No último post...
Sam havia enviado todas as letras de música que havia escrito para a última pessoa que ele queria que as lesse. Na verdade, ele queria muito que ela soubesse de certas coisas, mas não sabia como dizer aquilo. E as músicas desempenhavam esse papel de modo perfeito: falavam tudo sem que Sam precisasse abrir a boca para nada. E no meio daquelas canções estava aquela, na qual ele se declarava pra ela.
E lá estavam os dois. Sam olhou para ela e perguntou:
- E então... leu as letras que eu te enviei?
Ela olhou para ele, sorriu e respondeu:
- Não, não li! Não deu tempo! Eu nem consegui olhar o meu e-mail hoje. Mas hoje de noite quando eu chegar em casa de repente eu olho.
Sam passou por todo o espectro de cores: amarelo, vermelho, roxo e degradê. Depois de respirar fundo, enfim respondeu:
- Ah... tudo bem! Daí depois tu me fala o que achou - e sorriu.
A noite continuou ótima. A janta estava boa, o spaghetti com molho branco estava delicioso. Depois de uma sessão de guerra de almofadas na salinha da TV ao som de Bad Religion - 8ª série, lembra? - resolveram assistir alguns filmes. Sam pediu PORFAVOR para pegarem filmes variados e não de temas parecidos, como filmes de carro por exemplo. Foram locados dois lançamentos da época: "60 Segundos" e "Velozes e Furiosos". 2002 foi um ano realmente difícil para o cinema nerd.
Ao fim da noite, cada um foi pra sua casa. Cada fim de encontro naquele fim de ano era uma despedida, já que quase ninguém ia pra aula (e todos ali não eram do tipo que precisava de nota) e quase todos já estavam com seu destino decidido em 2003. A grande maioria ia mudar de colégio, mas era algo como 10 pessoas que continuariam sendo colegas no ensino médio e Sam indo sozinho para outro colégio, onde não conhecia ninguém.
Mesmo assim, no outro dia, 7h30 da manhã, Sam estava na sala de aula. Quando ela chegou, ele se lembrou porque tinha acordado cedo aquele dia. Ela estava com aquele sorriso de quem sabia demais, o mesmo do dia anterior. Mas agora parecia REALMENTE que ela sabia de algo a mais.
- Oi.
- Oi.
- E então... leu as letras?
- Sim.
- Eeeeeee...
- ...e a gente precisa conversar.
- (Sam degradê MODE ON) Uhm... ótimo!
Os três primeiros períodos foram os maiores da vida de Sam. Aqueles 150 minutos pareciam que não iam acabar nunca. Então, finalmente, 10h. Recreio. Ele olhou para ela: "vamos aonde?". Ela respondeu: "Biblioteca, pode ser?". Ótimo. Excelente.
A biblioteca estava vazia. Se ela já era um deserto durante o ano, no fim do ano era quase um cenário pós-apocalíptico. Os dois sentaram na mesa mais longe da porta para ninguém escutar. Corpo inclinado pra frente, cotovelos apoiados nas pernas, mãos segurando o queixo. Ela começou:
- Então. Eu li o que tu me mandou. E preciso te pedir uma coisa.
- Sim. Peça.
- Uhm... tu... tá gostando de alguém?
- Uhm... sim.
- E... esse alguém... sou eu?
- Uhmmm... (a gastrite de Sam começou aí)... Sim, é tu.
- Olha... que bom. Porque eu também gosto de ti.
A 8ª série de repente era o máximo.
Eles provavelmente gazearam o último período e ficaram lá embaixo, no pátio, juntos. Conversando, se olhando, curtindo os silêncios e os suspiros. Aquilo não era nada perto do que eles podiam conseguir juntos, mas já era o suficiente praquele momento. No final da aula, perto do meio-dia, os dois foram para o portão do colégio. Sentados lá, ela começou a folhear a agenda dele, para ver o que Sam tinha escrito nos últimos dias. Tinham mais alguns alunos junto com eles (alunos do tipo que precisavam de nota no fim do ano) e o clima de férias já rolava solto. E então, no horário de sempre, a mãe dela chegou para buscá-la.
Ela deu tchau para ele, o abraçou (importante ressaltar, foi "Ô" abraço, daqueles que todo mundo sabe que já recebeu um de alguém especial) e foi embora. Sam ficou ali mais alguns minutos e resolveu ir embora. Começou a ajeitar suas coisas. Sua mochila estava aberta. Ele tinha aberto antes para pegar alguma coisa para mostrar para ela. Tentou se lembrar o que era, quando deu falta de alguma coisa. Ela tinha levado a...
- MINHA AGENDA! Ela levou a minha agenda! De novo!
- E isso é ruim? - perguntou um colega dele que estava perto - Tipo, tá acabando o ano já, tu não vai precisar mais dela.
- Se isso é ruim? Não, isso é bom! Isso É ÓTIMO! Agora eu preciso ver ela pra pegar a minha agenda de volta!
Sam estava adorando aquela situação toda, até que se lembrou que não tinha mais garantia de ver ela. Tinha ido para a aula naquela manhã porque sabia com certeza que ela ia, mas não sabia mais se ela ia no colégio e ele mesmo não sabia se continuaria indo. Só sabia que tinha que passar em algum dia dali a um tempo pegar o boletim. Mas não tinha idéia de como falar com ela.
Foi para casa pensando no assunto. Pensando MUITO no assunto. Chegou em casa, largou as coisas em cima da cama, como sempre, tirou o uniforme do colégio e almoçou. Jogou-se no sofá e ligou na MTV. Curtiu o ócio por alguns momentos, não viu nada de interessante na TV e ligou o computador para entrar na internet. Quando estava pronto para conectar, o telefone tocou. "É a última ligação da tarde", disse pra si mesmo, já que com a internet discada (2002, lembra?) o telefone ia ficar ocupado a tarde toda. Atendeu meio a contragosto:
- Alô?
A voz suave e agradável do outro lado respondeu:
- Eu... acho que fiquei com a tua agenda.
Sam sorriu. Ela também.
Continua...
5 comentários:
bem estranho ler isso... mas bem fofinho. como diria a lara "cometinha e seu fogo" hahaha
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaargh!
ah ô, mais um gancho é sacanagem!
Repito... esses joguinhos do amor são sempre tão interessantes!!!
huuauhauhauhauah =D adoro.
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