Minutos de Ódio

Odeio eleições.

Odeio eleições.

Odeio eleições.

(Deu pra entender né?)

Adoraria dizer que sou assim desde pequeno, mas sou um cara sincero e isso seria uma mentira. Tenho lembranças claras em minha mente de sair em carreata, bandeira na mão, xingando quem tivesse um número diferente do meu estampado no adesivo no peito. Não sei como começou e nem sei como terminou, mas sei que chegou uma hora que eu olhei pra toda aquela parafernália, toda aquela exaltação, toda aquela ebulição de hormônios pra escolher alguém pra "mandar" na cidade, olhei pra tudo isso e me questionei calma e racionalmente:

"Mas que merda é essa?!"

A partir daí, não dei mais a mínima pra eleição. Na verdade, tenho memórias duma época em que passava Beast Wars, aquele seriado de animação dos robôs-animais-transformers, exatamente no horário em que minha família adorava sair pra carreatas. E eu tinha que deixar a tevê e ir junto. É, tenho motivos pra odiar isso.

A partir daí me tornei, no melhor sentido, um alienado político. Como diria meu irmão "tanto fez quem é o presidente do Brasil, eu não vou saber mesmo". Tá, eu sei quem é, mas foda-se, eu não dou a mínima. Ponto de vista explicado, vamos as conclusões.

É de conhecimento público e geral que, na nossa cidade, a campanha política na TV e nas ruas não fez a mínima diferença. Afinal, desde o segundo semestre do ano passado já sabemos quem vai concorrer a eleição. Duvido que alguém está escolhendo o candidato assistindo o horário político. Ainda mais com a nossa enorme variedade de opções (pelo menos assim temos só um turno). Aliás, quem assiste o horário político o faz apenas para rir dos vereadores. Isso é fato também.

Mas fato é que, mesmo considerando-me totalmente a parte das eleições em geral, não consigo não ser afetado por elas. E isso me deixa ao mesmo tempo espantado e puto da cara. Explico. Tenho um candidato de preferência, claro. Minha família sempre votou no mesmo partido e nunca fui diferente a isso (até gosto, não tenho que escolher candidatos, só pedir pra minha mãe em que ela vai votar). O que acontece é que quando dá o horário político do outro candidato, mesmo não dando a mínima, estou lá eu, olhando, de canto de olho. E quando eu vejo, estou eu na frente da TV, xingando o horário político! Quando menos espero, eu estou lá "Ah! Grande coisa que tu fez isso na tua gestão!"

Mas peraí... não era eu que não dava a mínima? Será que eu sou tão afetado pela propaganda assim? Poxa, eu achei que eu era mais forte! Ou será que isso é natural? Fico com a última resposta.

Essa minha atitude de ódio me lembra o livro "1984", de George Orwell, obra-prima e pilar de toda uma geração de obras de ficção científica que retratam um futuro dominado por um governo totalitário. A obra, que para mim ao lado de "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley é um dos melhores livros que já li, ficou conhecida por trazer ao mundo o conceito do "Grande Irmão", ou na obra original, "Big Brother". Antes de ser desvirtuado por aquela "coisa" que chamam de show de realidade, o "Grande Irmão" era o governante do regime regente no livro. Em cada canto da Londres cinza e futurista em que o livro se passa, o Grande Irmão estava lá, rosto estampado em um cartaz, na parede, onde fosse, sempre observando o que você estava fazendo, o que não estava fazendo, o que estava planejando fazer...

Mas é outro ponto que lembra minha atitude de ódio. Em "1984", Londres e todo o continente da Oceania estão em guerra com alguém. Os dois inimigos são a Lestásia ou a Eurásia, não se sabe quem. Enfim, é algo que só lendo para entender. Na programação diária deste regime autoritário do Grande Irmão, há os chamados "Dois Minutos de Ódio".

