Assim Que Vamos Vencer

"É assim que vamos vencer: não lutando contra o que odiamos, mas defendendo o que amamos".

Rose Tico, senhoras e senhores.

De todas as frases de filmes, livros e seriados que consumi esse ano, essa frase da Rose no Star Wars - O Último Jedi foi a que mais me marcou, tanto que fui repetindo ela até pagar o estacionamento do shopping no guichê, só pra não esquecer. É um lembrete motivacional que pode parecer simples, mas que serve pra lembrar de algo muito importante: o ódio não pode ser combustível quando o amor é uma opção muito melhor.

Seres humanos lindos

Rose, mecânica da Resistência brilhantemente interpretada pela fofa da Kelly Marie Tran, perde a irmã no início do filme em um ato de bravura. Para ela, é claro o motivo pelo qual ela está lutando: pra que ninguém mais passe pelo que ela passou. Ela pode até odiar o inimigo, mas está lutando para defender quem ela ama.

Assistimos Star Wars por causa das guerras, porque esse é o motivo pelo qual tudo aquilo está acontecendo, mas nos esquecemos que as pessoas naquele universo odeiam aquela guerra! Se fosse por elas, não teríamos mais filmes da saga Star Wars! É legal ver as coisas explodindo, jedis lutando, naves voando, mas se fossemos nós no filme, estaríamos desejando por um fim logo. Por isso, cada um faz sua parte para que tudo aquilo acabe ou continue. O inimigo, querendo provar que está certo, segue odiando. Os mocinhos, querendo defender o que eles amam, segue lutando.

Na vida também é assim. Estamos tão acostumados a esperar o conflito e a dificuldade que aceitamos isso como o normal. Corremos o risco de usar como motivação "provar que estou certo", mas isso é combustível para mais ódio ainda. Tomei muito na cabeça esse ano esperando que as pessoas fossem boas, confiando que "fulano de tal não vai achar isso, imagina", só para descobrir depois que fulano não só tinha aquela opinião como colocava a mão no fogo por causa daquilo.

Mas sabe o quê? Eu sigo na minha crença de que as pessoas só precisam mudar o seu ponto de vista para entenderem melhor como tratar uns aos outros e como tratar melhor elas mesmas. Tenho um otimismo meio às avessas que não me deixa odiar muito. Acredito piamente que se a gente fizer tudo certinho, servimos de exemplo. Minha arma são minhas palavras e os meus canais de comunicação, onde tento colocar um pouquinho de mim e como eu penso pra tentar ajudar as pessoas, nem que seja o mínimo possível.

Consigo fazer muita diferença? Não sei. A diferença que faz um soldado em uma guerra é pelo o que ele luta. Mas acredito no que eu defendo e é assim que vou vencer: não lutando contra o que odeio, mas defendendo o que amo.

Que 2018 seja um ano em que possamos defender as coisas certas e de maneira saudável. Sejamos gentis.

E assistam Star Wars, por favor.

Protejam esses seres humanos

Sam adorou o episódio VIII.

CRÍTICA: Your Name

Assistimos nesse final de semana "Your Name", anime disponibilizado recentemente na Netflix. O filme é o anime mais assistido da história no Japão e chega ao Brasil acompanhado de ótimas críticas.



"Your Name" conta a história de Taki, um garoto que vive em Tóquio, e Mitsuha, que vive no pequeno povoado de Itomori. Mitsuha sonha em conhecer e morar em uma cidade grande e sair do seu povoado, até que um dia faz isso... no corpo de Taki. Enquanto isso, Taki acaba conhecendo como é ter uma vida mais simples - e como é ter seios - no corpo de Mitsuha. Com o tempo, as causas desse acontecimento mágico são explicadas, além da aparição de uma história muito maior que envolve todo o destino das pessoas que envolvem a vida dos dois.

Falar mais da história do filme é um pecado, pois assim como Taki e Mitsuha tentando entender o que aconteceu um com o outro, "Your Name" merece ser descoberto. O ritmo do filme pode estranhar um pouco quem não está acostumado a assistir animes ou filmes não americanos em geral. Ele pede a sua atenção: suas dicas de quem está no corpo de quem são sutis, como a maneira que Taki pega seu cabelo quando é Mitusha que está no corpo dele. É um filme que demanda atenção e tempo, mas que paga suas promessas muito bem.

Ainda falando do ritmo do filme, pode incomodar suas longas cenas em que o cenário em que os protagonistas vivem, seja a urbana Tóquio ou a rural Itomoro, mas é algo necessário: "Your Name" é um filme lindo. Se suas referências de animes são os desenhos de heróis, com seus cenários fantasiosos - e muitas vezes econômicos de traço - "Your Name" vai lhe surpreender com uma animação linda e paisagens incríveis que fazem te perguntar como que os dois personagens principais poderiam querer sair de onde estão e visitar o corpo do outro.

