBADO!!!"

Isso não faz SENTIDO!!! Isso não SOU EU!!! Mas era EU! Melhor que a minha intimação, foi a resposta dele: uma gargalhada sensacional, seguida de um "poxa cara, assim tu me deixa mal até... ó, bebe mais um pouco." E me entrega a cerveja que tava na mão dele. Isso pode ter acontecido antes do vômito. Ou depois, não lembro. Eu tava bêbado, oras, não tenho obrigação de lembrar disso. Mas aconteceu e foi engraçado.

Minutos depois (ou antes, já desisti de lembrar das coisas em ordem), na janela do Vagão, eu e o Lucas, filosofando da vida, eu reclamando da depressão, coisa do gênero, e de repente quando eu vejo, duas gurias vem, se encostam na parede e... se grudam! As duas ali, se beijando!!! Na nossa frente!!! Eu só cutuquei o Lucas e apontei. No outro lado do corredor, do lado delas, os dois caras que elas tavam ficando, comemorando alegres a cena. E do outro lado, eu e o Lucas, comemorando juntos. Nós dois ali, falando da depressão e reclamando da vida, e vem duas gurias, como que mandadas por Zeus, e começam a se beijar na frente da gente. Então o Lucas vira pra mim e fala: "é, realmente... a vida não faz sentido algum". Não faz mesmo, Luke... nenhum sentido.

Ficamos no Vagão até lá pelas 4h45min, quando o Lucas me disse pra irmos. Fui atrás da Lili, ela foi atrás da Camila, ficamos esperando, nos desencontramos, coisas que só fui entender no domingo a noite, sóbrio, quando liguei pra Lili. Bom, pelo menos assim voltamos só eu e o Lucas, discutindo "Wolverine" e "Exterminador do Futuro 4". Não tinha nenhuma garota no carro poxa, era óbvio que a gente ia ser nerd!

Cheguei em casa meio enjoado. Umas duas quadras antes, já separei a chave de casa, pra ter certeza que ia pegar a certa. Já fui pensando "vou ter que falar pra minha mãe que cheguei, ela não pode perceber nada!". Segue a conversa...

Eu, abrindo a porta do quarto: Cheguei... (sussurrando)
Mãe: Eu vi... tudo bem?
Eu: AHAM! (eu respondi MUITO ALTO!)
Mãe: É tarde já... eu tava preocupada...
Eu: Sim. Mas cheguei. Boa noite. (sussurrando de novo, no melhor estilo "acabou a conversa")
Mãe: Vai dormir, descansar filho. Põe toda a tua roupa na área de serviço, pra sair o cheiro.
Eu: Sim! (incisivo). Boa noite! (incisivo x2)

Fechei a porta e fui pro meu quarto. Troquei de roupa e fui deixar elas na área, conforme ordenado. Ao chegar na máquina de lavar pra largar a minha camiseta do Neon Genesis Evangelion que eu AMO DE PAIXÃO, jogo ela sem cuidado algum em cima da máquina. Sabe aquelas bacias baixas, cheias de panos brancos, SÓ BRANCOS, normalmente com algum produto químico pra deixar eles BRANCOS? Eu só vejo a minha camiseta fazendo "PLOSSSHHH!!" em cima da bacia. "PUTZ, não!!!". Tira a camiseta correndo de perto da bacia e ela respinga toda... em cima da minha calça jeans. "PUTZ, NÃO!!!". Mas aquilo era surreal demais pra mim naquele momento. Larguei tudo lá e fui pro banheiro.

Olhei pro vaso. Pensei "tô enjoado ainda. Vou acordar mal. Vou ter que vomitar de novo." E foi. Dedão na güela e já eras... Fechei os olhos e só fui sentindo, só na vibe do momento. Puxei a descarga antes de abrir os olhos, pra não ver o estrago.

Mas quem disse que o estrago foi só no vaso?

É... acertei a borda do vaso. E o chão. E o tapete do chão. E a minha calça. E a minha pantufa azul. Aquela mesma, que ficou molhada no último post. E agora, enjoado, tonto, a questão era a seguinte: onde a pessoa arranja coordenação pra limpar a sujeira? Resposta: "SE VIRA NOS 30!" Acho que destrui algo no banheiro, nessa limpeza, mas tudo bem.

