"Dumbledore Is Not Dead"

Caxias é cinza. E chuvosa. E cinza de novo. Nestes dias de inverno, sobretudo, boinas, luvas e cachecóis, Caxias adquire um certo ar... europeu. E se a Serra Gaúcha é a Europa do Brasil, Caxias com certeza seria Londres. Com algumas óbvias exceções: Caxias NÃO É Londres, nós não temos uma Penny Lane nem uma Abbey Road, o McFly não toca aqui de vez em quando e nós não recebemos corujas aos 11 anos com a nossa lista de materiais para o vindouro ano letivo escolar em Hogwarts. Mas candidatos a tal tarefa não faltariam. E com certeza grande parte deles, entre os quais eu me incluo, estavam ontem no cinema em uma das primeiras sessões de "Harry Potter e o Enigma do Príncipe", o novo filme do bruxinho que estreou esta semana.

E é algo impressionante de se ver. A medida em que se aproxima o início do filme, os gritinhos histéricos vão surgindo. Então, para ajudar, qual o trailer que passa antes do filme? "Lua Nova", aquela maldita franquia de vampiros, cortesia de Stephanie Meyer, feita sob medida para angariar os fãs órfãos de Harry & cia. Como se não bastasse Robert Pattinson, egresso do elenco de Harry Potter, fazendo o tradicional estrago no público feminino (se eu soubesse que ele ia causar tudo isso, teria torcido pra ele sofrer mais no "Cálice de Fogo" ¬¬''), o trailer ainda teve uma demonstração do físico de Jacob, o lobisomem Autobot (sério... tosco), que só adicionou mais gritinhos ainda a sessão. Passado o momento histérico e o trailer de G.I. Joe (dublado, mas prometendo muito!), entra em cena o logo da Warner e aos gritos de Helena Bonham Carter anunciando em alto e bom som "I killed Sirius Black!!!", começa o antepenúltimo filme da série.

(Gritinhos)

Há muito tempo atrás, aqui mesmo no blog, eu falei de uma série britânica chamada "Skins". Eu não sei se o diretor do filme, David Yates, assistiu a série ou não, mas com certeza a juventude britânica é muito mais interessante do que a americana, e isso é comprovado no sexto filme da série. A impressão que dá é que o "Enigma do Príncipe" é a mistura de Skins com bruxaria. Personagens se apaixonando, poções do amor, amores impossíveis, personagens bêbados, como se o único jeito para ser feliz em tempos de crise fosse se apaixonando. O trio de protagonistas é convincente nesta área e apesar de um beijo broxante entre Harry e Gina (aliás, beijo dado em uma sala que não existe e que ninguém viu), os ataques de ciúmes mútuos de Rony e Hermione valem pelo resto do filme.

Aliás, que trio de protagonistas! Sim, eles cresceram! E aprenderam a atuar! Emma Watson até ganha um decote em uma cena (pra quem teve os seus peitos diminuídos em um cartaz no último filme, isso é muito) e Rupert Grint aproveita toda cena possível para mostrar seu braço malhado. Sim, eu prestei atenção nisso. Daniel Radcliffe continua... Daniel Radcliffe. O que já é ótimo, piorar não pode mais. Mas o que vale a pena notar é a atuação dos três juntos, sintetizada na cena em que a Profa. Minerva pede "porque sempre que há confusão, vocês três estão sempre enfiados no meio?". A resposta de Rony: "eu venho me perguntando isso há seis anos, professora". Melhor, impossível.

O elenco de apoio, formado pelos melhores entre os melhores da Inglaterra, continua ótimo. A adição de Jim Broadbent ao elenco só veio a adicionar talento: ele parece mais natural do que nunca, como se realmente estivesse voltando da aposentadoria para dar aulas. O resto do elenco exerce novamente o seu papel e se tem alguma falha, é apenas por causa da concisão do roteiro em relação a história.

E é este o único ponto fraco. Em relação aos outros filmes, o roteiro está melhor do que nunca: não faltam explicações e boa parte do que está no livro está lá na tela, com suas devidas adaptações, claro. Mas tirar certas cenas cruciais do fim do livro, que estavam desde o lançamento do sexto volume da série sendo imaginadas na mente dos leitores e que de repente, "PUF!", não estão no filme, é demais... Mas assim como todo brasileiro é técnico da seleção brasileira, todo fã de Harry Potter sentaria na cadeira do diretor, sem problemas. Mas o filme só tem um diretor, então, contentemo-nos com o que foi feito.

Agora restam somente dois filmes. O que já é ótimo, já que só tem um livro sobrando. Mas em pouco tempo, Hogwarts silenciará mais uma vez, assim como silenciou depois do fim dos livros. Onde os fãs órfãos irão se apoiar? Não sei... Franquias surgirão (como já vem surgindo) e novas séries de livros também. Mas com certeza, o melhor apoio para nós serão os sete calhamaços e as muitas páginas de histórias que J.K. Rowling fez e que entraram para a história da literatura.

Trouxas ou não, estaremos lá. Seja para xingar ou para chorar. Os dois, provavelmente.

(p.s.: agora tenho um copo do Spock também. Ele se une a Enterprise e ao Spock. Ueba!)

4 comentários:

Dani disse...

Esse texto causou em mim o mesmo efeito q aquela musica que toca no início dos trailers.: um arrepio e uma olhada inconsciente pra janela à procura de corujas =.

Nunca fui muito dos filmes, mas tu me deixou morrendo de vontade de assistir esse. xD

sá# disse...

poisé, o filme foi meio decepcionante por faltar cenas muito importantes no livro (cade a Fleur? e o Gui/lobisomem???)
e eu continuo achando a gina totalmente sem sal. :D

Dani disse...

A gina é sem sal até no livro ¬¬

Samuel Rodrigues disse...

uhm... Dani, Sá, Sá, Dani... heuheuhe

e sim, eu tb acho a Gina sem sal... mas a estrela feminina-mor da série é a Hermione. não podiam tirar o brilho dela... xD