Hoje de meio-dia, dia 10 de junho de 2009, saí do trabalho chorando. Dei tchau pros chefes, peguei o sobretudo, a manta e o chapéu, desci com minha colega, encontrei a filha do chefe, dei tchau pras duas e fui embora. E as lágrimas vieram.
Motivos alheios, dispersos e que não vem ao caso. Um comentário ali, uma coisinha aqui, outra que não funciona aqui, mais uma que atrasa aqui, uma coisa que não dá certo, os nervos à flor da pele, uma pequena gota de ignorância, um vidro inteiro de estupidez e de repente, o universo inteiro vem abaixo. Simples assim.
Fui pra casa pensando na vida. Em tudo que venho pensando desde um tempinho já. Nos meus remédios. Nas minhas decisões. Em tudo. Me escondi no primeiro banco do ônibus, atrás do motorista e fui, olhos vermelhos, até em casa.
Ao chegar em casa, sozinho, no sofá, desabei. Lágrimas.
E fazia tempo que eu não chorava (e deus do céu, como eu choro mal, não sirvo nem pra ator de novela mexicana). Mas chorei. Chorei sim, porque tava PUTO da vida com certas coisas, com certos comentários, com certas ações que as vezes nos deixam presos. Chorei porque no momento que ouvi o que NÃO QUERIA ouvir, tinha a resposta PERFEITA na garganta, pronta pra ser gritada aos quatro cantos, que ia ofender a TODOS que a estivessem ouvindo. Mas eu não falei. Não disse uma palavra. Peguei meu sobretudo, minha manta, meu chapéu e dei tchau. Como se nada tivesse acontecido.
E então, como eu disse, tudo vem abaixo. Almocei com meu irmão tranquilamente, rimos e sorrimos sobre a vida (eu falando do shopping e ele lendo a coluna "Caixa Forte", no Pioneiro. Vai entender...). E no ônibus, agora voltando ao trabalho, estava ouvindo a conversa de dois outros passageiros atrás de mim que falavam sobre um dos pontos que eu me indigno e tenho pensado muito: dinheiro X trabalho. Até onde vai o nosso limite e o nosso poder de escolha sobre ter que fazer algo que gosta e que quer e ter que fazer algo porque precisa do dinheiro?
Eu até hoje me orgulhava de não ter esse problema. De dizer com o peito estufado: "Eu gosto do lugar que eu trabalho, no que eu trabalho, e não tenho problemas com isso. Eu trabalho pelo dinheiro do fim do mês também, mas tenho satisfação no meu trabalho." É, tenho. Mas até hoje, nunca tinha chorado por causa dele.
Pode ser questão de momento apenas (quero MUITO crer que seja só isso). Mas até um mês atrás, antes de me consultar com um médico, eu era apenas um estagiário sortudo que já havia sido contratado depois de dois anos de estágio, que ganhava bem e que estava feliz da vida. Mas então, depois da endoscopia e dos exames e dos remédios para o estômago e para o stress, eu virei um trabalhador de carteira assinada com gastrite. Seria esse um bônus de tempo de serviço?
(Agora eu penso: tudo o que eu falo aqui, está disponível pra qualquer um ao meu redor, inclusive aos que me fizeram chorar. Interessante pensar nisso, não?)
E tem também a tão discutida (por mim e pela Celli, pelo menos) questão da comunicação: porque todo profissional de comunicação TEMQUESEFODER! Tudo junto, pra dar ênfase mesmo. Porque a gente tem que entregar a vida pro trabalho, ficar até tarde, não ter uma rotina fixa (minto - tomo meus remédios no horário, isso é uma rotina), deixar de lado famílias e amigos por preocupações, por serviço, por grana? DEUSDOCÉU, é só uma vida, a gente tem que viver!
Segundo a descrição do Rivotril, remédio para stress que estou tomando, ele auxilia em questões de fobia social, deixando a pessoa mais calma. Pois pra mim tá acontecendo exatamente o contrário: "Tenho 20 anos, tomo remédio pro estômago por stress, a vida é curta, tenho que aproveitar, vamos sair! Foda-se a fobia social, eu quero festa! Eu quero amigos, quero sair, fazer compras (o que aliás, é uma delícia - valeu Poletto e Lili), quero ter a sensação de estar vivo".