Acordo domingo, meio-dia. Preocupado. "Ué, ninguém veio me chamar ainda. Certo que descobriram!". Ouço minha mãe falar "eu vou ir tomar banho". Penso "é agora!". Levanto, me sacudo, abro a porta do quarto e vou pro corredor, pra ir direto pro banheiro. Ao chegar no corredor, tudo gira. "Droga, tô tonto ainda!". Vooooooolta pro quarto. Senta. Relaxa. Respira. Sai do quarto.

(Imaginem a cena: eu levanto, saio no corredor, tudo gira, eu volto correndo pro quarto. IMAGINEM. RIAM BASTANTE. DEU, PAREM DE RIR. Agora continuem lendo.)

No banheiro, vejo que o tapete tá meio sujo ainda. Mas percebo, apesar da maior dor de cabeça do MUNDO, que ele é igual do outro lado! Ou seja: vira o tapete! Deduzir isso de ressaca me deixou feliz. A partir daí foi tranquilo. Só tive que contar a noite inteira meio que pisando em ovos e deduzir também que não deveria comer nada. Almocei muito pouco. Depois só precisei pedir "e tu mãe, como foi tua tarde ontem?" e concordar com tudo. Depois do almoço, me tranquei no quarto e fui escrever.

E a ressaca gerou boas canções! Quem diria. Me rendi ao sono no início do jogo do Brasil. Acordei na Dança dos Famosos. Depois, a noite, fiquei até a meia-noite ouvindo música. E agora estou aqui. Contando pra todo mundo.

Resultado final: por mais contraditório que possa parecer nesse caso, a primeira vez a gente nunca esquece. E eu lembro de TUDO e não me arrependo de NADA. E foi bom, sabe? Tava precisando mesmo por umas coisas pra fora. Daqui pra frente, vida nova. Novos pensamentos. Apaguei todas as minhas mensagens do celular. Coisa do gênero. Não, eu não vou encher a cara todo findi. Mas não vou mais condenar isso. As vezes vale a pena.

E é isso. Quem tava lá e presenciou, sinta-se privilegiado. Obrigado a todos que acompanharam e que me cuidaram. São 11h10min da segunda-feira, tô ouvindo "Highway To Hell" e eu ainda tô enjoado. Mas logo isso passa. Eu acho. Logo eu descubro.

=)

Uma Manhã em Poucos Passos

3h45min: Acorda. Rola na cama. Pensa: não vou no banheiro, não vou no banheiro, não vou no banheiro, NÃO VOU NO BANHEIRO! Levanta e vai no banheiro.

6h45min: Despertador toca. Desliga despertador e pensa "vou ficar deitado mais um pouco". Deita novamente.

6h46min: Minha mãe abre a porta do quarto, com aquela luz na cara vindo e minha direção (¬¬'). Fala leve e claramente:

"samupegaaquiessescemreaispratupagaratuacontadotelefoneedeixaassimporqueeuachoquemaisprofimdasemanaeuvouprecisardedinheiroteueeudeixeioqueédealmoçoescritoemcimadamesamaséarrozpizzafeijãoesetuquiserfritamaisumaspolentasogabitásaindodobanhoenãoesquecedefazeraquiloqueeutepedi. Beijo, bom trabalho, te amo."

Naturalmente, como eu entendi tudo o que ela disse, concordo com um breve "sim, sim, beijo".

6h50min: Levanta e finge um alongamento. Se estica um pouco e percebe que tudo dói. Logo se lembra que não é mais um gurizão de recém vinte anos, e sim um velho de vinte e poucos anos.

6h55min: Separa a roupa para o banho. Enquanto espera o irmão acabar de escovar os dentes e liberar o banheiro, deixando as suas cuecas e meias jogadas porcamente lá, desliga com gosto o rádio ao ouvir a chamada do programa "Um Novo Dia, com Frei Jaime Bettega". Eu queria que o Frei Jaime fizesse qualquer dia desses um "Fim da Tarde, com Frei Jaime Bettega" depois de passar a tarde inteira aqui no trabalho, pra ver se ele falaria com a mesma calma que fala durante a manhã. GRRRRRRRR...

7h: Banho. Fica pensando em solos de bateria, introdução de música e afins. Passa o condicionador antes do shampoo. Passa o shampoo. Ignoro a ordem dos fatores, tenho pouco cabelo mesmo.

7h30min: Sai do banho e se veste. Cueca, meia, jeans e camiseta preta dos Stones. Sim, a mesma que usei sábado no ensaio, mas ninguém precisa saber disso.

