12. 3.0

A torta desse ano quase não saiu. Eu demorei pra decidir o tema, achei que ia perder a data de envio, quando perdi achei que não ia dar mais e já tinha desistido quando minha excelentíssima namorada disse "TU NÃO VAI DEIXAR DE FAZER A TORTA ESSE ANO". Sábia mulher.

O que é uma coisa muito 30 anos: deixar de fazer as coisas que definem a gente. O que eu mais escuto é "Não acompanho mais... Não faço mais isso... Não lembro a última vez que fui lá." Se tem uma coisa que a gente tem que se esforçar pra fazer é não deixar pra trás aquilo que nos define.

"O Samuel? Ah, aquele da torta?"

Por maior que seja o esforço, vale a pena.


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E sim: vai dar tudo certo. Que venham os 31!

Sam já está em dúvida do que fazer ano que vem

11. Pessoas Ansiosas

Tem um momento no especial “Thinky Pain”, do comediante Marc Maron, em que ele fala com o seu eu-criança que está chorando em um campo de beisebol depois de levar uma bolada na cara. Com a intenção de contar ao pequeno Marc um pouco do futuro, ele diz: “E honestamente, daqui em diante, sem mais heróis do esporte, (...), só solitários, pessoas desajustadas, viciados em drogas, pessoas que vivem à margem, comediantes, estrelas do rock, essas são suas pessoas. Acostume-se com isso”. Enquanto ele falava com o pequeno Marc, eu concordava do outro lado da tela.


Trailer do especial "Thinky Pain"

Gostamos de histórias de esportes por causa da superação: fulano treinou X horas por X anos e foi reconhecido na frente de todos. É a narrativa que queremos na nossa vida. Mas chega uma hora que, como o pequeno Marc, você vê que seu povo é outro. Foi assistindo os especiais do Netflix do Marc Maron, bem como os de John Mulaney, outro comediante que recomendo, que a identificação aconteceu. Os dois tem o mesmo estilo neurótico e ansioso de pensar demais no que os outros pensam e analisar as situações em que vivem.


John Mulaney e uma festa da adolescência. Clique nas legendas!

Além disso, os dois não são modelos da masculinidade clássica: Maron brinca que em caso de uma apocalipse zumbi precisaria de um macho-alfa para liderá-lo senão ia morrer logo, enquanto Mulaney fala de ter que retomar o controle sobre sua cachorra: “Como se eu tivesse tido o controle sobre ela alguma vez antes”.

Sempre falamos que representação importa e buscamos modelos de pessoas para seguir. Assistindo os especiais de Maron e Mulaney, percebi que as pessoas que me identifico são neuróticas e ansiosas, e que é possível lidar, fazer rir e criar arte dessa paranoia toda. E pela primeira vez, não tenho nenhum problema com isso.

E você: o que tem aceitado sobre quem você é ultimamente?

Sam nunca achou que ia gostar de stand-up comedy

10. Mercúrio Retrógrado

Mais alguns dias completo 30 anos. Sem nenhuma crise existencial - não mais do que as diárias, as semanais, e as quinzenais - e ninguém me pressionando para eu ser a pessoa que esperam que eu seja aos 30.

Afinal, sou um homem branco hétero cis gênero com emprego, oportunidades e um mundo esperando eu conquistá-lo: ninguém precisa me cobrar nada, o mundo foi feito para mim! A única cobrança que sinto é a que eu mesmo me faço, e talvez seja justamente por ter um mundo que me privilegia tanto que sinto isso.

Posso beijar a pessoa que quero na rua, posso concorrer ao emprego que desejar, posso usar a roupa que eu quiser e posso falar bulhufas na internet sem ser xingado. Posso passar incólume pela vida, sendo amigo das pessoas certas e estando no lugar certo e na hora certa, para simplesmente lembrarem de mim. “O fulano? Sim, o fulano! Grande lembrança! Nunca incomodou. Chama ele!”. Eu nunca tive alguém que não gostasse de mim, que falasse “Aquele ali? Não quero perto de mim”.

