Tem um momento no especial “Thinky Pain”, do comediante Marc Maron, em que ele fala com o seu eu-criança que está chorando em um campo de beisebol depois de levar uma bolada na cara. Com a intenção de contar ao pequeno Marc um pouco do futuro, ele diz: “E honestamente, daqui em diante, sem mais heróis do esporte, (...), só solitários, pessoas desajustadas, viciados em drogas, pessoas que vivem à margem, comediantes, estrelas do rock, essas são suas pessoas. Acostume-se com isso”. Enquanto ele falava com o pequeno Marc, eu concordava do outro lado da tela.
Trailer do especial "Thinky Pain"
Gostamos de histórias de esportes por causa da superação: fulano treinou X horas por X anos e foi reconhecido na frente de todos. É a narrativa que queremos na nossa vida. Mas chega uma hora que, como o pequeno Marc, você vê que seu povo é outro. Foi assistindo os especiais do Netflix do Marc Maron, bem como os de John Mulaney, outro comediante que recomendo, que a identificação aconteceu. Os dois tem o mesmo estilo neurótico e ansioso de pensar demais no que os outros pensam e analisar as situações em que vivem.
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Além disso, os dois não são modelos da masculinidade clássica: Maron brinca que em caso de uma apocalipse zumbi precisaria de um macho-alfa para liderá-lo senão ia morrer logo, enquanto Mulaney fala de ter que retomar o controle sobre sua cachorra: “Como se eu tivesse tido o controle sobre ela alguma vez antes”.
Sempre falamos que representação importa e buscamos modelos de pessoas para seguir. Assistindo os especiais de Maron e Mulaney, percebi que as pessoas que me identifico são neuróticas e ansiosas, e que é possível lidar, fazer rir e criar arte dessa paranoia toda. E pela primeira vez, não tenho nenhum problema com isso.
E você: o que tem aceitado sobre quem você é ultimamente?
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