Ou "como atrasar um post por quatro semanas muda TUDO"

Esse aí em cima é o culpado de tudo.
Esse semestre peguei duas cadeiras de redação. Nada mais do que escrever, escrever e escrever, tudo que eu sempre disse que "é a única coisa que eu sei fazer e é o que eu quero fazer pra vida inteira e blá blá blá...". Mais uma vez a turma foi recebida por aquele papo de "não existe inspiração, é tudo fórmula", eu fiquei puto da cara e no final das contas, percebi mais uma vez que é verdade.
Sim, eu admito, não existe inspiração. Somos treinados pra escrever de forma mecânica sem coração. Ao invés da foca, o símbolo do jornalismo devia ser o Homem de Lata do Mágico de Oz.
Lá pelas tantas, como numa aula de física, adicionamos novas variáveis à nossa fórmula mágica de escrever. A novidade agora era a premissa. Esse novo X da equação seria o assunto ao qual nos propomos tratar no início do texto, abordar durante ele e retomar no final, deixando o assunto bem claro. Seria o motivo pelo qual o leitor está lendo o texto, e, como o cliente tem sempre a razão, ele deveria entender no final. Naturalmente, não é sempre assim: o leitor sempre lê o texto esperando entender tudo no final, o que nem sempre acontece, por vários motivos. Logo, a premissa nada mais é do que uma promessa de que o final será feliz, o que nem sempre pode acontecer.
(A minha premissa nesse texto, caso não tenha ficado clara, foi simplesmente confundir vocês. É a premissa mais fácil de cumprir. Mais uma regra para o livrinho de redação dos leitores do Cometa Diário)
Mas, como eu ia dizendo, aquela fotinho lá no início do post é a culpada de tudo isso. Não é a culpada pelo post; quando eu digo tudo é TUDO mesmo. Vamos lá que eu explico.
(Sim, essa era a verdadeira premissa. Droga, vocês me pegaram!)
Aquele troféu (sim, é um troféu, apesar de não ter nada indicando isso) foi ganho por mim quando eu cursava a mágica 1ª série, no finado porém querido Colégio Leonardo da Vinci. Naquele longínquo ano de 1995, eu tive a honra de ganhar o troféu de 1º lugar no Concurso Literário. Ali se iniciava na minha vida uma longa relação com a escrita.
(O tema da redação, curiosamente, era o instrumento da escrita: o lápis. Metalinguagem pouca é bobagem.)
A partir daí... não ganhei mais nenhum troféu. Lembro que o da 2ª série ficou com o Casali (o B. Eddy lá do "Era Uma Vez na 8ª Série...) e o da 3ª série ficou com uma colega minha que desenhava bem. Marina, Mariana, algo assim... Pensando bem agora, a Turma da Mônica tem uma Marina que gosta de desenhar, que foi inspirada na filha do próprio Mauricio de Sousa. Uhm...
Fato é que não foi a falta de trófeus que me fez parar de escrever. Minhas redações de "Minhas Férias" no início do ano eram sempre ótimas e até hoje guardo no meu quarto um caderno de redação minhas da 3ª série, cheio de pérolas ("Eu gosto muito da minha tia. Só não gosto que ela fuma") e coisas do gênero. Depois no La Salle continuei com as redações gigantescas e comecei a escrever músicas (que me renderam algumas histórias e cinco posts gigantescos, como vocês bem sabem) e no São Carlos, com o RPG, isso só continuou.
(Nessa confusão de backup e computador novo aqui em casa, descobri que tinha 60 MB de arquivos de Word na minha pasta. 60. Mega. Bytes. Microsoft. Word. Calcula.)
Enfim chegou a faculdade ("oi, meu nome é Samuel e eu entrei em jornalismo porque gosto de ler e escrever"), as aulas de redação e o blog. Com o tempo, a condição de "diário" do Cometa Diário deixou de ser por causa da sua periodicidade e sim diário porque guardava confissões e histórias. Porém, de um jeito ou de outro, ele sempre serviu ao propósito de prática para escrever. Logo vieram também o blog da banda e o novíssimo blog de contos (sim, novidades!) que só serviram pra escrever mais ainda. E eu nem vou citar o Twitter.
