Quase Todo Mundo

Sempre que escrevo algum texto de opinião, ou até mesmo explicando algum ponto de vista em uma conversa, percebo que acabo usando como justificativa pra algum argumento "mas quase todo mundo faz isso".

De uns tempos pra cá tenho me policiado toda vez que chego nessa expressão, seja no mundo virtual ou real. "Mas quase todo mundo" na verdade só significa "a média da maioria das pessoas que eu conheço". O mundo tem muita gente e até mesmo o pequeno universo de cada um tem gente o suficiente pra nada ser uma unanimidade.

"Mas quase todo mundo não lê livros hoje em dia". Não. "A maioria das pessoas que eu conheço não lê livros hoje em dia" seria o correto e com certeza uma informação falsa ainda. Você não pediu para "quase todo mundo" os hábitos de um. E sabe que se se esforçar um pouco, vai se lembrar de um monte de gente que lê! E com certeza vai encontrar um grupo fechado de pessoas que gostam muito de ler e também se achavam sozinhas no mundo lá fora.

Isso não é "quase todo mundo"

Tratar em absolutos é coisa do Lado Negro da Força, já dizia o mestre Yoda, e até ele estava errado. Falamos de "quase todo mundo" quando queremos muito provar alguma coisa, porque afinal, quem irá se opor contra "quase todo mundo"?

Temos que sempre nos perguntarmos ao chegar nessa opinião que argumento eu quero que seja real e o porquê disso. Muitas vezes é até para convencermos a nós mesmos de alguma coisa. Mas na maioria das vezes essa expressão apenas esconde uma afirmação fraca por atrás que queremos muito que seja verdade.

Cuidado com o ponto de vista que você está defendendo e as palavras que você está usando para isso. Mas fica tranquilo: quase todo mundo faz isso.

Sam acha que quase todo mundo vai se identificar com isso

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