Taki e Mitsuha, protagonistas de "Your Name"

"Your Name" tem 1h46min e está disponível no Netflix com áudio original em japonês e legendas em português e dublagem em português. Uma versão live-action foi anunciada por J. J. Abrams, mas o original e todo o seu estranhamento e deslumbre valem a pena. Assista!

Sam recomenda assistir animes com áudio original

Quase Todo Mundo

Sempre que escrevo algum texto de opinião, ou até mesmo explicando algum ponto de vista em uma conversa, percebo que acabo usando como justificativa pra algum argumento "mas quase todo mundo faz isso".

De uns tempos pra cá tenho me policiado toda vez que chego nessa expressão, seja no mundo virtual ou real. "Mas quase todo mundo" na verdade só significa "a média da maioria das pessoas que eu conheço". O mundo tem muita gente e até mesmo o pequeno universo de cada um tem gente o suficiente pra nada ser uma unanimidade.

"Mas quase todo mundo não lê livros hoje em dia". Não. "A maioria das pessoas que eu conheço não lê livros hoje em dia" seria o correto e com certeza uma informação falsa ainda. Você não pediu para "quase todo mundo" os hábitos de um. E sabe que se se esforçar um pouco, vai se lembrar de um monte de gente que lê! E com certeza vai encontrar um grupo fechado de pessoas que gostam muito de ler e também se achavam sozinhas no mundo lá fora.

Isso não é "quase todo mundo"

Tratar em absolutos é coisa do Lado Negro da Força, já dizia o mestre Yoda, e até ele estava errado. Falamos de "quase todo mundo" quando queremos muito provar alguma coisa, porque afinal, quem irá se opor contra "quase todo mundo"?

Temos que sempre nos perguntarmos ao chegar nessa opinião que argumento eu quero que seja real e o porquê disso. Muitas vezes é até para convencermos a nós mesmos de alguma coisa. Mas na maioria das vezes essa expressão apenas esconde uma afirmação fraca por atrás que queremos muito que seja verdade.

Cuidado com o ponto de vista que você está defendendo e as palavras que você está usando para isso. Mas fica tranquilo: quase todo mundo faz isso.

Sam acha que quase todo mundo vai se identificar com isso

2.9

O maior amor do mundo. A primeira torta gif. Chantilly com glitter. Muitas emoções.


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Lição de 2017: às vezes na vida somos o Tormund. Às vezes na vida somos a Brienne. Mas 95% do tempo somos o cara que está no meio, rindo nervoso vendo duas pessoas se querendo. 


Faça boas escolhas!

2018. 30 anos. O último aniversário antes de sair de casa. Um grande ano.

Lambendo todos os chocolates

Sabe quando você está comendo um chocolate correndo o risco de alguém vir pedir um pedaço e simplesmente dá uma lambida no negócio para ninguém querer uma parte? Eu nunca fiz isso porque o chocolate nunca durou tempo o bastante. Mas imagino que isso aconteça de verdade.

Comecei a ler recentemente A Mágica da Arrumação, da escritora e arrumadora profissional de casas Marie Kondo. Você deve se lembrar desse livro como o livro que você comprou para a sua mãe há dois anos quando estava bombando e ela nunca leu. Pelo menos para mim foi assim que aconteceu.

O segundo melhor livro de mágica depois de Harry Potter

Dias atrás, em um surto de organização, resolvi pegar o livro da estante da minha mãe para começar a ler. Curiosamente, ela nunca havia tirado do plástico. Resolvi livrar o exemplar do seu invólucro que o ignorava pensando “como ela pode nunca ter aberto esse livro!” sendo que eu mesmo sou culpado de ter vários livros que nunca abri. Coisa de quem tem livro demais.

Passei rapidamente pela introdução. O livro tem uma leitura simples e fácil, e o estilo manual agrada: é simplesmente alguém te falando o que fazer. Na hora de organizar item por item, pulei o primeiro na lista dela (roupas – segundo ela o mais fácil de desapegar) e fui direto para os livros. E então que fui brindado com a máxima de Marie Kondo, um lema que ela repete várias vezes no livro nas mais diversas situações:

“A função dos livros não lidos é mostrar que você não precisava comprar aquele livro”.

Ela repete variações desse mesmo tema várias vezes no livro, como em relação aos cartões de aniversário, por exemplo: a função do cartão é ser entregue para você naquele determinando momento para celebrar aquele determinado momento. Depois disso ele é seu e você pode fazer o que quiser – inclusive jogar fora. As roupas compradas por impulso servem para satisfazer o seu impulso de comprar, não a sua necessidade da roupa em si, e por isso as peças podem ser descartadas caso você não use mais: elas já cumpriram o seu papel.

