Lá no fim eu explico...
Estes são dias complicados.
Sempre fui um bom aluno de português. Inclusive, jurei lealdade a toda e qualquer professora de português depois que, na minha 5ª série, pedi a profe dessa disciplina naquele ano que me indicasse um livro para comprar na Feira do Livro do La Salle. Era 1999 e eu humildemente pedi: "profe, sabe um livro bom pra mim?". Algo em mim devia deixar claro que eu gostava de ler. Seria o olhar tímido atrás dos óculos pretos de aro grosso? O rosto prestes a ficar cheio de espinhas? O porte físico desajeitado? Ela não precisava ser muito observadora... Fato é que ela também humildemente me "receitou" um livro meio desconhecido, de uma leitura não muito fácil, mas que em breve mudaria a vida de muitos garotos e garotas como eu... nem preciso dizer qual é né?
Primeira edição, sem o letreiro com os raiozinhos ainda. Orgulhinho básico.
Se já antes já era fã, depois disso, ganhei uma dívida de vida com as professoras de português. Tive uma por ano dali em diante (Defesa Contra a Arte das Trevas? O.O), algo que só se estabilizou no São Carlos, quando a geração de 1988 foi a mais nova vítima a cair nas garras da ditadora querida professora de português do colégio, Eli Luiza Pereira. Sofri um pouco em suas mãos também, mas sempre que sofria lembrava que a sigla do nome dela era ELP, o que me lembrava Emerson, Lake & Palmer e que melhorava muito as coisas. Alienações à parte, ela foi expulsa convidada a se retirar do colégio no meio do meu 3º ano, em 2005, depois da desistência de 6 alunos só da minha sala, que iam rodar se continuassem tendo notas baixas com ela. Uma outra professora de cursinho entrou as pressas, substituindo totalmente o método fascista da anterior, as pessoas foram aprovadas, todos ficaram felizes e fim de papo.
Mas vamos ao que interessa. Uma das coisas que levo comigo das aulas de português há muito tempo é o uso da vírgula como "pausa para respirar". Na verdade, só levo e não uso. Sou muito introspectivo na maior parte do tempo, mas quando falo, falo muito e muito rápido (conversando com meu irmão é um horror, se for sobre Harry Potter, McFly ou Twitter, pior ainda) e se eu soubesse o verdadeiro valor da pausa em uma oração, não apanharia tanto na hora de fazer textos para as aulas de televisão. O resultado é que acabo me policiando e escrevendo frases menores ("uma frase longa nada mais é do que duas curtas", já dizia alguém que li na faculdade), ou frases longas que espero que façam sentido. Se não fizerem, mil desculpas, caros leitores.
(Como posso falar com leitores, e ainda no plural, acho que elas fazem sentido =)
A questão é que as vezes, na vida, a gente se atropela e começa a correr contra um prazo que nem sabe se existe. É uma ansiedade, uma angústia, que só existe na nossa cabeça. É como se as vírgulas deixassem de existir por um momento nas nossas frases. E cada frase sem vírgulas é uma sentença mal resolvida.
A gente dorme pouco porque tem coisa pra fazer da faculdade quando chega em casa tarde porque ficou trabalhando até depois da hora porque acordou mais tarde aquela manhã já que na noite anterior resolveu sair no meio da semana pra ver os amigos e tomar alguma coisa já que quando você resolve fazer isso no fim de semana tem que ouvir o surto da sua mãe que reclama que você passa pouco tempo com a família e o seu irmão e quando resolve ficar em casa acaba trancado no seu quarto fazendo as coisas da faculdade que estão atrasadas porque resolveu assistir House religiosamente todo dia às 20h e no fim de semana vai no cinema há um mês e já viu todos os filmes possíveis e...
RESPIRA!
Como diria a minha professora da 2ª série, "cheire a flor e assopra a vela" (funciona, tentem que é divertido!). É difícil até escrever isso, quem dirá viver desse jeito. Mas a gente consegue: atropela as vírgulas, come os acentos e quando vê, ora pois, assassinou o português. E na hora de organizar a casa, faz o que pode pra não fazer o que deve: se você tem DOZE coisas que quer fazer e UMA que precisa fazer, vai dar um jeito de fazer as doze antes, sem dúvida. Como diria a Lili, minha tecladista querida sempre citada aqui, "você abre a janela do seu quarto, deixa o vento entrar, ele desarruma tudo, você se sente vivo, com o vento batendo na cara, mas na hora de limpar a bagunça... percebe como o seu quarto era grande." Cadê a vírgula?