Voltemos a premissa (maldito senso jornalístico). Não lembro quando o meu blog passou a ser mais "elaborado", (hoje em dia, por exemplo, eu não postaria isso - pelo tamanho e porque se refere tanto a mim que chega a ser inútil - nem isso, porque é tão profundo que caberia num tweet) mas lembro de alguns posts bem elogiados que devem ter marcado essa mudança.
Algo que me chamava muito a atenção era a Celli dizendo que eu ia me dar muito bem na tão temida disciplina de redação II. Na verdade, começou aqui, quando eu reclamava da frase "isso não é inspiração" e a Celli já profetizava "tu vai reclamar, mas vai acabar gostando". Depois lembro desse e depois desse e quando eu vi eu já escrevia pensando em quem ia ler, nos comentários e morrendo de vontade de fazer essa maldita cadeira de redação II.
(hoje a Celli só diz: "quem te viu, quem te vê..." xD)
E enfim chegou a cadeira, junto com a cadeira de edição, que é basicamente escrever também. Comecei o semestre bailando na curva, mas depois de uns textos peguei o jeito. Textos que eu entreguei morrendo de medo vieram com um ótimo. Os primeiros textos com nota, que o professor disse "se vocês tiraram 8,5, que foram poucos, considere-se satisfeitos" vieram com notas 9 e 9,6 (e algumas brincadeirinhas - hehehe). A primeira reportagem, que morri fazendo, entreguei atrasado e achei que tava péssima, veio cheia de risadinhas, "hehehe...", "rsssss...", muitos "muito bom" e "ótimos" e um comentário no final dela que me deixou estarrecido.
"MUITO LEGAL a reportagem, Samuel. Deu gosto de ler e também ri muito com o texto e as fontes que você desencantou. Muito bom mesmo. Fossem textos sempre assim, poderíamos também fundar um jornal no curso (um periódio quinzenal, por exemplo). VALEU!!!"
Aí nesse ponto, eu morri. Desencarnei, voltei a terra e lembrei que tinha que acabar um perfil dum cara loucão praquela aula, um texto que eu tava apanhando desde a noite anterior. Fui fazer, fiz do meu jeito, que é o único que eu sei a fórmula de cor, e acabei ficando por último na sala, só eu e o professor. Lá pelas tantas ele veio falar comigo. E eu achei que tinha acabado no comentário do texto o flagelo:
- Samuel, no que tu trabalha?
- Numa agência de propaganda.
- E o que tu faz lá? Redação?
- Ah, faço de tudo, redação, criação, web, atendo cliente...
- Ah, tu é do tipo escravigiário então? (risos)
- É, um pouco sim. (risadinhas sem graça) Mas trabalho lá faz tempo, carteira assinada e tals...
- Ah, então tu já tá colocado no mercado, ganha bem então.
- É, dá pra se dizer que sim. Tô bem até. Mas porque?
- Ah, tu sabe que tua redação é ótima né? Muito boa cara, sério! Se fosse pra escolher uma reportagem daqui da sala hoje pra publicar num jornal, a tua se encaixava bem certinha, só dá umas aparadas e tava ótima. E tu sabe que O Caxiense é um bom canal pra esse tipo de texto hoje em dia. Nunca pensou em trabalhar lá?
- Não, não, nunca pensei. Mas eles tão contratando gente?
- Não, eles nunca tão contratando gente. Jornal tu sabe como é né... (risos) Mas o chefão da redação lá quando começou me pediu: "tu tem algum aluno bom de texto aí pra indicar" e daí eu indiquei a tua colega que tá lá, porque tinha um texto muito bom. E o teu texto tá ótimo também, dá pra publicar já. Mas tu nunca tentou porque não quis ou tinha algum outro motivo?
- Ah, nunca tentei porque acabei crescendo no meu trabalho e fui ganhando bem. E sempre separei jornalismo como hobby, propaganda como trabalho. Dai acabei nunca tentando.
- E o Pioneiro, aqueles concursos que tem, tu nunca tentou?
