O Não-Dia do Blog

No dia 31 de agosto é comemorado o dia do blog. Segundo o site do Jimmy Wales (o Wikipédia, saca...), esse dia foi escolhido porque sua grafia lembra a da palavra blog.

Claro. Toda pessoa em sã consciência enxerga BLOG em 3108.

(Blogueiros não são pessoas em sã consciência, que isso fique bem claro)

Estamos bem longe do dia 31 de agosto. Lembro que na respectiva data, esse ano, fiz o mesmo comentário estúpido acima no Twitter. No Twitter sim, aquele passarinho azul que aos poucos tá matando o blog (junto com seu parceiro sacana Tumblr, o rei da putaria). Já falei aqui isso antes, mas de vez em quando me lembro de certos posts que hoje não daria nem sequer um tweet. Hoje lembrei nostálgico desses dois aqui, singelamente chamados "Highway To Hell" e "Stairway To Heaven", falando sobre a minha prova da auto-escola. Postei os dois no mesmo dia, na empolgação, na ida e na volta da prova. Na época, geraram 7 comentários. Hoje, provavelmente passariam desapercebidos no meio da enxurrada de tweets que temos todos os dias.

Mas voltando ao assunto principal, o que me leva a discutir o dia do blog hoje, em 29 de novembro é que, como já escrevi aqui no blog, tenho um certo horror a datas comemorativas, no estilo "Dia do..." (como o inesquecível post do "Dia do Orgulho Nerd"). Essa coisa de "hoje é Dia do Pintor de Rodapé, vamos todos olhar nossos rodapés e valorizar essa profissão tão querida" me incomoda. Nós não deveríamos ter uma data em especial para aprender a valorizar algo, deveríamos fazer isso automaticamente! Por exemplo, o "Dia do Doador de Sangue" não deveria ser incentivo para todos doarem, deveria ser um dia para escutarmos "If You Want Blood (You've Got It)" em alto volume na rua! Doar sangue seria muito mais divertido.



O tipo sanguíneo de Bon Scott era "A-peritivo" Tu-dum-tssss!

No caso dos blogueiros, a situação é mais radical. Acompanhem o raciocínio: segundo o Wikipédia, no Dia do Blog, cada blogueiro deveria deixar uma mensagem em seu site indicando outros blogs para serem lidos. Isso é uma prática corriqueira dessa ferramenta, seja indicando, seja colocando na barra de rolagem do site... Ou seja, é levemente descartável. E hoje em dia as coisas giram ao redor do Twitter meu bem... quem consegue integrar as duas plataformas (e não ser irritante) tem uma mina de ouro e de leitores em suas mãos.

E o ponto de crucial: o blogueiro não pode ter o "seu" dia. Quem tem blog sabe como é: a gente posta justamente quando "não é" o nosso dia. Quando tudo dá errado. Quando tu se molha na chuva. Quando o pneu fura. Quando tu não dorme por causa dos vizinhos. Quando a festa é terrível e tu acaba num bareco as 5h da manhã. Tal qual os desaniversários da Alice, os "não-dias" do blogueiro são justamente aqueles em que ele vai tirar de uma experiência terrível um aprendizado imenso. E com certeza, a primeira coisa que ele vai pensar é: "NOSSA... eu preciso postar isso, logo!".


XKCD e as verdades da (minha) vida (clica que vale a pena)

A angústia é a alma do negócio. Li um livro para a faculdade esses dias (um dos poucos - e bons - que já li nesses cinco anos) que identificava todo o fazer jornalístico com a angústia, esse sentimento tão mal visto. Mas assim como blogs não são algo específico do jornalismo, tão pouco a angústia pertence a nossa classe também (mas cai bem em nós, confesso). Músicos, escritores, todo tipo de pessoa que se envolve em criação já sentiu isso, essa urgência em falar de algo que precisa sair antes que exploda nossa mente. É exagerado mas é bem assim.

Logo, não tem como planejar algo que vai explodir a nossa mente para ser lembrado em um dia específico do ano. Imagina guardar essa angústia para ser lembrada só no fim de agosto? As pessoas na rua comentando "hoje é Dia do Blog, muitas pessoas irão se livrar de suas angústias hoje, já que é dia delas..." Hãn hãn...

Abaixo o Dia do Blog. Comemoremos nossa angústia em todos os nossos não-dias.

Nós merecemos.

Sam estava angustiado para escrever esse post.

Fórmula

"Aqui você escreve alguma frase engraçadinha em itálico de algum autor desconhecido ou uma letra de música"

No primeiro parágrafo você viaja. É o tradicional nariz-de-cera jornalístico. Se o assunto do texto é sobre os malefícios da vida moderna, você começa falando sobre a sopa que comeu no fim de semana. Se o assunto é a sopa que comeu no fim da semana, você fala sobre a última vez que jogou videogame. Se o assunto é videogame... o post vai ser enorme, cuidado.

Mais ou menos no segundo parágrafo o seu leitor ainda estará perdido. Aos poucos então você vai definindo o assunto do texto, dando os parâmetros sobre o que será abordado. Provavelmente uma frase começará com “Enfim...”. É quando você cansa de enrolar o leitor e começa a finalmente falar o que interessa. Enfim...

No terceiro parágrafo, enfim, a contextualização. O leitor então descobrirá que o assunto que leu já é corriqueiro no blog. É no terceiro parágrafo que você citará algo que com o leitor possa se identificar, seja em sua vida pessoal ou na vida do blogueiro que escreve (ou seja, é mais ou menos aqui que você começa a falar da difícil relação que tem com sua mãe). O leitor acabará esse parágrafo com a sensação de “eu já li sobre isso, mas vamos lá, já li três parágrafos mesmo”.

(Então você escreve algo em itálico e entre parênteses, como se estivesse falando algo que o leitor não pudesse saber, mas mesmo assim, você conta. O que é uma atitude idiota, já que isso é um blog público e você é megalomaníaco e deseja secretamente que ele atinja o maior número de pessoas possíveis para que todos saibam da sua vida. Você não é assim? Ok, então além de megalomaníaco é mentiroso...)

A essa altura, você já chegou a uma conclusão junto com o leitor, daquelas que você pontua a certeza com um simples “fato” no final da frase. Fato. Caso ele ainda esteja lendo, dê parabéns a ele, você tem um leitor fiel. Caso ele não esteja lendo e seja tão disperso quanto você, você realmente deve... ESQUILO!

Já estamos quase no fim do post. Não se prolongue: se você ainda não entregou o que o leitor quer ler, basta somente um CTRL + T no teclado para uma nova aba do navegador se abrir, pronta para mostrar o maravilhoso mundo da internet, onde os posts acontecem mais rápido e as pessoas não se enrolam tanto. Aliás, de enrolação você entende: você foi capaz de fazer um post inteiro mostrando que o seu blog segue o mesmo estilo de texto sempre, uma fórmula, e que é exatamente isso que faz com que o leitor volte a ler ele. Personalidade.

Aqui você sorri por dentro quando percebeu que, mesmo sem querer, chegou onde queria chegar desde o início: tanto você, leitor, como eu, blogueiro, sabemos exatamente como escrever no Cometa Diário. E sim, você ainda consegue escrever um post em pouco mais de 20 minutos sobre um assunto mundano e não tinha desculpa por ficar tanto tempo sem postar.

Realmente, não existe inspiração. Apenas uma boa e velha fórmula a ser seguida.

Aqui você começa a postar frases curtas e em escadinha.

O importante é ser sempre menor que a de antes.

E então, conclui com uma carinha feliz.

=)

Sam escreve algo em itálico e na 3ª pessoa aqui.

Pela Cadeira de Noção

(Uma "ode ufanista" ao jornalismo escrita para o nosso informativo da cadeira de Redação Jornalística III e que vai abrir a página 2. Além dela, o jornalzinho vai ter mais duas matérias minhas, sobre intercâmbio e escotismo. Não sei se concordo com tudo o que disse, mas não adianta chorar sobre os caracteres digitados né... ;-)

Me lembro uma vez de uma comunidade do Orkut chamada "pela cadeira de noção". Como era bem explicado no perfil da comunidade, ela apoiava a instauração de uma cadeira de "noção" na faculdade, para tentar dar um pouco de bom senso a certas pessoas que entram no ensino superior com a mentalidade do ensino médio e acabam complicando a vida dos colegas em trabalhos em grupo, convivência pessoal e relacionamentos.