Uma hora, porém, ela aparece. Sempre culpa dele, o maldito universo. Ela pode vir de várias formas e te obrigar a parar e respirar: um ataque cardíaco, uma depressão, até "um escorregão idiota, num dia de sol", como diria Raul Seixas. No meu caso, a vírgula veio na forma de um buraco enorme no meio da rua enquanto eu saia da casa da Lili junto com o Ale (namorado dela e meu tecladista na Os Valdos) e ia buscar meu irmão nos escoteiros. Resultado: um pneu furado, uma calota detonada e uma experiência pra vida. Eu, com uma habilidade enorme com carros. O Ale, acabando as aulas práticas da auto-escola. Ambos verdadeiros gentlemans, do tipo que constroem uma parede não para destruir depois e sim para fazer sombra à sua amada. Não preciso dizer quão trágico foi, né?
Foi mais engraçado do que trágico. Liguei pro meu pai pra avisar da situação e dizer que a gente ia demorar e resolvi assumir que sim, ia conseguir trocar o pneu! Na verdade, furamos o pneu na frente de um mercado e depois de acreditar numa nobre alma que nos disse que "o pneu nem furou, vocês conseguem ir até a borracharia ali na frente tranquilo", tentamos ir e detonamos a calota. Se ele não furou antes, tinha furado agora. Me lembro do Ale falar "agora não é hora de pensar, é hora de usar os músculos!". Cinco minutos depois eu completava "pensar era tão mais fácil!".
Depois de uma luta - embaixo da chuva do início da noite de sábado, bom citar - para descobrir como fazer o macaco funcionar (explicada a situação da minha mão do início do post), conseguimos levantar o carro. Mais algumas pérolas depois ("cadê a Lili quando a gente precisa de um homem pra ajudar!") e depois de muito lutar pra tentar tirar os parafusos da calota sem sucesso, meu irmão dá sinal de vida. Dica para o resto da vida: sempre fure o pneu perto de um grupo escoteiro. Quando ele chegou com os outros sêniors - que eu ia dar carona, só pra citar - entreguei as ferramentas pra eles e, numa humildade minha que eu não via desde a 5ª série, falei: "juro que não vou me sentir humilhado se vocês conseguirem tirar esses parafusos com a maior facilidade do mundo".
Não preciso dizer que eles conseguiram né?
O resultado final da noite foram muitas promessas. No dia seguinte, domingo, completava um ano desde o meu primeiro porre (sim, aquele). Prometi que ia encher a cara naquela noite pra comemorar o pneu e o porre e consegui (o misto de medo e satisfação na cara da Lili quando eu cutuquei ela e disse "teu namorado e teu baterista tão bêbados" valeu a noite). Prometi que ia dar carona pra todos os escoteiros; promessa cumprida. Prometi que ia escrever uma música sobre o pneu furado; tô devendo ainda. Prometi que vou mais devagar daqui pra frente; tô tentando aos pouquinhos.
Sei lá... deve ter uma patologia que ainda não apareceu no House cuja descrição seja: "tentação irresistível de tentar arrancar alguma lição de cada acontecimento da sua vida e fazer um post em seu blog sobre isso". Se não existir, sou o primeiro paciente que sofre disso. A Lili acha bonitinho esse meu TOC de escrever sobre tudo; eu fico tenso se não consigo. Talvez por eu ser especialista em não fazer o que eu mando os outros fazerem.
Se eu lesse meu blog como espectador, talvez eu seria uma pessoa mais tranquila. Porém, se eu fosse uma pessoa mais tranquila, eu não teria um blog. Então dessa vez o recado é principalmente pra mim e pra quem mais couber o chapéu.
Se eu lesse meu blog como espectador, talvez eu seria uma pessoa mais tranquila. Porém, se eu fosse uma pessoa mais tranquila, eu não teria um blog. Então dessa vez o recado é principalmente pra mim e pra quem mais couber o chapéu.
O importante é não esquecer: pare e respire.
Ponha vírgulas no seu caminho.
Ponha vírgulas no seu caminho.
Afinal... melhor uma vírgula que um ponto final antes da hora.
Sam nunca mais vai esquecer de tirar os parafusos da calota com o pneu ainda no chão.

16 comentários:
primeiro pneu a gente nunca esquece...
hueuehueheueuehe
Ps:gooooooooooooool do barcelona..