7h35min: Ponho as cuecas e tudo mais do banheiro na frente da máquina de lavar, inclusive as do meu irmão. Tudo embalado ao redor da toalha que usei pro banho, claro. Vejo que tá frio. Esquento o café no fogão e o leite no microondas. Tomo café com cookies e fingindo que leio o jornal.

7h45min: Escovo os dentes. Água gelaaaaaaaaaaada.

7h50min: Banheiro gelada. Casa inteira gelada. Vento uivando. Abro o guarda-roupa. Camisa xadrez nova que me deixa com cara de lenhador canadense, moletom preto novo que me deixa parecido com o Tarso da novela das 8 (até os remédios eu tomo!) ou jaqueta jeans com bottons e patchs clááááássica? Na dúvida, os três!

8h10min: Desce na parada antes do trabalho, vai no banco conferir o saldo. Eba, meu cheque do salário entrou! Agora, eu estou só R$ 94,00 NEGATIVO. Ou seja, com um limite de R$ 900,00 no meu cheque especial, eu tenho R$ -806,00 pra passar o mês! Ueba!

8h15min: Vai na banca comprar os meus cigarros. Star Wars 5, recém chegada na banca. Delícia.

8h20min: Passa conta do celular na lotérica embaixo da agência. Agora eu volto a ser um ligador (assim que a Vivo liberar meu sinal).

8h25min: Vou pra agência. Daí começa o dia (e eu começo a escrever o post, que tá terminando agora, 11h30min passada).

No mais, um bom dia e uma ótima semana pra todo mundo. Tô pronto pro que der e vier. Ou não. Mas vamos indo assim que tá tranquilo. Descansei bastante no findi, ganhei meio baralho de Star Wars e novas decisões na banda me animam. Valeu todo mundo que deu apoio em relação ao último post. Aqui no trampo não deu nada ainda, mas estaremos prontos para o pior. Como diria meu amigo Mario, "Heeere we go!"

(Vocês sabem de quem Mario eu tô falando, né?)

XP

"Where Were You While We Were Getting High?"

Hoje de meio-dia, dia 10 de junho de 2009, saí do trabalho chorando. Dei tchau pros chefes, peguei o sobretudo, a manta e o chapéu, desci com minha colega, encontrei a filha do chefe, dei tchau pras duas e fui embora. E as lágrimas vieram.

Motivos alheios, dispersos e que não vem ao caso. Um comentário ali, uma coisinha aqui, outra que não funciona aqui, mais uma que atrasa aqui, uma coisa que não dá certo, os nervos à flor da pele, uma pequena gota de ignorância, um vidro inteiro de estupidez e de repente, o universo inteiro vem abaixo. Simples assim.

Fui pra casa pensando na vida. Em tudo que venho pensando desde um tempinho já. Nos meus remédios. Nas minhas decisões. Em tudo. Me escondi no primeiro banco do ônibus, atrás do motorista e fui, olhos vermelhos, até em casa.

Ao chegar em casa, sozinho, no sofá, desabei. Lágrimas.

E fazia tempo que eu não chorava (e deus do céu, como eu choro mal, não sirvo nem pra ator de novela mexicana). Mas chorei. Chorei sim, porque tava PUTO da vida com certas coisas, com certos comentários, com certas ações que as vezes nos deixam presos. Chorei porque no momento que ouvi o que NÃO QUERIA ouvir, tinha a resposta PERFEITA na garganta, pronta pra ser gritada aos quatro cantos, que ia ofender a TODOS que a estivessem ouvindo. Mas eu não falei. Não disse uma palavra. Peguei meu sobretudo, minha manta, meu chapéu e dei tchau. Como se nada tivesse acontecido.

E então, como eu disse, tudo vem abaixo. Almocei com meu irmão tranquilamente, rimos e sorrimos sobre a vida (eu falando do shopping e ele lendo a coluna "Caixa Forte", no Pioneiro. Vai entender...). E no ônibus, agora voltando ao trabalho, estava ouvindo a conversa de dois outros passageiros atrás de mim que falavam sobre um dos pontos que eu me indigno e tenho pensado muito: dinheiro X trabalho. Até onde vai o nosso limite e o nosso poder de escolha sobre ter que fazer algo que gosta e que quer e ter que fazer algo porque precisa do dinheiro?

Eu até hoje me orgulhava de não ter esse problema. De dizer com o peito estufado: "Eu gosto do lugar que eu trabalho, no que eu trabalho, e não tenho problemas com isso. Eu trabalho pelo dinheiro do fim do mês também, mas tenho satisfação no meu trabalho." É, tenho. Mas até hoje, nunca tinha chorado por causa dele.