Depois de quase cinco anos no curso de Jornalismo, sou categórico em afirmar: sou a favor da cadeira de noção. Mas não no curso de Jornalismo. O motivo é simples: ela simplesmente destruiria o próposito do curso com todas suas forças e faltariam comunicadores no nosso dia a dia, dos fazedores de grandes reportagens aos operadores de TP. 

Por que isso? Convenhamos: quem, com um mínimo de noção, tornaria-se jornalista? Encarar madrugadas a fio escrevendo, investigando, checando fontes, tudo na base da cafeína? Encarar a cobertura de um comício político tendo que escolher entre ficar no frio da bancada da imprensa, que corre o risco de cair com tantas câmeras em cima, ou ficar no calor do povo, escapando das bandeiradas?

(Aliás, se for para dar sugestão, que instaurem cadeiras no jornalismo que sejam integradas com Educação Física. Seriam muito mais úteis pras nossas formas rotundas de falta de exercício e cervejadas no happy hour)

Espremer-se entre outros jornalistas para conseguir a melhor foto. Esquecer da possibilidade da multa em troca da possibilidade do furo. Encarar nosso salário. Enfrentar nossa jornada de trabalho. Esquecer do nosso diploma... chega uma altura do campeonato em que você pensa: por que mesmo eu não fiz Engenharia?

A resposta é simples: porque você gosta de jornalismo.

Essa é uma conclusão que a gente só sente na pele. Só sente quando aquele crachá escrito "Imprensa" pesa no pescoço. Quando o Chatô pesa no ombro. Quando nosso vídeo é exibido na tela. Quando o nosso nome tá escrito no jornal. Por isso, reafirmo: instaurem a cadeira de noção. Mas não no jornalismo.

Nós não temos nenhuma noção.

E gostamos disso.

Sam não tem noção.

2.2

Relembrar é viver.

19

20

21

E esse ano... uma torta de família.

22

Já dizia o sábio:

"Growing older is not an excuse for growing up"

Falou e disse ;-)

Sam ainda é uma criança que não quer crescer.

Sociedade, com João Tulipa

Uma flor de colunista

Ele pode não ser mais tão ruivo como era antigamente, mas tudo bem. Prestes a completar 22 anos, Samuel da Rosa Rodrigues, ou Sam, orgulha-se de ter em seu séquito de apelidos os codinomes "vermeio" ou "REDator", como é chamado pelo chefe. O cabelo ruivo já deixou sua marca, assim como os pés inquietos e o olhar introspectivo por cima dos óculos, sempre com aquela cara de "sim, eu sei mais do que devia".

Filho de Reinaldo e Sandra Rodrigues, Samuel divide-se entre apelidos e as diferentes tribos que frequenta. O Samuca da faculdade divide espaço com o Cometa do colégio e das bandas e ao mesmo tempo ambos coexistem com o Sam McQueen da internet ou o queridíssimo Muca, em casa. E você pode ainda chamá-lo de rato podre que ele jura que não se importa!

Nesse papo bacana que tivemos com ele em seu quarto pintado com as cores da Irlanda, Sam fala sobre sua paixão por quadrinhos, sua coleção de chapéus, sobre como é idiota conduzir uma entrevista falsa consigo mesmo e, claro... camisas xadrez! Confere aí.

Vamos começar definindo quem é quem: onde termina o Cometa e começa o Sam McQueen? E como cada um deles surgiu?
O Cometa surgiu no 1º ano do Ensino Médio, no Colégio São Carlos. Um amigo meu viu o cabelo vermelho (que era mais vermelho na época, diga-se de passagem) e resolveu apelidar assim. E ainda tinha o seriado "Full House", que tinha o cachorro Cometa, e a gente adorava comentar sobre ele. O Tio Jesse era demais. O Sam McQueen surgiu um tempo depois, quando eu fui criar um personagem de RPG inspirado no Oliver Queen (Arqueiro Verde, personagem da DC Comics) e acabei escrevendo Oliver McQueen, achando que estava certo. Esse Oliver McQueen (que mais tarde virou "O Velho Irlandês Safado") teria um filho na história, que se chamaria Sam McQueen. Na época, assisti o primeiro filme dos Transformers e coloquei  no nick do MSN o nome "Samuel James Witwicky", em homenagem ao personagem principal interpretado pelo Shia LaBeaouf. Depois de um tempo, quis tirar esse nome e por algo diferente. Lembrei então do Sam McQueen, que logo assumiu o Orkut, o blog, o Twitter e tá aí até hoje.

Falando em Transformers, o diretor Michael Bay, na época do lançamento do filme, não dizia que era um filme nerd, e sim, a história de um garoto e o seu primeiro carro. Como você enxerga ele?
Transformers pra mim é praticamente uma auto-biografia! (risos) Sério, filme nerd ou não, é sobre um cara chamado Sam que adora robôs gigantes, tem um carro estranho com vida própria que se transforma em um Autobot e pega a Megan Fox. Eu poderia ter protagonizado aquele filme sem problema algum, vivo ele todo dia.

Tirando o fato que você não pega a Megan Fox e o seu carro não é um Autobot, claro...
Vocês não tem como provar isso.

Ok, próxima pergunta... seu irmão faz jornalismo também e, como todo mundo adora lembrar, ele já está trabalhando na área e fazendo mais jornalismo que você, sendo que ele cobriu um assalto no Twitter que lhe rendeu nome na cidade e você acabou se tornando o "irmão-do-cara-que-cobriu-um-assalto-no-Twitter". Como é a sua relação com seu irmão?
Primeiro: EU COMECEI A COBERTURA DO ASSALTO E O SMARTPHONE ERA MEU! A minha relação com o meu irmão é ótima, se não fosse por ele, eu não teria atum no almoço de vez em quando, já que é sempre ele que abre a caixinha, mesmo odiando peixe... (risos). Não, sério, o meu irmão é um cara que vai longe no jornalismo. Mas longe mesmo. Eu me vejo daqui a uns anos indo tirar ele de alguma prisão no leste europeu, sabe? Ou na China. Mas tenho certeza que, influência minha ou não, ele tá na profissão certa e um dia eu ainda vou ser o "irmão-de-um-grande-jornalista". Até lá, tenho atum garantido no almoço.

Falemos de música agora. Ser louco por música já o levou a...
Mandar o baterista de uma banda sair do palco porque ele não queria tocar uma música que eu sabia tocar. No final, ele tocou - bem errada. Ah, e eu já fiz 4 shows com 3 bandas em 2 dias. Me vanglorio disso pra todo mundo, por isso é sempre bom lembrar.

Receita de sucesso?
Unir o útil ao agradável sempre. E se possível, pôr um pouco de mostarda.

Um gosto inconfessável.
Comprar camisas xadrez. Ok, não é inconfessável, mas foi onde começou minha paranóia por roupas. E foi aí que tuuuuudo mudou... hojte tenho uma pra cada dia da semana e sobra. AH! Sou apaixonado por musicais. Esse acho que é meio inconfessável.

Gostaria de ter sentado do lado de quem na escola?
Dos meus colegas atuais de banda, daí quem sabe a gente teria começado a tocar mais cedo, quando era mais novo. Tudo seria diferente hoje em dia. E queria ter sido colega do Tom Fletcher do McFly e da Amy Winehouse quando os dois eram colegas na escolinha infantil. Magina que fofo!

Com que mensagem encara o mundo?
"Sorry, no donuts for you."

Se viesse ao mundo com legenda ou bula, o que estaria escrito?
"O Ministério da Sabedoria da Vó informa: não mistura com leite que dá revertério!"

A palavra mais bonita do português.
"Mas que formosa!", disse o Manoel pra Maria.

Gostaria de ter sabido antes que...?
A gente realmente só dá valor pras coisas quando perde elas. E que se tira os parafusos da calota do carro com a roda no chão.

Como conjuga o verbo amar?
Bem exagerado, tipo, A-M-E-I!

Frase favorita.
São três. A terceira é "escuta aqui Samuel!", com a menina de mão na cintura e batendo o pé no chão braba; a segunda é "claaaaro que o Samuel conhece essa música" e a primeira é "você estava certo... House".