Ps2: 6:30 realmente parece o clássico invaders...
acho que ninguém nunca comentou tão cedo no meu blog... hehehehe
o escoteiro esta sempre alerta para o ajudar o proximo e pratica diariamente uma boa ação...
e eu estou sempre pronto para tirar fotos enquanto os outros trabalham ;)
Eu fui citado no blog do cometa AAAAAHHH *grito histérico*
Foi uma experiência realmente... tenebrosa. Tanto quanto a da noite do mesmo dia (e o dia seguinte, acho que só pra mim, argh).
Quando precisar um companheiro para observar escoteiros trocando pneus, tamo sempre aí o>
Pois é, né! O quê seria de vocês sem Lili, hihi.
E se eu disser que sei trocar pneu? (Grande pai!) Pois é, né?
E, se disser que cuidei do Ale no dia seguinte?? Pois é!
Paguei a conta de um cartão que não passava... Pois é...
E outro cartão só passou pra pagar uma conta que eu ensinei a fazer, pois bem: é!
Beijos me liguem.
Bah Lili, dois marmanjo.. e tu tem que faze o trabalho sujo... e quando tu não tá eles pedem ajuda para escoteiro????
ta bem arranjada!!!!
huehuehueheuehuehe
BRIGADO EDÚ! (Y)
valeu a parceria! ¬¬''
(hehehe)
"E outro cartão só passou pra pagar uma conta que eu ensinei a fazer, pois bem: é!"
Foi dinheiro! Mas bem digno esse teu comentário; realmente tu tem culpa nisso... hehehe
Nerd! Trocador de pneus!
Fã de YA Books!
PS: também adoro o Harry...
o que que seria ya books?
"Ponha vírgulas no seu caminho.
Afinal... melhor uma vírgula que um ponto final antes da hora."
falo o Gil Grisson
huasuuahsuhahsu
PS: vai lava a mão meu!!
Confesso que quanod vi aquela mãozinha na primeira foto achei que o assunto era outro =P
HUEhuheue cômico, tinha que ver como foi a minha primeira vez então...
Tava eu o sabão...
CALMA GENTE, TO FALANDO DA PRIMEIRA VEZ QUE TIVE QUE TROCAR UM PNEU!
O que mais poderia ser?
Enfim... tbm tive muito trabalho... em convencer o sabão e depois ficar assistindo ele fazendo o serviço xD
Que bom que existem escoteiros "sempre alerta" para te ajudar Huehue.
Bah... semana passada usei minha jaquetinha do Brasil que ganhei no Bingo dos escoteiros, lembra?? \o/
Suas bixas.. to com saudades!
=**
p.s cômico: "cadê a Lili quando a gente precisa de um homem pra ajudar!"
p.s.s foda: "melhor uma vírgula do que um ponto final antes da hora" essa matou a pal!
;) cometa se superando!
Confesso que quanod vi aquela mãozinha na primeira foto achei que o assunto era outro =P
HUEhuheue cômico, tinha que ver como foi a minha primeira vez então...
Tava eu o sabão...
CALMA GENTE, TO FALANDO DA PRIMEIRA VEZ QUE TIVE QUE TROCAR UM PNEU!
O que mais poderia ser?
Enfim... tbm tive muito trabalho... em convencer o sabão e depois ficar assistindo ele fazendo o serviço xD
Que bom que existem escoteiros "sempre alerta" para te ajudar Huehue.
Bah... semana passada usei minha jaquetinha do Brasil que ganhei no Bingo dos escoteiros, lembra?? \o/
Suas bixas.. to com saudades!
=**
p.s cômico: "cadê a Lili quando a gente precisa de um homem pra ajudar!"
p.s.s foda: "melhor uma vírgula do que um ponto final antes da hora" essa matou a pal!
;) cometa se superando!
Virgulas... Eu encho meus textos de virgulas. MUITAS.
Eu gosto muito de reticências. Elas deixam um mistério, algo por entender que não é preciso dizer. Algo que precisa ser descoberto... O inacabado
Gosto de oferecer reticências e receber os devidos pontos nos "I"s pra que não me restem dúvidas de quando devo deixar alguém reticente na minha vida...
Pára. Respira... escuta. Escreve. Não pára de escrever que agente aqui longe, gosta de ler, e relembrar um pouco da Lingua Portuguesa.
oi. ;)
confesso que pensei nisso também miguel, depois de olhar minha mão de novo sempre que entrava no blog. tenso.
e lu, pode deixar que posso fazer de tudo, menos deixar de escrever ;-)
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