Senta aí que o titio Cometa vai contar uma história.
E ela começa mais ou menos assim...
Era primavera, provavelmente setembro ou outubro de 2002. As flores desabrochavam, os pintassilgos cantavam e os nerds iam bem nas provas. A 8ª série estava mais divertida do que nunca.
Sam e seu grande amigo Big Eddy (que chamaremos daqui pra frente de B. Eddy) sentavam nas duas primeiras classes da segunda fila vindo da janela. Sempre bem nas notas, jogando videogame nos fins de semana e mantendo seus pobrezinhos corações longe de qualquer paixão, os dois nerds viviam felizes. Eles, seus Gameboys e suas cartas de Magic.
Porém, era primavera. E com ela vinha o pólen, os jardins floridos... e os feromônios. E foi assim que uma série de paixões se sucedeu, naquela primavera de 2002, mudando a vida dos nossos personagens... para sempre.
1- Skid Row e Symphony X
Sam e B. Eddy sentavam ao lado de um colega cabeludo e estranho que tocava baixo. A coisa mais rock and roll que os dois escutavam na época era Linkin Park e Limp Bizkit. Era o auge do new metal e os dois não tinham muita culpa: Sam passava o dia inteiro assistindo MTV e B. Eddy tinha o dinheiro para comprar os CDs que Sam sugeria, logo, era isso que eles escutavam e ponto final. Sam ainda tinha recentemente comprado o primeiro CD do Gorillaz, mas porque era desenho animado, e a esta altura, assim como todos os seus semelhantes, os dois já deviam ter o CD com a trilha sonora do Pokémon. Ah, e os dois ouviam Nirvana. Eca.
Foi quando o colega que sentava ao lado deles sugeriu outras bandas para eles escutarem. Os dois já conheciam por cima algo de Led Zeppelin, AC/DC, Ramones, mas não tinham se puxado para aprender ainda. Então de repente foram questionados: "vocês já ouviram Skid Row e Symphony X"? Os dois não conheciam direito (Sam disse que já tinha ouvido falar, mas Sam mentia muito) e foram atrás. E o mais impressionante foi que os dois gostaram. E melhor ainda: Sam se apaixonou pelo metal progressivo do Symphony X, enquanto B. Eddy adorou o hard rock do Skid Row. Hoje é exatamente o contrário, o que é engraçado. Mas o importante é que ali tinha sido plantada a sementinha do rock and roll nos dois. Os dois meninos, que sabiam imitar direitinho o Mike Shinoda e o Chester Bennington do Linkin Park, finalmente estavam ouvindo algo decente.
Mais ou menos nessa época também, uma outra banda surgiu na vida de Sam. Foi assistindo a reprise de um VMA (eu já disse que ele passava o dia inteiro vendo MTV?) que ele viu a banda que seria modelo de vida para ele. A música pesada. A postura nerd. As roupas. Aquele W enorme no fundo, com jatos de fogo cortando o palco. E, acima de tudo, o detalhe que fez Sam se identificar com aqueles quatro meninos em cima do palco de uma maneira nunca antes vista...
Eles usavam óculos.
E foi assim que Sam começou a ouvir Weezer (calculem o efeito disso na cabeça de um menino de 14 anos. Foi FODA!)
Porém, a vida na 8ª série não é só rosas. Há provas, colegas chatos, aulas de educação física, e claro... há as trocas de lugares.
2- Meninas? BUUUUUU!
E foi assim que aconteceu: em um certo dia, numa manhã de quinta ou sexta, não importa, uma professora conselheira resolveu trocar a turma de lugar. E Sam saiu da primeira classe e foi parar na última, na segunda fila vindo da parede. Simplesmente inverteram totalmente a sua posição na sala. E Sam foi parar em meio a um monte de... meninas.
Sam não sabe em que momento que aconteceu, mas quando viu, estava se dando bem com as meninas. Especialmente aquela mocinha do seu lado, de cabelos encaracolados e pele branquinha (mas que corava quando ficava envergonhada ou ria demais). E os seus olhos. Ah... quão belos eram! Mas claro, Sam não sabia que pensava em tudo aquilo quando via ela. Para Sam, era só uma menina.
Talvez... tenha sido quando Sam escreveu um texto enorme pra aula de literatura. Isso, acho que foi. Enquanto muitos penaram para preencher uma página, Sam tinha escrito cinco ou seis páginas com uma história que envolvia uma festa de formatura, um assassinato e letras do Green Day e do Guns And Roses. Ele era maluco. Ficou realmente empolgado com a história, queria que todos da sala a escutassem, mas tinha vergonha de ler ela. Foi aí que a menina ao seu lado disse "deixa que eu leio".
(Na verdade ela disse: "Ah é, tu não vai ler? Então daqui que eu leio!" - e arrancou o caderno da mão de Sam. Ele sempre gostou de meninas de fibra, não adianta...)
Logo, ela elogiu Sam pela sua escrita. Sam gostou da agenda dela. Ela disse que tinha uma agenda nova todo ano. Sam começou a perceber que agendas eram algo importante. Ele se apresentou: "Meu nome é Sam". Ela também: "Meu nome é Bárbara". =)
Mas claro, Sam tinha outras amigas meninas, que ele conhecia há mais tempo. Havia uma certa galera rock and roll dentro da turma que ouvia Ramones. MUITO Ramones. Sam ainda não estava nesse nível de punk (ele ouvia Green Day) mas gostava daquela coisa toda barulhenta e do it yourself. Foi quando uma das meninas sugeriu "Tu gosta de escrever? Já tentou escrever músicas?".