Concordei com muito do que ela falou, mas obviamente tremi na base quando se tratava de livros. Como assim, doar ou vender os livros que comprei e nunca abri! Eles tem valor... sentimental! “15% dos meus clientes nunca leem os livros que compraram e nunca abriram”. Mas eu faço parte dos 85%, Marie Kondo. Não me subestime! Eu leio meus livros!

Arya = eu

Faz um bom tempo que estou lendo As Crônicas de Gelo e Fogo, os livros que deram origem a série Game of Thrones. Cheguei ao quarto volume recentemente, mas falta bastante ainda. Para não cansar do ato de ler, procuro as vezes colocar outros livros no meio da minha leitura. Essa semana, resolvi colocar quatro.

Comecei a ler concomitantemente O Festim de Corvos, 4º volume das Crônicas, O Demônio na Garrafa, volume 1 da coleção de 60 volumes da Marvel que possuo, Receita Previsível, um livro técnico sobre a implantação de cold callings 2.0. no seu próprio negócio, e o já antes mencionado A Arte da Arrumação, da japonesa que quer descartar meus livros, Marie Kondo.

Inventei um sistema infalível de ler um pouquinho por vez em pequenas maratonas de 15, 20 e 30 minutos. É como se todas as leituras andassem juntas e eu avançasse junto com elas. Sem contar que assim não me canso de ler só As Crônicas de Gelo e Fogo, que parece que nunca terminam.

Fiz isso por uns dias, achando minha ideia genial, até que lembrei da frase da Marie Kondo: “A função dos livros não lidos é mostrar que você não precisava comprar aquele livro”.

E se eu não estivesse lendo os livros por prazer? E se eu estivesse apenas querendo provar para a Marie Kondo (e para mim mesmo) que sim, os livros eram meus e eu vou ler todos ao mesmo tempo e ela não vai tirar eles de mim?

Eu estava basicamente lambendo todos os chocolates da caixa de bombons e falando “esse é meu, esse é meu e esse é meu também. Ninguém vai comer nada agora que eu lambi tudo.”
Ninguém vai levar meus livros agora que eu comecei a ler todos eles.

Ler é gostoso

Desapegar é complicado. Não acumular é pior ainda. Anos atrás eu não tinha metade do que eu tenho e sinceramente a questão de espaço só me assombra cada vez mais. Por isso, cada vez que leio, leio com prazer: o que está em minhas mãos custou dinheiro, custa tempo e custa espaço. Se não valer a pena, não deve estar ali, com certeza.

Recentemente vendi vários livros em um sebo. Sai de lá com R$ 40 por vários livros que com certeza custaram bem mais e uma lição: o único valor que as coisas não perdem com o tempo é o valor que você dá, e mesmo assim ele deve ser avaliado de tempo em tempo.

Às vezes, vale a pena manter por perto o que você ama e avaliar o custo que as coisas tem. E as vezes, realmente, você está realmente só lambendo todos os chocolates.

Sam ama livros e chocolates

A Segunda Metade

Gosto de datas fechadas. Acho que elas são chances perfeitas pra começar a fazer algo já com um álibi: “quando fechar 13h eu começo a lavar a louça”, “no início do mês que vem eu começo a anotar meus gastos” ou, a favorita de todos, “na segunda-feira eu começo a dieta”.

O problema da dieta na segunda-feira é que existem muitas segundas-feiras no ano! Caso você realmente queira começar em uma segunda-feira, se você não iniciar agora é só esperar mais 07 dias que já vem outra, novinha em folha para você tentar mais uma vez. E se você já começa sabendo que pode não dar certo e tentar semana que vem, qual é o risco do negócio?

Por isso, aproveite porque estamos na data fechada máxima do ano. Ela é perfeita: se não hoje, só ano que vem. Estamos falando, claro, da metade do ano.

Hoje inicia-se a segunda metade de 2017. 182 dias para trás, 182 dias para frente. Assim como as duas metades da laranja, agora você tem a chance de ser outro amante, outro irmão. A pessoa da primeira metade do ano passou e ficou lá. Ela agora é um filme na sua cabeça, uma inspiração do que fazer e do que não fazer. Por isso, reprise agora o filme. Pode ser em velocidade acelerada (você viveu tudo aquilo mesmo, não vai ter spoiler).

"Sonho lindo de viver..."

Primeiro de tudo, NOSSA, você fez bastante coisa né? Lembra de janeiro, quando você achava que não ia saber lidar com o início do ano? E março, quando o verão começou a se despedir? Talvez você não tenha conquistado tudo o que sonhou, mas ok. Nessa nossa matemática das metas, conquistar 5% é mais do que conquistar nada.