- Também não. Nunca tive interesse por trabalhar lá. (#modeeeeeesto)
- Tu sabe que com esse teu texto tu ia emplacar no Pioneiro? Duvido que eles fossem ficar contigo só por seis meses (nesse momento, desencarnei de novo). Mas vou deixar tu acabar o teu texto aí. Era só pra ti saber disso mesmo.
O resumo da conversa na minha cabeça ficou mais ou menos assim:
"Olá Samuel. Aqui quem fala são seus três novos amigos, Ego, Superego e ID. O temido professor de redação disse que tu é bom o suficiente pra trabalhar num jornal. Escute ele. BU! Tchau."
A partir dali me perdi nas fichas. Atualizei minha frase para "oi, meu nome é Samuel, eu entrei no jornalismo porque gosto de ler e escrever e o professor de redação concorda comigo". Comecei a rever meus posts, minhas atitudes, MINHA VIDA. Meu emprego, minhas oportunidades, minhas palavras. E cheguei a conclusão de que precisava de terapia.
Logo, vim blogar.
Então, sei lá... a minha premissa de confundir vocês acabou me confundindo. Desculpem, sou um péssimo jornalista, apesar do que dizem por aí. A única conclusão que tirei foi que eu não teria o mesmo prazer que eu tenho escrevendo as vezes, do que eu gosto, escrevendo todo dia, sobre o que a pauta manda.
Eu não sirvo pra Homem de Lata.
Eu sou só um cara que tem um blog.
Sam dedica esse post ao dia do jornalista, comemorado dia 07 de abril. Parabéns colegas!

7 comentários:
Que máximo!!! Sorri alto na frente do PC ao ver o que o que o teu professor disse! Meu! Tu escreve muito bem! Investe nisso! Mas concordo que se tu for obrigado a escrever sobre uma pauta diariamente em um jornal as coisas persem seu brilho... Mas tu poderia começar tentando fazer um jronalzinho mensal no teu centro, não? Ou quem sabe... um jornalzinho bimestral em toda a UCS (toda, eu disse, no Campus 8 tbm!)... tu não a acha que vale a cara à tapa? Confia emti. Tu é bom. Vai ficar ainda melhor.
Observação: tu só contou até a terceira série. Mas quem ganhou o Concurso Literário de TODO O ENSINHO FUNDAMENTAL estando na 4ª série (até do do pessoal da 8ª!) FUI EU! E nem por isso acho que nasci pra isso. Mas gosto de escrever! LELELELELÉ... (sim, to achada agora por causa de algo que aconteceu à 500 anos! herheh) Mas vale a observação!
Abraço!
é... Quem te viu, quem te vê...
algumas coisas mudam. outras n.
"Much better a writer without audience, than an audience without the writer". (eu li isso em algum lugar)
O fato é que a formula de uma escrita são as boas idéias. Criar nem sempre se torna fácil, quando se precisa seguir uma linha editorial de qlgum veículo de informação. Mas infelizmente, mesmo o jornalismo do CQC é assim.
Eu gosto de escrever quando quero, mas a falta de obrigação me deixa preguiçosa às vezes... e sobram idéias, mas me faltam palavras... rimas.. e Aurora catarina.. anyway..
O que quero te dizer é que você tem a liberdade de criar se escrever um livro.. e alguém (com certeza) vai apostar no teu talento... mas o jornalismo é um bom treino de disciplina. Se eu voltasse pra casa.. ia ser minha opção.
=) Eu não conheço tua voz, mas eu ia escutar ela contando as coisas enquanto leio teus textos.
torço. Muito.
Oi =)
OOOOOWWWNNNNN.... *-*
(eu fico emotivo com comentários fofinhos vindo de alguns países de distância... xD)
você é realmente, realmente estranho
cara!
q afude!
a tua amiga de cima falou algo realmente interessante... um pouco de pressão tb faz bem, não deixa a gente enferrujar.
e bom... depois desse comentário do teu professor eu pergunto:
"porra meu!!! q q tu tah esperando?"
as vezes, a gente tem q ousar!
PS: lembrei de "marley e eu"... deve ser a semelhança com o escrever solto... ou porque eu vejo um futuro promissor.
Força guri!
Acredito em ti.
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