Pode ser questão de momento apenas (quero MUITO crer que seja só isso). Mas até um mês atrás, antes de me consultar com um médico, eu era apenas um estagiário sortudo que já havia sido contratado depois de dois anos de estágio, que ganhava bem e que estava feliz da vida. Mas então, depois da endoscopia e dos exames e dos remédios para o estômago e para o stress, eu virei um trabalhador de carteira assinada com gastrite. Seria esse um bônus de tempo de serviço?

(Agora eu penso: tudo o que eu falo aqui, está disponível pra qualquer um ao meu redor, inclusive aos que me fizeram chorar. Interessante pensar nisso, não?)

E tem também a tão discutida (por mim e pela Celli, pelo menos) questão da comunicação: porque todo profissional de comunicação TEMQUESEFODER! Tudo junto, pra dar ênfase mesmo. Porque a gente tem que entregar a vida pro trabalho, ficar até tarde, não ter uma rotina fixa (minto - tomo meus remédios no horário, isso é uma rotina), deixar de lado famílias e amigos por preocupações, por serviço, por grana? DEUSDOCÉU, é só uma vida, a gente tem que viver!

Segundo a descrição do Rivotril, remédio para stress que estou tomando, ele auxilia em questões de fobia social, deixando a pessoa mais calma. Pois pra mim tá acontecendo exatamente o contrário: "Tenho 20 anos, tomo remédio pro estômago por stress, a vida é curta, tenho que aproveitar, vamos sair! Foda-se a fobia social, eu quero festa! Eu quero amigos, quero sair, fazer compras (o que aliás, é uma delícia - valeu Poletto e Lili), quero ter a sensação de estar vivo".

Quero ter a consciência que o melhor remédio para o meu stress vem da minha aprovação sobre o que estou fazendo na minha vida. É o que importa: fazer o que se ama, com as pessoas que se ama (sim, é a lição de moral de "Uma Noite no Museu 2", mas foda-se).

Por isso o título do post, verso da música do Oasis, "Champagne Supernova". "Onde estava você enquanto nós estávamos nos divertindo (traduzam o "high" como quiserem...)?" Eu sei que eu NÃO estava lá, getting high. Estava no trabalho. Me estressando. Estava em casa, trancado, com a minha, digamos, pré-fobia-social. Amargurando sentimentos e guardando eles dentro de mim como um perfeito virginiano, pra que eles explodissem meu estômago de dentro pra fora uma hora qualquer, num momento tranquilo, no meio de um gibi, talvez...

Mas não. Agora não. Depois de hoje, não. Não há chefe que vá me fazer chorar, não há frustração que vá me fazer parar para pensar na vida. Mudança drástica? Sim. Funcionará? Não sei. Mas já é alguma coisa. "Living fast, dying young", já dizia o McFly em "Down Goes Another One". E é assim que será, a partir de hoje.

(Não, eu não virar um porra-loca, gastando que nem um louco por aí. Mas não quero mais ser quem fui até hoje. Um novo Samuel. Investir em algo para mim, em arte, em aprendizado. Apreciar quadros expostos na parede, não ficar estagnado como um deles, preso.)

Tanto que nem vou tomar meus remédios para ansiedade e stress hoje de tarde. Trouxe eles, mas como estamos só em três na agência, acho que eles não serão necessários. Vou guardar eles pra de noite, que tomo os 3/4 restantes do dia de hoje e capoto de uma vez e durmo, pra esquecer esse dia infernal. E agora tenho 4 dias pra consertar o que tá errado e tomar novos rumos. Arrumar a casa (e o quarto, principalmente!). Segunda-feira eu volto. Ou não.

No mais, como diria o bonequinho do Spock que eu e a Lili temos, "Live Long and Prosper".

Vida longa e próspera a todos. E que a força esteja com vocês.

Massive Grotesque Monster Attack!

Antes de tudo, contextualização.

Terça pela manhã, aula de Tele III. Antes de sair de casa, Samuel esquece de tomar seu 1/4 de Rivotril. Ao chegar em casa de meio-dia, esquece de tomar o 1/4 da manhã e não leva o 1/4 da tarde para o trabalho. Pela noite, fica trabalhando até meia-noite passada. Ao chegar em casa, ao invés de tomar o 1/2 tradicional do rémedio, toma ele inteiro, afinal, não tomou durante o dia. Dorme levezinho, alegre. Dopado.