Depois disso, ok, tem um monte de coisa que você não conseguiu fazer. Paciência. Teve momentos que você podia ter aproveitado melhor? Podia. Você ainda segue gordinho? CULPE O INVERNO. Não tem problema. Lembre-se, você não é mais aquela pessoa do início do ano. O que você está revendo é um documentário do que fazer e do que não fazer. E assim como todo documentário, você vai ficar com sono daqui a pouco. E sabe qual a melhor receita para não ficar com sono?

Mexa-se.

Se a primeira metade do ano foi um documentário, agora você é um seriado na sua primeira temporada que precisa de audiência para continuar no ar. Sua vida é interessante o suficiente para isso? As pessoas consumiriam você sentado no sofá ou dormindo nas tardes de domingo? O que dá mais audiência: interação entre você e outras pessoas ou você olhando para a tela do computador ou do celular? ONDE ESTÁ A EMOÇÃO DA SEASON FINALE!

Nessa segunda metade do ano, você é o diretor, o roteirista e o ator principal. São 182 capítulos esperando para ir ao ar todo dia. Se você considerar que com as redes sociais, você realmente tem uma audiência, não é tão difícil de tentar aproveitar o seu tempo da melhor maneira possível, mesmo colocando tudo no ar. Não precisa, mas caso te ajude, vai fundo. Mas o importante é começar.

Se não hoje, só ano que vem.

Sam tem consciência de que fez esse post atrasado, mas a mensagem se mantém

#HarryPotter20




2000. Eu tinha 12 anos quando tudo começou.

Lembro perfeitamente da cena: a Feira do Livro acontecendo no auditório da escola e aquele menino tímido andando no meio dos livros com dinheiro no bolso mas sem saber o que comprar (uma situação que se repente até hoje, tirando o "tímido" e o "dinheiro"), aquelas crianças andando de um lado para o outro, até que eu encontro a professora de português - a professora legal que mandava ler e escrever e não fazer contas - e pergunto:

- Professora, você sabe algum livro legal para eu comprar?
- Eu vi várias pessoas falando bem daquele livro ali.

17 anos amarelando na estante

Eu já lia muito naquela época. Pilhas de quadrinhos, X-Men e Wolverine, principalmente, mas muita coisa da Disney e da Turma da Mônica também. Os livros mais concorridos na biblioteca da escola eram os da série "Salve-se Quem Puder", que mais eram jogos de narrativa do que livros em si. Mas Harry Potter foi a primeira saga que pude colocar as mãos e falar "essa é minha".

Não lembro de como foi na época, mas pesquisando agora, vi que as datas de lançamento das edições brasileiras foram muito perto: os três primeiros livros da série saíram em janeiro, agosto e dezembro de 2000! Fomos mal-acostumados e talvez por isso tenhamos caído tão de cabeça dentro da série. Em 2001, o primeiro filme era lançado, apenas 5 meses depois do 4º livro da série. Para onde você olhava, via Harry Potter.

Pôster lindão do Drew Struzan para o primeiro filme

Hoje, Harry Potter completa 20 anos do lançamento da sua edição original. O Brasil chegou um pouco depois nessa festa, mas o número de gente que fiz amizade na vida por causa dos livros prova que só ficamos para trás nas datas.

Por causa de Harry Potter me apaixonei por Londres. A Londres, inclusive, comemora seu aniversário no mesmo dia que Harry. Na época do lançamento dos livros e até hoje, Harry Potter era uma das coisas que mais me aproximava do meu irmão. Ano passado, 16 anos depois do lançamento dos livros no Brasil, minha prima comemorou seus 15 anos com uma festa temática de... Harry Potter. Quando ela escolheu eu e a minha namorada para sermos seus padrinhos de crisma - algo nada bruxo, diga-se de passagem - demos de presente para ela os livros para ela ter a sua própria coleção. É coisa de família. E claro, uma das primeiras promessas cumpridas no namoro foi assistir a todos os filmes mais uma vez.

Eu não podia não usar essa foto

Hoje o bruxinho comemora 20 anos de nascença, mas como todo bom personagem de ficção, é como se ele estivesse por aqui a vida inteira. Parabéns Harry! Que venham mais 20!

Sam gostaria de ser da Corvinal, mas seria da Lufa-Lufa certo.

07 meses de home-office

Trabalho com propaganda desde 2006. Em 2015, junto com a minha namorada, abri minha própria agência, a Londres Comunicação, e passei a trabalhar nela em turno inverso ao meu emprego. Em novembro de 2016, a Londres tornou-se minha atividade integral. Desde então, trabalho em casa no formato home-office.

Desde que comecei a trabalhar assim, penso em fazer um post falando sobre o que aprendi. E então passaram-se 3 meses. 4 meses. 5 meses. Ontem, final de maio, completei meu 7º mês de home-office e resolvi tomar vergonha na cara. Quer encarar trabalhar de casa?

