O Sol e a Mancha Amarela

"Não devemos acreditar que o sol é uma simples mancha amarela, e sim fazer de uma simples mancha amarela, o sol"

Essa frase aí em cima foi dita pela oradora da minha turma de formatura do 3º ano do Ensino Médio, que aconteceu há longínquos cinco anos atrás. Esses dias, graças a recuperação da filmadora da família (que tava num parente fazia tempo...), topei com a filmagem da cerimônia de novo e depois de assistir umas duas vezes só pra ficar assustado com os cabelos e as espinhas da galera, assisti prestando atenção no que ouvia, quando topei com essa essa frase aí.

"Expectativa é a mãe da merda", diz o ditado. E expectativa é tudo o que a gente tem depois que se forma. Sai do colégio, vai pra formatura, sai da formatura, vai pra janta, sai da janta, vai pra festa, sai da festa, cai no mundo. A minha formatura, por exemplo, aconteceu no dia 22 de dezembro de 2005, uma quinta-feira. Sai da festa, entrei no carro e fui pra praia. Cheguei da praia, fiz os dois vestibulares, e no dia 1º de fevereiro já estava trabalhando. Cai no mundo, literalmente.

(Naqueles dias na praia, a minha mãe chegou a comprar lençóis novos para mim usar em Porto Alegre, caso eu passasse. Doce expectativa. Uso os lençóis até hoje.)

A mancha amarela continuou sendo a mancha amarela por um bom tempo. Quando iniciamos algo muita abruptamente, quando caímos de cabeça em uma nova atividade, paramos de observar tudo o que acontece ao redor. Ainda mais nessa idade, em que a gente só dá valor pra coisas absurdas e não tem a mínima experiência de observação. Quando eu percebi, estava começando a faculdade e trabalhando e era isso. Se resumia a isso. A vida adulta assusta no início.

Mas a gente não percebe o quão incrível é começar a trabalhar. Como é bacana ter uma rotina, como é legal começar a acumular conhecimento acadêmico para a vida adulta. Tem que ter um olhar especial para isso. Três anos de faculdade depois você se pergunta onde estava aquele conhecimento que você teoricamente aprendeu lá no início... eu me pergunto isso. (Mas a balada fudida que você foi no fim do 1º semestre vai te marcar absurdamente!)

O segredo é olhar para tudo como uma formiguinha olha para o mundo ao seu redor. Observar o mundo como se ele fosse gigante, apaixonar-se diariamente pelo que faz, rever os motivos pelo que realiza tudo o que faz. E relembrar com gosto tudo aquilo que não sai da memória, por alguma razão que você não entende, mas que sempre que você se lembra fica com um gostinho doce na boca.

Tenho um grupinho de seis amigos do colégio que é fiel, digno de filme. Esses dias, recebemos um e-mail de um de nós, avisando que estava noivo. Nós sabíamos que ele seria o primeiro, nós sabíamos que isso ia acontecer um dia, mas mesmo assim foi uma notícia inesperada. Um de nós estava noivo. Um de nós ia casar. Um caminhão de memórias, dos nove anos que nos conhecemos os seis, atropelou a gente e não deu tempo de ver a placa. Um banho de água quente na nossa rotina adulta, aquela, que as vezes assusta.

E aos poucos, a mancha amarela toma a forma de sol de novo.

Graças a quem importa.

Sam é nostálgico.

6 comentários:

Gabriela Oliveira disse...

Nossa quanto tempo eu nao vinha aqui. E pra variar como um bom virginiano de 22 anos os pensamentos nao sao muito diferentes ... é incrivel como passa o tempo, e ainda bem q a gente percebe q no meio dele algumas coisas foram otimas mesmo tendo as ruins
vou ter q vir mais vezes ;)
bjo seaaaammm

Samuel Rodrigues disse...

pode contar que na história toda tem um capítulozinho envolvendo são paulo e um bando de designers... hehehe *-*

Sara disse...

"Expectativa é a mãe da merda." vou levar isso pra vida, serião! hahahaha
mas adorei o texto (como de costume) e, para mim, não havia momento mais propício para lê-lo! ;)

Anônimo disse...

valeu por me fazer pensar xD
muitoo bom mesmo
te amoo

Samuel Rodrigues disse...

suas lindas =)

valeu ;-)
voltem sempre!

Samuel Rodrigues disse...

e que bom que se identificaram!
quase nunca é a idéia
mas é sempre a intenção
heheheh