Quarta de manhã, vai trabalhar. Esquece de tomar o 1/4 da manhã. Ao meio-dia, fica trabalhando e almoça pela 13h da tarde junto com o chefe. Logo, não vai pra casa, não toma o 1/4 da manhã e o da tarde e fica até a meia-noite passada novamente trabalhando, regado a pizza e cerveja. Chega em casa e recebe ordens expressas de sua mãe: "Filho, não vai pra aula amanhã de manhã, tu nunca falta e tu trabalhou os dois últimos dias até de madrugada. Fica dormindo, descansando." Sou um menino comportado, não vou desacatar ordens maternas, óbvio. Tomo o remédio inteiro novamente, durmo leve, alegre. Dopado.

Duas noites dormindo dopado, sob efeitos de remédio num corpo que até então só ia na farmácia pra se pesar. O sono mais tranquilo do mundo, você imagina. Exatamente. Neste momento você deve estar pensando "Bah, certo que ele dormiu dopado até o meio-dia!". É... antes fosse. Isso caso meu sono não tivesse sido atrapalhado pelo brinquedinho abaixo...

TRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR

EXATAMENTE! Agora imagine você num sono tranquilo, dopado, leve, alegre, com o som similar a uma BRITADEIRA PERFURANDO O SEU CÉREBRO!!! Você acorda TONTO, acorda PERDIDO, e sem jeito de VOLTAR A DORMIR! E lembre-se: as duas últimas noites você tomou remédio para deixar seu corpo tranquilo. IMAGINE ACORDAR COM ISSO!

Massive Grotesque Monster Attack, eu escolho você! Pokebóla, vai!!!

Corri para pegar a câmera e registrar o momento. Era a perfeita situação tosca para expressar o post de nº 100 no blog. Corri para a janela do quarto da minha mãe para pegar o melhor ângulo (estava sozinho em casa) e, vendo que o Destruidor de Sonhos (belo nome de vilão!) não me enxergava tirando fotos, desci o dedo na câmera.

(Câmera escondida, tri malandrão...)

Minha indignação foi tamanha que, depois de tirar as fotos, meu cérebro lesado ignorou o fato de que estava vazando água da máquina de lavar da área de serviço. Digamos que eu vi que estava vazando e, ao invés de limpar, eu fui simplesmente TOMAR BANHO! Ou seja, quando voltei, estava TODA A COZINHA ALAGADA. E lá vai o Samuel limpar. Logo, lá por 12h30min, quando meu irmão normalmente chega para almoçar, com o almoço pronto, servido na mesa, ele se depara com o Samuel de chinelo (as pantufas molharam nas primeiras tentativas de limpeza ¬¬'), jeans com a barra dobrada, limpando a água com o rodo. Ah, eu tava usando o rodo ao contrário, o que não tava ajudando muito (definitivamente, não posso morar sozinho.)

"Criança desolada em meio a destruição." Óleo sobre tela, 18x24

Enfim, essa foi minha manhã de quinta. Esse foi meu post nº 100. Esse foi mais um capítulo da tragicômica vida de Samuel "Cometa" McQueen. Obrigado a todos que fizeram parte dela até hoje e que ainda farão por muito tempo. E... eras isso. Não foi poético, nem mudou a vida de ninguém. Mas deu pra rir (eu ri). E se a gente não vai rir nessa vida, vai sobrar o quê pra fazer?

BLAH

23:46, quase saindo do trabalho, rádio alto tocando "Don't Let Me Down", pessoas alegres cantando e a boa a velha certeza de que amanhã eu vou tá com sono, aqui, as 8h30. Isso se eu acordar depois de tomar o comprimido inteiro do Rivotril que eu não tomei durante o dia. Sim, eu tomo Rivotril. Chocolate de menta agora. Não sei mais o que dizer. Pessoas estranhas aparecem na nossa vida as vezes. Díficil separar elas do resto. Dois shows fodas no fim de semana. Duas bandas fodas que eu faço parte. Muita coisa pra acertar. Usem chapéu. Sejam chiques. Aproveitem o frio. Bebam por mim, já não posso mais. Gibis novos hoje. Feliz. Quero meu salário. Preciso de shows, músicas próprias e público. Quero férias. E mais um dia na semana. E preciso aprender a tocar violão. Cansei de ser inútil. Mas pelo menos ainda tô solteiro. Isso não faz sentido algum. Fui...