Uma vez um colega de faculdade brigou comigo por causa de algo que falei bêbado e fiquei até emocionado. Inimigos! Um pouco de drama, como os seriados americanos me falaram que seria. Que emoção, que plot twist! Mas foi tudo um mal entendido. Sigo com o mundo de portas abertas, oportunidades no meu colo e tudo dependendo apenas de mim para que aconteça. Nunca ouvi um não.

Pensando bem, dá até um nervoso. Seria mais fácil alcançar alguma coisa se tivesse alguém me impedindo. As pessoas que conquistam seus sonhos mesmo com dificuldades parecem tão felizes! Acho que a crise dos 30 é o medo da consciência de que posso fazer o que eu quiser. Fiquei com a boca seca. Deve ser mercúrio retrógrado. Faltou ar aqui. Ainda dá pra colocar a culpa no inferno astral?

Mercúrio. Sempre ele.

Sam acredita em horóscopo, mas não entende nada

09. Galeria de Arte

Imagine a cena: você está em uma galeria de arte, olhando uma obra, sem saber nada sobre ela. A obra não faz sentido: cores que não se combinam, pinceladas que não se repetem, nada harmônico. Parece que alguém pintou as patas de um cachorro e um gato e deixou eles brigarem em cima da tela. Você dá de ombros e pensa “isso é arte?” antes de seguir adiante, até que alguém diz “posso explicar para você?”.


A pessoa explica que sim, as cores não se combinam porque o artista quis representar um conflito de emoções através delas. As pinceladas não se repetem porque através das técnicas diferentes ele quis demonstrar estilos diferentes de pintura. E a falta de harmonia era justamente para chocar e fazer pensar sobre o que é arte para cada um. Não havia uma resposta certa para “isso é arte?”: o certo era gerar o questionamento, não responder a dúvida.


Estamos sempre representando um desses papéis em cada uma das coisas que fizemos. Às vezes não entendemos algo simplesmente por não ter a bagagem necessária, mas isso não é motivo para ignorar e seguir em frente. A gente sempre pode ir atrás de mais informações e aumentar o nosso conhecimento. Às vezes, temos que ser a pessoa que pega na mão de alguém e diz “vem cá que eu te explico”. E às vezes precisamos fazer algo sem a segurança de que aquilo vai ser digerido por todo mundo, mas com a confiança de que quem não entender vai querer saber mais e pode encontrar alguém pronto para explicar.


Gosto de pensar nesse cenário porque ele tem sempre um final feliz: ou alguém aprendeu algo novo sozinho, ou uma interação gerou conhecimento para um lado e satisfação para o outro. E no final, é isso que a arte ou qualquer coisa que criamos deve almejar: criar relacionamentos com valor e significado para os dois lados.

Sam adora interpretar quadros

08. Cirurgia do Coração

“Se você parar uma cirurgia de coração no meio, vai parecer bastante com um assassinato”.


Às vezes, a coisa tá feia só porque não terminou ainda. Somos ansiosos. Tem tanta coisa que conseguimos de forma imediata - novo link, novo like, novo match - que quando temos que fazer algo que demanda tempo para ter resultado, sofremos.

Dou risada quando leio sobre meditação e vejo o tempo que cada um defende: uns defendem 10 minutos por dia, outros 7, 5, 3 minutos… Já vi gente indicando 1 minuto por dia de meditação! 1 minuto é um atestado de que somos ansiosos demais para dedicar tempo de qualidade para qualquer coisa. E nessa vibe de fazer o mínimo possível para ter o menor resultado possível, deixamos para trás o benefício de dar o tempo certo para as coisas.

“Se você parar uma cirurgia de coração no meio, vai parecer bastante com um assassinato”.