Não coloca a mão no fogo...
Porque queima. Dããã.

Eu sou...
Samuel. Prazer.

Hábito do qual não abre mão.
Blogar. É o login de usuário e senha que preencho com mais orgulho.

Maior legado que você pretende deixar.
Minhas músicas, meu blog e... uma pirâmide.

Na hora do aperto, que santo chama?
Aquele que está lá em cima e sempre intercede por nós... Superman.

O melhor lugar do mundo?
Uma festa no terraço com meus amigos e gente bacana e bonita tocando "On Fire" do Phoenix

E a pergunta que não quer calar...
Quem está cuidando do coraçãozinho de Sam agora?

E a resposta...?
Minha cardiologista.

Bebida: Strong Golden Ale, da Eisenbahn
Acessório: correntinha de trevo de quatro folhas no pescoço
Música: "I've Got You Under My Skin", Frank Sinatra
Viagem: a melhor, São Paulo; a sonhada, Irlanda
Coleção: chapéus, bottons, quadrinhos, bonequinhos... coleciono coleções
Livro: Red Rocket 7, do Mike Allred

Sam A-M-O-U entrevistar Sam

Cometa Diário: Ano Dois

Sexta-feira passada, dia 23, o Cometa Diário fez dois anos. Eu ia fazer um post todo bonitinho, porque afinal, eu gosto de relembrar datas toscas e comemorá-las de forma especial (DIA DA ÁRVORE, UHUUU!!!) mas naturalmente atrasei. Mas como as coisas sempre acontecem por aqui, o atraso adicionou bastante ao que eu queria escrever. E como sempre acontece por aqui também, hora do conto do Titio Cometa!

Quinta-feira passada, leseira total no Leeds, por volta das 23h, a diversão era criar listas. Eu e mais três criaturas da noite (a Lili e o Ale, como sempre, e o Marcelo) começamos naquelas bem básicas, estilo Friends: cinco atores/atrizes que você gostaria de levar para cama, cinco cantores/cantoras que você levaria para cama, cinco pessoas que você daria um soco, cinco filmes que você gostaria de ter criado, cinco livros que gostaria de ter escrito, cinco músicas que gostaria de ter feito e foi e foi até que chegamos aos cinco dias que você gostaria de viver de novo.

Quando comecei a pensar no assunto logo fui enumerando dias que por coincidência acabaram ganhando posts aqui: o dia que perdi meu celular na praia, o dia do meu primeiro porre, o dia do nosso show em Novo Hamburgo, a minha viagem pra São Paulo, a viagem pra Curitiba com meu irmão, a primeira viagem de carro... experiências bacanas, que apesar de quase sempre envolverem festa, bebida e rock and roll, tem todas um quê de auto conhecimento e foram muito valorosas na minha "formação" nos últimos tempos, digamos assim.

Mas fato é que, pensando melhor, a maioria desses dias aconteceu... nos últimos dois anos! Estou a menos de dois meses de completar 22 anos e comecei a viver aos 20! Ok, 19 anos, vamos dar um desconto. Mas o que eu fazia com a minha vida antes disso?! É algo a se pensar mesmo. E eu ainda tenho cara de dizer que me sinto velho as vezes e me permito ser nostálgico e relembrar pesaroso a aurora da minha idade... tsc tsc tsc.

Há tempos que defendo a idéia de que as pessoas ficam mais velhas cada vez mais novas. Poderia culpar o tempo, já que se em 1973 o Pink Floyd cantava em Time "every year is getting shorter, never seems to find the time...", imagina hoje (sendo que essa frase é de um texto mais antigo ainda), mas não. O que acontece são pequenos acontecimentos que não nos tiram tempo de vida, mas começam a colocar pesos amarrados aos nossos pés e a gente começa a se arrastar por aí sem saber o que fazer. Começar a assinar cheques é um desses pesos. Descobrir que tem gastrite também. Ficar em casa querendo sair, sair de casa querendo ficar, ler os scraps dos outros pra ficar por dentro da vida alheia... tudo só atrapalha.

(ah, se tu se escutasse Samuel... que diferença faria!)

E nesse misto de correria e pesar a gente esquece e nem percebe o bacana da vida. A gente faz o bolo correndo e esquece os tão queridos confetes da cobertura. A gente deixa passar em branco o sorriso de satisfação da tua priminha quando ela acerta o significado das palavras em inglês que tu pediu pra ela. A gente esquece o dia que ouviu 19 vezes a música daquela banda desconhecida que você descobriu sem querer e se apaixonou. A gente não se lembra de nenhuma das vezes em que combinou de morar sozinho com algum amigo e apaga da memória o dia em que alguém te pergunta "nós vamos ser amigos até ficar velhinhos né?".

(E isso não acontece só com crianças de 12 anos em filme de Sessão da Tarde. Acontece no meio de uma tarde de trabalho estressada também e acredite: muda tudo)

Resumindo a missa, se eu pudesse viver aquela quinta-feira de novo (e eu viveria, se não fosse a certeza de muitas quintas-feiras lesadas pela frente...), eu adicionaria na minha lista o dia 23 de julho de 2008, quando comecei o Cometa Diário. Ele fez parte de mim nos últimos dois anos, registrando e me fazendo refletir sobre minha vida. Como um livro, ele formou toda uma mitologia desse universo que eu vivo e além de experiências novas, me trouxe amigos e amigas e junto com eles fez eu me conhecer muito melhor. E eu sei que teve um dedinho na vida de muita gente também.

E acima de tudo, ele é importante porque me faz lembrar justamente esse tipo de coisa que a gente esquece as vezes: amizade. Que ele sirva pra mim lembrar e valorizar as minhas e ajudar a quem ler lembrar e valorizar as suas e por aí a gente vai, mudando uma pessoa do mundo por vez... um propósito bem digno, diga-se de passagem.

Estou de volta, sem nunca ter ido embora. E como um bom anfitrião, só tenho um pedido a fazer...

Sintam-se em casa.

=)

Sam acredita que o hoje será o ontem de amanhã. E fica muito confuso com essa frase.

Refúgio

Repouso. Recinto. Recanto. Redoma. Refúgio.

Palavras parecidas que tem o mesmo significado. Um lugar pra fugir do mundo, nem que seja por pouco tempo. Um lugar pra encontrar segurança, nem que seja segurança pra se atirar de cabeça numa piscina vazia. As vezes é um lugar, às vezes é uma droga, às vezes é um estado de espírito. Eu e meus amigos temos "A Chácara", assim mesmo, com as aspas e letra maiúscula. Ela não tem piscina, mas acredita: a gente se atira de cabeça do mesmo jeito.

Digamos que repousar foi o que a gente menos fez...

Fui pra lá a primeira vez em 2003, quando conheci a turma com que vou sempre que possível. Inclusive uma dessas idas já apareceu algumas fotos bem constrangedoras nesse post aqui. Esse ano foi novidade: pela primeira vez tínhamos dinheiro pra comprar e íamos com nossos carros! (o meu Turquesa, na real... grande garoto \o/). E dinheiro + carro = segurança pra levar muita bebida. Sim, foi punk.

Antigamente éramos inocentes: íamos para jogar RPG, levávamos até panos de prato, tomávamos banho, escovávamos os dentes e virávamos as madrugadas destruindo monstros e conversando na escuridão dos quartos sobre amores impossíveis, as gurias que a gente não pegava e como nós éramos "figurinhas num álbum universal, procurando a sua figurinha par brilhante que completa o seu desenho". Mas claro, tudo muda. Sintetizando: foi na chácara que comecei a beber. E o resto da história vocês já conhecem...

Como diria a Lili, "chega uma hora na vida do cara que todas as fotos tem um copo na frente né?"

Sabe "Se Beber Não Case"? A gente fez um pacto na sexta-feira no melhor estilo do filme: o que acontece na Chácara, fica na Chácara, e o que a gente esquecer vai se lembrar nas fotos depois. Olhando os registros, agora digo com certeza: se beber não case, não tire fotos, não filme, não faça nada que você não tenha certeza de que não vai lembrar depois. Sério. Seguem provas abaixo.