Aquilo foi o início de uma nova aventura para Sam. Rimas, melodia, música, como ele nunca pensou nisso antes?! Sam começou a compor letras (ou o quer que fossem aquelas rimas estranhas que ele fazia) diariamente, em todo lugar, em cima de qualquer idéia. Logo, eram cadernos espalhados pelo quarto, na cabeceira da cama, sempre acompanhados de uma caneta para o momento em que a inspiração viesse.
E claro, Sam as vezes pensava nela. E escrevia sobre isso.
3- Festinha na Cobertura
Sam começou a ter um grande repertório de letras. Algumas mais melosas, outras não, mas tudo girando em torno de música, festa e garotas. Ele estava escrevendo rock and roll poxa, não tinha como fugir disso. Muitas delas surgiam em rascunhos que acabavam por tomar um destino qualquer, como a parte de cima da estante, a parte de baixo da cama, ou a parte interna da pasta de Sam.
Sam havia escrito uma "música" na qual declarava a sua paixão a uma "musa inspiradora". E essa canção foi uma das que foi parar dentro de sua mochila. Então, numa bela aula de geografia do fim do ano, daquelas em que tem apenas cinco alunos e a professora na sala de aula, a "musa inspiradora" resolveu mexer na pasta de Sam, já que ninguém tinha nada para fazer.
Medo. Muito medo.
Sam não sabia o que fazer! Ela ia descobrir tudo! Vai que ela gostasse dele também e eles acabassem tendo um final realmente feliz?! Isso não podia acontecer! Ele tinha que esconder aquela letra de alguma maneira!
(Já perceberam que ao invés de fazer a coisa mais fácil, a gente vai sempre pelo caminho mais díficil, só pra fazer um drama todo e voltar ao início? Pensem nisso...)
Sam então arrancou a pasta da mão dela, catou a letra lá dentro, a amassou e devolveu a pasta. Ela pediu "o que tu separou aí?" e ele "nada... só... algo". "Algo que pode mudar a nossa relação pra sempre", Sam devia ter pensado. Bocó.
Ela olhou as letras dele e achou o máximo. Ok, ela pode ter sido educada, mas ela realmente gostou. Ela pediu para Sam mandar as letras dele para ela, assim ela poderia ler todas. "Todas as letras?" pediu Sam. "Sim" disse ela. "Todas as letras."
Sam passou aquela tarde trancado em casa digitando todas as letras que só possuía escritas a mão e revisando as que já estavam digitadas no computador. Colocou um comentário ao lado de cada uma delas, explicando o porque da canção, a idéia atrás dela, a inspiração e detalhes assim. Quando acabou todas, só faltava uma a ser colocada no arquivo: "aquela" canção, na qual ele se declarava para ela. Deveria ele colocar? Não seria arriscado demais? O que ele deveria fazer?
O combinado foi que Sam iria escrever todas e mandar para ela por e-mail. A noite eles iriam se encontrar na casa de um amigo em comum que tinha uma cobertura com piscina (bons tempos de 8ª série). Eles iam jantar, conversar e assistir filmes, só a turminha dos mais chegados. B. Eddy também estaria lá. E ela estava com a agenda de Sam, que acabou levando para casa para escrever e fazer desenhos, mais ou menos como na agenda dela. Lembra que Sam descobriu que agendas eram importantes?
Ele pôs a letra no arquivo. Na última página. Como se fosse para ela não ser lida nunca. E como comentário, não pôs nada, apenas escreveu "essa é a letra que eu não te mostrei hoje de manhã, não sei porque..." e deixou assim. Enviou por e-mail para ela.
A noite enfim chegou. Eles se encontraram na casa do amigo em comum. B. Eddy logo chegou com o CD novo do Weezer que tinha sido acabado de lançar e que comprou naquela tarde, o "Maladroit", que Sam prontamente surrupiou para pôr no CD Player e logo preencher o ambiente com rock and roll nerd. Então, de repente, ela chegou.
Sam corou. Lá estava ela, lindíssima, com sua agenda embaixo do braço. Ele a cumprimentou, timidamente. Era como se mesmo com a sua camiseta nova do Led Zeppelin estivesse nu, como se ela pudesse enxergar através dele. Poxa, ela havia acabado de ler todas as suas anotações mais íntimas dos últimos tempos, ela realmente PODIA enxergar através dele.
Ela olhou para ele com aqueles olhos de quem sabia demais. Será que ela havia lido o que ele escreveu? Será que ela já sabia de tudo? O que será que ela pensava dele? Sam era só dúvidas naquele momento. Então, na primeira chance que teve em que ficaram juntos, sem muita gente por perto, Sam resolveu perguntar. Era agora ou nunca:
- E então... leu as letras que eu te enviei?
Ela olhou para ele, sorriu e respondeu.
Continua...
4 comentários:
que agonia esses teus "continua ..." ¬¬" heheheh
ahhh bons tempos, tudo era tão puro e simples... maldita internet que corrompe as novas gerações!
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah para! agora que tava ficando legal!
¬¬
esses joguinho de amor são sempre tão interessantes!!!
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