As mãos sujas - do cirurgião ou do assassino - indicam que o trabalho está sendo feito. Temos que entender o que é processo e o que é resultado final.

Esperar a construção do nosso apartamento está sendo assim: andar por andar, vimos o processo, sabendo que era isso que ia trazer o resultado final, o prédio pronto. Depois de todos os andares ficarem prontos, começou a construção interna: acabamentos, piso e outros detalhes. É outra coisa pra lembrar: nem sempre o processo será às claras. Muitas vezes ele é interno e a gente tem que ter paciência e confiança. E claro, dar aquela conferidinha de vez em quando para aproveitar a jornada.

É como um bolo crescendo: você não fica conferindo ele no forno o tempo inteiro, porque sabe que o cheirinho que enche a casa significa que alguma coisa está acontecendo. Durante a cirurgia de coração, você não fica pedindo se o paciente está bem, mas fica de olho nos sinais vitais dele para conferir como estão as coisas.

Seja qual for a sua jornada, talvez as coisas só estejam na metade do caminho. Tenha paciência e observe com atenção: o coração volta a bater no final.

Sam prefere bolos a cirurgias

07. O Brasil Saiu da Copa

O Brasil saiu da Copa. Dependendo do tipo de pessoa que você é, aqui está um breve resumo do que fazer agora.

Se você acompanha futebol com frequência, já passou por isso várias vezes e sabe que esse tipo de coisa acontece. Tem muito jogo ainda, aproveite!

Se você acompanha futebol só em época de Copa e estava realmente empolgado, ótimo! Se a excitação de torcer por um time lhe fez bem, vou te contar uma novidade: tem futebol O TEMPO TODO na televisão pra você passar por esse sentimento várias vezes. E a Copa não acabou!

Se você não dá muita bola pro futebol mas gosta de ver as pessoas empolgadas com a mesma coisa, você finalmente entendeu porque o ser humano se junta tão facilmente por um objetivo em comum. Que tal usar esse senso crítico agora para escolher com sabedoria os movimentos que você vai apoiar e as massas de manobra que não vai apoiar?

E se você estava cínico com a empolgação do povo com o futebol e acha que o brasileiro tem que se preocupar com política, segurança e coisas mais importantes, tenho uma novidade: sim, você está certo, o brasileiro também tem que se preocupar com tudo isso. Mas assim como a alegria de ganhar a Copa não ia resolver os problemas do país, perder a Copa não tem que deixar você alegre. Não seja o Galvão Bueno quando diz “o Brasil perdeu, mas e a Argentina, que não ganha desde 1986?” O fato do outro estar pior não deixa a gente melhor. A sua alegria não pode depender da tristeza do outro, e isso não vale só pra Copa.

E se você não acompanhou nada da Copa e não sabe o que falar sobre isso tudo, não tem nada de errado. Às vezes, não falar nada é o melhor que temos a dizer. Vai Brasil!

Sam vai torcer pra Inglaterra

06. Independência dos Estados Unidos

Hoje, 04 de julho, é comemorado o Dia da Independência nos Estados Unidos. Nessa data, em 1776, os EUA declaravam sua independência da Inglaterra, iniciando um combate que terminaria em 1783 e daria origem ao país de hoje. Então porque não aproveitar e comemorar hoje a sua Independência dos Estados Unidos?

Não precisa ser nada radical como os americanos fizeram com a Inglaterra. É só para lembrar que existe muita coisa legal para consumir fora dos EUA. A maior parte da cultura pop que consumimos realmente vem de lá - eles não tem culpa de serem tão bons em fazer e divulgar o que fazem - mas conhecer mais do que o mundo tem a oferecer é demais.

O cinema francês, por exemplo, é sempre tratado como algo muito intelectual: “fulano tem cara de quem assiste cinema francês”. Mas você já assistiu algum filme do país da Torre Eiffel? Comece com “Amélie Poulain” e se apaixone pelo resto. E se você virar intelectual, não tem problema!