Começa assim

Continua assim

Vai ficando perigoso

E acaba assim
Fizemos esse vídeo na sexta de noite e eu só lembrei dele no domingo, quando assisti em casa! Mals aê galera, não foi pro YouTube mas foi pro Blogger...

E isso foi só na sexta feira. Ainda tivemos todos os momentos clássicos de ir pra chácara: cantar as músicas da trilha sonora do Rei Leão com direito a coreografia; relembrar as aulas de educação física do colégio; tocar o sino do lado de fora da casa e gritar "OS INGLESES ESTÃO CHEGANDO!"; cantar animado os maiores sucessos dos Backstreet Boys e das Spice Girls jogando sinuca e gritar em algum momento do dia "SCOTTY DOESN'T KNOW! SCOTTY DOESN'T KNOW! SCOTTY DOESN'T KNOW!" como se nossas vidas dependessem disso. Isso sem contar os momentos em que a gente se lembrou dos fatos antigas das outras chácaras, o que nos deixa com aquela sensação de "estamos velhos, porém felizes". Pura nostalgia.

(Aliás, a trilha sonora da chácara sempre alterna momentos clássicos com novidades: as coletâneas "Músicas para Dançar Pelado", "Rock Antigo. E bem bom.", "Bem Boas de Dançar, ok?" e "Músicas com garotas cantadas por garotas para garotas ouvirem [gravada por um cara]" foram muito bem recebidas, sem contar a noite de sinuca e jazz ao som da Jazz Six, do Luis Fernando Veríssimo. Poesia pura.)

Engraçado é a gente lembrar de tudo isso, considerando que secamos um garrafão de 4,55 L em três na primeira noite!

Ok, a gente não foi lá só pra beber. Tanto que até jogamos RPG realmente! Mas eu lembro bem o motivo pelo qual eu comecei a beber na chácara, há alguns anos atrás: eu não ia ter que voltar pra casa no dia seguinte e sabia que estava cercado de amigos que iam ficar do meu lado caso desse alguma merda. E isso se prova cada vez mais toda vez que a gente vai lá. Já foram conversas, já foram brigas, já foram crises surpresas de taquicardia (aliás, existe uma crise planejada de taquicardia?), já foram confissões... a gente basicamente vai lá pra viver uns três dias intensamente e no final das contas juntar os pedacinhos e seguir em frente com o que sobrou.

E mesmo que no último dia bata aquela deprê que tu vai jogar sinuca sozinho ouvindo Janis Joplin (aliás, "JANIS! BEBÊ CHORÃO! JANIS! BEBÊ CHORÃO!" - sorry, piada interna...) ou sair pra tirar foto das plantas no meio do mato (ok, só eu faço isso), o importante é que sempre fica aquela vontade de fazer mais, de ficar mais uns dias, nem que seja na base do sanduíche de presunto e queijo.

Flores são gays

E mais ainda, fica a certeza de que, independente do jeito que a gente toca nossa vida na chácara, fica um mandamento de síntese que dá pra levar pro resto da vida.

Se a alma condena... a gente faz valer a pena.

E que venha a próxima.

Sam não confia no seu fígado, mas confia no iogurte pra curar a ressaca.

Cinebiografia

“Só se vive uma vez. Mas do jeito que a gente vive, isso é mais do que o suficiente.”

Vi essa frase na cinebiografia do cantor austríaco Falco esse fim de semana. Mesmo fora dos tradicionais celeiros de rockstars, como Inglaterra e Estados Unidos, Falco, cujo nome real era Johann "Hans" Hölzel despontou no circuito underground de Viena (?) e dali partiu para o sucesso na Áustria, Berlin, Alemanha e o resto do mundo, sendo um dos primeiros na Europa a incorporar elementos do rap ao pop e rock.

Amadeus, amadeus... ô ô

Sua trajetória foi digna de um rockstar, com todos os clichês que essa carreira permite e exige: começo humilde e inovador, sucesso avassalador em pouco tempo, drogas, dúvidas quanto à paternidade de filhos, prisões, drogas, ressuscitação nos camarins antes de shows para 10 mil pessoas, drogas... enfim.

(Rockstar é que nem sogra: são todos iguais, só mudam o endereço.)

Falco vivia intensamente, como manda a cartilha da música (ou seria a partitura?). E viver intensamente não é não é o tipo de coisa que se planeja; simplesmente acontece. Eu não lembro direito quando foi o momento em que comecei a pensar em levar a vida mais intensamente. Se eu algum dia merecer uma cinebiografia da minha vida (e ela será feita, estou trabalhando nisso), a cronologia dela seria confusa, com certeza. Como numa monografia, descobrir a resposta para essa questão norteadora não seria uma busca e sim, uma cruzada.

“Quando foi que você começou a viver?”

Os momentos intensos alternam-se com os períodos em branco. O primeiro beijo. O primeiro porre. O primeiro domingo em que você dormiu onze horas e só viu o sol quando chegou em casa de manhã, cheirando a cigarro e cerveja. A primeira vez que você sentou no seu carro. A primeira vez que você fugiu no seu carro. Uma baqueta quebrada na hora errada. Você apagado no sofá. Você chorando sozinho no escuro.

O dia que você saiu para curtir a noite num barzinho e acabou numa festa gay. A primeira vez que você notou que realmente tinha amigos. A primeira vez que você notou que não podia contar com ninguém. A primeira vez que você traiu. A primeira vez que você foi traído. O dia em que você teria dado tudo por ter uma camisinha no bolso. O dia em que você tinha.

Como diria Keith Richards, “a experiência é o preço da educação”.

Muitos dos momentos intensos dos últimos tempos foram brigas e discussões homéricas com os meus melhores amigos. E posso dizer que estão todos ali, do meu lado, cada um com seu valor e desempenhando seu papel, o que me faz pensar que talvez discutir seja uma característica necessária as boas amizades: talvez eu não tenha uma relação tão forte com todos os meus amigos que nunca discuti.

Besteira ou não, isso me leva a ter vontade de brigar com certas pessoas, pra ver se elas descobrem o peso que tem na minha vida e eu na delas. Não precisa nem ser uma briga; seria mais como pegar ela pela orelha, chacoalhar os braços na frente dela e dizer “OIE, ESTOU AQUI!”. Se cada pessoa fizesse isso com uma pessoa no mundo, mudaríamos o universo, uma pessoa por vez. Doce utopia.

Mas temos que ser altruístas. Como eu já disse aqui, somos rádios operando em freqüências diferentes; somos trens em velocidades diferentes, com cargas únicas e muitas vezes carregando combustíveis inflamáveis que se por acaso se chocarem no meio de uma ferrovia, não vai ter equipe de limpeza que vai limpar o estrago. Temos que ajudar quem quer ser ajudado. Simples assim.

Li uma frase essa semana que adicionei com orgulho ao meu repertório de frases prontas: “Cada pessoa está passando pelo seu próprio inferno pessoal. Não se esqueça disso no momento de tentar trazer elas para o seu inferno pessoal”. Trocando em miúdos: se você está fudido, não ferre os outros. Seja altruísta e desocupe a moita. Ou pule da ponte de uma vez por todas.

(Historinha do Titio Cometa: há um asilo para cegos em Florianópolis que fica na esquina de uma rua bem movimentada. Quando algum cego sai de lá para passear, vai até a esquina e estende a mão para o lado para alguém vir e ajudar ele a atravessar a rua em segurança assim que o sinal fechar. Certa vez um cego foi até a esquina, estendeu a mão e esperou. Outro cego veio fazer a mesma coisa, encontrou uma mão estendida e os dois atravessaram a rua juntos, com o sinal aberto, sem saber que ambos eram cegos. Todos os carros tiveram que freiar em cima deles e alguns até bateram. Mas eles chegaram do outro lado da rua. Isso é altruísmo, sacou? Fazer o bem sem olhar a quem... literalmente)

Falco morreu cinco dias antes de completar 41 anos. Como manda o clichê, estava se preparando para gravar um novo disco, tinha conseguido criar uma relação estável com a ex-mulher, tinha o amor de sua filha (que não era sua filha), corria todos os dias e das drogas antigas, só fumava e bebia. Morreu ao sair distraído com o carro em uma rodovia movimentada: um ônibus o atingiu em cheio e o seu carro capotou.

