Imagine a cena: você está em uma galeria de arte, olhando uma obra, sem saber nada sobre ela. A obra não faz sentido: cores que não se combinam, pinceladas que não se repetem, nada harmônico. Parece que alguém pintou as patas de um cachorro e um gato e deixou eles brigarem em cima da tela. Você dá de ombros e pensa “isso é arte?” antes de seguir adiante, até que alguém diz “posso explicar para você?”.
A pessoa explica que sim, as cores não se combinam porque o artista quis representar um conflito de emoções através delas. As pinceladas não se repetem porque através das técnicas diferentes ele quis demonstrar estilos diferentes de pintura. E a falta de harmonia era justamente para chocar e fazer pensar sobre o que é arte para cada um. Não havia uma resposta certa para “isso é arte?”: o certo era gerar o questionamento, não responder a dúvida.
Estamos sempre representando um desses papéis em cada uma das coisas que fizemos. Às vezes não entendemos algo simplesmente por não ter a bagagem necessária, mas isso não é motivo para ignorar e seguir em frente. A gente sempre pode ir atrás de mais informações e aumentar o nosso conhecimento. Às vezes, temos que ser a pessoa que pega na mão de alguém e diz “vem cá que eu te explico”. E às vezes precisamos fazer algo sem a segurança de que aquilo vai ser digerido por todo mundo, mas com a confiança de que quem não entender vai querer saber mais e pode encontrar alguém pronto para explicar.
Gosto de pensar nesse cenário porque ele tem sempre um final feliz: ou alguém aprendeu algo novo sozinho, ou uma interação gerou conhecimento para um lado e satisfação para o outro. E no final, é isso que a arte ou qualquer coisa que criamos deve almejar: criar relacionamentos com valor e significado para os dois lados.
Sam adora interpretar quadros



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