"Here Comes The Sam, tchurururu..."

As vezes, a simplicidade nos presenteia com momentos incríveis...

Neste domingo de dia dos pais, depois de uma madrugada ociosa e imprestável (sexta cheguei às 4h da manhã semi-bêbado, sábado cheguei a... 1h30min?) assistindo o desenho do Batman, um documentário do aniversário do John Lennon e coisas que passam de madrugada que não convém citar aqui (madrugada ociosa, calculem...), me deparei com um dia inteiro para não fazer absolutamente... nada.

Domingos assim normalmente são destinados a ócio total e são ocupados com um sono despretensioso, como se o mundo não tivesse rodando lá fora com milhares de coisas bacanas para fazer e você realmente pudesse perder uma tarde dormindo. Mas não, comigo não!!! Resistindo firme e forte, e sendo auxiliado pelo fato de que meu pai e meu irmão estavam ocupando a TV (minha mãe tava dormindo, como de costume), me tranquei no quarto e só com a luminosidade pálida da neblina que entrava pela minha janela, me atrevi a ter um domingo... simples.

Primeiro, ataquei a pilha de "Heavy Metal", revista americana de quadrinhos que tá na minha mesa há um século, cortesia do chefe que as emprestou depois de me prometer durante um ano e ter achado elas sem querer numa limpeza da casa. 100 páginas de quadrinhos internacionais, tudo em inglês (jura?!), cada um com um traço diferente e loucuras pessoais, de artistas principalmente europeus (a revista era feita na França e reimpressa nos EUA). São histórias curtas, a grande maioria sem um final e sem muito sentido se lidas sem saber do que a história maior tratava. Porém, talvez aí que está a magia da coisa: como não havia toda aquela carga histórica de saber o que aconteceu antes, eu pude me deter a detalhes que normalmente passam na leitura normal, como estilo de texto ou até mesmo os desenhos. Talvez por causa do tamanho da revista (o tamanho de uma Veja, digamos, maior do que o tradicional formato americano das HQs comuns) ou dos temas variados - de ficção científica a coisas que não convém citar, mas que passam de madrugada na TV a cabo - a experiência toda acaba se tornando algo muito interessante. Ainda tem umas dez lá, esperando avidamente para serem devoradas. Aguardem-me.

Depois de terminar a revista, com a cabeça cansada da leitura, resolvi relaxar. Pus Beatles tocar no celular (sério, mesmo sem querer, o XpressMusic 5130 foi a melhor escolha que eu podia ter feito) e me sentei na cama. Bloco de folhas A3, Beatles e... giz de cera. E dê-lhe desenhar.

Agora para pensar: quanto tempo você não para tudo e resolve desenhar? Eu deveria fazer isso mais vezes, já que tem a ver com o meu trabalho e tudo mais (e sendo fã de HQs, é o mínimo...), mas paro para pensar: quantas vezes aquele momento vazio, aquela hora que a cabeça fica sem ter o que pensar e acaba pensando besteira, quantas vezes esses momentos não seriam curados simplesmente pegando um papel, uns lápis de cor e... desenhando?

E assim passou voando a minha tarde. Ao som de Beatles, fui colorindo o que vinha a cabeça. Comecei fazendo um auto-retrato, algo que venho treinando há algum tempo, tipo uma assinatura, que quando eu conseguir reproduzir no computador eu trago pra cá. Foi quando começou a tocar no celular "Here Comes The Sun". Olhei para o desenho que tinha feito e, no momento de epifania, surgiu a brincadeira do título do post: "Here Comes The Sam..." (e que acreditem ou não, começou a tocar AGORA no meu Media Player no PC). Naquele momento eu parei e pensei "ok, será uma tarde agradável".

Foram umas cinco páginas, até acabarem as canções que eu tinha no celular. Foram parar no papel "She's Leaving Home", "Being For The Benefit Of Mr. Kite", "Lucy In The Sky With Diamonds", Yellow Submarine" e muito mais... o dia tava branco lá fora mas naquele momento eu tava deixando ele mais colorido. Beeeeeem bacana.

Depois de desenhar, fui pro videogame. Depois do videogame, fui ver TV. Aí eu só queria jantar e dormir e acabar o domingo pra vir pra cá e escrever de uma vez. Na próxima vez que precisar de sorrisos fáceis, lembre-se da receita: folhas em branco, giz de cera e simplicidade. Se o seu irmão entrar no quarto e falar "mas tu é nerd mesmo, hein?" nem dê bola. O segredo é saber curtir as coisas simples da vida.

No caminho pro trabalho, hoje de manhã, ouvindo músicas aleatórias no celular, saí de casa ouvindo "Carry That Weight", do Abbey Road. Quando acabou, pensei "bem que podia tocar The End". E, em meio as mais de 100 músicas que tinha pra tocar, tocou "The End". Quem já ouviu o Abbey Road sabe a emoção que senti. Pra quem não ouviu, entenda assim: foi algo simples, quase nada. Mas foi ótimo!

=)

2 comentários:

L. Skywalker disse...

nada como uma corridinha na chuva pra descobrir o quão bêbado se está...
hauhsuahushaushuahs

e... semi-bêbado eh bom (Y)

Celli disse...

quem te viu quem te vê.²
tu ta passando por uma fase de auto-descobrimento full. enjoy!