Mesmo vivendo a vida de forma intensa, Falco morreu altruísta. Sabia o valor que tinha na vida de casa pessoa que havia arrastado para o seu inferno pessoal e livrou todas elas desse peso, para assim começar ele mesmo a se livrar dessa bola presa a uma corrente de ferro chamada “passado” que trazia amarrada aos seus pés. Nas palavras de George Santayana, “aqueles que não se lembram do passado estão fadados a repeti-lo”. Falco descobriu isso.

Apesar de tudo, descobriu tarde demais. Por isso que decisões como ser intenso e ser altruísta são mudanças que não podem esperar. Afinal, um ônibus vindo em nossa direção é que nem uma transa no chão frio da cozinha: a gente nunca sabe quando pode acontecer.

Mas acontece.

Sam irá dirigir sua própria cinebiografia. Todos os seis filmes.

Tinha Uma Vírgula No Meio Do Caminho

Lá no fim eu explico...

Estes são dias complicados.

Sempre fui um bom aluno de português. Inclusive, jurei lealdade a toda e qualquer professora de português depois que, na minha 5ª série, pedi a profe dessa disciplina naquele ano que me indicasse um livro para comprar na Feira do Livro do La Salle. Era 1999 e eu humildemente pedi: "profe, sabe um livro bom pra mim?". Algo em mim devia deixar claro que eu gostava de ler. Seria o olhar tímido atrás dos óculos pretos de aro grosso? O rosto prestes a ficar cheio de espinhas? O porte físico desajeitado? Ela não precisava ser muito observadora... Fato é que ela também humildemente me "receitou" um livro meio desconhecido, de uma leitura não muito fácil, mas que em breve mudaria a vida de muitos garotos e garotas como eu... nem preciso dizer qual é né?

Primeira edição, sem o letreiro com os raiozinhos ainda. Orgulhinho básico.

Se já antes já era fã, depois disso, ganhei uma dívida de vida com as professoras de português. Tive uma por ano dali em diante (Defesa Contra a Arte das Trevas? O.O), algo que só se estabilizou no São Carlos, quando a geração de 1988 foi a mais nova vítima a cair nas garras da ditadora querida professora de português do colégio, Eli Luiza Pereira. Sofri um pouco em suas mãos também, mas sempre que sofria lembrava que a sigla do nome dela era ELP, o que me lembrava Emerson, Lake & Palmer e que melhorava muito as coisas. Alienações à parte, ela foi expulsa convidada a se retirar do colégio no meio do meu 3º ano, em 2005, depois da desistência de 6 alunos só da minha sala, que iam rodar se continuassem tendo notas baixas com ela. Uma outra professora de cursinho entrou as pressas, substituindo totalmente o método fascista da anterior, as pessoas foram aprovadas, todos ficaram felizes e fim de papo.

Mas vamos ao que interessa. Uma das coisas que levo comigo das aulas de português há muito tempo é o uso da vírgula como "pausa para respirar". Na verdade, só levo e não uso. Sou muito introspectivo na maior parte do tempo, mas quando falo, falo muito e muito rápido (conversando com meu irmão é um horror, se for sobre Harry Potter, McFly ou Twitter, pior ainda) e se eu soubesse o verdadeiro valor da pausa em uma oração, não apanharia tanto na hora de fazer textos para as aulas de televisão. O resultado é que acabo me policiando e escrevendo frases menores ("uma frase longa nada mais é do que duas curtas", já dizia alguém que li na faculdade), ou frases longas que espero que façam sentido. Se não fizerem, mil desculpas, caros leitores.

(Como posso falar com leitores, e ainda no plural, acho que elas fazem sentido =)

A questão é que as vezes, na vida, a gente se atropela e começa a correr contra um prazo que nem sabe se existe. É uma ansiedade, uma angústia, que só existe na nossa cabeça. É como se as vírgulas deixassem de existir por um momento nas nossas frases. E cada frase sem vírgulas é uma sentença mal resolvida.

A gente dorme pouco porque tem coisa pra fazer da faculdade quando chega em casa tarde porque ficou trabalhando até depois da hora porque acordou mais tarde aquela manhã já que na noite anterior resolveu sair no meio da semana pra ver os amigos e tomar alguma coisa já que quando você resolve fazer isso no fim de semana tem que ouvir o surto da sua mãe que reclama que você passa pouco tempo com a família e o seu irmão e quando resolve ficar em casa acaba trancado no seu quarto fazendo as coisas da faculdade que estão atrasadas porque resolveu assistir House religiosamente todo dia às 20h e no fim de semana vai no cinema há um mês e já viu todos os filmes possíveis e...

RESPIRA!

Como diria a minha professora da 2ª série, "cheire a flor e assopra a vela" (funciona, tentem que é divertido!). É difícil até escrever isso, quem dirá viver desse jeito. Mas a gente consegue: atropela as vírgulas, come os acentos e quando vê, ora pois, assassinou o português. E na hora de organizar a casa, faz o que pode pra não fazer o que deve: se você tem DOZE coisas que quer fazer e UMA que precisa fazer, vai dar um jeito de fazer as doze antes, sem dúvida. Como diria a Lili, minha tecladista querida sempre citada aqui, "você abre a janela do seu quarto, deixa o vento entrar, ele desarruma tudo, você se sente vivo, com o vento batendo na cara, mas na hora de limpar a bagunça... percebe como o seu quarto era grande." Cadê a vírgula?

Uma hora, porém, ela aparece. Sempre culpa dele, o maldito universo. Ela pode vir de várias formas e te obrigar a parar e respirar: um ataque cardíaco, uma depressão, até "um escorregão idiota, num dia de sol", como diria Raul Seixas. No meu caso, a vírgula veio na forma de um buraco enorme no meio da rua enquanto eu saia da casa da Lili junto com o Ale (namorado dela e meu tecladista na Os Valdos) e ia buscar meu irmão nos escoteiros. Resultado: um pneu furado, uma calota detonada e uma experiência pra vida. Eu, com uma habilidade enorme com carros. O Ale, acabando as aulas práticas da auto-escola. Ambos verdadeiros gentlemans, do tipo que constroem uma parede não para destruir depois e sim para fazer sombra à sua amada. Não preciso dizer quão trágico foi, né?

Foi mais engraçado do que trágico. Liguei pro meu pai pra avisar da situação e dizer que a gente ia demorar e resolvi assumir que sim, ia conseguir trocar o pneu! Na verdade, furamos o pneu na frente de um mercado e depois de acreditar numa nobre alma que nos disse que "o pneu nem furou, vocês conseguem ir até a borracharia ali na frente tranquilo", tentamos ir e detonamos a calota. Se ele não furou antes, tinha furado agora. Me lembro do Ale falar "agora não é hora de pensar, é hora de usar os músculos!". Cinco minutos depois eu completava "pensar era tão mais fácil!".

Depois de uma luta - embaixo da chuva do início da noite de sábado, bom citar - para descobrir como fazer o macaco funcionar (explicada a situação da minha mão do início do post), conseguimos levantar o carro. Mais algumas pérolas depois ("cadê a Lili quando a gente precisa de um homem pra ajudar!") e depois de muito lutar pra tentar tirar os parafusos da calota sem sucesso, meu irmão dá sinal de vida. Dica para o resto da vida: sempre fure o pneu perto de um grupo escoteiro. Quando ele chegou com os outros sêniors - que eu ia dar carona, só pra citar - entreguei as ferramentas pra eles e, numa humildade minha que eu não via desde a 5ª série, falei: "juro que não vou me sentir humilhado se vocês conseguirem tirar esses parafusos com a maior facilidade do mundo"

Não preciso dizer que eles conseguiram né?

O resultado final da noite foram muitas promessas. No dia seguinte, domingo, completava um ano desde o meu primeiro porre (sim, aquele). Prometi que ia encher a cara naquela noite pra comemorar o pneu e o porre e consegui (o misto de medo e satisfação na cara da Lili quando eu cutuquei ela e disse "teu namorado e teu baterista tão bêbados" valeu a noite). Prometi que ia dar carona pra todos os escoteiros; promessa cumprida. Prometi que ia escrever uma música sobre o pneu furado; tô devendo ainda. Prometi que vou mais devagar daqui pra frente; tô tentando aos pouquinhos.