Quero ter a consciência que o melhor remédio para o meu stress vem da minha aprovação sobre o que estou fazendo na minha vida. É o que importa: fazer o que se ama, com as pessoas que se ama (sim, é a lição de moral de "Uma Noite no Museu 2", mas foda-se).
Por isso o título do post, verso da música do Oasis, "Champagne Supernova". "Onde estava você enquanto nós estávamos nos divertindo (traduzam o "high" como quiserem...)?" Eu sei que eu NÃO estava lá, getting high. Estava no trabalho. Me estressando. Estava em casa, trancado, com a minha, digamos, pré-fobia-social. Amargurando sentimentos e guardando eles dentro de mim como um perfeito virginiano, pra que eles explodissem meu estômago de dentro pra fora uma hora qualquer, num momento tranquilo, no meio de um gibi, talvez...
Mas não. Agora não. Depois de hoje, não. Não há chefe que vá me fazer chorar, não há frustração que vá me fazer parar para pensar na vida. Mudança drástica? Sim. Funcionará? Não sei. Mas já é alguma coisa. "Living fast, dying young", já dizia o McFly em "Down Goes Another One". E é assim que será, a partir de hoje.
(Não, eu não virar um porra-loca, gastando que nem um louco por aí. Mas não quero mais ser quem fui até hoje. Um novo Samuel. Investir em algo para mim, em arte, em aprendizado. Apreciar quadros expostos na parede, não ficar estagnado como um deles, preso.)
Tanto que nem vou tomar meus remédios para ansiedade e stress hoje de tarde. Trouxe eles, mas como estamos só em três na agência, acho que eles não serão necessários. Vou guardar eles pra de noite, que tomo os 3/4 restantes do dia de hoje e capoto de uma vez e durmo, pra esquecer esse dia infernal. E agora tenho 4 dias pra consertar o que tá errado e tomar novos rumos. Arrumar a casa (e o quarto, principalmente!). Segunda-feira eu volto. Ou não.
No mais, como diria o bonequinho do Spock que eu e a Lili temos, "Live Long and Prosper".
Vida longa e próspera a todos. E que a força esteja com vocês.
5 comentários:
caro sam, sei como é......deixei meu penúltimo emprego mais por questões assim do que por ter arranjado outro....Mas olha o lado bom da coisa, sempre terão shows, gibis e RPG's para mestrar (no teu caso claro, ja que eu odeio mestrar RPG)....
Mas a gente sobrevive XDD
Vida longa e próspera
"Living the life I was born to live, givin it all I got to give..."
"VIVA LA REVOLUCIÓN!" (não, eu não curto revoluções esquerdistas, mas a frase combina)
Ler isso me decepcionou até um ponto....
Se eu tivesse visto isso, tipo, a uns 2 meses atrás eu entenderia, mas justo agora, depois do final de semana "HIGH" que tivemos tu vem com isso??
Só se tu percebeu o que tava perdendo e por isso explodiu né??
M:"vai pra casa então?"
S:"Sim, eu tenho que durmir,não sei...."
M:"Vamo no show do lonis ou no roxx tem kiss cover!"
S:"bah velho... não sei..."
3 segs depois
S:"TA, VAMO LAH AGORA PORRA!"
É isso ai velho!
cara.... n sei o q te dizer.
por um lado fico triste em ler isso pq eu sei q tu ta triste.
mas por outro fico feliz pq tu ta desabafando e isso pode ajudar pra n descontar no teu estômago.
só achava que ia ouvir isso num banco de ônibus. mas tu é mais sensato e consegue exprimir em palavras.
e dizer q eu te entendo n precisa. tu sabe.mas olha, já diria um sábio suricate... "quando o mundo vira as costas pra você.. você vira as costas pro mundo". Então velho... ARRAAAASA! MANDA TUDO PRA PUTAQUEOPARIUUUUUUU!!! CHUTA O BAAAAAAAAAALDE!!
VAMO INVADI!!!!! HAKUNA MATATA!!!
você é realmente, realmente estranho.
ACHO Q PRECISAMOS BATER UM PAPO SAMUCA.... CONCORDA?
ABRAÇO BABI
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