Saindo da Europa, os filmes do Estúdio Ghibli são indispensáveis para quem quer viver mais do espírito japonês com uma das suas artes mais nativas: o anime. Comece com “Meu Amigo Totoro” e perca-se neste mundo maravilhoso.



Saindo do cinema e indo para a música, os países nórdicos são muito bons em música pop de qualidade. A Suécia é berço do Abba, da Robyn e da Zara Larsson, mas a pequena vizinha Dinamarca deu origem ao Alphabeat, uma das poucas bandas que tem um primeiro álbum de pop perfeito.



E claro, não custa olhar para a própria casa. O Brasil tem muita MPB jovem de qualidade, isso sem falar no funk, que quer você goste, quer não, é produto de exportação nosso.



Isso tudo é pouco. Neste 04 de julho, fuja do McDonald’s e desbrave novos territórios. Uma coisa é certa: os Estados Unidos estarão lá quando você voltar.

Sam adorou relembrar Alphabeat

05. Comportamento Tóxico

O elenco de Breaking Bad reuniu-se para comemorar os 10 anos do início da série em uma matéria da revista Entertainment Weekly. Aaron Paul, o Jesse Pinkman, postou no seu Instagram as fotos dos atores feitas para a reunião.


Analisando as fotos do elenco, fui lendo as legendas de Aaron e os comentários, até perceber que o post com o retrato da Anna Gunn - a Skyler White - estava com os comentários desativados. É triste pensar que Aaron começou a ler o que as pessoas estavam falando e decidiu que era melhor desativar e nos deixar livres dos comentários ofensivos que faziam. Mas, 10 anos depois, em uma série sobre pessoas produzindo drogas e cometendo os atos mais terríveis enquanto fazem isso, porque só a mulher merece esse tratamento de desrespeito?


A atriz Kelly Marie Tran, intérprete da Rose Tico no Star Wars - The Last Jedi, recentemente desligou sua conta do Instagram por causa de comentários ofensivos referentes ao papel dela no filme. E ela não foi a primeira: Daisy Ridley, a Rey, também sucumbiu a ira de alguns fãs raivosos e saiu do Instagram pouco tempo antes de Kelly. E isso não serve apenas para as atrizes: no dia do aniversário da Kathleen Kennedy, atual presidente da LucasFilm e responsável por produzir os novos Star Wars, muitos dos comentários eram “achei que ela estava renunciando quando vi um post com a foto dela”.

Anna Gunn sofre por causa das decisões da sua personagem, Kelly e Daisy sofrem pelo gênero das suas personagens, e Kathleen Kennedy sofre por causa das suas decisões como produtora, mas o único papel que todas interpretam é o de ser mulher. O comportamento tóxico transforma toda arte em um filme de terror, mas a arte precisa continuar sendo feita. O que estamos fazendo para mudar isso?

Sam tem saudades de assistir Breaking Bad

04. O Dia Seguinte

Ontem, 28/06, foi comemorado o Dia Internacional do Orgulho LGBT+. Falo disso hoje porque é importante pensar nisso: o dia seguinte. Por mais que seja linda e necessária qualquer tipo de celebração, independente da causa, não podemos esquecer que no dia seguinte a luta continua. Isso serve para qualquer luta, mas para mim, a causa LGBT+ é um exemplo à parte.

A sua celebração é em busca de igualdade e proteção, mas é sempre associada com um momento feliz, onde pessoas estão comemorando a chance de ser quem elas são de verdade, com muita cor e alegria. Eu acredito que essa cor toda deixa a pessoa comum mais simpática à causa - “ah, olha lá os gays felizes!” - mas ao mesmo tempo, o excesso de glitter mascara algo mais duro.

Muitas das pessoas que celebraram felizes ontem, que se sentiram à vontade sem serem julgadas, tem que se adequar a velha realidade hoje. E é uma liberdade triste, essa que vem e que vai. Por isso, não deixe essa cor toda esconder o fato que os LGBT+ tem um dia em que não precisam de permissão para serem eles mesmo.