Sei lá... deve ter uma patologia que ainda não apareceu no House cuja descrição seja: "tentação irresistível de tentar arrancar alguma lição de cada acontecimento da sua vida e fazer um post em seu blog sobre isso". Se não existir, sou o primeiro paciente que sofre disso. A Lili acha bonitinho esse meu TOC de escrever sobre tudo; eu fico tenso se não consigo. Talvez por eu ser especialista em não fazer o que eu mando os outros fazerem.

Se eu lesse meu blog como espectador, talvez eu seria uma pessoa mais tranquila. Porém, se eu fosse uma pessoa mais tranquila, eu não teria um blog. Então dessa vez o recado é principalmente pra mim e pra quem mais couber o chapéu.

O importante é não esquecer: pare e respire.

Ponha vírgulas no seu caminho.

Afinal... melhor uma vírgula que um ponto final antes da hora.

Sam nunca mais vai esquecer de tirar os parafusos da calota com o pneu ainda no chão.

Kitsch

"Enquanto não acho a pessoa certa, me divirto com as erradas..."
(Autor - cafajeste - desconhecido)

De acordo com o Wikipedia e com a chata da minha professora de Estética, kitsch é um termo de origem alemã usado para caracterizar objetos de valor estético distorcido ou exagerado se comparados com o original. Tem por principais características o princípio de inadequação (coisas fora do contexto, como flores de plástico); a acumulação (enfeites empilhados e sem valor); o uso dos cinco sentidos (cartão de Dia dos Namorados com perfume); a mediocridade (nem bonito nem feio - médio, normal, padrão) e o princípio de conforto (não cria problemas, agrada - deixa a sua vida mais "bonitinha").

Logo, por kitsch entenda a coleção de noivinhos da sua chefe, a coleção de gatos de porcelana tigrados da sua mãe ou a coleção de duendes do seu irmão. Aliás, taí uma palavra que fecha bem com o conceito de kitsch: coleção. Coisas bonitinhas, que se acumulam pelos cantos do quarto, não atrapalham, mas arrancam um sorrisinho e um suspiro de satisfação quando você olha para elas. Quando você tem tempo para olhar para elas, claro.

Até porque kitsch é assim: tão normal, padrão, comum, que na velocidade que os dias passam, você raramente tem tempo para olhar. Mas claro, sempre tem tempo para trazer mais um item para casa. E sempre arranja lugar para mais um. Coração de kitsch é coração de mãe.

Mas voltemos a frase do início. "Enquanto não encontro a pessoa certa me divirto com as erradas" quer dizer simplesmente que, enquanto não encontro a qualidade, fico com a quantidade.

(Chegamos a essa conclusão eu e uma amiga, numa conversa que pode ter sido semana passada, mas que parece já ter acontecido há muito tempo. Os porquês da conversa não vem ao caso, mas quem estava no quesito quantidade era eu. Yes. I'm bad. Mas passou já.)

Mas a quantidade, eventualmente, não dá "sustância", como diria a sua vó quando mandava você comer feijão com arroz. Quantidade é coleção. Só. Você conhece pessoas que não criam problemas, te confortam, deixam sua vida mais bonitinha. Você não se importa mais com o que é bonito ou com o que é feio, contanto que seja agradável, naquele momento em que você precisava de algo agradável. Você sente gostos, toques, aromas diferentes e se impressiona. Você acumula um caso ali, outro caso ali, mais um no fim de semana que vem. Você procura fora do contexto e quando percebe... está cheirando flores de plástico. E o caminho que você estava seguindo ficou lá para trás...

Amar é kitsch.

Isso quando você não vai além disso tudo e realmente engata um relacionamento com aquele seu gatinho de porcelana tigrado. Você então comete o maior de todos os pecados do kitsch e, quando menos percebe, tem um altar para o seu parceiro, acima de todos os outros gatinhos de porcelana. Ele é loiro - você não gosta de loiros - mas tudo bem, você se acostuma. Você já tentou várias vezes com outros loiros, mas, porque não tentar mais uma vez? E não importa se ele é tão sociável quanto uma porta - como um bom colar de pérolas que serve apenas para enfeitar, ele fica lindo enrolado no seu pescoço quando vocês saem. Não precisa nem abrir a boca. Aliás, lindo? Perdão. Eu quis dizer bonitinho. E por bonitinho, eu quis dizer feio arrumadinho. E ele - e você - sabem disso.

Então, você leva o seu bibelô para todo lugar. Apresenta aos amigos, as amigas e aos gatinhos de porcelana dos outros. Se alguém pergunta "vocês se amam?", você responde "claro...", mas no fundo, sabe que queria completar a frase dizendo "... e se eu não amar, um dia eu me acostumo". E quando você menos percebe, já está tão acostumado a sair com o seu gatinho de porcelana que nem percebe quando deposita ele no seu altarzinho em casa antes de deitar. Parabéns, você se acostumou. Bem-vindo à rotina.

E quanto tempo isso dura? Na melhor das hipóteses, sete anos, segundo a revista Super Interessante desse mês. Engraçado que sempre ouvi falar que "depois de sete anos namorando, se não casou, larga que nunca mais vai casar", mas nunca pensei que isso tivesse uma explicação científica. De acordo com a nossa herança genética que nos acompanha desde os tempos da caverna, sete anos é o tempo necessário para que o filhote de um casal pré-histórico seja considerado grande o bastante para se virar sozinho. A mãe então pode voltar as suas atividades de solteira e o pai pode procurar outras fêmeas para procriar. (Ótima desculpa para um fim de namoro, vai dizer)

Mas claro, sete anos se tratando de um casal já estabelecido, com filhos, cobras sogras e contas para pagar. Não de um ser humano e um gatinho de porcelana (já falei isso tantas vezes que tô imaginando um cara dormindo com uma Hello Kitty - tenso). Um simples namoro que se desenvolve nessa política do "ah, eu me acostumo" tem muito mais chance de cair na rotina cruel. Chance de escorregar o pé pra fora da coberta então, nem se fala... O gatinho de porcelana do vizinho as vezes tem muito mais purpurina.

O que fazer então? Para acabar com o kitsch é simples, basta destruir a Coréia. Na dúvida de qual, destruam as duas e simples, bye bye gatinhos de porcelana. Agora, nos relacionamentos...

Ainda segundo a matéria da Super Interessante, casais que iniciam o relacionamento sem esperar muito um do outro tem mais chance de serem felizes à medida que a intimidade e o conhecimento mútuo aumentam. Todo mundo já teve uma festa da qual não esperava nada e saiu de lá maravilhado (assim como esperou muito por uma festa e voltou pra casa cedo). Conforme a revista, esse é um caso bastante comum na Índia, onde os casamentos são arranjados e os noivos se casam sem esperar muito do outro e...

Tá, esquece.

Kitsch é a cópia. Mais do que isso: é a coleção da cópia. É substituir o Buda folheado a ouro por dois Santo Antônios de gesso, um São Pedro e um santinho. É a auto-sabotagem. É saber que você acabou um relacionamento e vai atrás da pessoa mais parecida com aquela pela qual você está chorando. É uma questão de escolha. Como diriam Velma Kelly e Roxie Hart, as moças de Chicago:

You can like the life you're livin
You can live the life you like
You can even marry Harry
But mess around with Ike

Essa é a questão principal.

Gostar da vida que vive ou viver a vida que gosta?

Cada um tem a sua resposta.

Eu permaneço com a dúvida.

Sam curte kitsch. Mas odeia a Bauhaus.

Mais Vontade que Inspiração

Já dancei Spice Girls.

Já quis virar vegetariano.

Já briguei com meio mundo sabendo que eu tava errado.

(E já fiquei quieto pra ninguém brigar comigo)

Já misturei maionese com fruta.

Já misturei mostarda com bolo de chocolate.

Já misturei Heineken, Bohemia, Polar e champagne.

Já misturei amizade com amor.

Já misturei amor com paixão.

Já beijei sentindo amor.

Já beijei só sentindo tesão.

E já parei de beijar porque tava muito calor.

(Mas só porque ela pediu)

Já desejei o pescoço de alguém.

Pra beijar, pra esganar.

(As vezes pra fazer as duas coisas com a mesma pessoa)

E já quis ir bem longe, sem ter porque parar.

(Mas parei, ok?)

Já tive amores secretos.