Durante estes dois minutos, é ligada uma televisão que fica exibindo a imagem de Emmanuel Goldstein, suposto antigo militante do partido da Oceania que traiu o movimento e partiu para o lado dos inimigos (segundo meu amigo Wikipedia, baseado em Leon Trostky). Durante os "Dois Minutos...", a imagem de Goldstein fica declarando suas idéias e planos. Quem está assistindo então, declara sua raiva e começa a gritar e xingar a imagem dele. O personagem principal do livro, Winston Smith, na primeira ocasião em que isso é mostrado na obra, a princípio não entende o porque de tanta revolta contra uma imagem. Segundos depois, ele se pega xingando a televisão, exatamente como os outros, pronto para esmagar o pescoço de Goldstein com toda a sua força!

Durante a Primeira Guerra Mundial, comediantes ingleses, em resposta ao ódio alemão por todas as coisas britânicas, brincavam com a imagem de uma família prussiana sentada ao redor da mesa da cozinha realizando a sua sessão de "ódio diário". Bombardeios diários que tinham como objetivo apenas incomodar o outro lado da trincheira eram realizados diariamente por alemães e ingleses e também ficaram conhecidos como "dois minutos de ódio" diários. Fico imaginando se a evolução natural destes momentos de ódio foi o nosso adorado horário político.

Conclusões a parte, leiam o livro. Por aqui, felizmente, hoje é o último dia de campanha. Felizmente também ainda não vivemos sob um regime autoritário como o do "Grande Irmão". Mas confesso que tamanha propaganda faz mal. E isso vindo de alguém que trabalha em propaganda deve ser considerado. A área da comunicação é uma das mais perigosas do mundo; quem entende o livro percebe quanto estrago a informação (ou a omissão dela) pode causar. Por isso, abram seus olhos, ouçam bem, falem quando necessário e não acreditem em tudo que lhe disserem.

O Grande Irmão zela por ti.

5 comentários:

LILI ... disse...

todo esse post aconteceu pq?

pq vc se questionou.

mas infelizmente, anda parecendo crime que eu faça isso!

sabe?
vou colocar a bandeira na mão. um adesivo no peito, abaixo desse rosto triste...

e vou sair assim.

eu vou ser a pessoa mais infeliz do mundo. mas eu vou ser a pessoa certa! um exmplo de menina.

Gabriel disse...

qq a guria de cima disse??

=/
tu eh chato =D
eh bis pra se feliz hahahahha

Celli disse...

porra meu. não desmerece a porra do meu trabalho. hoje por sinal, sabe quem recortou e montou os jornais que apareceram na tv?? euzinha aqui ó!!! :P tô ficando famosa!!! hahahaha

Eu ia escrever um longo texto sobre isso aqui. Mesmo. Apaguei tudo. Pq cara... discutir política é o mesmo que futebol. Mas confesso que depois dessa eleição, minha mentalidade política mudou muito. Eliminei uma série de preconceitos que tinha antes. Embasei outros tantos.

Mas o mais importante de tudo: Pepe Vargas é o irmão gêmeo de Charlie Brown e o Sartori tem um moicano invertido.

Mazzocchi disse...

Eu sempre quiz dizer isso, mas nunca consegui me expressar da forma que tu fez!
Tiro as palavras da minha boca.

Mas eu ainda prefiro continua sem expressao e falando merda...

LILI ... disse...

1º...

a guria de cima, se chama lilian e eh muito legal, tah! heueueh

e ela disse q ia fz oq todo mundo faz... então ninguém ia importunar ela por ser diferente.

não eh política partidária q todo mundo adora? então tá, vamo lá...!!! sacudi as bandera.

foi uma ironia.

;D

hahahaha

tá hilário isso! se eu dissesse que a honestidade morreu aqui na minha vida, vcs iam olhar e dizer "q pena a dela".
haha

mas se eu digo q morreu meu voto, eh um alaaaarde
ahsuasuahsuha

ahco q ninguém entendeu nada né!

tudo bem, eu voto em bento mesmo.

=)