O Primeiro Cartão de Dia dos Namorados

Ah, o amor. Essa arraia malévola que nos faz acreditar que tudo é possível...

Esse ano, pela primeira vez, comemorei o Dia dos Namorados. Na verdade, antes, ele simplesmente não existia no meu calendário. Minha maior atividade de Dia dos Namorados até hoje foi ano passado ir no shopping com o Edú, já que a namorada dele tava trabalhando nesse dia. Nós compramos os baralhos de Star Wars nesse dia fatídico. Foi legal, anyway. Mas né... não era Dia dos Namorados mesmo.

(Pra não dizer que tô mentindo, esse ano ele foi lá em casa no sábado a tarde, já que invertemos a nossa situação do ano passado, e foi legal também.)

Daí esse ano, pela primeira vez, pude sentir o frio na barriga que é comemorar uma data pela primeira vez. Vou ressaltar bastante primeira vez porque realmente, isso parece importar muito. Sabe 'a primeira impressão é a que fica'? Então... Grande parte era preocupação minha, claro, queria realmente que fosse algo legal e divertido, ainda mais porque envolve não só eu como alguém que eu me preocupo e gosto muito (e sei que ela sente o mesmo por mim). Mas o universo põe uma pressão que parece que tudo vai dar errado, então tem que ser realmente bom.

E claro, sendo desculpa para jantar comida boa, tomar vinho e ganhar presentes, tá valendo.

Porém, a Lei de Murphy adora marinheiros de primeira viagem (viu como o 'primeira vez' era importante?). Comprei o presente meio que na pressa, devido a situação financeira do indivíduo que vos fala (contei com uma pequena ajudinha - BRIGADO MÃE, BEIJO!), e cada vez que lembrava que a minha querida namorada tinha comprado o meu presente há mais de um mês, ficava pensando: "nossa, ela estava muito preparada! E eu não!"

Na quinta-feira da semana em questão, me mandei para o shopping comprar mais alguma coisa. Não que a primeira coisa que tinha comprado não fosse legal, mas né... um grande abraço a todos vocês que falaram que coisas do Boticário realmente não são muito pessoais e soam como 'não sabia o que comprar'. Não os culpo, é verdade; eu sentia exatamente a mesma coisa e aos poucos a consciência pesava e mandava eu ir atrás de alguma coisa mais fofinha.

Mas além da coisinha mais fofinha, algo a mais pesava: o cartão.

Na quinta-feira do parágrafo anterior então, passei um tempinho no shopping e seguindo dicas das amigas (BRIGADO FER, BEIJO!), fui pra Puket, aquela adorável e colorida e cheirosa loja. A moça que me atendeu tava de macacão para dormir. Só isso já valeu a minha compra. Adquiri uma meia-sapatilha com aroma de morango extremamente lovely ("o cheirinho dura cinco lavagens" disse a moça de macacão), pra usar em casa, super confortável.

(Olhei também as lingeries e calcinhas e descobri que vou adorar passar horas escolhendo alguma para dar de presente. Ô diversão. Mas ficou pra próxima dessa vez.)

Comprado o 'complemento' do presente, vamos para o cartão. E foi aí que a coisa complicou. Fui para a Saraiva ver os cartões e me impressionei com o que vi. Comecei a ler os cartões e simplesmente me faltou ar. Não vou conseguir descrever perfeitamente o que senti lendo os cartões, mas foi mais ou menos assim:

"Você é minha razão de viver. Você é minha razão de existir."

Não!

"Você é o motivo pelo qual levanto todas as manhãs."

Não! Não!

"Você é o ar que eu respiro, você é o que eu tenho de bom na vida, você é tudo, tudo!"

Não! Não! NÃO!

ISSO ESTÁ MUITO ERRADO!

Mais ou menos todos os cartões seguiam essa linha. Era uma sequência de lamentos que clamavam por atenção e piedade. Sério. Eu comecei a pensar se aquilo realmente representava o que alguém sentia por outra pessoa. Se aquilo descrevia alguma relação, gente do céu... eu teria medo de passar perto desse casal. Mas todos os cartões estavam tão convictos de que era assim que o amor era que comecei a pensar: "nossa... segundo esses cartões eu nem gosto da minha namorada!".

Resultado: comprei só um envelope e fui para o caixa. Estava decidido a fazer o meu próprio cartão, com espaço para falar o que eu quisesse e da maneira que eu quisesse. Se alguém entendia do que eu sentia, esse alguém com certeza seria eu! Fui ver as revistas para comprar algo junto com o envelope, afinal, devia custar uns R$ 0,50 e eu não tinha troco. Vi que a edição deste mês da revista Vip já tinha chegado. Fui para o caixa e descobri que não podia comprar o envelope sozinho; ele era o complemento do cartão. Falei para a moça do caixa (que aliás, já é minha amiga , BRIGADO MARINA, BEIJO!) que eu realmente não tinha gostado de nenhum cartão. A chefe dela olhou para o relógio, já eram 22h passada, e simplesmente proferiu: "ah, pode dar o cartão para ele".

(Pensei até em fazer uma camiseta depois disso: "Samuel McQueen: desde 2011 entrando em livrarias para comprar cartões para o Dia dos Namorados e levando revistas masculinas e envelopes vazios". Ia ficar massa, vai dizer.)

Fui embora com a minha revista, meu envelope, minha meia e a obrigação de escrever algo que realmente descrevesse o que eu penso. E veio fácil, sabe? Na sexta-feira, passei o texto para duas amigas para ver o que elas achavam (BEIJO FER! BEIJO SAH!) e mediante aprovação e ameaças de lágrimas, julguei que tava bom o bastante. No sábado, trabalhei até as 15h, cortesia dos meus chefes, e antes de sair do trabalho, fiz a arte do cartão e imprimi. Mostrei pro meu chefe. Disse "olha, eu posso ser um cão as vezes, mas de vez em quando faço algo que presto". Ele simplesmente disse "Muca... isso aí tem que publicar!".

Naturalmente, não ia publicar antes do Dia dos Namorados. Mas né... agora dá. A arte não tá das melhores, mas nesse caso, (como era primeira vez, lembra?) o que importa é a mensagem.


Realmente, ninguém melhor do que a gente pra saber do que a gente sente. Uma terrível construção frasal, mas com uma verdade quase óbvia, que a gente sempre ignora. Ou eu realmente tenho futuro pra escrever cartões ('500 Dias com Ela', oi?). Te cuida, Joseph Gordon-Levitt, eu já me visto que nem tu, hein?!

De qualquer jeito, foi divertido. Ela gostou, gostou dos meus presentes e eu agora tenho um ursão de pelúcia com um coraçãozinho escrito "Eu Te Amo", que ironicamente vai fazer companhia as minhas pelúcias do Mario e do Yoshi. O resto da noite de sábado foi meio comunitário demais pro meu gosto, mas o domingo foi passado na sala dela jogando 'Harry Potter e a Câmara Secreta', que por sinal, nós viramos. E nada como passar esse dia em especial ajudando a namorada a matar um basilisco. Toma essa, Tom Riddle!

E que venham mais cartões, mais presentes e mais jantas. Mais e mais.

Porque esse eu curti.

Sam pretende fazer o cartão antes ano que vem

3 comentários:

Sara disse...

aah que lindo o cartão!! ;)

Samuel Rodrigues disse...

as vezes eu me puxo ;-)

Edú disse...

não significo nada nosso dia dos namorados?? poww.. hueuheheuehuee