(Ela é que não sabe até hoje)

Já chorei à noite por causa de alguém.

Já surtei ali naquele cantinho escuro.

Já olhei pelo buraco do muro.

(E se não tinha buraco, eu mesmo fazia o furo)

Já ri chorando.

Já chorei rindo.

Já me emocionei ouvindo as histórias do Ringo.

(E já me segurei quando senti aquela lágrima caindo)

Já desejei que a vida fosse em preto, branco e vermelho.

Porque com menos cores eu teria menos com o que me preocupar.

Mas daí me lembrei dos confetes da vida.

E vi que boa mesmo... só aquela vida colorida.

Não tenho muito do que reclamar

;-)

Sam já escreveu com mais inspiração do que vontade também.

Troco Coração Por Fígado

São 03h29min da madrugada de sábado pra domingo. 'Bora aproveitar o pouco de álcool que ainda me resta no sangue e escrever algumas sinceridades aqui. Desculpas antecipadas pela falta de coerência, ok?

Existe uma coisa chamada distância. E a distância é a medida de lugar mais variável que existe. E a mais sacana. Assim como o tempo, que pode ser medido tanto em segundos e minutos como "aquela tarde que passou correndo de tão boa que foi" ou "a última hora de trabalho da sexta-feira que durou o dia inteiro", a distância pode ser medida em centímetros, metros e quilômetros, mas também pode ser mensurada por palavras, ações e olhares.

E então, você está do lado de alguém que adora você e que você adora, mas cujo olhar perdido dos dois denuncia um deserto que ambos estão tentando atravessar pra conseguir chegar a um oásis que sirva de ponto comum. Você tira a areia da cara, lembra-se de dar um passo depois do outro e torce pra que o outro chegue antes no óasis e faça sinal pra você saber pra onde andar. Afinal, pra que engolir o orgulho, se o outro pode puxar papo antes? Quem tem interesse na conversa é ele, não tu! Eu tô bem sozinho, ele que tá super afim de conversar, morrendo de saudade... Pffff... Fraco. Deixa ele se virar, eu tô bem.

(Oi. Fala comigo, por favor?)

Ou senão, as palavras que mudam tudo. Maldito ser humano que inventou os apelidos! Quando você vê, tem um apelido para cada situação. Quando você fez algo louvável, você é o "mestre". Quando você serve de chacota, você é o "vermelho". Quando você é o rockstar, você é o "cara". Mas quando você faz algo de errado, você é simplesmente "você". E todos os apelidos vão por água abaixo quando você ouve "Samuel, porque tu fez isso?". Dói. Nossa, como dói. É como colocar uma tonelada de culpa em cima de todos os apelidos pra dizer "Você errou aqui. Perdeu a chance de ser chamado de apelidos. Assuma a culpa você mesmo, não ponha a culpa nos outros". Mas você vai lá e diz "Não, eu não errei. E é o Samuel assumindo a culpa pelas suas próprias ações."

(Mas por favor, volta a me chamar de Muca, please?)

E então vem a última distância a ser percorrida. A do coração. Eu pessoalmente acredito que Darwin errou. O ápice da escala evolutiva humana será quando pudermos trocar nosso coração por um fígado novo, já que ele é o único órgão capaz de suplantar as funções do coração. Como bom virginiano que sou, racional que é um cão, eu sei que o coração tá ali só pra bombear sangue. Essa coisa de coração apaixonado vem da nossa cultura. Quem comanda tudo é nossa cabeça, nosso cérebro. E como confiar num troço que tem que organizar nosso dia, nosso trabalho, nossos estudos e nossas paixões? Uma hora ele mistura tudo. E a tendência é sempre dar merda.

Somos seres humanos imperfeitos, passíveis de erro toda hora. Somos seres globalizados, hipermídias, bipolares, exagerados. O mundo é tão rápido e tão maluco que conseguimos errar em vários campos ao mesmo tempo. Um pré-julgamento errado em uma área consegue embaralhar tudo. É um troço meio surreal.

(Chegando ao ponto que não sei mais o que falar. Cerveja batendo. Troco coração por fígado.)

Nossas palavras não tem limites. Atingimos o quarto ao lado, o vizinho, países a distância com ela. E parece que as vezes, as pessoas mais distantes são as que melhor te entendem. Analisando com um pouco mais de racionalidade, faz até sentido: contar uma história para alguém de muito longe, que só irá ouvir o teu ponto de vista, normalmente resultará nela concordar contigo, já que tu não vai contar algo dizendo "eu acho que é isso, mas na verdade o certo é isso". Logo, deduzimos que comentários que vem de muito longe são furados porque só analisam o teu lado da verdade.

(Mas deixa eu me iludir, ok? Tchau consciência, vai dormir.)

[Atualização sóbria do domingo: as vezes alguém que tá muito longe te entende melhor do que alguém que tá do teu lado. Foi isso que tentei dizer aí em cima. Sorry =]

No campo das relações, isso é muito mais punk. Eu queria muito me iludir, muito mesmo (ainda vendo meu coração por um fígado, não esqueçam), mas é foda perceber que aquela pessoa que tava ali, do teu lado o tempo inteiro, mesmo quando distante, de repente tá tão longe que tu nem reconhece ela mais. Posso tá me passando por emo iludido nesse comentário, mas foda-se, todo mundo já passou por isso. Tu abraçava ela. Tu beijava ela. E agora ela tem medo de ti. Tá distante. Longe. Longe...

Mas claro, essa humanidade desesperada em busca de algo que lhe dê conforto e lhe tire do sufoco, acaba te proporcionando novas chances de afogar as mágoas com outras pessoas. Novas experiências. Hm. É gostosa essa sensação, sabe? Mas você sabe quando não serve pra coisa. É legal por um tempo, os teus amigos te dão um tapinha no ombro e te falam "mazahhh, grande guri!", mas é algo vazio. Tapinhas nas costas e beijos alheios não substituem alguém.

Mas como cantaria Janis Joplin:

Don't you know
When you're loving anybody baby
You're taking a gamble on a little sorrow
But then, who cares baby?
Cause we may not be here tomorrow
And if anybody should come along
He gonna give you any love and affection
I'd say get it while you can
Don't you turn your back on love
(Get It While You Can)

Bom se fosse simples assim, titia Janis, só se entregar pra coisa toda. Mas são muitas coisas envolvidas. Quando você quer, os outros não querem. Quando os outros querem, você não quer. Quando você quer e os outros querem, não pode, é proibido. Quando ninguém quer nada, a gente inventa sentimentos por alguém, só pra se sentir confortável, com a desculpa de que precisamos "suprir nossas necessidades de sentir necessidade de alguém". E no final, pessoas substituem pessoas que substituem pessoas que substituem pessoas...

E no final da noite, tudo cheira a cigarro, chocolate e cerveja.

=(

Sam promete tentar não postar mais sob efeito de álcool.

A Premissa É Uma Promessa

Ou "como atrasar um post por quatro semanas muda TUDO"

Esse aí em cima é o culpado de tudo.

Esse semestre peguei duas cadeiras de redação. Nada mais do que escrever, escrever e escrever, tudo que eu sempre disse que "é a única coisa que eu sei fazer e é o que eu quero fazer pra vida inteira e blá blá blá...". Mais uma vez a turma foi recebida por aquele papo de "não existe inspiração, é tudo fórmula", eu fiquei puto da cara e no final das contas, percebi mais uma vez que é verdade.

Sim, eu admito, não existe inspiração. Somos treinados pra escrever de forma mecânica sem coração. Ao invés da foca, o símbolo do jornalismo devia ser o Homem de Lata do Mágico de Oz.

Lá pelas tantas, como numa aula de física, adicionamos novas variáveis à nossa fórmula mágica de escrever. A novidade agora era a premissa. Esse novo X da equação seria o assunto ao qual nos propomos tratar no início do texto, abordar durante ele e retomar no final, deixando o assunto bem claro. Seria o motivo pelo qual o leitor está lendo o texto, e, como o cliente tem sempre a razão, ele deveria entender no final. Naturalmente, não é sempre assim: o leitor sempre lê o texto esperando entender tudo no final, o que nem sempre acontece, por vários motivos. Logo, a premissa nada mais é do que uma promessa de que o final será feliz, o que nem sempre pode acontecer.