Gif óbvio

Você vai ter que aprender a se organizar

Perdi a conta de quantos jeitos já tentei me organizar. Já tentei a técnica dos 25min de trabalho, 5min de descanso (a técnica Pommodoro). Já alonguei essa técnica pra 1h. Já encolhi ela pra 15min. Já não usei técnica nenhuma. Já usei planilhas, tarefas anotadas no quadro, tarefas anotadas no caderninho, já desliguei o Wi-Fi pra ver se rende, não importa. É como fazer dieta: funciona até você cansar e voltar a comer o que quiser, sendo que nesse caso comer o que quiser é fazer o que o cliente está pedindo agora.

A dieta da vez é pegar uma folha de caderno e anotar UMA tarefa pontual pra cada santo que eu estou devendo uma vela. Só assim todos os trabalhos andam juntos. Talvez eu faça algo para alguém e fique alguma coisa para trás, mas agora só amanhã. Há uma fila de outros trabalhos que eu preciso que andem junto com isso. E é muito mais fácil riscar a to-do list quando você tem algo bem específico para fazer.

Minha lista hoje tem 24 itens. Alguns são complexos e com certeza ficaram para amanhã, mas se eu fizer 12 – e eu sei que dá pra fazer 12 – eu já fico feliz. Em uma agência de propaganda tradicional, existe um profissional que é o responsável por lhe passar os trabalhos e organizar as urgências. Mas quando você está sozinho, você é o profissional que organiza as urgências e realiza elas. Por isso...

Não perca o foco

A internet é muito mais sedutora quando não existe o risco de alguém ver você navegando. O tempo parece se alongar quando você não perde 30min indo e voltando do trabalho. Aquela hora de sono a mais é pouco quando você pode acordar e sair trabalhando sem sair do quarto. Mentira.

Gifs de gatos, só se forem trabalhando

Ser o seu próprio chefe é um trabalho que envolve se aprimorar o tempo todo. É quase como tentar salvar uma receita que deu errado enquanto cozinha. Dormi demais hoje? Tenho que acordar mais cedo amanhã. Um trabalho atrasou os outros hoje? Talvez eu coloque ele mais para o fim da tarde, ou faça ele de manhã, quando tenho mais energia. Tenho que fazer visitas? Faça tudo em um dia, para sair de casa só uma vez.

O acúmulo de tarefas é cansativo, mas é necessário e talvez até ajude a manter o foco. Você pode até querer, mas não pode e não deve se desconcentrar. E para fazer isso, vale tudo: música alta, música baixa, fones de ouvido, fechar a porta do quarto, desligar a internet, mas no caso específico de casa, é importantíssimo...

Definir limites com a família

Tenho o privilégio de ficar a maior parte do tempo sozinho em casa, mas ainda assim, somos em 07 aqui. As interrupções variam: pode ser que alguém te peça uma xícara de açúcar para fazer um bolo (tranquilo) como alguém te peça carona (na melhor das hipóteses, uns 20min gastos). Desde que seja programado, não vejo maiores problemas: “olha só, amanhã de manhã preciso de ti 30min no início da manhã, pode ser?”. A gente dá uma corrida nos trabalhos hoje (estamos sempre correndo, afinal) e amanhã tudo dá certo. O problema é quando não é só a sua presença que é necessária. É a sua atenção.

Sejamos sinceros: todos nós conversamos no trabalho, mas são conversas de trabalho, feitas para durarem 5 minutos na hora do café ou antes da reunião começar. Elas tem início, meio e fim. As pessoas da família estão acostumadas a ter essas conversas no trabalho – com os colegas de trabalho delas. Com você, elas estão acostumadas a ter conversas mais longas, não conversas de trabalho. E eventualmente, os seus 5 minutos não são o suficiente para o tanto de atenção que elas pedem de ti na hora.

Mas não leve ninguém a mal: no momento em que você está trabalhando em casa, é você que está ocupando o espaço delas. O importante é você definir os seus limites e deixar claro o momento em que elas começam a ocupar o seu espaço.

Uma porta fechada ajuda. Trabalhar em um lugar específico da casa também. E deixar os celulares e o trabalho de lado para ter conversas significativas quando os dois podem também ajuda. Porque meu amigo...

Você vai se sentir sozinho

Eu não tenho problemas em me sentir sozinho. Nunca tive. Adoro inclusive. Solidão e silêncio. A maioria das minhas atividades favoritas são feitas sozinho: ler, escrever, assistir alguma coisa. Porque eu iria me incomodar em trabalhar sozinho?

Esses dias em um bate-papo com cliente e profissionais do marketing, falamos sobre a importância do rosto na comunicação, principalmente dos olhos. É ali que identificamos o outro; é onde enxergamos e nos sentimos enxergados. E é aí que mora a ausência: eu falo com pessoas o dia inteiro na internet, mas olho no olho, só ao vivo. E isso não só faz falta como é necessário.

