(As luzes se apagam. Começa a tocar a música do formando. Ele entra, todos aplaudem. Baixam o volume da música. Os convidados sentam. Ele pega o microfone e começa a falar.)
Antes de tudo, eu tenho que dizer que todas as vezes que eu me imaginei entrando no salão pra dar início à formatura, todas as vezes em que eu fiz mentalmente essa cena na minha cabeça… eu tropeçava na porta de entrada. O fato de eu não ter caído já me deixa muito feliz! (risos)
Então… há mais ou menos um ano, no início de setembro, eu fui em duas formaturas seguidas, um findi depois do outro, e comecei a pensar na minha. Quando eu percebi, aquilo virou meio que uma obsessão: que música entrar, que roupa usar, que modo agir, que pessoas convidar... tudo o que eu pensava parecia vir de encontro a minha futura formatura. Mas cada corrente de pensamento acabava na mesma ideia: "quê quê... falta um século pra mim me formar."
Nesse ano que se passou, eu descobri: um século passa rápido.
E descobri também que a gente não dá valor para o tempo e para o que ele pode fazer com a gente. A gente espera pelo fim do semestre, pelo fim do expediente, pelo fim do dia. Mas reclama do fim do prazo, do fim do salário, do fim da música. E é tudo culpa do tempo. Pobre relógio... mal sabe o que faz. Se ele pudesse se defender, provavelmente diria "Mas eu sou só engrenagens! Posso ser adiantado, atrasado... quem controla o tempo é vocês!".
Eu daria razão para o relógio. E olha que eu já quis que o prazo do trabalho durasse mais, já quis que a festa não acabasse. Mas eu acho que a gente amadurece quando entende que o tempo não deve ser desafiado, e sim tratado como um bom amigo. Por exemplo, troquem na frase a seguir "tempo" por "amigo": 'afinal, trabalhando com tempo e planejando as coisas com tempo, a gente sempre consegue tomar uma cerveja com tempo no fim do dia'.
Fechou direitinho, né?
Nós criamos diariamente ao nosso redor probleminhas de mentirinha para não encararmos os nossos problemas de verdade. Sim, isso é de um filme do Woody Allen, vocês não acham que eu ia fazer um discurso de formatura sem citar ele né! (risos) Mas tem uma frase de um primeiro-ministro britânico que eu aprendi nos meus últimos dias de universidade e que eu vou levar pra vida que diz assim: “a vida é muito curta pra ser pequena”. E é bem isso.
Não percam seu tempo com ‘picuinhas’, como diria meu chefe. Não é que as coisas pequenas não façam sentido, mas a graça é perceber que as coisas grandes fazem muito mais sentido! Essa frase é da Lili, óbvio né gente. Por isso, pensem grande. Não procurem milhares de motivos para viver grandes sentimentos; vivam grandes sentimentos que não precisam de milhares de motivos para existir. ESSE é o grande motivo deles existirem. Não se constroem grandes prédios sem bons pilares, mas não se constroem bons pilares sem uma boa intenção por trás... tá dando pra entender?
Tá, eu paro.
Talvez vocês todos já saibam disso, mas sabem né, eu com microfone e plateia, vou loooonge… Nunca deem um microfone para um baterista. A gente adora.
Tá, eu paro.
Talvez vocês todos já saibam disso, mas sabem né, eu com microfone e plateia, vou loooonge… Nunca deem um microfone para um baterista. A gente adora.
Por isso, depois desse grande discurso grande, tudo o que eu tenho a dizer é que espero que todos tenhamos uma grande noite, uma grande festa e que ela acabe com todos nós numa grande cama redonda, com um grande espelho no teto!
Muito obrigado e boa festa pra nós!
(Aplausos. O formando abraça a família. Começa o vídeo com os melhores momentos. A festa continua.)
Sam não vê a hora de se formar.
3 comentários:
Também não vejo a hora, mas não farei festa e nem nada. Minha alforria vai ser decididamente uma viagem pela Europa, principalmente Alemanha. Quero poder praticar meu alemão de 3 semestres de aprendizado que tive que trancar por conta da maldita faculdade.
Nossa, nossa. Adorei! Principalmente a grande cama redonda, com o grande espelho no teto. Acho que quando alguém vier ser rude comigo eu vou dizer: tomara que a gente acabe em uma grande cama redonda, com um grande espelho no teto.
No sentido de que é possível abrir mão de tudo e se divertir. É uma perspectiva bastante saudável, harmonioza, até John Lennon ia curtir. Hahaha.
Lili
vane: nossa, eu pretendo muito viajar ainda. mas agora, acho que vou esperar a formatura mesmo, tanto pelo tanto de idealização em cima dela como pela organização da viagem. quero que seja perfeitinho tudo =)
lili: a gente sempre acha as respostas pros problemas da humanidade de forma tão fácil né? em conversas de bar, em posts de blog... os outros que não escutam a gente... hehehe
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