(A minha premissa nesse texto, caso não tenha ficado clara, foi simplesmente confundir vocês. É a premissa mais fácil de cumprir. Mais uma regra para o livrinho de redação dos leitores do Cometa Diário)

Mas, como eu ia dizendo, aquela fotinho lá no início do post é a culpada de tudo isso. Não é a culpada pelo post; quando eu digo tudo é TUDO mesmo. Vamos lá que eu explico.

(Sim, essa era a verdadeira premissa. Droga, vocês me pegaram!)

Aquele troféu (sim, é um troféu, apesar de não ter nada indicando isso) foi ganho por mim quando eu cursava a mágica 1ª série, no finado porém querido Colégio Leonardo da Vinci. Naquele longínquo ano de 1995, eu tive a honra de ganhar o troféu de 1º lugar no Concurso Literário. Ali se iniciava na minha vida uma longa relação com a escrita.

(O tema da redação, curiosamente, era o instrumento da escrita: o lápis. Metalinguagem pouca é bobagem.)

A partir daí... não ganhei mais nenhum troféu. Lembro que o da 2ª série ficou com o Casali (o B. Eddy lá do "Era Uma Vez na 8ª Série...) e o da 3ª série ficou com uma colega minha que desenhava bem. Marina, Mariana, algo assim... Pensando bem agora, a Turma da Mônica tem uma Marina que gosta de desenhar, que foi inspirada na filha do próprio Mauricio de Sousa. Uhm...

Fato é que não foi a falta de trófeus que me fez parar de escrever. Minhas redações de "Minhas Férias" no início do ano eram sempre ótimas e até hoje guardo no meu quarto um caderno de redação minhas da 3ª série, cheio de pérolas ("Eu gosto muito da minha tia. Só não gosto que ela fuma") e coisas do gênero. Depois no La Salle continuei com as redações gigantescas e comecei a escrever músicas (que me renderam algumas histórias e cinco posts gigantescos, como vocês bem sabem) e no São Carlos, com o RPG, isso só continuou.

(Nessa confusão de backup e computador novo aqui em casa, descobri que tinha 60 MB de arquivos de Word na minha pasta. 60. Mega. Bytes. Microsoft. Word. Calcula.)

Enfim chegou a faculdade ("oi, meu nome é Samuel e eu entrei em jornalismo porque gosto de ler e escrever"), as aulas de redação e o blog. Com o tempo, a condição de "diário" do Cometa Diário deixou de ser por causa da sua periodicidade e sim diário porque guardava confissões e histórias. Porém, de um jeito ou de outro, ele sempre serviu ao propósito de prática para escrever. Logo vieram também o blog da banda e o novíssimo blog de contos (sim, novidades!) que só serviram pra escrever mais ainda. E eu nem vou citar o Twitter.

Voltemos a premissa (maldito senso jornalístico). Não lembro quando o meu blog passou a ser mais "elaborado", (hoje em dia, por exemplo, eu não postaria isso - pelo tamanho e porque se refere tanto a mim que chega a ser inútil - nem isso, porque é tão profundo que caberia num tweet) mas lembro de alguns posts bem elogiados que devem ter marcado essa mudança.

Algo que me chamava muito a atenção era a Celli dizendo que eu ia me dar muito bem na tão temida disciplina de redação II. Na verdade, começou aqui, quando eu reclamava da frase "isso não é inspiração" e a Celli já profetizava "tu vai reclamar, mas vai acabar gostando". Depois lembro desse e depois desse e quando eu vi eu já escrevia pensando em quem ia ler, nos comentários e morrendo de vontade de fazer essa maldita cadeira de redação II.

(hoje a Celli só diz: "quem te viu, quem te vê..." xD)

E enfim chegou a cadeira, junto com a cadeira de edição, que é basicamente escrever também. Comecei o semestre bailando na curva, mas depois de uns textos peguei o jeito. Textos que eu entreguei morrendo de medo vieram com um ótimo. Os primeiros textos com nota, que o professor disse "se vocês tiraram 8,5, que foram poucos, considere-se satisfeitos" vieram com notas 9 e 9,6 (e algumas brincadeirinhas - hehehe). A primeira reportagem, que morri fazendo, entreguei atrasado e achei que tava péssima, veio cheia de risadinhas, "hehehe...", "rsssss...", muitos "muito bom" e "ótimos" e um comentário no final dela que me deixou estarrecido.

"MUITO LEGAL a reportagem, Samuel. Deu gosto de ler e também ri muito com o texto e as fontes que você desencantou. Muito bom mesmo. Fossem textos sempre assim, poderíamos também fundar um jornal no curso (um periódio quinzenal, por exemplo). VALEU!!!"

Aí nesse ponto, eu morri. Desencarnei, voltei a terra e lembrei que tinha que acabar um perfil dum cara loucão praquela aula, um texto que eu tava apanhando desde a noite anterior. Fui fazer, fiz do meu jeito, que é o único que eu sei a fórmula de cor, e acabei ficando por último na sala, só eu e o professor. Lá pelas tantas ele veio falar comigo. E eu achei que tinha acabado no comentário do texto o flagelo:

- Samuel, no que tu trabalha?
- Numa agência de propaganda.
- E o que tu faz lá? Redação?
- Ah, faço de tudo, redação, criação, web, atendo cliente...
- Ah, tu é do tipo escravigiário então? (risos)
- É, um pouco sim. (risadinhas sem graça) Mas trabalho lá faz tempo, carteira assinada e tals...
- Ah, então tu já tá colocado no mercado, ganha bem então.
- É, dá pra se dizer que sim. Tô bem até. Mas porque?
- Ah, tu sabe que tua redação é ótima né? Muito boa cara, sério! Se fosse pra escolher uma reportagem daqui da sala hoje pra publicar num jornal, a tua se encaixava bem certinha, só dá umas aparadas e tava ótima. E tu sabe que O Caxiense é um bom canal pra esse tipo de texto hoje em dia. Nunca pensou em trabalhar lá?
- Não, não, nunca pensei. Mas eles tão contratando gente?
- Não, eles nunca tão contratando gente. Jornal tu sabe como é né... (risos) Mas o chefão da redação lá quando começou me pediu: "tu tem algum aluno bom de texto aí pra indicar" e daí eu indiquei a tua colega que tá lá, porque tinha um texto muito bom. E o teu texto tá ótimo também, dá pra publicar já. Mas tu nunca tentou porque não quis ou tinha algum outro motivo?
- Ah, nunca tentei porque acabei crescendo no meu trabalho e fui ganhando bem. E sempre separei jornalismo como hobby, propaganda como trabalho. Dai acabei nunca tentando.
- E o Pioneiro, aqueles concursos que tem, tu nunca tentou?
- Também não. Nunca tive interesse por trabalhar lá. (#modeeeeeesto)
- Tu sabe que com esse teu texto tu ia emplacar no Pioneiro? Duvido que eles fossem ficar contigo só por seis meses (nesse momento, desencarnei de novo). Mas vou deixar tu acabar o teu texto aí. Era só pra ti saber disso mesmo.

O resumo da conversa na minha cabeça ficou mais ou menos assim:
"Olá Samuel. Aqui quem fala são seus três novos amigos, Ego, Superego e ID. O temido professor de redação disse que tu é bom o suficiente pra trabalhar num jornal. Escute ele. BU! Tchau."

A partir dali me perdi nas fichas. Atualizei minha frase para "oi, meu nome é Samuel, eu entrei no jornalismo porque gosto de ler e escrever e o professor de redação concorda comigo". Comecei a rever meus posts, minhas atitudes, MINHA VIDA. Meu emprego, minhas oportunidades, minhas palavras. E cheguei a conclusão de que precisava de terapia.

Logo, vim blogar.

Então, sei lá... a minha premissa de confundir vocês acabou me confundindo. Desculpem, sou um péssimo jornalista, apesar do que dizem por aí. A única conclusão que tirei foi que eu não teria o mesmo prazer que eu tenho escrevendo as vezes, do que eu gosto, escrevendo todo dia, sobre o que a pauta manda.

Eu não sirvo pra Homem de Lata.

Eu sou só um cara que tem um blog.

Sam dedica esse post ao dia do jornalista, comemorado dia 07 de abril. Parabéns colegas!