Dizem que os introvertidos são pessoas que recarregam as energias quando estão sozinhas e gastam quando estão acompanhadas. Logo, eu sou praticamente uma bateria 100% carregada o tempo inteiro, que precisa eventualmente de outras pessoas para se descarregar. Tem dias que programo três, quatro visitas uma depois do outra e depois volto pra casa pensando “nossa, como foi legal, mas eu achava que não gostava de pessoas!”.

Às vezes, claro, é desgastante. Tem reuniões que são puxadas e voltar ao foco depois de estar na rua é sempre demorado. Mas, se eu eventualmente sofro com essa solidão, mesmo gostando de ficar sozinho, imagine quem não gosta. O que nos leva a próxima questão.

Cuide da sua saúde

Seja a saúde mental ou a saúde física, cuide-se. E não é só fazer esteira de manhã para postar no Snapchat (meu recorde foram 03 dias seguidos). Coisas estranhas acontecem com você quando sua rotina muda.

Meses atrás, notei algumas palpitações estranhas no peito que nunca tinha sentido na vida. Foi uma semana estressante por vários motivos e especialmente naquela semana comecei a tomar café durante o dia em horários que não estava acostumado. Parece bobo, mas as duas coisas se somaram e quando eu vi, era 16h12 da tarde e era como se o Olodum estivesse tocando no meu peito.

Desacelerei. Parei. Observei. Certas coisas não valem a pena.

Atualmente, o que tem acontecido é a minha pálpebra tremer. Sabe quando o olho fica tremendo e você não tem como parar? Jogue no Google e as causas são as mesmas em todos os sites: estresse, falta de sono, cansaço.

Repita o mantra: certas coisas não valem a pena.

Home-office, 90% do tempo

Quando estamos trabalhando em algum lugar, para alguém, é fácil colocar a culpa no outro: fulano de tal está me deixando estressado. Quando trabalhamos em casa, podemos colocar a culpa no cliente: fulano de tal está me deixando estressado. Mas a atitude para não se estressar mais nunca tem que partir do outro e sim de você. Então, ao sentir os sintomas, o médico deverá ser consultado. Mas talvez consulte aquela voz na sua cabeça também, que sabe exatamente o porquê de certas coisas estarem acontecendo. E então...

Lembre-se diariamente o motivo pelo qual você está fazendo isso

A Londres surgiu como uma alternativa para juntarmos uma grana a mais e fazermos um intercâmbio (o nome se explica). Eventualmente, o intercâmbio foi adiado e compramos um apartamento. Hoje, ela foi de um serviço extra para um serviço que paga as minhas contas. E tudo acontece diretamente do meu quarto.

Não são poucos os momentos em que você pensa que podia arranjar um emprego em algum lugar e não ficar dependendo do fluxo de trabalho e de grana que entra e que sai. E quer saber: você pode! Ninguém está obrigando você a ficar em casa! Mas se você escolheu essa opção antes, é porque algum motivo você tem. Seja a liberdade, seja a solidão, seja a vontade de usar pantufas e abrigo o dia inteiro, com certeza algo de bom você vê.

O meu incentivador diário é o prédio que está subindo, tijolinho a tijolinho, em cima dos nossos esforços. É a flexibilidade, que me economiza tempo e me libera alguns minutinhos por dia para ler e escrever, minhas paixões. E é tudo o que eu estou descobrindo que sou capaz de fazer, com pouca estrutura mas com muita coragem. Quando você se descobre poderoso, é difícil querer perder esse poder.

E eu posso fazer memes enquanto uso pantufas e abrigo. Privilégio.

Sou um privilegiado

Para onde vamos daqui?

Não sei. Em 31 de julho – aniversário do Harry Potter e da J.K. Rowling – completaremos dois anos de existência. Quando eu lia sobre novos negócios, eles diziam que a maior parte deles não dura dois anos. Sinto que estamos prestes a entrar num seleto clube. E daí em diante, só melhora. As metas depois de se mudar é levar a Londres pra conhecer Londres e fechar o ciclo que se iniciou anos atrás.

Depois, só a Rainha sabe.

E assim, Sam cruzou um item da sua to-do list de hoje.

40 anos de velhos amigos

Um ano é caracterizado pela translação, movimento completo da Terra ao redor do sol que dura 365 dias. Mas como se contam os anos em um planeta onde temos dois sóis? E como se comemoram os aniversários em uma galáxia muito, muito distante?

Essa nunca foi e nunca será uma das minhas principais dúvidas em relação a Star Wars. Primeiro, porque ela deve ter explicação (tudo em Star Wars tem explicação) e segundo, porque não importa. O que importa é que o tempo passa, e Star Wars permanece.

Luke chateado por não poder comemorar dois aniversários por ano.