Estamos avançando muito na aceitação do que é diferente. Dependendo para quem você pedir, alguém vai dizer “sim, todo mundo é gay hoje em dia!”. Mas quando você pensa em minorias lutando, você não diz “nossa, não sabia que fulano era negro” ou “não tinha percebido que fulana era mulher”. Há uma invisibilidade no meio LGBT+ que faz com que exista um “antes” normal e um “depois” diferente, e é essa necessidade de voltar ao antes que a gente tem que evitar.

Como é sentir na pele?

No Dia dos Namorados, fiquei pensando nos casais gays que não puderam postar suas fotos nas redes sociais por ainda viverem em segredo. Hoje, no dia seguinte, o mesmo se repete. E é muito amor escondido para um mundo que precisa muito desse amor.

Sam gosta de arco-íris

03. ASMR

Uma das maneiras que gosto de relaxar antes de dormir é assistindo vídeos de ASMR. Sigla para “Autonomous Sensory Meridian Response”, (resposta sensorial autônoma do meridiano), ASMR é uma sensação automática do corpo para certos estímulos visuais e auditivos. Às vezes ela vem como uma coceirinha boa na nuca, às vezes como arrepio no corpo, mas cada pessoa tem uma reação única.


A Gibi ASMR não aparece nesse vídeo, mas ela tem um milhão de inscritos!

Os próprios estímulos são diferentes de acordo com o tipo de vídeo e o ASMRtist (o youtuber de ASMR): existem vídeos de sussurro, onde o ASMRtist apenas fala baixinho, contando uma história ou interpretando algum personagem; vídeos de tapping, com batidinhas de leve com os dedos ou a ponta das unhas em objetivos variados; vídeos de sons com a boca, em que você tem desde o “ssk ssk” que parece alguém testando um microfone até o som de mastigação, o famoso “nhom nhom”. Tem para todos os gostos.


A Sharon do ASMR Glow é maquiadora profissional e é ótima de seguir no Insta também

Eu lembro de sentir esse tipo de arrepio pela primeira vez quando era pequeno e ia em médicos que falavam baixinho, de forma pausada e relaxada e aquilo me dava uma sensação boa de paz e tranquilidade.


A Erin do Goodnight Moon interpreta tantos personagens que tem um vídeo só com artes que mandam dos personagens dela

É difícil expressar uma sensação corporal tão específica em palavras, então, caso não tenha entendido nada disso acima, encare o ASMR como uma simples sessão de relaxamento. Boa parte do descanso proporcionado é pelo simples fato de você parar e ter alguém olhando para você durante um tempo, falando baixinho, sem exigir nada além da sua atenção e do seu conforto.


A Taylor ASMR é um canal mais novo, mas já tem um vídeo interrompido pelo gato com medo do temporal

Em tempos tão corridos e de conteúdos tão pesados, interagir com alguém de forma tão suave é renovador. Jogue ASMR no YouTube e explore. Existem centenas de canais em português e inglês prontos para te ajudar a relaxar. E bom descanso!

Sam é meio que viciado nisso, mas recomenda profundamente

02. The Hollow

Assisti recentemente no Netflix a série animada “The Hollow” (“O Vazio” em português, um título realmente vazio) e recomendo com gosto.


A série acompanha três adolescentes que acordam em um cenário bem Jogos Mortais: sozinhos em uma sala sem janelas e sem lembrar de nada, Adam, Kai e Mira descobrem seus nomes em papéis guardados nos bolsos e uma máquina de escrever capaz de tirá-los dali. Ao saírem da sala, vão parar em uma floresta com uma cabana que parece um laboratório abandonado.

