Ana e Seu Novo Amor

Ana era uma moça frustrada.

Apesar de ser uma moça bonita, talentosa, dedicada ao seu trabalho, amante de um copo de vinho no happy hour de quinta e um cineminha na sexta, todos os seus relacionamentos tinham ido por água abaixo. No alto dos seus 22 anos, já tinha escutado os motivos mais variados: "você não me dá espaço o bastante", "você me deixa solto demais", "acho que nós somos muito novos", "acho que nós já passamos da idade pra isso", "nós deveriámos ter seguido em frente", "nós fomos longe demais", e o favorito dela: "desculpa, mas a culpa não é sua, é minha. O problema sou eu".

Sempre que escutava isso, Ana deixava a feminilidade de lado e apelava para o feminismo e o seu direito de falar palavrão: "PORRA!!! SE A CULPA É SUA, PORQUE DESISTIR!!! UM CASAL PARTE DO PRINCÍPIO QUE UM TEM QUE AJUDAR O OUTRO!!! VOCÊ É O QUE, UMA MULHERZINHA???!!!" gritava sempre, logo depois de desligar o telefone. Então lembrava-se que na verdade, ela era a mulherzinha, e seguia o seu caminho natural de ir até a geladeira, pegar um pote de sorvete, sentar no sofá, ligar em uma comédia romântica tão açucarada que mataria um diabético e chorar, chorar e chorar...

Ana odiava clichês.

Mas foi em um clichê que ela se apaixonou novamente. Estava passeando na rua, tentando prestar atenção em tudo e nada ao mesmo tempo, esquecer o último babaca cagão que deu pra trás, quando viu, dentro de uma loja, o par de olhos castanhos mais sinceros que já havia visto na vida. Brilhantes, eles olhavam para ela demonstrando amor e carência, acompanhados de um sorriso que poderia mudar o mundo. O sorriso que Ana queria acordar observando todo dia.

Ela não podia perder tempo. Talvez ela deixasse pra outra hora e nunca mais fosse ver ele. Pensou nas noites em claro. Nas manhãs solitárias. Nos fins de tarde cinzentos. Lembrou-se dos potes de sorvete e das comédias românticas e, no alto de seu desespero e carência, entrou na loja correndo, foi até ele e despejou tudo o que estava sentindo:

- Oi. Você não me conhece e eu mal conheço você. Você pode pensar que eu sou louca, vindo aqui e despejando tudo isso na sua frente sem você entender nada, mas por favor, me escuta. Entenda apenas uma coisa: eu estou sozinha, desesperada e eu preciso de você. EU NÃO VOU FICAR PARA TITIA. Eu já li todos os livros de auto-sabotagem pra tentar descobrir o que eu faço de errado, já pensei em ficar sozinha, que é melhor pra mim, mas a felicidade só é verdadeira se for compartilhada. Eu preciso de alguém e eu sei que você é diferente. Todos são iguais, mas você é diferente. Quando eu vi os seus olhos do outro lado da rua eu senti isso. Talvez eu esteja pedindo demais, mas eu preciso de alguém que não vai me deixar na mão. Alguém que esteja lá quando eu preciso, nas horas boas e nas horas más. Alguém que me faça companhia. Alguém que, com um sorriso bobo no rosto, tire o peso do mundo das minhas costas. Que com uma palavra, me deixe sem palavra alguma. Que com o som da sua respiração, acalme a minha. E eu sei que encontrei esse alguém. Você precisa de alguém, e eu preciso de você.

Olhou fundo nos seus olhos castanhos novamente e perguntou:

- Você não vai falar nada?

Ele olhou no fundo dos olhos azuis dela e respondeu:

- Au!

Assim, Ana comprou seu yorkshire e pode dizer que finalmente, encontrou seu novo amor.

=)

Sam pergunta: seria todo homem um cachorro?

6 comentários:

Anônimo disse...

ainda bem q eu tive paciencia de ler ateh o fim! mas foi dificil! hauahuahauhau!

babi schneider

Samuel Rodrigues disse...

que que... pra quem leu as cinco partes do outro, esse era curtinho... xD

Anna.Kaito disse...

ahuahuahauhuahauhuahuahuahuahauhuahuahuahuauha XD
Eh, nada como o amor e a fidelidade de um amigo canino

Márcia disse...

eu quero meu cachorrinho *-*
pq segundo o alles vou morer sózinha :/
será que me resta um cachorro? =P

Samuel Rodrigues disse...

sim

HUAHAUHAUHAUH

#cruel

Unknown disse...

heaueahueahueaheauhaeueaheuhaeuehauehueahueaheauheau

muito boooom!