Minha relação de amor com a saga começou por volta de 2002, quando Star Wars: Episódio II – O Ataque dos Clones estreou no cinema. Eu lembro de ter ouvido falar do Episódio I em 1999, quando foi lançado, mas ainda não tinha sido fisgado. Mais velho, na época do lançamento do segundo episódio da série, me vi em meio ao furacão. Eu tinha 14 anos, idade perfeita para ser vítima da saga.

O SBT resolveu fazer uma maratona dos filmes, toda quinta-feira à noite, um por semana. E foi assim que assisti Star Wars pela primeira vez: dublado. Foi ali que ouvi pela primeira vez Luke Skywalker sendo chamado de “Vermelho 5”, e foi ali que surgiu o meu e-mail e uma das perguntas que mais respondo até hoje. Não, não é “Vermelho 5” por causa do cabelo. É por causa de Star Wars.

Foram algumas sextas-feiras de muito sono na aula, mas tudo valeu a pena. Depois veio o Episódio II no cinema e a enxurrada de merchandising que vem com todo filme, e quando eu vi eu já tinha livro, boneco, gibi, e um universo inteiro pra conhecer. Em pouco tempo comecei a mestrar um RPG improvisado de Star Wars para os amigos, e logo tudo passou a fazer sentido: aquilo era perfeito para nós. Era como se tivéssemos feito novos amigos de uma hora pra outra.

Han não pensaria o mesmo de nós, provavelmente.

O legal de analisar uma propriedade intelectual tão duradoura como Star Wars é tentar entender o que faz ela durar tanto tempo. Desde que me interessei pela série dei de cara com as relações entre ela e a jornada do herói, sempre com menção honrosa ao livro O Herói de Mil Faces de Joseph Campbell. Star Wars não é nada mais do que a história do escolhido que irá trazer equilíbrio e luz a um mundo mergulhado em trevas, mas dessa vez com naves espaciais, aliens e sabres de luz. E tudo melhora quando você acrescenta esse trio de ingredientes (só ficaram faltando os dragões).

Mas mais do que isso, olhando para trás hoje, Star Wars na adolescência era cada um de nós, aprendendo sobre nós mesmos enquanto éramos confrontados pelo mundo ao redor. Éramos todos um bando de Luke Skywalkers querendo ser Han Solos e procurando suas Leias por aí. Por mais influenciada que fosse por histórias milenares, Star Wars tinha um tempero especial. Tempero que já dura 40 anos.

Você está ficando velho, George.

Hoje, 15 anos depois de conhecer os filmes, a influência que a história tem em mim mudou. Eu já não me vejo mais nos conflitos dos personagens (estou mais pra Obi-Wan do que pra qualquer um dos outros – e Obi-Wan acabou se tornando o meu personagem favorito), mas me vejo nas pessoas que cresceram com Star Wars e acabaram procurando ali inspiração para fazer o que amam.

Cada entrevista com os novos atores, roteiristas e diretores dos novos filmes é sempre recheada com frases como “fazer isso era meu sonho quando criança e agora é realidade” ou “eu imaginava o que teria acontecido depois da história dos filmes – e agora eu estou produzindo elas”. Star Wars era inspiração para elas quererem fazer a sua arte, e foi fazendo sua arte que elas foram convidadas a fazer Star Wars. É um ciclo. E você vai dizer que a Força não existe?

Luke não acredita que você não acredita.

E pensar que tudo isso aconteceu quase por acidente. George Lucas tentou adquirir os direitos de Flash Gordon para fazer um filme baseado nas histórias em quadrinhos do herói de ficção científica dos anos 50. Não conseguiu. Com base no filme que ele não conseguiu produzir e inspirado pelas influências dos novos filmes japoneses que chegavam aos Estados Unidos, ele fez a sua história.

A história do primeiro filme, que hoje comemora 40 anos, foi pensada como a parte 4 de uma série de 9 partes que Lucas nem sequer sonhava conseguir fazer. Talvez inspirado pelo seu fracasso em não conseguir os direitos de Flash Gordon, Lucas trabalhou com a expectativa baixa: lançou o filme apenas como Star Wars – Uma Nova Esperança. Assim que viu o sucesso do filme, viu a nova esperança se tornar realidade e logo acrescentou o subtítulo Episódio IV, ensinando numerais romanos para uma geração e complicando a cabeça de um monte de gente que não entende até hoje como uma história pode começar do meio.

Lucas, como todos nós, começou a história como Luke Skywalker: um jovem curioso, indignado com a sua situação e tentando fazer o melhor com as suas habilidades e com o que o mundo lhe dava. Então, quando viu que não seria fácil convencer o mundo que já existia a ser como o que ele queria, Lucas criou um mundo para si mesmo . Hoje, ele empresta esse mundo para pessoas tão apaixonadas como ele poderem brincar e contarem as suas histórias.

(Não que ele goste, claro. A gente sabe que ele preferia que fosse ele o responsável por estar contando essas histórias, mas você sabe que nós somos ciumentos dos nossos próprios brinquedos.)