Não tente adivinhar o que acontece em seguida, já que no final do episódio eles acabam em uma cidade no deserto povoada por touros mutantes e antes de serem devorados por eles, acabam tendo que fugir de donas de casa dos anos 50 que viram zumbis que derretem no sol.

O final do segundo episódio mostra os três encontrando os Quatro Cavaleiros do Apocalipse e ajudando a salvar o cavalo moribundo da Morte e… paro por aí. “The Hollow” tem apenas 10 episódios, que passam voando e te colocam no mesmo ritmo dos personagens da série, sempre querendo descobrir o próximo passo.

A animação é excelente e as cenas de ação são bem feitas, principalmente à medida que os personagens descobrem seus poderes especiais. Mas o principal atrativo da série é o mistério. Estariam eles mortos? Ou seria uma realidade alternativa? A vibe Caverna do Dragão te faz querer continuar assistindo só para descobrir o que está acontecendo. A explicação parece meio óbvia para quem está prestando atenção, mas não decepciona.

E o final da série é excelente: apesar de deixar uma pequena brecha para continuação, a série termina explicando tudo e de maneira inovadora, me lembrando programas dos anos 90 que misturavam desenho animado e… Assistam. Vale a pena!



Sam acha que todo mundo devia assistir desenhos animados

01. Namorar é um triatlo


Nós deveríamos ser mais corajosos nessa vida depois de começar a namorar. Pensa comigo: namorar é basicamente falar para alguém:

“Então, eu sou essa pessoa muito massa com você, mas tem uns momentos em que nem eu me aguento. Tá afim de conhecer eles?”

“Olha só, eu também tenho esses momentos! Se você tá afim de conhecer os meus, eu tô afim de conhecer os teus. Vamos ser vulneráveis juntos?”

“Bora! Mas assim, todos eles? Talvez tenha coisas que nem eu saiba que estão escondidas.”

“Cara, fechou. Tu não sabe o que espera no meu armário. Tamo junto.”

“Beleza, vamo nessa.”

“Partiu.”

É como duas pessoas com metade dos ingredientes para cozinhar pratos diferentes falando: hoje a janta é com a gente. Vai ficar muito maluco, mas talvez dê certo.

Como, COMO, a gente fica com receio de qualquer coisa depois de se abrir e ser vulnerável para alguém dessa maneira? Amor é um ato de doação. Você pode doar o seu melhor para alguém que você ama sem pedir nada em troca mas sabe que vai receber algo em troca. A gente faz isso o dia inteiro, o tempo inteiro, desde criança. É incondicional. É como amamos nossos pais.

(Eventualmente, descobrimos que amar eles pode nos dar algo em troca, mas isso é história pra outra hora.)

Namorar não. Namorar, desde os seus pequenos arrombos na adolescência até aquele namoro que você fala “É isso. É esse.” é um exercício de desprendimento e confiança que deveria trazer todo tipo de benefício para o resto da vida.

Quer pedir aumento para o chefe? Você já pediu para alguém ficar do seu lado enquanto chovia porque tinha medo de trovões!

Com medo de revelar as suas ideias na reunião da firma? Você já revelou coisa bem mais secreta no quarto.

Sem coragem de encarar o dia? E a coragem de dizer “oi, quer me ver pelado e transar comigo?”. Considerando que ambas as situações podem terminar mal, você deveria se dedicar mais.

Nós deveríamos andar o dia inteiro com uma escala chamada “Você já fez isso, então não tenha medo de fazer aquilo!”. Inventem um app, por gentileza. Deixe o amor e a confiança que você ganhou no seu relacionamento expandir para sua vida inteira.

(Ou, como eu gosto de pensar: se você já teve coragem para pedir um menáge quando tudo dava certo, pode ter coragem para pedir desculpas quando alguma coisa deu errado)

Namorar é um exercício de empatia, de vulnerabilidade e de confiança. É o melhor triatlo que existe. Pratique.

E Feliz Dia dos Namorados!

Sam é melhor em namorar do que em escrever no seu blog