27 Anos Depois...

Hoje, no início da tarde, eu e o meu irmão deixamos os nossos pais na rodoviária.

Em uma inversão de papéis tremenda, depois de pelo menos uns 15 anos fazendo isso (acho que viajei a minha primeira vez sozinho lá pelos 7 anos, calculo eu), hoje nós dois colocamos eles no ônibus de viagem. O motivo era o fim de semana em Gramado que meu pai ganhou por completar 15 anos na empresa onde trabalha. De hoje até domingo, os dois estarão condenados a passar um fim de semana juntos, com vale-refeição de R$ 280 para os almoços e um hotel cujo slogan é "o melhor lugar da Europa... fora da Europa".

(Ruim né?)

Fato é que em, recém-completados 27 anos de casado, eu acho que os dois nunca fizeram isso. Como bem observou minha mãe, "ficar sozinho em casa eu e o teu pai com vocês dois fora já aconteceu bastante, mas eu e teu pai sair assim e vocês ficarem, eu não lembro a última vez". Eu lembro mãe. Nunca aconteceu.

Quando a gente é mais novo, busca por experiências, acontecimentos, fatos. A medida em que vamos ficando mais experientes, trocamos isso por segurança. Exemplo: eu gastei metade do meu salário no show do Paul McCartney, SÓ no ingresso. Metade. Mas porra, foi O SHOW DO PAUL MCCARTNEY. Minha mãe não sabe o quanto gastei até hoje, claro, ela ia surtar, mas enfim, é algo que vai ficar pra vida toda.

Na mesma semana, acredito que meus pais devem ter gastado mais ou menos o mesmo com móveis novos pra cozinha. Duas semanas atrás, foi um forno novo e uma geladeira que não precisa descongelar, sonho da minha mãe. Pela primeira vez, senti que me mudei: conhecia a velha geladeira marrom desde que me entendo por gente (tinha figurinhas do chiclete do REI LEÃO coladas na porta, calcula). Ela era meu último link com minha vida pregressa na antiga casa com paredes azuis, desde que os meus móveis com desenhos da Disney foram pro espaço. Agora ficou tudo na memória.

Mas contar com a memória talvez tenha sido o aprendizado mais importante dos meus pais no momento em que estão vivendo. Depois de colecionar acontecimentos quando novos, está na hora deles adquirirem segurança, adquirirem bens, porque não, montarem a estrutura que aos poucos vão deixando para os filhos. Mesmo que isso custe deixar de colecionar fatos e acontecimentos de vez em quando. Por isso mesmo que cada conquista nossa é supervalorizada: a formatura, o primeiro carro, um novo emprego. Já que já passou da fase deles de terem esses acontecimentos na vida dele, eles vivem esses fatos pela nossa vida.

É e verdade o que dizem: aos poucos viramos os nossos pais.

Mas assim ó: não tem porque se assustar. Você pode até não concordar com os seus pais e pensar que o que eles não nos ensinam em casa, o mundo nos ensina lá fora. Parece papo-furado mas é verdade: os pais são os melhores professores. E ainda voltam a falar contigo depois de tu virar a cara pra eles. Experimenta brigar com um chefe e depois esperar que ele venha te dar boa noite. Nem sonhe com isso...

Por isso, nada de errado em crescer. CRESCER, não AMADURECER. Como diria meu querido sogrinho (outro que ando escutando bastante), "não quero amadurecer, porque o próximo passo depois de amadurecer é apodrecer". Cresça em corpo e mente, mas conserve aquela velha essência de colecionar fatos, de adolescência, aquela vontade de descobrir coisas novas. Nem que essa coisa nova seja um findi em Gramado, longe dos filhos, tá bom já...

Mas não espere 27 anos, ok?

Seus lindos... *-*

Sam ainda vai passar um findi em Gramado

5 comentários:

Celli disse...

adoro tua mãe. manda beijo!!

Samuel Rodrigues disse...

pó dexa! =)

Anônimo disse...

muito bom, Sam!

sou tão nostálgico que não pude deixar de me emocionar. Sério!

grande abraço, man!

Gabriela Oliveira disse...

='( snif com esse teu post viu (nossa como a gente ta ficando velho que horror) ... #adoro passar aqui
bjooo

Samuel Rodrigues disse...

own, seus queridos! *-*

sim, a gente tá ficando velho
mas isso é coisa que acontece

a menos que vocês se chamem benjamin button... o.O