Comecei a ler recentemente A Mágica da Arrumação, da escritora e arrumadora profissional de casas Marie Kondo. Você deve se lembrar desse livro como o livro que você comprou para a sua mãe há dois anos quando estava bombando e ela nunca leu. Pelo menos para mim foi assim que aconteceu.
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| O segundo melhor livro de mágica depois de Harry Potter |
Dias atrás, em um surto de organização, resolvi pegar o livro da estante da minha mãe para começar a ler. Curiosamente, ela nunca havia tirado do plástico. Resolvi livrar o exemplar do seu invólucro que o ignorava pensando “como ela pode nunca ter aberto esse livro!” sendo que eu mesmo sou culpado de ter vários livros que nunca abri. Coisa de quem tem livro demais.
Passei rapidamente pela introdução. O livro tem uma leitura simples e fácil, e o estilo manual agrada: é simplesmente alguém te falando o que fazer. Na hora de organizar item por item, pulei o primeiro na lista dela (roupas – segundo ela o mais fácil de desapegar) e fui direto para os livros. E então que fui brindado com a máxima de Marie Kondo, um lema que ela repete várias vezes no livro nas mais diversas situações:
“A função dos livros não lidos é mostrar que você não precisava comprar aquele livro”.
Ela repete variações desse mesmo tema várias vezes no livro, como em relação aos cartões de aniversário, por exemplo: a função do cartão é ser entregue para você naquele determinando momento para celebrar aquele determinado momento. Depois disso ele é seu e você pode fazer o que quiser – inclusive jogar fora. As roupas compradas por impulso servem para satisfazer o seu impulso de comprar, não a sua necessidade da roupa em si, e por isso as peças podem ser descartadas caso você não use mais: elas já cumpriram o seu papel.
Concordei com muito do que ela falou, mas obviamente tremi na base quando se tratava de livros. Como assim, doar ou vender os livros que comprei e nunca abri! Eles tem valor... sentimental! “15% dos meus clientes nunca leem os livros que compraram e nunca abriram”. Mas eu faço parte dos 85%, Marie Kondo. Não me subestime! Eu leio meus livros!
Arya = eu
Faz um bom tempo que estou lendo As Crônicas de Gelo e Fogo, os livros que deram origem a série Game of Thrones. Cheguei ao quarto volume recentemente, mas falta bastante ainda. Para não cansar do ato de ler, procuro as vezes colocar outros livros no meio da minha leitura. Essa semana, resolvi colocar quatro.
Comecei a ler concomitantemente O Festim de Corvos, 4º volume das Crônicas, O Demônio na Garrafa, volume 1 da coleção de 60 volumes da Marvel que possuo, Receita Previsível, um livro técnico sobre a implantação de cold callings 2.0. no seu próprio negócio, e o já antes mencionado A Arte da Arrumação, da japonesa que quer descartar meus livros, Marie Kondo.
Inventei um sistema infalível de ler um pouquinho por vez em pequenas maratonas de 15, 20 e 30 minutos. É como se todas as leituras andassem juntas e eu avançasse junto com elas. Sem contar que assim não me canso de ler só As Crônicas de Gelo e Fogo, que parece que nunca terminam.
Inventei um sistema infalível de ler um pouquinho por vez em pequenas maratonas de 15, 20 e 30 minutos. É como se todas as leituras andassem juntas e eu avançasse junto com elas. Sem contar que assim não me canso de ler só As Crônicas de Gelo e Fogo, que parece que nunca terminam.
Fiz isso por uns dias, achando minha ideia genial, até que lembrei da frase da Marie Kondo: “A função dos livros não lidos é mostrar que você não precisava comprar aquele livro”.
E se eu não estivesse lendo os livros por prazer? E se eu estivesse apenas querendo provar para a Marie Kondo (e para mim mesmo) que sim, os livros eram meus e eu vou ler todos ao mesmo tempo e ela não vai tirar eles de mim?
Eu estava basicamente lambendo todos os chocolates da caixa de bombons e falando “esse é meu, esse é meu e esse é meu também. Ninguém vai comer nada agora que eu lambi tudo.”
Ninguém vai levar meus livros agora que eu comecei a ler todos eles.
Ler é gostoso
Desapegar é complicado. Não acumular é pior ainda. Anos atrás eu não tinha metade do que eu tenho e sinceramente a questão de espaço só me assombra cada vez mais. Por isso, cada vez que leio, leio com prazer: o que está em minhas mãos custou dinheiro, custa tempo e custa espaço. Se não valer a pena, não deve estar ali, com certeza.
Recentemente vendi vários livros em um sebo. Sai de lá com R$ 40 por vários livros que com certeza custaram bem mais e uma lição: o único valor que as coisas não perdem com o tempo é o valor que você dá, e mesmo assim ele deve ser avaliado de tempo em tempo.
Às vezes, vale a pena manter por perto o que você ama e avaliar o custo que as coisas tem. E as vezes, realmente, você está realmente só lambendo todos os chocolates.
Sam ama livros e chocolates

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