Hoje, pensar em Star Wars é como encarar que aqueles amigos que entraram para a turma na nossa adolescência já estão comemorando 40 anos com todos os seus sonhos alcançados e servindo de modelo para mim. Quando eu preciso me inspirar para fazer o que eu amo - escrever, criar, produzir - e quando eu preciso de motivação, eu lembro da história deles.

Star Wars me faz querer ser melhor no que eu faço de especial e deixar algo que marque a vida das pessoas. Acho que não existe melhor legado para sua arte do que você fazer as pessoas se superarem. E eu pretendo alcançar isso com a minha arte um dia.

George Lucas não pensou como se comemora aniversário em um planeta de dois sóis porque talvez ele imaginou que nunca teria que se preocupar com isso – e depois do primeiro filme, nunca mais teve tempo pra se preocupar com isso. Mas não importa. No planeta azul de apenas um sol nós comemoramos há 40 anos do mesmo jeito: desejando sempre que a Força esteja com você.


Sam pretende comemorar 40 anos com 8 filmes sobre sua vida também.

E então é fevereiro... e o que você fez?

É a mesma piada todo final de ano, desde o Natal de 1995: não, por favor, a música da Simone não.



Boa parte da agonia de ouvir essa música deve-se a piada em si, e a gravação datada que grita 1995 na primeira nota da música (a original do John Lennon, de 1971, tem a vantagem de parecer moderna em 1971!). Mas ouvir a música também faz pensar na mensagem dela: então é Natal... e aí, o que eu fiz mesmo? Que bom que Natal é só uma vez por ano: já pensou todo mês eu ser obrigado a pensar no que eu ando fazendo da vida?

E então, amanhã já é fevereiro. E aí, o que você fez?

8,49% do ano já se foi. Parece pouco, mas esses 31 dias farão falta quando você quiser guardar dinheiro para a viagem do fim do ano. "Ah, se eu tivesse mais um mês para isso...". E aquela corrida pra academia antes do verão? "Se eu tivesse começado um mês antes!". Pense um pouquinho e você logo lembrará de coisas que em questão de um mês ficaram eternizadas em sua memória. Wesley Oliveira da Silva tocou a vida inteira, mas vai dizer que não pareceu que de uma hora pra outra todo mundo conhecia o Wesley Safadão?


"91,51% é anjo, perfeito, mas aquele 8,49% é vagabundo" não rimava bem

Nessas minhas andanças pela internet, principalmente pelo blog do Tim Ferriss, cheguei a frase "what can be measured, can be managed", ou, em bom português:

"O que pode ser medido, pode ser administrado".

E nesse espírito de controle que comecei o ano de papel e caneta em mãos, pronto para perceber tudo o que acontecia ao meu redor - e melhorar.

Comecei janeiro com o objetivo de não usar cartão de crédito e anotar tudo o que gastei (tenho experiência em falir). Paguei tudo em dinheiro, pensei duas vezes antes de comprar tudo (não compro livros faz tempo) e anotei tudo em um documento do Google Docs, disponível online e offline. Independente do quanto gastei, sei pra onde foi. Tentei escrever o máximo no meu livro, mas consegui apenas 03 páginas. E, junto dos amigos, consegui manter a tradição dos encontros mensais para jogar RPG, dessa vez indo para Porto Alegre conhecer a casa de um amigo, visita que estava devendo há mais de um ano.

Agora para fevereiro, as metas são continuar se encontrando com os amigos para jogar RPG, continuar anotando os gastos (e economizando!) e escrever mais. Se parece simples, é porque é! É justamente essa a dificuldade que precisamos ter para começar a fazer alguma coisa. Nada como continuar alguma tarefa sabendo que já fazem 30 dias que você está sendo incrível nela, ou sabendo claramente o que você precisa fazer para melhorar nela. Se for complicado, você nem começa.

Para fevereiro, as novas metas são organizar meu horário de sono (7h acordado, 9h trabalhando, 22h, tudo desligado) e escrever pelo menos uma vez por semana no blog. Estou começando fevereiro com apenas um post no ano, então se eu escrever dois, já dobrei a meta de janeiro! O que eu conseguir além disso é lucro, mas não são créditos. O verdadeiro poder do hábito é te dar superpoderes para conseguir alcançar os seus objetivos, mas não seja mole consigo mesmo. Seja foda. E quando ficar na dúvida, lembre-se:

"Você é a única coisa na vida sobre a qual tem controle."

E então, próximo Natal, quando a Simone perguntar "e o que você fez", chame ela para um papo e diga: "Simone, fiz tanta coisa. Senta aqui que vou te contar."


Concentre-se em outros objetivos no Natal que vem

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Terminou janeiro e Sam não usou a Fórmula de Bhaskara